REsp 1927208 - DECISAO
O acórdão reconheceu que o autor faz jus à redução da jornada de trabalho nos termos da Lei 1.234/1950 e ao pagamento de horas extras pelas horas prestadas além de 24 horas semanais, com reflexos em férias, 13º salário, gratificações e adicionais; entretanto, entendeu que a GEPR é devida apenas a servidores que...
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- Parties
- Recorrente: José Augusto de Oliveira; Recorrida: Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEN
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 November 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão
- Outcome
- Recurso Especial conhecido em parte e, nessa extensão, negado provimento
- Legal Topics
- Jornada De Trabalho Reduzida, Indenização De Horas Excedentes, Gratificação Específica (gepr), Servidor Público Federal
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Parties
José Augusto de Oliveira
Recorrente
Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEN
Recorrida
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão
Legal Issues
- 1 direito à jornada de 24 horas semanais previsto na Lei 1.234/1950 para servidores expostos a radiação
- 2 pagamento de horas extras pelas horas trabalhadas além de 24 horas semanais e seus reflexos
- 3 possibilidade de cumulação do pagamento de horas extras com a Gratificação Específica de Produção de Radioisótopos e Radiofármacos (GEPR)
Ratio Decidendi
O acórdão reconheceu que o autor faz jus à redução da jornada de trabalho nos termos da Lei 1.234/1950 e ao pagamento de horas extras pelas horas prestadas além de 24 horas semanais, com reflexos em férias, 13º salário, gratificações e adicionais; entretanto, entendeu que a GEPR é devida apenas a servidores que cumpram 40 horas semanais, nos termos do §1º do art.285 da Lei 11.907/2009 e do Decreto 8.421/2015, razão pela qual não é cabível a cumulação desta gratificação após a implementação da jornada reduzida; Ademais, não restou demonstrado o vício apontado no art. 1.022 do CPC/2015 nem violação dos dispositivos indicados pelo recorrente, motivo pelo qual o recurso foi conhecido em parte...
Court Disposition
Recurso Especial conhecido em parte e, nessa extensão, negado provimento
Orders
- Conheço em parte o recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto porJosé Augusto de Oliveira,com fundamento no art. 105, inc. III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região,assim ementado (e-STJ fls. 380-381): AÇÃO DE RITO COMUM - SERVIDOR PÚBLICO - EXPOSIÇÃO À RADIAÇÃO IONIZANTE - JORNADA DE TRABALHO REDUZIDA, NA FORMA DA LEI N. 1.234/50 - INDENIZAÇÃO DAS HORAS EXCEDENTES, COM REFLEXO NAS FÉRIAS, 13º SALÁRIO, GRATIFICAÇÕES E ADICIONAIS - EXCLUSÃO DO PAGAMENTO DA GRATIFICAÇÃO ESPECÍFICA DE PRODUÇÃO DE RADIO ISÓTOPOS E RADIOFÁRMACOS (GEPR), A PARTIR DO MOMENTO EM QUE OS SERVIDORES PASSAREM A USUFRUIR DA JORNADA DE 24 HORAS SEMANAIS, PORQUE A VERBA SOMENTE A SER DEVIDA ÀQUELES QUE LABORAM POR 40 HORAS SEMANAIS - NORMAS ATINENTES À GRATIFICAÇÃO DE DESEMPENHO DE ATIVIDADE DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA (GDCT) E À GRATIFICAÇÃO DE DESEMPENHO DE ATIVIDADE DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA (GDACT) A GARANTIREM O PAGAMENTO AOS SERVIDORES JUNGIDOS À LEGISLAÇÃO ESPECIAL - PARCIAL PROVIMENTO À APELAÇÃO E À REMESSA OFICIAL. I - Não existe discussão nos autos sobre se o autor exerce suas funções expostos a agentes radioativos/ionizantes, fato incontroverso, tanto que a CNEN debate unicamente acerca da ausência de direito à jornada reduzida e os reflexos daí decorrentes. II - Afigura-se pacífico que o autor, servidor federal, está enquadrado na disposição do art. 1º da Lei 1.234/50, pois a própria Lei 8.112/90, no § 2º do art. 19, excepciona a jornada de 40 horas ao que estabelecido em legislação especial. Precedente. III - O próprio Estado se perde no cipoal normativo vigente, pois antiquíssima a Lei 1.234 e, se não há interesse público em sua manutenção, deveria o ente estatal adotar as providências cabíveis, para a retirada expressa do ordenamento. IV - Destaque-se, ainda, não ser oponível a Lei 8.691/93, que, conforme o apelo, apenas instituiu Plano de Carreira para a área de Ciência e Tecnologia, abrangendo o CNEN, art. 1º, § 1º, II, portanto não tratou de alteração de jornada de trabalho, de modo que a remissão do art. 26, § 1º, ao que disposto no anexo II da Lei 8.460/92, que detém a tabela de vencimentos para jornadas de 30 e 40 horas semanais, unicamente estabelece padrões para cargos que observem àquele tempo de trabalho, sem alterar a expressa disposição da Lei 1.234. V - É devido o reconhecimento de que as horas trabalhadas, além do limite legal de 24 horas semanais, devem ser pagas como horas extras, que deverão ser remuneradas em 50% em relação à hora normal, art. 7º, XVI, CF. VI - A Gratificação de Desempenho de Atividade de Ciência e Tecnologia - GDCT, instituída pela MP 1.548-37, de 30.10.1997 (art. 15) e suas reedições (além da Lei n. 9.638, de 20.05.1998), foi revogada pela MP 2.048-26/2000, que instituiu a Gratificação de Desempenho de Atividade de Ciência e Tecnologia - GDACT e pela MP 2.229-43, de 06.09.2001, que reestruturou as carreiras da área de Ciência e Tecnologia. VII - Entretanto, o Decreto 3.762/2001, que regulamentou a GDACT, dentre outras, ressalvou aos servidores que possuíam carga horária regulamentada em lei específica, conforme o artigo 15, este o caso dos autos. VIII - A MP 2.229-43, de 06.09.2001, que reestruturou as carreiras da área de Ciência e Tecnologia e instituiu a Gratificação de Desempenho de Atividade de Ciência e Tecnologia - GDACT (art. 19), também ressalvou, expressamente, a jornada de trabalho para os cargos regidos por legislação específica (art. 5º) - àqueles expostos permanente e habitualmente a raio-x e a radiação ionizante. IX - Por estes motivos, o polo autor faz jus à redução à jornada de trabalho nos moldes da Lei n.1.234/50, sem redução dos vencimentos, neste flanco. X - No que se refere à Gratificação Específica de Produção de Radioisótopos e Radiofármacos - GEPR, o § 1º do art. 285, da Lei 11.907/2009, dispõe que: "somente terá direito à percepção da gratificação de que trata o caput deste artigo, o servidor que efetivamente cumprir 40 (quarenta) horas semanais de trabalho, independentemente do regime de trabalho ser diário, por turnos, escalas ou plantões". XI - O Decreto 8.421/2015, que regulamenta a verba, não realizou nenhuma ressalva a jornada especial de trabalho, significando dizer descabido o pagamento desta rubrica, porque exclusiva aos obreiros que detenham jornada de trabalho de 40 horas semanais. XII - Destaque-se, nesta quadra, que a presente ação não é adequada ao "pleito" público de repetição de valores pagos, afinal ré a CNEN, assim deverá adotar as providências que entender cabíveis, segundo a via adequada. XIII - Sobremais, a luta autoral, nesta ação, é para que seja observada a carga horária de 24 horas, significando dizer que, até então, faziam jus à verba, devendo ser excluída a GEPR a partir do momento em que implementada a nova jornada reduzida. XIV - Relativamente ao agitado "bis in idem", sem sentido a arguição, porquanto o Adicional de Irradiação e a Gratificação de Raio-x decorrem do cunho nocivo das atividades desempenhadas, o que não se confunde com a jornada reduzida prevista em lei, igualmente sem resvalo em período de férias gozado, porquanto a lei a garantir tal direito, também de forma diferenciada. XV - Não procede o pleito de afastamento dos reflexos das horas excedentes laboradas pelos servidores, as quais reverberam sobre as férias, 13º salário, gratificações e adicionais, na forma aqui firmada. Precedente. XVI - Juros moratórios, a jurisprudência do STJ, seguida por este TRF3, consolidou o entendimento de que até o advento da MP nº 2.180-30/2001, incidem juros de 12% (doze por cento) ao ano; entre a edição dessa medida provisória e a Lei nº 11.960/2009, os juros moratórios incidem à razão de 0,5% (meio por cento) ao mês, ou 6% (seis por cento) ao ano; a partir dessa lei, eles serão fixados conforme o art. 1º-F da Lei nº 9.494/97. XVII - Em 24.09.2018, o E. Supremo Tribunal Federal, por meio de decisão liminar proferida pelo Excelentíssimo Senhor Ministro Luiz Fux, deferiu efeito suspensivo requerido em sede de embargos de declaração opostos no bojo do Recurso Extraordinário nº 870.947/SE, adotando entendimento de que a TR (Taxa Referencial) passaria a ser aplicada tanto no processo de conhecimento quanto na fase de execução. No entanto, referidos embargos foram recentemente rejeitados, afastando-se a pretensão de modulação, concluindo-se pela inconstitucionalidade da TR, bem como aplicando-se o IPCA-E como índice de correção monetária. XVIII - Apelação e remessa oficial parcialmente providas. Os embargos de declaração interpostos por ambas as partes foram rejeitados(e-STJ fl. 423). Orecorrente alega,preliminarmente, violação doartigo1.022, I e II, do CPC/2015, ao argumento de que o acórdão recorrido é contraditório, pois não se manifestou sobre as alegações trazidas nos embargos de declaração. No mérito, aponta ofensa aos arts. 1º, "a", da Lei 1.234/1950; 73 da Lei 8.112/1990; e 368, 369 e 884, do Código Civil,sob oargumentode que faz jus ao recebimentos das horas extras cumuladocom o pagamento da Gratificação Específica de Produção de Radioisótopos e Radiofármacos - GEPR sob pena de enriquecimento ilícito da recorrida. Contrarrazões não apresentadas. Juízo positivo de admissibilidade àe-STJ fl. 509. É o relatório. Passo a decidir. Inicialmente, registra-se que " a os recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas após 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista (Enunciado Administrativo 3, aprovado pelo Plenário do Superior Tribunal de Justiça em 9/3/2016)". O recurso não merece prosperar. De início, afasta-se a alegada violação do artigo 1.022, I e II, do CPC/2015, porquanto o acórdão recorrido manifestou-se de maneira clara e fundamentada a respeito das questões relevantes para a solução da controvérsia, apenas não adotando as razões do recorrente, o que não configura violação do dispositivo invocado. A tutela jurisdicional foi prestada de forma eficaz, não havendo razão para a anulação do acórdão proferido em sede de embargos de declaração. Não é possível conhecer do recurso especial que apresenta suposta violação dos arts. 1º, "a", da Lei 1.234/1950; 73 da Lei 8.112/1990; e 368, 369 e 884, do Código Civil,pois os dispositivos indicados como malferidos não contêm comando normativo capaz de sustentar a tese deduzida e infirmar a validade dos fundamentos do acórdão recorrido. Ante o exposto, conheço em parte o recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO.RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL.JORNADA DE TRABALHO REDUZIDA.INDENIZAÇÃO DAS HORAS EXCEDENTES.CUMULAÇÃO COM OPAGAMENTO DA GRATIFICAÇÃO ESPECÍFICA DE PRODUÇÃO DE RADIO ISÓTOPOS E RADIOFÁRMACOS - GEPR.AUSÊNCIA DE COMANDO NORMATIVO NOS DISPOSITIVOS INDICADOS. SÚMULA 284/STF. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, NÃO PROVIDO.