AREsp 2881394 - ACORDAO
O agravo interno foi desprovido porque a parte agravante não impugnou, de forma clara, específica e relativamente a todos os fundamentos adotados pela decisão do Tribunal de origem (ausência de vício de integração e incidência das Súmulas 7 do STJ e 280 do STF), não atendendo ao ônus de demonstrar a...
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- Parties
- Agravante: PAN FINANCEIRA S.A. - CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 November 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno (agravo Em Recurso Especial) / Acórdão Julgamento Pela Primeira Turma (sessão Virtual De 04/11/2025 a 10/11/2025)
- Outcome
- Negou provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Juízo De Prelibação, Impugnação Específica, Inadmissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7 Do STJ, Súmula 280 Do STF, Multa Recursal (art. 1.021, §4º, Cpc/2015)
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Parties
PAN FINANCEIRA S.A. - CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno (agravo Em Recurso Especial) / Acórdão Julgamento Pela Primeira Turma (sessão Virtual De 04/11/2025 a 10/11/2025)
Legal Issues
- 1 Obrigatoriedade de impugnação específica de todos os fundamentos do acórdão de origem
- 2 Aplicação das Súmulas 7 do STJ e 280 do STF como óbices à admissibilidade do recurso especial
- 3 Possibilidade de conhecimento do recurso sem reexame de fatos e provas
Ratio Decidendi
O agravo interno foi desprovido porque a parte agravante não impugnou, de forma clara, específica e relativamente a todos os fundamentos adotados pela decisão do Tribunal de origem (ausência de vício de integração e incidência das Súmulas 7 do STJ e 280 do STF), não atendendo ao ônus de demonstrar a prescindibilidade do revolvimento fático-probatório e, assim, não afastando os óbices à admissibilidade do recurso especial.
Court Disposition
Negou provimento ao agravo interno
Orders
- Negou provimento ao agravo interno.
- Declinou aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 04/11/2025 a 10/11/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Paulo Sérgio Domingues, Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina e Regina Helena Costa votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sérgio Kukina. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO NEGATIVO. DECISÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. De acordo com o disposto no art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e no art. 932, III, do CPC/2015, compete à parte agravante infirmar especificamente os fundamentos adotados pela Corte de origem para obstar o seguimento do recurso especial, mostrando-se inadmissível o agravo que não se insurge contra todos eles. 2. Hipótese em que a parte recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, as razões que levaram à inadmissibilidade do apelo nobre. 3. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno manejado por PAN FINANCEIRA S.A. - CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS contra decisão em que não conheci do agravo em recurso especial por falta de impugnação de todos os fundamentos da decisão do Tribunal de origem que não admitiu o apelo extremo. Nas razões deste recurso (e-STJ fls. 652/670), a parte recorrente sustenta que "impugnou de maneira clara, objetiva e específica todos os óbices apontados pelo Tribunal de origem, cumprindo integralmente o requisito da dialeticidade recursal" (e-STJ fl. 659). No mais, reitera parcialmente a argumentação do recurso especial. Ao final, requer a reconsideração da decisão agravada ou, caso contrário, o provimento do recurso pelo colegiado. Não houve impugnação. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO NEGATIVO. DECISÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. AUSÊNCIA. 1. De acordo com o disposto no art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ e no art. 932, III, do CPC/2015, compete à parte agravante infirmar especificamente os fundamentos adotados pela Corte de origem para obstar o seguimento do recurso especial, mostrando-se inadmissível o agravo que não se insurge contra todos eles. 2. Hipótese em que a parte recorrente não se desincumbiu do ônus de impugnar, de forma clara e objetiva, as razões que levaram à inadmissibilidade do apelo nobre. 3. Agravo interno desprovido. VOTO A parte agravante não trouxe nenhum argumento capaz de alterar o decisum atacado, proferido em sintonia com a jurisprudência deste Tribunal Superior, no sentido de que a parte deve infirmar especificamente os fundamentos da decisão impugnada, mostrando-se inadmissível o agravo que não se insurge contra todos eles, nos termos do disposto no art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ, e no art. 932, III, do CPC/2015. O Tribunal de origem não admitiu o recurso especial fundado na ausência de vício de integração e na incidência das Súmulas 7 do STJ e 280 do STF. Nas razões do agravo em recurso especial, a parte agravante sustenta a usurpação da competência desta Corte para a análise do mérito do recurso especial, reitera as violações apontadas no apelo extrem o, afirma que essas contrariedades referem-se a dispositivos de lei federal e diz, genericamente, que a matéria tratada no recurso especial, referente à nulidade das certidões de dívida ativa (CDAs), não importa em reexame fático-probatório. Contudo, a parte agravante não infirmou de forma clara e específica os fundamentos da decisão de inadmissibilidade. Isso porque, em observância ao princípio da dialeticidade, a impugnação deve ser feita, nas razões do agravo em recurso especial, de forma específica, concreta e pormenorizada e relativamente a todos os fundamentos adotados pela decisão a quo, trazendo argumentações capazes de demonstrar o seu desacerto. Ressalte-se que a adequada impugnação da aplicação da Súmula 280 do STF pela decisão que não admite o recurso especial no Tribunal de origem exige a demonstração concreta de que a apreciação da tese recursal não transpassa a interpretação da legislação local mencionada no acórdão recorrido, o que não foi atendido. Por sua vez, em relação à Súmula 7 do STJ, é de rigor que, além da contextualização do caso concreto, a impugnação contenha as devidas razões pelas quais se entende ser possível o conhecimento da pretensão independentemente do reexame de fatos e provas, mediante, por exemplo, a apresentação do cotejo entre as premissas fáticas e as conclusões delineadas no acórdão recorrido e sua tese recursal, a fim de demonstrar a prescindibilidade do revolvimento fático-probatório. Contudo, a parte recorrente não seguiu essa direção. Por fim, deixo de aplicar a multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015, tendo em vista que o mero inconformismo com a decisão agravada não enseja a necessária imposição da sanção, quando não configurada a manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso, por decisão unânime do Colegiado, como no caso em análise. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É como voto.