AREsp 2975078 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o exame pretendido demandaria reexame do acervo fático-probatório (incidência da Súmula n. 7/STJ) e porque não foi demonstrado o dissídio jurisprudencial mediante cotejo analítico capaz de evidenciar similitude fática e identidade jurídica entre os...
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- Parties
- Agravante: ARI DE ALMEIDA PADILHA; Agravante: OUTRO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Julgamento Extra Petita, Cláusula Penal, Inversão De Cláusula Penal, Multa, Dissídio Jurisprudencial, Súmula 7/stj
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Parties
ARI DE ALMEIDA PADILHA
Agravante
OUTRO
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
Legal Issues
- 1 se houve julgamento ultra petita ao inverter cláusula penal sem pedido expresso na petição inicial
- 2 se a interpretação lógico-sistemática da petição inicial autoriza reconhecer pedido implícito de condenação em cláusula penal
- 3 existência de dissídio jurisprudencial apto a subsidiar recurso especial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque o exame pretendido demandaria reexame do acervo fático-probatório (incidência da Súmula n. 7/STJ) e porque não foi demonstrado o dissídio jurisprudencial mediante cotejo analítico capaz de evidenciar similitude fática e identidade jurídica entre os arestos apontados, além de remanecerem fundamentos aptos a manter o acórdão recorrido.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por ARI DE ALMEIDA PADILHA e OUTRO à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, assim resumido: AÇÃO RESCISÓRIA. PROMESSA DE COMPRA E VENDA. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER CUMULADA COM CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO A NORMA JURÍDICA. AFRONTA QUE NÃO SE VERIFICA NO TOCANTE À DETERMINAÇÃO DE TRANSFERÊNCIA DE IMÓVEL E PRETENSÃO CONSIGNATÓRIA. NÃO HÁ DECISÃO FORA DOS LIMITES DA LIDE QUANDO O JULGADOR, MEDIANTE INTERPRETAÇÃO LÓGICO- SISTEMÁTICA DA PETIÇÃO INICIAL, EXAMINA A PRETENSÃO DEDUZIDA COMO UM TODO. CONDENAÇÃO A TÍTULO DE CLÁUSULA PENAL JULGAMENTO ULTRA PETITA. AUSÊNCIA DE PLEITO CONDENATÓRIO, SEJA NA FUNDAMENTAÇÃO, SEJA NO PEDIDO FINAL, A AUTORIZAR A INVERSÃO DE CLÁUSULA PENAL PREVISTA EM CONTRATO. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 141 E 492, DO CPC RECONHECIDA, NO PONTO. DECOTE DO EXCESSO. AÇÃO RESCISÓRIA JULGADA PROCEDENTE EM PARTE. Quanto à controvérsia, a parte alega violação e divergência de interpretação jurisprudencial em relação aos arts. 141 e 492 do CPC, no que concerne à não configuração de decisão extra petita ao se impor a inversão da cláusula penal, porquanto houve pedido inicial de cumprimento da obrigação de fazer para outorga das escrituras, consolidação do registro imobiliário, com pedido de aplicação de multa, trazendo a seguinte argumentação: Ao contrário da interpretação dada pelo acórdão recorrido, HOUVE pedido de cumprimento da obrigação de fazer para outorga das escrituras, consolidação do registro imobiliário, COM PEDIDO DE APLICAÇÃO DE MULTA, e, diante do pedido veiculado em contestação, para aplicação da cláusula penal em desfavor dos então autores, a sentença contemplou a integralidade da discussão e impôs a satisfação do pedido dos autores daquela demanda. A aplicação da norma atendeu ao disposto no artigo 536 do CPC 2 , de que poderá o juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar medidas necessárias à satisfação do pedido. A inversão da cláusula penal atendeu ao pedido satisfativo dos autores, ora recorrentes, mediante interpretação lógico sistemática do pedido inicial, circunstância que afasta a arguição de que a determinação excedeu os limites da lide. Ademais disso, ao contrário da interpretação do acórdão recorrido, a aplicação da multa em razão do descumprimento da obrigação foi objeto do pedido inicial, vejamos: .. O pedido final buscou, ao fim e ao cabo, a consolidação da medida liminar, evidentemente com a consolidação da propriedade perante o registro imobiliário, pelo descumprimento do contrato pelos então requeridos e pela aplicação da multa em razão do rompimento da obrigação assumida. Portanto, não há se falar em sentença extra petita, pois houve pedido específico de aplicação de pena de multa pelo descumprimento da obrigação de fazer, sendo que os requeridos, em contestação, buscaram a aplicação da cláusula penal. Ao inverter a aplicação da pena de multa, bem agiu o Magistrado, dando interpretação ampla e irrestrita ao pedido inicial, conforme entendimento já pacificado por esse pretório. .. A interpretação da petição inicial, para acolhimento da pretensão deduzida pela parte, ainda que não explícita no pedido final, é tese pacífica neste Colegiado Superior, no sentido de que a interpretação lógico-sistemática da petição inicial, com a extração daquilo que a parte efetivamente pretende obter com a demanda, reconhecendo-se pedidos implícitos, não implica julgamento extra petita (sentença que vai além do pedido) (fls. 2035-2036). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, o acórdão recorrido assim decidiu: Registra-se que não existe decisão fora dos limites da demanda quando o julgador, mediante interpretação lógico-sistemática da petição inicial, examina a pretensão deduzida em juízo como um todo, como ocorrido na espécie. Por fim, melhor sorte socorre à parte autora no que tange à condenação dos ora autores, então réus, ao pagamento de cláusula penal invertida, prevista no contrato. Isso porque, nada há na petição inicial quanto a tal pleito, seja na fundamentação, seja no pedido final, não se confundindo eventual inversão de cláusula penal contratualmente prevista com mero requerimento de multa diária para a hipótese de descumprimento de liminar, não permitindo a inicial, ainda que mediante interpretação lógico- sistemática, concluir pela existência de pretensão condenatória em dinheiro. Assim, o exame de inversão de cláusula penal e a condenação dos então requeridos ao respectivo pagamento, sem que a petição inicial tenha assim fundamentado ou requerido, caracteriza manifesto julgamento ultra petita, implicando violação direta aos arts. 141 e 492, do CPC: .. . (fl. 1968). Assim, incide a Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), porquanto o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "No caso, a conclusão alcançada pelo Tribunal de origem, no que se refere à alegação de julgamento extra petita, decorreu da análise dos elementos fáticos da causa, cujo reexame é vedado nesta via excepcional, ante o óbice da Súmula n. 7 desta Corte." (AREsp n. 2.868.500/GO, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 5/5/2025, DJEN de 8/5/2025.) Vejam-se os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 2.113.579/MG, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJEN de 27/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.691.829/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJEN de 28/3/2025; AREsp n. 2.839.474/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJEN de 26/3/2025; AgInt no REsp n. 2.167.518/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJEN de 27/3/2025; AgRg no AREsp n. 2.786.049/SP, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJEN de 26/3/2025; AgRg no AREsp n. 2.753.116/RN, relator Minis tro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJEN de 25/3/2025; AgInt no REsp n. 2.185.361/CE, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 28/3/2025; AgRg no REsp n. 2.088.266/MG, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJEN de 25/3/2025; AREsp n. 1.758.201/AM, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, DJEN de 27/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.643.894/DF, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJEN de 31/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.636.023/RS, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 28/3/2025; AgInt no REsp n. 1.875.129/PE, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025. Além disso, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, tendo em vista que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e os paradigmas indicados, não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Nos termos dos arts. 1.029, § 1º, do CPC; e 255, § 1º, do RISTJ, a divergência jurisprudencial, com fundamento na alínea c do permissivo constitucional, exige comprovação e demonstração, em qualquer caso, por meio de transcrição dos trechos dos acórdãos que configurem o dissídio. Devem ser mencionadas as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados, a evidenciar a similitude fática entre os casos apontados e a divergência de interpretações, providência não realizada nos autos deste recurso especial" (AgInt no AREsp n. 2.275.996/BA, relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, DJEN de 20/3/2025). Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16.3.2021.) Confiram-se também os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 2.168.140/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.452.246/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 20/3/2025; REsp n. 2.105.162/RJ, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJEN de 19/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.243.277/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Turma, DJEN de 19/3/2025; AgInt no REsp n. 2.155.276/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJEN de 18/3/2025; AgRg no REsp n. 2.103.480/PR, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJEN de 7/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.702.402/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJEN de 28/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.735.498/MT, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJEN de 28/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.169.326/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJEN de 27/2/2025; AREsp n. 2.732.296/GO, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJEN de 25/2/2025; EDcl no AgInt no AREsp n. 2.256.359/MS, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJEN de 21/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.620.468/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 20/12/2024. Ainda, verifica-se que a pretensão da parte agravante é de ver reconhecida a existência de dissídio jurisprudencial que tem por objeto a mesma questão aventada sob os auspícios da alínea "a" do permissivo constitucional, que, por sua vez, foi obstaculizada pela ausência de impugnação específica dos fundamentos do acórdão recorrido. Assim, quando remanesce incólume fundamento capaz por si só de manter o acórdão recorrido, impõe-se o reconhecimento da inexistência de identidade jurídica entre os arestos confrontados, requisito indispensável ao conhecimento do Recurso Especial pela alínea "c". Outrossim, verifica-se que a pretensão da parte agravante é de ver reconhecida a existência de dissídio jurisprudencial, que tem por objeto a mesma questão aventada sob os auspícios da alínea "a" do permissivo constitucional, que, por sua vez, foi obstaculizada pelo enunciado da Súmula n. 7/STJ. Quando isso acontece, impõe-se o reconhecimento da inexistência de similitude fática entre os arestos confrontados, requisito indispensável ao conhecimento do Recurso Especial pela alínea "c". Nesse sentido: "O recurso especial não pode ser conhecido com fundamento na alínea c do permissivo constitucional, porquanto o óbice da Súmula n. 7/STJ impede o exame do dissídio jurisprudencial quando, para a comprovação da similitude fática entre os julgados confrontados, é necessário o reexame de fatos e provas" ;(AgInt no REsp n. 2.175.976/DF, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 20/2/2025). Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 2.037.832/RO, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJEN de 25/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.365.913/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJEN de 21/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.701.662/GO, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 20/12/2024; AgInt no AREsp n. 2.698.838/SC, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJEN de 19/12/2024; AgInt no REsp n. 2.139.773/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 2/12/2024; AgInt no REsp n. 2.159.019/MG, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 16/10/2024. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA