REsp 2177116 - DECISAO
O recurso especial foi parcialmente provido porque, na linha da jurisprudência consolidada do STJ e do art. 406 do Código Civil, os juros moratórios devem ser calculados pela taxa SELIC, de modo que houve necessidade de reforma do acórdão regional para determinar a incidência da Taxa Selic sem cumulação com outros...
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- Parties
- Recorrente: BANCO ITAU CONSIGNADO S.A.; Recorrida: parte autora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 November 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgado Pelo Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- recurso especial parcialmente provido
- Legal Topics
- Juros De Mora, Taxa SELIC, Correção Monetária, Empréstimo Consignado, Ônus Da Prova, Juntada De Documentos Em Fase Recursal, Art. 1.022 CPC
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Parties
BANCO ITAU CONSIGNADO S.A.
Recorrente
parte autora
Recorrida
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgado Pelo Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 preliminar sobre omissão nos embargos de declaração (art. 1.022 CPC)
- 2 admissibilidade de documentos juntados após sentença
- 3 ônus da prova quanto à existência do contrato (art. 373, II, CPC)
Ratio Decidendi
O recurso especial foi parcialmente provido porque, na linha da jurisprudência consolidada do STJ e do art. 406 do Código Civil, os juros moratórios devem ser calculados pela taxa SELIC, de modo que houve necessidade de reforma do acórdão regional para determinar a incidência da Taxa Selic sem cumulação com outros índices de correção monetária; não se configurou omissão nos termos do art. 1.022 do CPC quanto às demais questões apreciadas pelo Tribunal de origem.
Court Disposition
recurso especial parcialmente provido
Orders
- Dar parcial provimento ao recurso especial para determinar a incidência da Taxa Selic, sem cumulação com outros índices de correção monetária.
- Deixar de inverter os ônus da sucumbência, nos termos do art. 86, parágrafo único, do CPC.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de recurso especial interposto por BANCO ITAU CONSIGNADO S.A., com fundamento no art. 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL. O julgado negou provimento ao recurso de apelação do recorrente nos termos da seguinte ementa (fl. 376): EMENTA - APELAÇÃO DO RÉU - AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA E REPETIÇÃO DE INDÉBITO E REPARAÇÃO POR DANOS MORAIS - JUNTADA DE DOCUMENTO EM FASE RECURSAL - IMPOSSIBILIDADE - MÉRITO - EMPRÉSTIMO CONSIGNADO - CONTRATAÇÃO NÃO COMPROVADA - DESCONTOS - AUSÊNCIA DE CONTRATAÇÃO - RESPONSABILIDADE DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA PELOS DANOS MATERIAIS CAUSADOS ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA - ADOÇÃO DO IGP-M/FGV - RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. Discute-se no presente recurso: a) em preliminar, a possibilidade de juntada de documentos após a prolação da sentença; b) a (i)legalidade dos descontos realizados no benefício da parte autora; c) o índice de correção monetária. 2. Se os documentos "novos" apresentados após a sentença não se enquadram no disposto do art. 435, CPC/15, tais documentos não devem ser conhecidos. 3. O negócio jurídico deve ser examinado sob o prisma de três (3) planos - existência, validade e eficácia -, com a finalidade de se verificar se ele obtém plena realização. No plano da existência, verifica-se, tão somente, se estão presentes as condições mínimas para que o negócio jurídico possa produzir efeitos (v. g, agente; objeto; forma, e vontade exteriorizada), não se discutindo, desta forma, a validade ou invalidade do negócio e tampouco a sua eficácia. 4. Na espécie, compulsando os autos, verifica-se que o réu-apelante não juntou prova da contratação e de disponibilização do valor, de modo que não se desincumbiu do ônus probatório imposto pelo inc. II, do art. 373, do CPC/15. 5. Considerando que não restou comprovada a pactuação da avença, são indevidos os descontos realizados na conta bancária da parte autora, assim, não há como se afastar a condenação à restituição dos valores indevidamente descontados, bem como não há causa escusável capaz de afastar a regra da restituição em dobro. 6. O IGPM/FGV é o índice que melhor reflete a desvalorização da moeda frente a inflação, sendo incabível sua substituição pelo IPCA-E ou pelo INPC. 7. Recurso do réu conhecido e não provido, com majoração dos honorários de sucumbência. Rejeitados os embargos de declaração opostos (fls. 460-465). No presente recurso especial, o recorrente alega, preliminarmente, ofensa ao art. 1.022 do CPC, porquanto, apesar da oposição dos embargos de declaração, o Tribunal de origem não se pronunciou sobre pontos necessários ao deslinde da controvérsia. Aduz, no mérito, que o acórdão estadual contrariou as disposições contidas no art. 406 do Código Civil, ao passo em que aponta divergência jurisprudencial com arestos desta Corte. Sustenta, outrossim, que "quando os juros moratórios não forem convencionados, serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional, tendo o C. STJ passado a utilizar a taxa SELIC para tanto" (fl. 399). Apresentadas as contrarrazões (fls. 423-427), sobreveio o juízo de admissibilidade positivo da instância de origem (fls. 429-437). É, no essencial, o relatório. Inicialmente, não há falar em ofensa ao art. 1.022 do CPC, uma vez que o Tribunal de origem ao negar provimento à apelação deixou claro que (fl. 381): Na hipótese, compulsando os autos, verifica-se que a autora comprova que o réu descontou valores da sua remuneração (f. 98-109), ao passo que o apelante não acostou aos autos nenhum documento que comprovasse suas alegações de se tratar de refinanciamento e inexistem nos autos documentos que comprovam a disponibilização dos valores dos empréstimos na conta bancária da parte autora. Assim, tem-se que o réu-apelado não se desincumbiu do ônus probatório imposto pelo inc. II, do art. 373, do CPC/15. Portanto, não havendo nos autos prova inquestionável de que o contrato supostamente firmado entre as partes existe, impõe-se a manutenção da sentença recorrida por seus próprios fundamentos. Observa-se, portanto, que a lide foi solucionada em conformidade com o que foi apresentado em juízo. Assim, verifica-se que o acórdão recorrido está com fundamentação suficiente, inexistindo omissão ou contradição. A propósito, cito os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL. DESAPROPRIAÇÃO DIRETA. UTILIDADE PÚBLICA. CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS. RECURSO ESPECIAL. OFENSA AO ARTIGO 1022, II, DO CPC/15. INOCORRÊNCIA. DEVOLUÇÃO TOTAL DA MATÉRIA EM REEXAME NECESSÁRIO. SÚMULA 325/STJ. NECESSIDADE DE ALUGAR IMÓVEL LINDEIRO PARA ALTERAR ACESSO A LOJA. INDENIZAÇÃO AFASTADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. REVISÃO. SÚMULA 7/ STJ. 1. Os arts. 489, § 1º, e 1.022 do Código de Processo Civil não foram ofendidos. A pretexto de apontar a existência de erros materiais, omissão e premissas erradas, a parte agravante quer modificar as conclusões adotadas pelo aresto vergastado a partir das informações detalhadas do laudo pericial. .. 5. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.974.188/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/10/2022, DJe de 4/11/2022.) ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. DANO MORAL. SUSPENSÃO DO FORNECIMENTO DO SERVIÇO DE ÁGUA . DEMORA INJUSTIFICADA NO RESTABELECIMENTO DO SERVIÇO. ARTS. 489, § 1º, E 1022, II, DO CPC. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. DEVER DE INDENIZAR. REQUISITOS PARA A RESPONSABILIZAÇÃO DA CONCESSIONÁRIA. ACÓRDÃO ANCORADO NO SUBSTRATO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. VALOR DA INDENIZAÇÃO. EXCESSO NÃO CARACTERIZADO. 1. Cuida-se de ação de procedimento ordinário ajuizada em desfavor de SAMAR - Soluções Ambientais de Araçatuba, com o fim de obter indenização pelos danos morais que alega ter sofrido com suspensão do serviço de água na residência da autora. 2. Verifica-se, inicialmente, não ter ocorrido ofensa aos arts. 489, § 1º, e 1.022, II, do CPC, na medida em que o Tribunal de origem dirimiu, fundamentadamente, as questões que lhe foram submetidas e apreciou integralmente a controvérsia posta nos autos. .. 6. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.118.594/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 22/11/2022, DJe de 25/11/2022 - grifo nosso.) Ademais, o julgador não está obrigado a rebater, individualmente, todos os argumentos suscitados pelas partes, sendo suficiente que demonstre, fundamentadamente, as razões do seu convencimento. No caso, existe mero inconformismo da parte recorrente com o resultado do julgado proferido no acórdão recorrido, que lhe foi desfavorável. Inexiste, portanto, ofensa ao art. 1022 do CPC. No mérito, maior sorte assiste ao recorrente. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que, a partir da vigência do novo Código Civil, os juros moratórios deverão observar a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional (art. 406). Atualmente, a taxa dos juros moratórios a que se refere o dispositivo vigente é a Taxa Selic. Nesse sentido, cito os seguintes precedentes: CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. INSCRIÇÃO INDEVIDA EM CADASTRO DE INADIMPLENTES. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. TERMO INICIAL. EVENTO DANOSO. 1. A partir da vigência do Código Civil de 2002, os juros moratórios deverão observar a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional (art. 406). Atualmente, a taxa dos juros moratórios a que se refere o dispositivo vigente é a Taxa SELIC. 2. Nos termos da jurisprudência do STJ, nos casos de responsabilidade extracontratual, a taxa SELIC deve incidir desde o evento danoso (Súmula n. 54/STJ). Agravo interno provido em parte. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.378.183/SP, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 13/5/2024, DJe de 15/5/2024.) AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. ATROPELAMENTO EM LINHA FÉRREA. JUROS. TAXA SELIC. EVENTO DANOSO. 1. O Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que, na vigência do Código Civil de 2002, os juros moratórios devem ser pagos com base na taxa Selic, a não ser que outra taxa tenha sido contratada. 2. Em caso de responsabilidade extracontratual, os juros moratórios fluem a partir do evento danoso (Súmula nº 54/STJ). 3. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.912.636/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 23/10/2023, DJe de 27/10/2023.) Na espécie, o Tribunal de origem, ao analisar a controvérsia, concluiu que (fls. 383-384): O réu-apelante alega que deve não o IGP-M/FGV ser adotado como índice de correção monetária e que os juros de mora deve ser pela taxa SELIC. Relativamente ao índice de correção a ser aplicado na espécie, sem maiores delongas, não é adequado se utilizar os índices invocados pelo recorrente, mas sim o IGPM/FGV, como constou na decisão, tendo em vista ser este o índice que melhor reflete a desvalorização da moeda frente a inflação. .. Diante disso, não há que se falar em substituição do índice IGP- M/FGV. Ademais, não há falar em utilização da SELIC para os juros de mora porque não há essa disposição legal, sendo certo que a SELIC é utilizada apenas para as condenações proferidas contra a Fazenda Pública. Recurso do banco-réu não provido, também neste ponto. Desse modo, merece reforma o acórdão recorrido por contrariar a atual e pacífica jurisprudência desta Corte. Ante o exposto, dou parcial provimento ao recurso especial para determinar a incidência da Taxa Selic, sem cumulação com outros índices de correção monetária. Deixo de inverter os ônus da sucumbência, tendo em vista que a sucumbência foi mínima, nos termos do art. 86, parágrafo único, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO.