REsp 1783220 - DECISAO
Por ser o caso de Ação Civil Pública fundada em responsabilidade contratual e em face da jurisprudência consolidada do STJ (REsp 1.370.899/SP e precedentes), os juros de mora devem incidir desde a citação do devedor na fase de conhecimento, razão pela qual o acórdão do Tribunal de origem é reformado quanto a esse...
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- Parties
- Recorrente: GABRIEL HERNANDES; Recorrido: BANCO DO BRASIL S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 May 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento No STJ Decisão De Provimento
- Outcome
- Provido o recurso especial para determinar que os juros de mora incidam desde a data da citação do devedor na fase de conhecimento da Ação Civil Pública.
- Legal Topics
- Juros Moratórios, Termo Inicial Dos Juros, Prescrição, Liquidação De Sentença, Honorários Advocatícios, Correção Monetária
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Parties
GABRIEL HERNANDES
Recorrente
BANCO DO BRASIL S.A.
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento No STJ Decisão De Provimento
Legal Issues
- 1 Determinação do termo inicial dos juros de mora em Ação Civil Pública fundada em responsabilidade contratual
- 2 Possibilidade de cumulação de juros remuneratórios, moratórios e correção monetária
- 3 Prescrição da execução individual em Ação Civil Pública
Ratio Decidendi
Por ser o caso de Ação Civil Pública fundada em responsabilidade contratual e em face da jurisprudência consolidada do STJ (REsp 1.370.899/SP e precedentes), os juros de mora devem incidir desde a citação do devedor na fase de conhecimento, razão pela qual o acórdão do Tribunal de origem é reformado quanto a esse ponto.
Court Disposition
Provido o recurso especial para determinar que os juros de mora incidam desde a data da citação do devedor na fase de conhecimento da Ação Civil Pública.
Orders
- Determino que os juros de mora incidam desde a data da citação do devedor na fase de conhecimento na Ação Civil Pública.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por GABRIEL HERNANDES contra acórdão da Décima Sétima Câmara de Direito Privado do TJSP, assim ementado (e-STJ fls. 201/202): AGRAVO DE INSTRUMENTO. Ação Civil Pública. Expurgos Inflacionários. Liquidação de sentença transitada em julgado. Prevenção desta C. Câmara para apreciação dos recursos oriundos do processo nº 0403263-60.1993.8.26.0053, que tramitou perante a 6ª Vara da Fazenda Pública da Comarca da Capital. Adoção do índice de 42,72% para cálculo da diferença não creditada quando da edição do Plano Verão em relação às cadernetas com aniversário na primeira quinzena de janeiro de 1989. Após a dedução do índice efetivamente aplicado à época, o poupador faz jus ao recebimento da diferença de 20,3609%. Suspensão do andamento da execução. Determinação com fulcro nos Recursos Especiais nº 1.391.198-RS, e nº 1.370.899-SP, e Recurso Extraordinário nº 573232. Irrazoabilidade. Feito que deve prosseguir na origem. Efeitos da sentença e foro da ação. O poupador pode habilitar-se para o cumprimento da r. sentença, que tem efeito "erga omnes", no foro de seu domicílio. Filiação ao IDEC/Legitimidade ativa. Desnecessidade de comprovação de filiação do poupador ao IDEC. Precedentes do STJ e desta Corte. Custas iniciais. Necessidade de recolhimento. Possibilidade de diferimento nos termos do artigo 5º da Lei Estadual nº 11.608/2003, que não possui rol taxativo. Entendimento majoritário desta Câmara. Prescrição da execução individual. O prazo prescricional para execução individual em Ação Civil Pública é de 5 (cinco) anos, contados do trânsito em julgado da r. sentença. Título executivo judicial. Execução lastreada em sentença condenatória genérica proferida em Ação Civil Pública que transitou em julgado. Desnecessidade de liquidação por artigos ou arbitramento, bastando a apresentação de simples cálculos aritméticos para a apuração do valor devido, nos termos dispostos no art. 475-B do CPC. Juros remuneratórios. Cabimento. Necessidade de plena recomposição do saldo em caderneta de poupança. Cômputo à razão de 0,5% ao mês, de forma capitalizada, a partir de fevereiro de 1989 até a data do efetivo pagamento. Correção monetária. Atualização devida para preservação do valor intrínseco da moeda. Utilização dos índices da Tabela Prática do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, desde fevereiro de 1989 até efetivo pagamento. Juros moratórios. Cabimento. Ainda que existam divergências sobre o termo inicial dos juros moratórios, esta Câmara entende que são devidos a partir da citação da execução individual. Incidência, de forma simples, da citação do Banco-executado na fase de cumprimento de sentença até efetivo pagamento. Cumulação entre juros remuneratórios, moratórios e correção monetária. Possibilidade. A jurisprudência dominante desta Corte permite a cumulação de juros remuneratórios, moratórios e correção monetária pela Tabela Prática. Liquidação do débito. Desnecessidade de liquidação por artigos ou arbitramento. Mero cálculo aritmético, nos termos do art. 475-B do CPC, cujo rito garante celeridade ao trâmite desta fase processual. Inexistência de complexidade na apuração do débito. Honorários advocatícios. Verba devida em sede de execução de sentença nas hipóteses de não pagamento espontâneo do débito pelo Banco. Apresentação de impugnação que caracteriza verdadeiro contraditório. Ainda que a impugnação seja parcialmente acolhida, a verba honorária deve ser arbitrada em favor do poupador, no importe de 10% sobre o proveito econômico por ele obtido. Valor incontroverso da condenação. Caberá ao MM. Juízo a quo determinar o levantamento do valor incontroverso, a pedido do poupador, oportunamente. Recurso provido em parte. Nas razões do recurso especial (e-STJ fls. 282/288), fundamentado no art. 105, III, "a" e "c", da CF, o recorrente aponta, além de dissídio jurisprudencial, violação dos arts. 405 do CC/2002 e 219 do CPC/1973. Sustenta, em síntese, que "a incidência dos juros moratórios emerge de previsão legal e, em não havendo regulação contratual ou previsão casuística diversa quanto ao termo inicial da sua incidência, consoante sucede com a condenação originária de sentença proferida em sede de ação coletiva, se sujeita à regra geral, ou seja, fluem a partir da citação havida no processo de conhecimento (art. 405, NCC e art. 219, CPC), quando se tratar de relação contratual" (e-STJ fl. 285). Afirma ainda que (e-STJ fl. 286): A matéria controvertida foi recentemente julgada com ares de definitiva em 21/05/2014 pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça - STJ, prevalecendo o entendimento do REsp 1.370.899/SP (Rel. Min. Sidnei Beneti - Anexo I), que considera o termo inicial a contar da citação na ação de conhecimento (Ação Civil Publica), tese defendida pelo recorrente, derrotando a tese defendida pelos Bancos e pelo recorrido no entendimento do REsp 1.361.800/SP (Rel. Min. Raul Araújo )- que seguia entendimento adotado no julgamento do AgRg no REsp 1.370.899/SP de Relatoria do Min. Luis Felipe Salomão, que considerava o termo inicial da mora, como sendo o da fase de liquidação do julgado. Foram apresentadas contrarrazões (e-STJ fls. 292/300). Admitido o recurso na origem, foi determinada a subida dos autos a esta Corte para apreciação do especial (e-STJ fls. 317/319). O BANCO DO BRASIL S.A. também interpôs recurso especial, que, entretanto, teve seu seguimento negado, por força do art. 1.030, I, "b", do CPC/2015 (e-STJ fls. 320/325). É o relatório. Decido. Com razão o recorrente. Quanto ao termo inicial dos juros de mora, a Corte Especial do STJ firmou, no julgamento do REsp n. 1.370.899/SP, sob o rito do art. 543-C do CPC/1973, o entendimento de que "os juros de mora incidem a partir da citação do devedor na fase de conhecimento da Ação Civil Pública, quando esta se fundar em responsabilidade contratual, sem que haja configuração da mora em momento anterior" (Ministro SIDNEI BENETI, julgado em 21/5/2014, REPDJe 16/10/2014, DJe 14/10/2014). No mesmo sentido: "Os juros de mora incidem a partir da citação do devedor na fase de conhecimento da ação civil pública, quando esta se fundar em responsabilidade contratual, sem que haja configuração da mora em momento anterior" - REsp n. 1.370.899/SP e REsp n. 1.361.800/SP - Recursos especiais julgados pelo rito dos recursos repetitivos" (AgInt no AREsp n. 1.316.210/MS, Relator Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 28/5/2019, DJe 13/6/2019). Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. LIQUIDAÇÃO INDIVIDUAL DE SENTENÇA PROFERIDA EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA. PRESCRIÇÃO. LIQUIDAÇÃO. MINISTÉRIO PÚBLICO. PRAZO PRESCRICIONAL. INTERRUPÇÃO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. CITAÇÃO DO DEVEDOR. FASE DE CONHECIMENTO. (..) 3. Esta Corte firmou o entendimento de que os juros de mora incidem a partir da citação do devedor na fase de conhecimento da ação civil pública, quando esta se fundar em responsabilidade contratual. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.294.213/MS, Relator Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 9/12/2019, DJe 11/12/2019.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. LIQUIDAÇÃO DE AÇÃO COLETIVA. 1. PRESCRIÇÃO. LIQUIDAÇÃO APRESENTADA POR LEGITIMADO EXTRAORDINÁRIO. INTERRUPÇÃO DO PRAZO. OCORRÊNCIA. SÚMULA 83/STJ. 2. JUROS DE MORA. DATA DA CITAÇÃO DO DEVEDOR NA AÇÃO DE CONHECIMENTO COMO TERMO INICIAL DOS JUROS MORATÓRIOS. PRECEDENTE FIRMADO SOB O RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. 3. REQUERIMENTO DA PARTE AGRAVADA DE APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO § 4º DO ART. 1.021 DO CPC/2015. 4. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. O ajuizamento de ação de execução coletiva pelo legitimado extraordinário interrompe a contagem do prazo prescricional, não havendo que se falar em inércia dos credores individuais. Precedentes. 2. O Recurso Especial 1.361.800/SP, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, consolidou a seguinte tese: "Os juros de mora incidem a partir da citação do devedor na fase de conhecimento da Ação Civil Pública, quando esta se fundar em responsabilidade contratual, sem que haja configuração da mora em momento anterior" (Relator p/ Acórdão Ministro Sidnei Beneti, Corte Especial, DJe 14/10/2014). (..) 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.346.972/MS, Relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 18/3/2019, DJe 22/3/2019.) O Tribunal a quo assentou que (e-STJ fl. 213): Ainda que existam divergências sobre o termo inicial dos juros moratórios, esta Câmara entende que são devidos a partir da citação da execução individual. Assim, por estar em desacordo com a jurisprudência do S TJ, firmada, aliás, sob o rito de recurso repetitivo, o acórdão recorrido deve ser reformado quanto ao ponto. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso especial para determinar que os juros de mora incidam desde a data da citação do devedor na fase de conhecimento na ação civil pública, nos termos da fundamentação acima. Publique-se e intimem-se.