REsp 1949929 - DECISAO
O acórdão recorrido estava em dissonância com o entendimento consolidado no REsp 1.495.146/MG e com o entendimento do STF no RE 870.947 (Tema 810) sobre atualização monetária, razão pela qual o recurso especial foi conhecido e provido para corrigir tal divergência.
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: INSTITUTO DE PAGAMENTOS ESPECIAIS DE SAO PAULO - IPESP -
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 August 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Conhecido E Provido
- Outcome
- recurso especial conhecido e provido
- Legal Topics
- Juros Moratórios, Correção Monetária, Servidores Públicos, Gratificações, Repercussão Geral
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Parties
INSTITUTO DE PAGAMENTOS ESPECIAIS DE SAO PAULO - IPESP -
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Conhecido E Provido
Legal Issues
- 1 aplicabilidade do art. 1º-F da Lei n. 9.494/97 e da redação dada pela Lei n. 11.960/09
- 2 regime de juros e índice de atualização monetária em condenações contra a Fazenda Pública
- 3 conformidade do acórdão recorrido com jurisprudência consolidada do STF e do STJ (Tema 810 e REsp 1.495.146/MG)
Ratio Decidendi
O acórdão recorrido estava em dissonância com o entendimento consolidado no REsp 1.495.146/MG e com o entendimento do STF no RE 870.947 (Tema 810) sobre atualização monetária, razão pela qual o recurso especial foi conhecido e provido para corrigir tal divergência.
Court Disposition
recurso especial conhecido e provido
Orders
- Conheço do recurso especial e dou-lhe provimento.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo INSTITUTO DE PAGAMENTOS ESPECIAIS DE SAO PAULO - IPESP -com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal. Na origem, o recorrido ajuizou ação visando à obtenção, na sua pensão por morte da sua esposa, das Gratificações por Atividade de Magistério GAM, nem a Gratificação . por Trabalho Educacional GTE , instituídas pelas Leis Complementares n.977/2005 e 874/2000, atribuindo à causa o valor de R$ 415,00 (quatrocentose quinze reais). Após sentença que julgou procedente o pedido, o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO negou provimento à apelação do ente público, ficando consignado que "o regime de juros de mora constitui norma de direito substancial, de forma que o art. 50 da Lei nº 11.960/09 somente haverá de ser aplicado para as relações jurídicas estabelecidas posteriormente ao seu advento". O referido acórdão foi assim ementado, in verbis: SERVIDORES INATIVOS - EXTENSÃO DE GRATIFICAÇÃO POR TRABALHO EDUCACIONAL GTE GRATIFICAÇÃO POR ATIVIDADE DE MAGISTÉRIO - GAM Vantagens que devem ser implementadas pela autoridade estatal de vez que, sendo impessoais, não passam de um aumento de vencimentos, de sorte a ser ilegal ato que restringe sua aplicação apenas aos profissionais em atividade e não aos que se achem aposentados. Inteligência do artigo 126 da Constituição do Estado e 40º da Constituição Federal. Recurso desprovido. Contra a decisão cuja ementa se encontra acima transcrita, oINSTITUTO DE PAGAMENTOS ESPECIAIS DE SAO PAULO - IPESP - interpôs o presente recurso especial, apontando violação dos art. 1º-F da Lei n.9.494/97. Sustenta, em síntese, que (fl. 115): Inicialmente, deve o recorrente consignar que o percentual dos juros moratórios é de 6% (seis por cento) ao ano, nos termos do art. 1-F da Lei n. 9.494/97, introduzido pela M. P. n.2.180-35, de 24 de agosto de 2001. Assim, por imposição do artigo 1º da Lei Federal n. 9.494/97, com a redação dada pela indigitada Medida Provisória, os juros moratórios, nas condenações impostas à Fazenda Pública, nos casos em que especifica, NAO poderão ultrapassar o percentual de 6% ao ano. A jurisprudência desse Colendo Superior Tribunal de Justiça é unânime ao entender que, se a ação foi proposta depois da vigência da alteração imposta por meio da MP 2180-35, que acrescentou o artigo 1º- F ao texto da Lei 9494197, os juros devem ser de 6% ao ano (Precedentes STJ EDREsp 441091-SC, reg. 200200746948, 5" Turma, Rel. Ministro Félix Fisher, julgamento em 05.02.2004, vu, DJU de 08.03.2004, pg. 315). Apresentadas contrarrazões pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Decido. Inicialmente é necessário consignar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo n.3/STJ: "Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC." No tocante à correção monetária, o Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, no julgamento do Recurso Extraordinário n. 870.947/SE (Tema 810/STF) assentou a compreensão de que o art. 1º-F da Lei n. 9.494/97, com a redação dada pela Lei n. 11.960/09, na parte em que disciplina a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, revela-se inconstitucional ao impor restrição desproporcional ao direito de propriedade (CRFB, art. 5º, XXII), uma vez que não se qualifica como medida adequada para capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se destina, estabelecendo, ainda, que a correção monetária deve observar o IPCA-E. Na esteira desse entendimento, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou-se no julgamento do Recurso Especial Repetitivo 1.495.146/MG, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção (Tema n. 905/STJ). Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. EXECUÇÃO. VERBAS REMUNERATÓRIAS. ADEQUAÇÃO DO JULGADO AO ENTENDIMENTO FIRMADO PELO STF (ART. 1.040, II, DO CPC/2015). ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 5º DA LEI N. 11.960/2009. REDAÇÃO DO ART. 1º-F DA LEI N. 9.494/1996. RE 870.947/SE E RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.495.146/MG. 1. O Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 870.947/SE (Tema 810), assentou a compreensão de que "o art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, revela-se inconstitucional ao impor restrição desproporcional ao direito de propriedade (CRFB, art. 5º, XXII), uma vez que não se qualifica como medida adequada a capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se destina", estabelecendo, ainda, que a correção monetária deve observar o IPCA-E. 2. Na esteira desse entendimento, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça restou consolidada no julgamento do Recurso Especial Repetitivo 1.495.146/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes, para realizar a adequação prevista no art. 1.040, II, do CPC/2015. (EDcl no AgRg no REsp 1221069/RS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/03/2020, DJe 06/03/2020.) AGRAVO INTERNO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONDENAÇÃO DA FAZENDA PÚBLICA. CORREÇÃO MONETÁRIA. TEMA 810 (RE 870.947). REPERCUSSÃO GERAL DECIDIDA. EXISTÊNCIA DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DESNECESSIDADE DE AGUARDAR O TRÂNSITO EM JULGADO. ENTENDIMENTO DO STF. 1. No julgamento do RE 870.947 (Tema 810), firmou-se entendimento, em repercussão geral, de que o "art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, revela-se inconstitucional ao impor restrição desproporcional ao direito de propriedade (CRFB, art. 5º, XXII), uma vez que não se qualifica como medida adequada a capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se destina." 2. O acórdão proferido por esta Corte, objeto do recurso extraordinário, não discrepa dessas conclusões. 3. É do entendimento do Supremo Tribunal Federal que, decidido o mérito da questão, na sistemática da repercussão geral, autorizado está o julgamento das causas que tratarem de idêntico assunto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no RE no AgRg no REsp 1411245/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, CORTE ESPECIAL, julgado em 10/12/2019, DJe 13/12/2019.) Destaca-se, ainda, que a matéria havia sido suspensa pelo STF nos Edcl no RE 870.947/SE, relator Min. Luiz Fux, mas apenas para fins de modulação dos efeitos temporais da decisão, tendo sido mantido o entendimento fixado quanto ao mérito. Contudo, o Tribunal, por maioria, rejeitou os Embargos de Declaração e não modulou os efeitos da decisão. Nesse sentido: ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. JUROS MORATÓRIOS. ART. 1o.-F DA LEI 9.494/1997, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009. PARADIGMA: QO NO RESP. 1.495.144/RS, REL. MIN. MAURO CAMPBELL MARQUES, JULGADO EM 12.8.2015. TEMA 810/STF. MODULAÇÃO DOS EFEITOS. INOCORRÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL DO INSS A QUE SE DÁ PARCIAL PROVIMENTO. 1. A Corte Especial do STJ, no julgamento do REsp. 1.205.946/SP, representativo de controvérsia, relatado pelo Ministro BENEDITO GONÇALVES, na sessão de 19.10.11, pacificou o entendimento de que o art. 1o.-F da Lei 9.494/1997, com a redação dada pela Lei 11.960/2009, por se tratar de norma de caráter eminentemente processual, deve ser aplicado de imediato a todas as demandas judiciais em trâmite. 2. A questão em apreço restou consolidada nesta Corte, no julgamento do REsp. 1.495.146/MG, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, Dje 2.3.2018, onde se firmou a compreensão de que as condenações judiciais referentes a Servidores e Empregados Públicos sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. 3. Esclarece-se, por oportuno, que a matéria havia sido suspensa pelo STF nos Edcl no RE 870.947/SE, Rel. Min. LUIZ FUX, mas apenas para fins de modulação dos efeitos temporais da decisão, tendo sido mantido o entendimento fixado quanto ao mérito. Contudo, o Tribunal, por maioria, rejeitou os Embargos de Declaração e não modulou os efeitos da decisão. 4. Agravo Regimental do INSS a que se dá parcial provimento. (AgRg no REsp 1492381/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 09/06/2020, DJe 23/06/2020.) Assim, merece reparo o acórdão recorrido, porquanto encontra-se em dissonância com o decidido no julgamento do REsp. 1.495.146/MG, relator Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 2/3/2018, acima mencionado. Ante o exposto, com esteio no art. 255, § 4º, III, do RISTJ, conheço do recurso especial para dar-lhe provimento. Publique-se. Intimem-se.