REsp 1936560 - DECISAO
O Tribunal, alinhando-se ao precedente repetitivo do STJ (REsp 1.492.221/PR) e ao entendimento do STF, concluiu que, em condenações previdenciárias, a correção monetária deve observar o INPC e os juros de mora devem ser calculados nos termos do art. 1º-F da Lei 9.494/1997 (com redação dada pela Lei 11.960/2009);...
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- Parties
- Recorrente: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS; Autor: autor
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 November 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Proferida Pelo Superior Tribunal De Justiça (decisão/djes Publicada)
- Outcome
- Recurso especial parcialmente provido
- Legal Topics
- Juros Moratórios, Correção Monetária, Art. 1º F Da Lei 9.494/1997, Lei 11.960/2009, INPC, IPCA E, Honorários Sucumbenciais Recursais, Coisa Julgada
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Recorrente
autor
Autor
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Proferida Pelo Superior Tribunal De Justiça (decisão/djes Publicada)
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade do art. 1º-F da Lei 9.494/1997 (com redação dada pela Lei 11.960/2009) às condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária
- 2 Índice de atualização monetária aplicável em condenações previdenciárias (INPC/IPCA)
- 3 Taxa de juros de mora incidente sobre condenações previdenciárias e sua compatibilidade com precedentes desta Corte e do STF
Ratio Decidendi
O Tribunal, alinhando-se ao precedente repetitivo do STJ (REsp 1.492.221/PR) e ao entendimento do STF, concluiu que, em condenações previdenciárias, a correção monetária deve observar o INPC e os juros de mora devem ser calculados nos termos do art. 1º-F da Lei 9.494/1997 (com redação dada pela Lei 11.960/2009); portanto, determinou-se o recálculo dos juros moratórios conforme o art. 1º-F e a adoção do INPC como índice de correção monetária, dando provimento em parte ao recurso especial.
Court Disposition
Recurso especial parcialmente provido
Orders
- Determinar o cálculo dos juros moratórios na forma prevista no art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009
- Adotar o INPC como índice de correção monetária
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos, etc. Trata-se de recurso especial interposto peloINSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS, com fundamento na alínea "a" do inciso III do art. 105 da CF/1988, contra acórdão doTRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIROassim ementado (e-STJ, fl. 191): Acidentária. Verbas pendentes em favor do autor. Indispensável incidência dos juros de mora trazidos no artigo 1º-F, da Lei 9494/97. Aplicação dos índices do IPCA na correção monetária. Observância da inconstitucionalidade parcial do artigo 5º, da Lei 11.960/09. Precedentes. Recurso desprovido. Os embargos de declaração foram rejeitados (e-STJ, fls. 212-215). O recorrente sustenta, em síntese, que se cuida de recurso especial contra acórdão que manteve sentença que condenara o INSS a atualizar monetariamente as quantias pagas ao autor, no período de dezembro de 1987 a março de 1991, acrescidas de juros de 1% ao mês, ao arrepio do quanto previsto no art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009. Sem contrarrazões (e-STJ, fl. 233), o recurso especial foi admitido na origem (e-STJ, fls. 314-319). É o relatório. Quanto à aplicação do art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, esta Corte Superior, em recurso especial repetitivo, alinhou-se ao entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal, como demonstra o seguinte precedente: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 02/STJ. DISCUSSÃO SOBRE A APLICAÇÃO DO ART. 1º-F DA LEI 9.494/97 (COM REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009) ÀS CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA. CASO CONCRETO QUE É RELATIVO A CONDENAÇÃO JUDICIAL DE NATUREZA PREVIDENCIÁRIA.TESES JURÍDICAS FIXADAS. 1. Correção monetária: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza. 1.1 Impossibilidade de fixação apriorística da taxa de correção monetária. No presente julgamento, o estabelecimento de índices que devem ser aplicados a título de correção monetária não implica prefixação (ou fixação apriorística) de taxa de atualização monetária. Do contrário, a decisão baseia-se em índices que, atualmente, refletem a correção monetária ocorrida no período correspondente. Nesse contexto, em relação às situações futuras, a aplicação dos índices em comento, sobretudo o INPC e o IPCA-E, é legítima enquanto tais índices sejam capazes de captar o fenômeno inflacionário. 1.2 Não cabimento de modulação dos efeitos da decisão. A modulação dos efeitos da decisão que declarou inconstitucional a atualização monetária dos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, objetivou reconhecer a validade dos precatórios expedidos ou pagos até 25 de março de 2015, impedindo, desse modo, a rediscussão do débito baseada na aplicação de índices diversos. Assim, mostra-se descabida a modulação em relação aos casos em que não ocorreu expedição ou pagamento de precatório. 2. Juros de mora: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. 3. Índices aplicáveis a depender da natureza da condenação. 3.1 Condenações judiciais de natureza administrativa em geral. As condenações judiciais de natureza administrativa em geral, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até dezembro/2002: juros de mora de 0,5% ao mês; correção monetária de acordo com os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) no período posterior à vigência do CC/2002 e anterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora correspondentes à taxa Selic, vedada a cumulação com qualquer outro índice; (c) período posterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança; correção monetária com base no IPCA-E. 3.1.1 Condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos. As condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. 3.1.2 Condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas. No âmbito das condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas existem regras específicas, no que concerne aos juros moratórios e compensatórios, razão pela qual não se justifica a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), nem para compensação da mora nem para remuneração do capital. 3.2 Condenações judiciais de natureza previdenciária.As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). 3.3 Condenações judiciais de natureza tributária. A correção monetária e a taxa de juros de mora incidentes na repetição de indébitos tributários devem corresponder às utilizadas na cobrança de tributo pago em atraso. Não havendo disposição legal específica, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês (art. 161, § 1º, do CTN). Observada a regra isonômica e havendo previsão na legislação da entidade tributante, é legítima a utilização da taxa Selic, sendo vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. 4. Preservação da coisa julgada. Não obstante os índices estabelecidos para atualização monetária e compensação da mora, de acordo com a natureza da condenação imposta à Fazenda Pública, cumpre ressalvar eventual coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos, cuja constitucionalidade/legalidade há de ser aferida no caso concreto. SOLUÇÃO DO CASO CONCRETO 5. No que se refere à alegada afronta aos arts. 128, 460, 503 e 515 do CPC, verifica-se que houve apenas a indicação genérica de afronta a tais preceitos, sem haver a demonstração clara e precisa do modo pelo qual tais preceitos legais foram violados. Por tal razão, mostra-se deficiente, no ponto, a fundamentação recursal. Aplica-se, por analogia, o disposto na Súmula 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 6. Quanto aos demais pontos, cumpre registrar que o presente caso refere-se a condenação judicial de natureza previdenciária. Em relação aos juros de mora, no período anterior à vigência da Lei 11.960/2009, o Tribunal de origem determinou a aplicação do art. 3º do Decreto-Lei 2.322/87 (1%); após a vigência da lei referida, impôs a aplicação do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009). Quanto à correção monetária, determinou a aplicação do INPC. Assim, o acórdão recorrido está em conformidade com a orientação acima delineada, não havendo justificativa para reforma. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 1.036 e seguintes do CPC/2015, c/c o art. 256-N e seguintes do RISTJ. (REsp n. 1.492.221/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/2/2018, DJe de 20/3/2018). Assim, verifica-se que o parâmetro adotado para o cálculo dos juros de mora está em contrariedade em relação ao decidido por esta Corte quanto à aplicabilidade doart. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009. Ante o exposto, com fulcro no art. 932, IV e V, do CPC/2015, c/c o art. 255, § 4º, II e III, do RISTJ, dou provimento em parte ao recurso especialpara determinar o cálculo dos juros moratórios da forma prevista noart. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009, adotando-se o INPC como índice de correção monetária. Nos termos do Enunciado Administrativo n. 7/STJ, a saber, "somente nos recursos interpostos contra decisão publicada a partir de 18 de março de 2016, será possível o arbitramento de honorários sucumbenciais recursais, na forma do art. 85, § 11, do novo CPC", razão pela qual deixo de fixá-los. Publique-se. Intimem-se.