REsp 2101047 - DECISAO
O recurso especial foi parcialmente provido para determinar que os juros moratórios incidam a partir da citação, com base na Taxa Selic, sem cumulação com outros índices de correção monetária, reformando o acórdão recorrido nesses pontos e mantendo os demais termos da decisão de origem.
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- Parties
- Recorrente: MAURÍCIO DAL AGNOL; Parte Adversa Mencionada: Brasil Telecom S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 February 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão
- Outcome
- Recurso especial provido parcialmente
- Legal Topics
- Juros Moratórios, Correção Monetária, Taxa Selic, Responsabilidade Contratual, Dano Moral, Dano Material, Mandato, Embargos De Declaração
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Parties
MAURÍCIO DAL AGNOL
Recorrente
Brasil Telecom S.A.
Parte Adversa Mencionada
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão
Legal Issues
- 1 Aplicação da Taxa Selic como taxa de juros moratórios prevista no art. 406 do Código Civil e vedação de cumulação com outro índice de correção monetária
- 2 Termo inicial dos juros moratórios: citação ou data do acordo/ato danoso
- 3 Alegada omissão do acórdão recorrido quanto à apreciação de pontos suscitados em embargos de declaração (art. 1.022 CPC)
Ratio Decidendi
O recurso especial foi parcialmente provido para determinar que os juros moratórios incidam a partir da citação, com base na Taxa Selic, sem cumulação com outros índices de correção monetária, reformando o acórdão recorrido nesses pontos e mantendo os demais termos da decisão de origem.
Court Disposition
Recurso especial provido parcialmente
Orders
- Incidência dos juros moratórios a partir da citação, com base na Taxa Selic, sem cumulação com outros índices de correção monetária.
- Mantidos os ônus de sucumbência fixados na origem.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por MAURÍCIO DAL AGNOL, com fundamento no art. 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, contra o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul assim ementado: "APELAÇÕES CÍVEIS. MANDATOS. AÇÃO INDENIZATÓRIA. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ADVOCATÍCIOS. PRESCRIÇÃO INOCORRENTE. RELAÇÃO CONTRATUAL (MANDANTE X MANDATÁRIO). PRAZO DECENAL. EXEGESE DO ART. 205 DO CCB. PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. ACORDO CELEBRADO SEM ANUÊNCIA DA PARTE MANDANTE. VALOR RECEBIDO EQUIVALENTE A 50% DO CRÉDITO RECONHECIDO JUDICIALMENTE À PARTE AUTORA, COM TRÂNSITO EM JULGADO. RENÚNCIA A DIREITOS DO MANDANTE. ABUSO NO EXERCÍCIO DO MANDATO. CONDUTA ILÍCITA DO ADVOGADO. DEVER DE INDENIZAR CARACTERIZADO. DANOS MATERIAIS DEMONSTRADOS. JUROS MORATÓRIOS DE 1% AO MÊS E CORREÇÃO MONETÁRIA PELO IGP-M. TERMO INICIAL. CASO CONCRETO. DATA DA CELEBRAÇÃO DO ACORDO. INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC. PRECEDENTES DESTA CÂMARA. DANOS MORAIS CONFIGURADOS. PRESCINDÍVEL COMPROVAÇÃO POR SE TRATAR IN RE IPSA. CORREÇÃO MONETÁRIA A PARTIR DO ARBITRAMENTO. SÚMULA 362 DO STJ. JUROS MORATÓRIOS DESDE A CITAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 405 DO CCB. RECURSO DO RÉU DESPROVIDO. APELO DO AUTOR PARCIALMENTE PROVIDO" (fl. 1.455). Em suas razões, o recorrente aponta, além de divergência jurisprudencial, violação dos seguintes dispositivos legais com as respectivas teses: (a) arts. 406 do Código Civil e 322, § 1º, do Código de Processo Civil - a fixação de juros moratórios deve se dar com base na Taxa Selic sem o acréscimo de nenhum índice de correção monetária, sob pena de excesso de execução e enriquecimento sem causa da parte contrária. Defende que a utilização da Taxa Selic 0 não ofende a coisa julgada; (b) art. 405 do Código Civil - os juros de mora sobre a indenização por danos materiais a que foi condenado, decorrentes do acordo judicial lesivo ao seu cliente, incidem a partir da citação inicial, e (c) art. 1.022 do Código de Processo Civil - o acórdão combatido teria incorrido em negativa de prestação jurisdicional ao não apreciar aspectos relevantes da demanda suscitados nos embargos declaratórios, deixando de aplicar a Taxa Selic como juros de mora, conforme previsão do art. 406 do Código Civil. Contrarrazões às fls. 1.933-1.937. É o relatório. DECIDO. A insurgência merece parcial acolhida. Inicialmente, não se vislumbra a apontada violação do art. 1.022 do CPC. O acórdão recorrido expressamente decidiu acerca da Taxa Selic, correção monetária e juros de mora, nos seguintes termos: "(..) Danos Morais. (..) Quanto à atualização do montante, a correção monetária (pelo IGP-M) incide a contar da publicação da decisão que fixou a indenização, na forma da Súmula 362 do STJ. Ainda, no que se refere ao termo inicial dos juros moratórios, deve incidir a contar da citação, conforme o disposto no art. 405 do CCB, pois se trata de falha na execução do contrato de prestação de serviços advocatícios. Passo ao exame do termo inicial dos juros moratórios e da correção monetária relativamente aos danos materiais reconhecidos em sentença (objeto do recurso de ambas as partes). Termo inicial dos juros moratórios e da correção monetária - referente aos danos patrimoniais. Adianto que assiste parcial razão ao autor, embora por fundamento diverso, uma vez que, no tocante ao montante a ser ressarcido pelo réu (danos materiais), prevalece nesta Câmara o entendimento de que tais encargos devem ser aplicados desde a data do acordo realizado, nos termos do artigo 670 do Código Civil, pois em tal momento é que se verificou o abuso do mandatário. (..) Do mesmo modo, não há falar em aplicação da Taxa Selic (como sustentado pelo réu em suas razões recursais), na medida em que as condenações judiciais, sobretudo as fixadas nesta Câmara, são atualizados mediante a incidência de juros de mora de 1% ao mês e de correção monetária pelo IGP-M. (..) Dessa forma, merece pequeno reparo a sentença no tocante ao termo inicial fixado para os juros de mora de 1% ao mês, referente à reparação dos danos patrimoniais, tendo em vista que, pelos fundamentos já explicitados, assim como a correção monetária (pelo IGP-M), devem incidir a partir da data do evento danoso, no caso concreto, quando celebrado o fatídico acordo (26.11.2009)" (fls. 1.448-1.453). Em embargos de declaração, reiterou sua fundamentação: "(..) Com efeito, observa-se que a parte embargante, inconformada com a decisão, pretende a reanálise de matéria já enfrentada, o que, na hipótese, se demonstra descabida, tendo em vista que a oposição de tal modalidade recursal objetiva apenas corrigir e/ou complementar a decisão impugnada, nos estritos limites do artigo 1.022 do Código de Processo Civil, já transcrito. Ademais, as questões trazidas pela embargante já foram objeto de análise na decisão embargada, porquanto restou consignado no julgado que a correção monetária (pelo IGP-M),relativa à condenação a título de danos morais, incide a contar da publicação da decisão que fixou a indenização, na forma da Súmula 362 do STJ, assim como o termo inicial dos juros moratórios a partir da citação, nos termos do art. 405 do CCB, visto que se trata de falha na execução do contrato de prestação de serviços advocatícios. De igual modo, restou definido que o termo inicial dos juros moratórios e da correção monetária, no tocante aos danos patrimoniais, deve ser a data em que realizado o acordo, nos termos do artigo 670 do Código Civil, vez que foi o momento em que se verificou o abuso do mandatário, conforme entendimento deste Colegiado, conforme ementas colacionadas no acórdão. Afora isso, foi examinada e rechaçada a pretensão do embargante de aplicação tão somente da Taxa Selic, porquanto as condenações judiciais, sobretudo as fixadas nesta Câmara, são atualizadas mediante a incidência de juros de mora de 1% ao mês e de correção monetária pelo IGP-M, consoante julgados deste Órgão Fracionário. Nesse contexto, fica evidente que a intenção do embargante é meramente rediscutir matérias já enfrentadas por este Colegiado, o que, repiso, é descabido em sede de embargos de declaração" (fl. 1.642). Assim, verifica-se que o Tribunal de origem motivou adequadamente sua decisão, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entendeu cabível à hipótese. Não há falar, portanto, em existência de omissão ou de deficiência de fundamentação apenas pelo fato de o julgado recorrido ter decidido em sentido contrário à pretensão da parte. A propósito: "AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. DANOS MORAIS. INDENIZAÇÃO. JULGAMENTO MONOCRÁTICO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA COLEGIALIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. OFENSA. INEXISTÊNCIA. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. CARÊNCIA DA AÇÃO. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA Nº 283/STF. ATO ILÍCITO. CONDUTA CRIMINOSA. IMPUTAÇÃO. OFENSA À HONRA. DANO MORAL CONFIGURADO. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7/STJ. ESTATUTO DA OAB. IMUNIDADE PROFISSIONAL RELATIVA. LEGALIDADE E RAZOABILIDADE. DIREITOS DA PERSONALIDADE. VIOLAÇÃO. NÃO ABRANGÊNCIA. (..) 4. Não viola os arts. 489, § 1º, II, e 1.022, I e II, do Código de Processo Civil nem importa em negativa de prestação jurisdicional o acórdão que adota fundamentação suficiente para a resolução da causa, porém diversa da pretendida pelo recorrente, decidindo de modo integral a controvérsia posta. (..) 8. Agravo interno não provido." (AgInt no REsp 1.879.141/MS, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 12/4/2021, DJe 16/4/2021). Quanto à fixação dos juros de mora e correção monetária, observa-se que o aresto combatido está em confronto com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, segundo a qual a taxa de juros moratórios a que se refere o artigo 406 do Código Civil é a Taxa Selic - Sistema Especial de Liquidação e Custódia, sendo inviável sua cumulação com outros índices de correção monetária. Nesse sentido, são os seguintes precedentes: "EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO. VERIFICADA. JUROS DE MORA. ART. 406 DO CÓDIGO CIVIL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. PRECEDENTES. 1. De fato, a questão apresentada nos presentes embargos não foi apreciada quando da decisão do agravo em recurso especial. Tampouco o foi no acórdão do agravo interno. Houve omissão, portanto. 2. Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, inclusive em sede de repetitivo, a taxa de juros de mora a que se refere o art. 406 do Código Civil de 2002 é a SELIC. Precedentes. 3. Embargos de declaração acolhidos." (EDcl no AgInt no AREsp 1.074.010/RS, Relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, Quarta Turma, julgado em 27/11/2023, DJe de 30/11/2023). "AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. ATROPELAMENTO EM LINHA FÉRREA. JUROS. TAXA SELIC. EVENTO DANOSO. 1. O Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que, na vigência do Código Civil de 2002, os juros moratórios devem ser pagos com base na taxa Selic, a não ser que outra taxa tenha sido contratada. 2. Em caso de responsabilidade extracontratual, os juros moratórios fluem a partir do evento danoso (Súmula nº 54/STJ). 3. Agravo interno não provido." (AgInt no REsp 1.912.636/SP, Relator Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Terceira Turma, julgado em 23/10/2023, DJe de 27/10/2023). "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA. CONTRATO DE DISTRIBUIÇÃO COMERCIAL. CONTROVÉRSIA SOBRE A DEVOLUÇÃO DE PRODUTOS. PERÍCIA JUDICIAL CONFIRMADA PELO MAGISTRADO. PEDIDO DE ESCLARECIMENTOS COMPLEMENTARES. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. JUROS DE MORA SOBRE O DÉBITO JUDICIAL. TAXA SELIC. AGRAVO INTERNO PROVIDO PARA, EM NOVO JULGAMENTO, CONHECER DO AGRAVO E DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. 1. Não há cerceamento de defesa quando o julgador, ao constatar nos autos a existência de provas suficientes para o seu convencimento, indefere pedido de produção de prova. Cabe ao juiz decidir, motivadamente, sobre os elementos necessários à formação de seu entendimento, pois, como destinatário da prova, é livre para determinar as provas necessárias ou indeferir as inúteis ou protelatórias. 2. Nos termos da jurisprudência do STJ, " a taxa de juros moratórios a que se refere o art. 406 do Código Civil de 2002 é a SELIC" (AgInt no REsp 1.717.052/AL, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, Quarta Turma, DJe de 08/03/2019). 3. Agravo interno provido para, em novo julgamento, conhecer do agravo e dar parcial provimento ao recurso especial." (AgInt no AREsp 1.812.921/SP, Relator Ministro RAUL ARAÚJO, Quarta Turma, julgado em 9/10/2023, DJe de 16/10/2023). "AGRAVO INTERNO EM RECURSO ESPECIAL. ACIDENTE DE TRÂNSITO. VÍTIMA FATAL. COMPENSAÇÃO POR DANOS MORAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PRECEDENTES. 1. Nos termos do art. 406 do Código Civil, os juros moratórios legais correspondem àqueles que estiverem em vigor para a mora de impostos devidos à Fazenda Nacional que, atualmente, refere-se à taxa Selic, composta de juros moratórios e de correção monetária. 2. É inviável a cumulação da taxa Selic com outros índices de atualização monetária. Agravo interno improvido." (AgInt no REsp 1.955.415/SP, relator Ministro HUMBERTO MARTINS, Terceira Turma, julgado em 2/10/2023, DJe de 4/10/2023). "AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL - AUTOS DE AGRAVO DE INSTRUMENTO NA ORIGEM - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE DEU PARCIAL PROVIMENTO AO RECLAMO DA PARTE ADVERSA. INSURGÊNCIA DA PARTE AGRAVADA. 1. Consoante a jurisprudência desta Corte Superior, "A taxa de juros moratórios a que se refere o art. 406 do Código Civil de 2002 é a SELIC" (AgInt no REsp 1717052/AL, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, DJe 08/03/2019). 1.1. Segundo entendimento deste Tribunal Superior, a aplicação de juros e correção monetária pode ser alegada na instância ordinária a qualquer tempo, podendo, inclusive, ser conhecida de ofício, não caracterizando preclusão consumativa. 2. Agravo interno desprovido." (AgInt no REsp 1.792.993/RJ, Rel. Ministro MARCO BUZZI, Quarta Turma, DJe 28/10/2021). Relativamente ao termo inicial dos juros de mora, é importante ressaltar que, conforme consta do acórdão recorrido, o caso dos autos trata de pedido de condenação por danos materiais e morais decorrentes do ato ilícito imputado ao ora recorrente, que atuando como advogado/mandatário da parte recorrida, firmou acordo com a empresa Brasil Telecom S.A. em prejuízo do seu cliente (fl. 1.437). Desse modo, a hipótese em debate se trata de descumprimento de obrigação oriunda de responsabilidade contratual, em que os juros de mora são computados a partir da citação, nos termos do art. 405 do Código Civil. Essa é a orientação pacífica da jurisprudência desta Corte Superior de Justiça . Confiram-se: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489, II, E 1.022, II, DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS E REEXAME DE ELEMENTOS FÁTICO-PROBATÓRIOS DOS AUTOS. SÚMULAS N. 5 E 7 DO STJ. ARGUMENTO DE VIOLAÇÃO DE NORMAS LEGAIS SEM INDIVIDUALIZAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 284 DO STF. TAXA SELIC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO DA MATÉRIA VENTILADA NO RECURSO ESPECIAL. SÚMULAS N. 211 DO STJ E 282 DO STF. JUROS DE MORA. DANOS MATERIAIS. RELAÇÃO CONTRATUAL. TERMO INICIAL. CITAÇÃO. ENTENDIMENTO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA N. 83 DO STJ. TUTELA ANTECIPADA. SÚMULA N. 735 DO STF. INCIDÊNCIA POR ANALOGIA. ART. 300 DO CPC. REQUISITOS. REEXAME DAS PROVAS DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. (..) 5. No caso de responsabilidade civil contratual, os juros moratórios devem fluir a partir da citação. (..) 8. Agravo interno desprovido." (AgInt no AREsp 2.158.801/RJ, Relator Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Quarta Turma, julgado em 30/10/2023, DJe de 6/11/2023). "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DO COLEGIADO. INEXISTÊNCIA. AÇÃO DE RESCISÃO DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. ATRASO NA ENTREGA DA OBRA. RESTITUIÇÃO IMEDIATA E INTEGRAL DOS VALORES PAGOS. SÚMULA N.º 543 DO STJ. OCORRÊNCIA DE SITUAÇÃO EXCEPCIONAL QUE DEMONSTROU A EXISTÊNCIA DO DANO MORAL VINDICADO. SÚMULA N.º 7 DO STJ. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. DATA DA CITAÇÃO. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. (..) 4. A jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de ser a citação o termo inicial para a incidência dos juros de mora em caso de responsabilidade contratual. 5. Agravo interno não provido." (AgInt no AREsp 2.392.437/MG, Relator Ministro MOURA RIBEIRO, Terceira Turma, julgado em 4/12/2023, DJe de 6/12/2023). "CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. DANOS MATERIAIS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ADVOCATÍCIOS. RETENÇÃO INDEVIDA. TERMO INICIAL DOS JUROS DE MORA. DANOS MATERIAIS. FLUÊNCIA A PARTIR DA CITAÇÃO. RESPONSABILIDADE CONTRATUAL. PRECEDENTES. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. (..) 2. Esta Corte pacificou o entendimento de que os juros moratórios fluem a partir da citação, em se tratando de indenização por danos decorrentes de responsabilidade contratual. (..) 5. Agravo interno não provido." (AgInt no AREsp 1.406.689/RS, Relator Ministro MOURA RIBEIRO, Terceira Turma, julgado em 1º/6/2020, DJe 4/6/2020). "RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. DANOS MATERIAIS E MORAIS. ADVOGADO. DESCUMPRIMENTO DO MANDATO. PRESCRIÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. CELEBRAÇÃO DE ACORDO PREJUDICIAL. RENÚNCIA DE CRÉDITO. RESPONSABILIDADE CIVIL. RELAÇÃO CONTRATUAL. ABUSO DE PODER. CONFIGURAÇÃO. HONORÁRIOS. ABATIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. JUROS MORATÓRIOS. TERMO INICIAL. CITAÇÃO. TERMO FINAL. QUITAÇÃO. BLOQUEIO DOS BENS. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. DANO MORAL. REDUÇÃO. INVIABILIDADE. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA Nº 7/STJ. (..) 10. Esta Corte firmou o entendimento de que, em se tratando de indenização por danos decorrentes de responsabilidade contratual, os juros moratórios fluem a partir da citação tanto para os danos morais quanto para os materiais. (..) 14. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, não provido." (REsp 1.750.570/RS, Relator Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Terceira Turma, julgado em 11/9/2018, DJe de 14/9/2018). Portanto, merece reforma o acórdão recorrido, nos últimos dois pontos. Ante o exposto, dou parcial provimento ao recurso especial para determinar a incidência dos juros moratórios a partir da citação, com base na Taxa Selic, sem cumulação com outros índices de correção monetária. Mantenho os ônus de sucumbência fixados na origem (fl. 1.453 ). Publique-se. Intimem-se. EMENTA