REsp 2083571 - DECISAO
Considerando a afetação do tema aos recursos representativos (Tema 810/STF e Tema 905/STJ) e visando a economia processual, declarou-se prejudicada a análise do recurso especial e determinou-se a devolução dos autos ao Tribunal de origem, para que ali fiquem sobrestados até a publicação dos acórdãos representativos,...
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- Parties
- Recorrente: Fazenda do Estado de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 August 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Análise Prejudicada; Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem E Sobrestamento Até Publicação Do Acórdão Dos Recursos Representativos
- Outcome
- Recurso prejudicado
- Legal Topics
- Juros Moratórios, Correção Monetária, Execução De Débito Não Tributário, Recurso Especial, Recursos Repetitivos/afetação
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Parties
Fazenda do Estado de São Paulo
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Análise Prejudicada; Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem E Sobrestamento Até Publicação Do Acórdão Dos Recursos Representativos
Legal Issues
- 1 Índice de juros moratórios aplicável a débitos da Fazenda Pública de natureza não tributária (multa ambiental)
- 2 Incidência e constitucionalidade do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (Lei 11.960/2009) e aplicabilidade da taxa Selic
- 3 Efeito de temas afetados (Tema 810/STF e Tema 905/STJ) e devolução dos autos ao tribunal de origem para juízo de retratação
Ratio Decidendi
Considerando a afetação do tema aos recursos representativos (Tema 810/STF e Tema 905/STJ) e visando a economia processual, declarou-se prejudicada a análise do recurso especial e determinou-se a devolução dos autos ao Tribunal de origem, para que ali fiquem sobrestados até a publicação dos acórdãos representativos, permitindo o juízo de retratação nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC.
Court Disposition
Recurso prejudicado
Orders
- Devolução dos autos ao Tribunal de origem com baixa
- Autos sobrestados no Tribunal de origem até a publicação do acórdão dos recursos representativos da controvérsia (Tema 810/STF e Tema 905/STJ)
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial manejado pela Fazenda do Estado de São Paulo, com base no art. 105, III, a e c, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do mesmo Estado, assim ementado (fl. 25): EXECUÇÃO FISCAL - Dívida de natureza não tributária - Índice de juros moratórios - Art. 2º do Dec.-Lei nº 1.736/79 c/c art. 39 da Lei nº 4.320/64 com redação dada pelo Dec.-Lei nº 1.735/79 que foram revogados tacitamente pelos arts. 29 e 30 da Lei nº 10.522/02 - Precedentes - Aplicação da taxa SELIC Decisão mantida por outros fundamentos Recurso não provido. A parte recorrente aponta, além de dissídio jurisprudencial, violação aos arts. 406 do CC; 39, § 4º, da Lei n. 4.320/64; 161, § 1º, do CTN; 2º do DL n. 1.736/79; 29 e 30 da Lei n. 10.522/02. Sustenta, em resumo, que "tratando-se de débito originário de autuação da CETESB, diferentemente do que constou no acórdão recorrido, a correção monetária e os juros são estipulados pela Lei Federal 6899/81 e Decretos-lei 1.735 e 1.736/79, que deu nova redação ao art. 39 da Lei Federal 4.320/64, e não pela SELIC" (fl. 34). Contrarrazões apresentadas às fls. 46/61, postulando o não conhecimento do apelo raro e, no mérito, o seu desprovimento. É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. A questão discutida nos presentes autos diz com a especificação do índice de juros moratórios a ser aplicado na execução de débito estadual de natureza não tributária (multa ambiental). Ocorre que essa matéria foi afetada e julgada pelo STF (Tema 810/STF - RE 870.947/SE) e pela Primeira Seção do STJ pelo rito do artigo 1.036 do CPC (Tema 905/STJ - REsps 1.495.146/MG, 1.492.221/PR e 1.495.144/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 20/3/2018), mostrando-se conveniente, em observância ao princípio da economia processual e à própria finalidade do Código de Processo Civil, determinar o retorno dos autos à origem, onde ficarão sobrestados até a publicação do acórdão a ser proferido nos autos do recurso representativo da controvérsia. Confiram-se, a propósito, no que interessa ao presente recurso, as teses firmadas nesses precedentes: Tema 905/STJ: .. 2. Juros de mora: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. 3. Índices aplicáveis a depender da natureza da condenação. 3.1 Condenações judiciais de natureza administrativa em geral. As condenações judiciais de natureza administrativa em geral, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até dezembro/2002: juros de mora de 0,5% ao mês; correção monetária de acordo com os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) no período posterior à vigência do CC/2002 e anterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora correspondentes à taxa Selic, vedada a cumulação com qualquer outro índice; (c) período posterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança; correção monetária com base no IPCA-E. Tema 810/STF: 1) O art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina os juros moratórios aplicáveis a condenações da Fazenda Pública, é inconstitucional ao incidir sobre débitos oriundos de relação jurídico-tributária, aos quais devem ser aplicados os mesmos juros de mora pelos quais a Fazenda Pública remunera seu crédito tributário, em respeito ao princípio constitucional da isonomia (CRFB, art. 5º, caput); quanto às condenações oriundas de relação jurídica não-tributária, a fixação dos juros moratórios segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança é constitucional, permanecendo hígido, nesta extensão, o disposto no art. 1º-F da Lei nº 9.494/97 com a redação dada pela Lei nº 11.960/09; e 2) O art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina a atualização monetária das condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança, revela-se inconstitucional ao impor restrição desproporcional ao direito de propriedade (CRFB, art. 5º, XXII), uma vez que não se qualifica como medida adequada a capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se destina. Veja-se ainda esclarecedor precedente desta Corte determinando a devolução dos autos à origem: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TEMA 1.190/STJ AFETADO. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS À ORIGEM. 1. A presente controvérsia envolve a discussão de tema afetado ao rito dos Recursos Especiais Repetitivos: "Possibilidade de fixação de honorários advocatícios sucumbenciais em cumprimento de sentença contra a Fazenda Pública, independentemente de existência de impugnação à pretensão executória, quando o crédito estiver sujeito ao regime da Requisição de Pequeno Valor - RPV" (ProAfR no REsp 2.031.118/SP, Rel. Min. Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 27.4.2023). 2. Em tal circunstância, deve ser prestigiado o escopo perseguido na legislação processual, isto é, a criação de mecanismo que oportunize às instâncias de origem o juízo de retratação na forma dos arts. 1.040 e seguintes do CPC/2015, conforme o caso. 3. "Mostra-se conveniente, em observância ao princípio da economia processual e à própria finalidade do CPC/2015, determinar o retorno dos autos à origem, onde ficarão sobrestados até a publicação do acórdão a ser proferido nos autos dos recursos representativos da controvérsia. (..) Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes, para tornar sem efeito as decisões anteriores, com a restituição dos autos ao Tribunal de origem, para que lá se observe o iter delineado nos arts. 1.040 e 1.041 do CPC/2015." (EDcl nos EDcl no AgInt no AREsp 1.666.390/RS, Rel. Min. Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 8.4.2021) 4. Embargos de Declaração acolhidos para tornar sem efeito as decisões anteriores e determinar a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com a devida baixa, para que lá se observem as regras dos arts. 1.040 e seguintes do Código Processual Civil de 2015 após a publicação do acórdão do respectivo recurso excepcional representativo da controvérsia. (EDcl no AgInt no REsp n. 2.055.294/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/9/2023.) Ressalte-se que, nos termos do art. 256-L, I, do RISTJ: "Publicada a decisão de afetação, os demais recursos especiais em tramitação no STJ fundados em idêntica questão de direito: I - se já distribuídos, serão devolvidos ao Tribunal de origem, para nele permanecerem suspensos, por meio de decisão fundamentada do relator". Observa-se, ainda, que, de acordo com o artigo 1.041, § 2º, do referido diploma legal, "quando ocorrer a hipótese do inciso II do caput do art. 1.040 e o recurso versar sobre outras questões, caberá ao presidente ou ao vice-presidente do Tribunal recorrido, depois do reexame pelo órgão de origem e independentemente de ratificação do recurso, sendo positivo o juízo de admissibilidade, determinar a remessa do recurso ao tribunal superior para julgamento das demais questões", cuja diretriz metodológica, por certo, deve alcançar também aqueles feitos que já tenham ascendido a este STJ. ANTE O EXPOSTO, julgo prejudicada a análise do recurso e determino a devolução dos autos, com a respectiva baixa, ao Tribunal de origem, onde, nos termos dos arts. 1.040 e 1.041 do CPC, deverá ser realizado o juízo de conformação ou a manutenção do acórdão local frente ao que decidido por este Superior Tribunal de Justiça e pelo Supremo Tribunal Federal sobre o tema recursal (Tema 810/STF e Tema 905/STJ). Publique-se . EMENTA