REsp 2179954 - DECISAO
Conhecer e dar provimento ao recurso especial para determinar a aplicação do índice de juros moratórios previsto no art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, na redação dada pela Lei n. 11.960/2009, em observância ao entendimento firmado pelo STF no Tema 1170, por ser precedente vinculante e não ter havido modulação de...
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- Parties
- Recorrente: Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 December 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Recurso Conhecido E Provido (decisão Final)
- Outcome
- Recurso especial conhecido e provido, determinando a aplicação do índice de juros moratórios previsto no art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, na redação dada pela Lei n. 11.960/2009.
- Legal Topics
- Juros Moratórios, Coisa Julgada, Consectários Legais, Repercussão Geral, Precedente Vinculante (tema 1170)
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Parties
Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Recurso Conhecido E Provido (decisão Final)
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade do índice de juros moratórios previsto no art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997 (com redação da Lei n. 11.960/2009) às condenações da Fazenda Pública
- 2 Compatibilidade entre a legislação superveniente sobre consectários legais e a coisa julgada
- 3 Vinculação dos tribunais ao Tema 1170 do STF
Ratio Decidendi
Conhecer e dar provimento ao recurso especial para determinar a aplicação do índice de juros moratórios previsto no art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, na redação dada pela Lei n. 11.960/2009, em observância ao entendimento firmado pelo STF no Tema 1170, por ser precedente vinculante e não ter havido modulação de efeitos que o afaste.
Court Disposition
Recurso especial conhecido e provido, determinando a aplicação do índice de juros moratórios previsto no art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, na redação dada pela Lei n. 11.960/2009.
Orders
- Determinar que seja observado o índice de juros moratórios estabelecido no art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, na redação dada pela Lei n. 11.960/2009.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO O presente feito decorre de agravo de instrumento interposto pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS objetivando a aplicação do percentual de juros e correção monetária ao débito em desfavor do INSS nos termos previstos pela legislação superveniente à sentença. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou provimento ao recurso, conforme acórdão assim ementado: PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO COLETIVA. CUMPRIMENTO INDIVIDUAL. IRSM FEV/94. PAGAMENTO DE DIFERENÇAS. Hipótese em que o título transitou em julgado determinando a aplicação de juros de mora no percentual de 12% ao ano, de modo que devem prevalecer os critérios definidos no título executivo judicial. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. INSS interpôs recurso especial aduzindo violação do art. 1.022 do CPC, sustentando a existência de omissões relevantes na decisão recorrida, capazes, em tese, de infirmar a conclusão do acórdão. No mérito, alega violação do art. 1-F da Lei n. 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009, e art. 6º da LINDB, argumentando que a aplicação da legislação superveniente acerca dos consectários legais não viola a coisa julgada. Os autos foram restituídos ao órgão julgador para eventual juízo de retratação, considerando que a controvérsia amoldava-se a tese firmada em precedente qualificado de tribunais superiores. A decisão proferida foi mantida, conforme acórdão assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. RECURSO ESPECIAL. CONSECTÁRIOS. TEMA 435 DO STF. TEMA 810 DO STF. TEMA 905 DO STJ. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. COISA JULGADA. 1. No caso em apreço, trata-se de execução de sentença (ACP 2003.71.00.065522-8) que transitou em julgado em 18/02/2015, adotando juros de mora de 12% (doze por cento) ao ano. 2. Logo, ao tempo do trânsito já havia a alteração legislativa, introduzida pela Lei n.º 11.960/2009, que não foi questionada. Desse modo, há que ser preservada a coisa julgada. 3. Acórdão mantido. Os autos foram sobrestados em razão de a questão controvertida enquadrar-se no Tema n. 1170 de repercussão geral. Após o julgamento do referido tema, foram novamente restituídos ao órgão julgador para eventual juízo de retratação. Novamente, o entendimento foi mantido, conforme acórdão assim ementado: PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. PRECEDENTE DO STF (TEMA 1.170). CONSECTÁRIOS LEGAIS. PRESSUPOSTO FÁTICO. DISTINÇÃO. 1. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE nº 1.317.982/ES (Tema 1170), submetido à sistemática de repercussão geral, firmou a seguinte tese jurídica: É aplicável às condenações da Fazenda Pública envolvendo relações jurídicas não tributárias o índice de juros moratórios estabelecido no art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, na redação dada pela Lei n. 11.960/2009, a partir da vigência da referida legislação, mesmo havendo previsão diversa em título executivo judicial transitado em julgado. 2. Formado o título judicial após a vigência da Lei n.º 11.960/2009, os consectários legais que terão de ser observados serão aqueles nele estabelecidos, sob pena de ofensa à coisa julgada e à segurança jurídica. 3. Havendo distinção entre o julgado no caso concreto e os pressupostos fáticos que embasaram as razões de decidir do precedente paradigma, não deve haver modificação do resultado do julgamento em juízo de retratação. É o relatório. Decido. No julgamento do Tema n. 1.170 de repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal fixou a seguinte tese: É aplicável às condenações da Fazenda Pública envolvendo relações jurídicas não tributárias o índice de juros moratórios estabelecido no art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, na redação dada pela Lei n. 11.960/2009, a partir da vigência da referida legislação, mesmo havendo previsão diversa em título executivo judicial transitado em julgado. Anteriormente, no julgamento do Tema n. 810, em 20/09/2017, o Supremo Tribunal Federal decidira que "quanto às condenações oriundas de relação jurídica não tributária, a fixação dos juros moratórios segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança é constitucional, permanecendo hígido, nesta extensão, o disposto no art. 1º-F da Lei nº 9.494/97 com a redação dada pela Lei nº 11.960/09". O Tema n 1170 fora afetado para dirimir controvérsia quanto à validade dos juros moratórios aplicáveis nas condenações da Fazenda Pública, em virtude da tese firmada no Tema 810, na execução de título judicial que tenha fixado expressamente índice diverso. A tese desse último tema - que, nos termos do art. 927, III, do CPC, vincula os demais juízes e tribunais - expressamente consignou que, ainda que a decisão exequenda estipule índice diverso, deve ser observado aquele previsto no art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, na redação dada pela Lei n. 11.960/2009, a partir de sua vigência, não sendo estabelecida qualquer distinção relativamente à data do trânsito em julgado da referida decisão. Ademais, não houve modulação de efeitos pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do tema e, há de se ressaltar, ainda, que, tendo sido opostos embargos de declaração, estes foram rejeitados à unanimidade. Nesse sentido, a distinção ressaltada pela Corte de origem não se mostra apta para afastar a incidência da tese firmada no Tema n. 1170/STF. Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, III, do RISTJ, conheço do recurso especial para dar-lhe provimento, determinando que seja observado o índice de juros moratórios estabelecido no art. 1º-F da Lei n. 9.494/1997, na redação dada pela Lei n. 11.960/2009. Publique-se. Intimem-se. EMENTA