REsp 2144426 - ACORDAO
O art. 406 do Código Civil determina que a taxa de juros moratórios é a taxa SELIC, e essa taxa não se soma a outros índices de atualização monetária; assim, no caso concreto deve incidir a SELIC no cálculo dos juros moratórios e da correção monetária, com as consequentes alterações na distribuição dos ônus de...
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- Parties
- Recorrente: EXPRESSO ITAMARATI S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 October 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Sessão Virtual (07/10/2025 a 13/10/2025) Acórdão Proferido Pela Terceira Turma Do STJ
- Outcome
- Recurso especial conhecido e provido.
- Legal Topics
- Juros Moratórios, SELIC, Correção Monetária, Danos Materiais, Danos Morais, Cumulação De Índices, Sucumbência
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Parties
EXPRESSO ITAMARATI S.A.
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Sessão Virtual (07/10/2025 a 13/10/2025) Acórdão Proferido Pela Terceira Turma Do STJ
Legal Issues
- 1 Incidência da taxa SELIC como taxa de juros moratórios prevista no art. 406 do Código Civil
- 2 Impossibilidade de cumulação da taxa SELIC com outros índices de atualização monetária
- 3 Termo inicial da correção monetária do dano moral (data do arbitramento)
Ratio Decidendi
O art. 406 do Código Civil determina que a taxa de juros moratórios é a taxa SELIC, e essa taxa não se soma a outros índices de atualização monetária; assim, no caso concreto deve incidir a SELIC no cálculo dos juros moratórios e da correção monetária, com as consequentes alterações na distribuição dos ônus de sucumbência.
Court Disposition
Recurso especial conhecido e provido.
Orders
- Determinar a incidência da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios e da correção monetária incidente no caso concreto.
- Inverter os ônus de sucumbência, fixando a verba sucumbencial em 60% dos honorários que foram fixados em 10% sobre o valor da condenação, observado o benefício da justiça gratuita, se for o caso.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 07/10/2025 a 13/10/2025, por unanimidade, conhecer do recurso e lhe dar provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Moura Ribeiro, Daniela Teixeira, Nancy Andrighi e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. DANOS MATERIAL, MORAL E ESTÉTICO. RESPONSABILIDADE CIVIL. ACIDENTE DE TRANSITO. TAXA DE JUROS MORATÓRIOS. SELIC. CUMULAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. A taxa de juros moratórios a que se refere o art. 406 do Código Civil é a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, que não pode ser cumulada com a aplicação de outros índices de atualização monetária. 2. Recurso especial conhecido e provido.
RELATÓRIO Trata-se de recurso especial interposto por EXPRESSO ITAMARATI S.A., fundamentado no artigo 105, inciso III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO : APELAÇÃO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAL, MORAL E ESTÉTICO. RESPONSABILIDADE CIVIL. ACIDENTE DE TRÂNSITO. Embargos de declaração opostos de forma tempestiva tem o condão de interromper o prazo recursal, mesmo que não conhecidos. Ausência de ofensa ao princípio da dialeticidade recursal. Colisão entre veículo do autor e ônibus de propriedade da corré, conduzido pelo corréu. Dinâmica do acidente. Versão do autor e dos réus conflitantes. Elementos dos autos que demonstram que o motorista réu, de forma imprudente, cruzou a rodovia sem se atentar ao tráfego. Autor que dirigia com velocidade superior à permitida na pista de rolamento, conforme depoimento de sua própria testemunha. Culpa concorrente caracterizada, respondendo as partes pelos prejuízos causados, na proporção de 60% (sessenta por cento) para os réus, de forma solidária, e de 40% (quarenta por cento) para o autor. Valores referentes ao dano material limitados ao pedido deduzido na inicial, observando-se, ainda, o teor da Súmula nº 246 do C. STJ. Internação hospitalar, submissão a tratamentos e cirurgias, privação do cotidiano e as lesões sofridas pelo autor, ainda que temporárias, que corporificam dano moral indenizável. Dano estético afastado. Sentença reformada. Recurso provido, em parte. (e-STJ fls. 555) Os embargos de declaração opostos foram acolhidos parcialmente restando assim ementado: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM APELAÇÃO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAL, MORAL E ESTÉTICO. RESPONSABILIDADE CIVIL. ACIDENTE DE TRÂNSITO. Alegação de violação ao artigo 406 do Código Civil e à Sumula nº 362 do C. STJ. Aplicação da taxa SELIC. Inadmissibilidade. Atualização do débito que deve ser realizada pela Tabela Prática do E. Tribunal de Justiça de São Paulo, visando à uniformidade de entendimento desta C. Câmara. Termo inicial da correção monetária incidente sobre a condenação do dano moral que deve ser a data do arbitramento. Inteligência da Súmula nº 362, do C. STJ. Embargos acolhidos, em parte. (e-STJ fls. 601) No recurso especial, alega-se violação do art. 406 do Código Civil, uma vez a verba indenizatória deveria ser sujeita a juros calculados pela taxa SELIC, sem cumulação com outro índice de correção. É o relatório. EMENTA RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. DANOS MATERIAL, MORAL E ESTÉTICO. RESPONSABILIDADE CIVIL. ACIDENTE DE TRANSITO. TAXA DE JUROS MORATÓRIOS. SELIC. CUMULAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. A taxa de juros moratórios a que se refere o art. 406 do Código Civil é a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, que não pode ser cumulada com a aplicação de outros índices de atualização monetária. 2. Recurso especial conhecido e provido. VOTO A insurgência merece prosperar. Vê-se que o acórdão impugnado contraria o entendimento desta Corte Superior, no sentido de que a taxa de juros moratórios a que se refere o art. 406 do Código Civil é a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, que não pode ser cumulada com a aplicação de outros índices de atualização monetária. Nesse sentido: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO CONSUMIDOR. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE UNIDADE IMOBILIÁRIA. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. AUSÊNCIA. TRANSFERÊNCIA AO PROMITENTE COMPRADOR DAS DESPESAS COM INSTALAÇÕES E LIGAÇÕES DEFINITIVAS DE SERVIÇOS PÚBLICOS. POSSIBILIDADE. REDAÇÃO DA CLÁUSULA COM DESTAQUE. OBSERVÂNCIA AO DEVER DE INFORMAÇÃO. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. DEVER DE INDENIZAR. ALEGAÇÃO DE RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DOS CORRETORES QUE INTERMEDIARAM A NEGOCIAÇÃO. AFASTAMENTO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO EM PARTE. I CASO EM EXAME 1. Ação declaratória de nulidade de cláusulas contratuais ajuizada em 18/10/2016, da qual foi extraído o presente recurso especial, interposto em 21/06/2024 e concluso ao gabinete em 13/12/2024. 2. Na hipótese, o Tribunal de origem, reformando parcialmente a sentença de parcial procedência dos pedidos formulados pela parte autora, ora recorrida, (I) reduziu a cláusula penal invertida para multa de 0,5% sobre o valor atualizado do contrato, por mês de atraso, corrigido monetariamente pelo IGP-M desde o evento danoso e com o acréscimo de juros de mora de 1% ao mês, a contar da citação, (II) determinou a restituição do valor cobrado a título de taxa de ligações e instalações definitivas de serviços públicos, com correção monetária pelo IGP-M, desde o desembolso, e juros moratórios de 1% ao mês, a partir da citação, e (III) condenou a recorrente ao pagamento de indenização por danos morais, fixados em R$ 10.000,00, corrigidos monetariamente pelo IGP-M desde o arbitramento e com juros de mora de 1% ao mês, a partir da citação. II QUESTÃO EM DISCUSSÃO 3. O propósito recursal consiste em definir se: (I) houve negativa de prestação jurisdicional; (II) o índice de juros moratórios previsto no artigo 406 do Código Civil corresponde à Taxa SELIC; (III) nas relações consumeristas, é válida a cláusula que transfere ao consumidor a cobrança da tarifa de "instalações e ligações definitivas dos serviços públicos"; (IV) é possível a responsabilização da incorporadora por alegadas falhas na prestação dos serviços pelo corretor de imóveis. III RAZÕES DE DECIDIR 4. Não há negativa de prestação jurisdicional quando o Tribunal de origem examina, de forma fundamentada, a questão submetida à apreciação judicial e na medida necessária para o deslinde da controvérsia, ainda que em sentido contrário à pretensão da parte. 5. A taxa de juros moratórios a que se refere o artigo 406 do Código Civil é a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. Precedentes. 6. É válida a cláusula contratual que, redigida com destaque, transfere ao promitente comprador a obrigação de pagar o preço de instalações e ligações de serviços públicos nos contratos de promessa de compra e venda de unidade autônoma em regime de incorporação imobiliária, ainda que ausente a quantificação precisa do valor dos serviços.7. Caracterizada a publicidade enganosa, consistente na informação equivocada acerca da natureza do empreendimento, não pode a incorporadora eximir-se do dever de indenizar com base na alegação de responsabilidade exclusiva dos corretores que intermediaram a negociação. IV DISPOSITIVO 8. Recurso especial conhecido e parcialmente provido. (REsp n. 2.188.779/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 5/8/2025, DJEN de 15/8/2025.) CIVIL. RECURSO ESPECIAL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER CUMULADA COM INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. VÍCIO CONSTRUTIVO. OCORRÊNCIA DE SITUAÇÃO EXCEPCIONAL QUE DEMONSTROU A EXISTÊNCIA DO DANO MORAL VINDICADO. SÚMULA N. 7 DO STJ. UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC NO CÁLCULO DO VALOR DA CONDENAÇÃO. POSSIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Trata-se de ação de obrigação de fazer cumulada indenização por danos materiais e morais ajuziada pelo promitente comprador, em decorrência de vício construtivo no imóvel. 2. A fixação da indenização por danos morais decorreu de situação excepcional que configurou ofensa ao direito da personalidade do adquirente, extrapolando a esfera do mero inadimplemento contratual, não podendo a questão ser revista em âmbito de recurso especial, nos termos do que dispõe a Súmula n. 7 do STJ. 3. Os juros moratórios incidem a partir da citação, por se tratar de relação contratual, e a correção monetária, a partir do arbitramento da indenização por danos morais, podendo sua incidência ser substituída pela taxa SELIC na apuração do valor da condenação. 4 . Recurso especial parcialmente provido. (REsp n. 2.065.860/SE, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 12/8/2025, DJEN de 15/8/2025.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489, § 1º, E 1.022, I, DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. JULGAMENTO EXTRA PETITA. INEXISTÊNCIA. COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. PRÉDIO CONSTRUÍDO EM SOLO CONTAMINADO. INDENIZAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DO DEVER DE INFORMAÇÃO. DANOS MORAIS. DISTRIBUIÇÃO DA SUCUMBÊNCIA. VERIFICAÇÃO. REEXAME DO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA N. 7 DO STJ. RESPONSABILIDADE CONTRATUAL. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. DATA DA CITAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. ARBITRAMENTO DA INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. SUBSTITUIÇÃO DO INDEXADOR E DOS JUROS DE MORA. AGRAVO INTERNO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Inexiste ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC quando a corte de origem examina e decide, de modo claro, objetivo e fundamentado, as questões que delimitam a controvérsia, não ocorrendo nenhum vício que possa nulificar o acórdão recorrido. 2. Não configura julgamento ultra ou extra petita o provimento jurisdicional proferido nos limites do pedido, o qual deve ser interpretado lógica e sistematicamente como um todo. 3. Não se admite a revisão do entendimento do tribunal de origem quando a situação de mérito demandar o reexame do acervo fático-probatório dos autos, tendo em vista o óbice da Súmula n. 7 do STJ. 4. Os juros moratórios incidem a partir da citação, por se tratar de relação contratual, e a correção monetária, a partir do arbitramento da indenização por danos morais, momento em que, ao invés de se aplicarem os dois encargos, aplica-se somente a taxa Selic. 5. Agravo interno parcialmente provido. (AgInt no AREsp n. 2.140.598/RJ, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 19/8/2024, DJe de 22/8/2024.) Ante o exposto, conheço do recurso especial para dar-lhe provimento, no sentido de determinar a incidência da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios e da correção monetária incidente no caso concreto. Consequentemente, inverto os ônus de sucumbência, fixando a verba sucumbencial em 60% dos honorários que foram fixados em 10% sobre o valor condenação, observado o benefício da justiça gratuita, se for o caso. É o voto.