AREsp 1862846 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo porque o Tribunal de origem enfrentou de forma fundamentada as alegações (afastando negativa de prestação jurisdicional), constatou não estar demonstrada a abusividade dos juros remuneratórios em face da média de mercado do BACEN e verificou pactuação expressa da capitalização de juros...
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- Parties
- Agravante: JEISON DE CONTO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 July 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Do Agravo (decisão De Mérito)
- Outcome
- nego provimento ao agravo
- Legal Topics
- Juros Remuneratórios, Capitalização De Juros, Admissibilidade De Recurso Especial, Revisional De Contrato Bancário, Mora, IOF
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Parties
JEISON DE CONTO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Do Agravo (decisão De Mérito)
Legal Issues
- 1 alegada negativa de prestação jurisdicional
- 2 abusividade das cláusulas contratuais relativas à taxa de juros remuneratórios
- 3 legalidade da capitalização mensal de juros
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque o Tribunal de origem enfrentou de forma fundamentada as alegações (afastando negativa de prestação jurisdicional), constatou não estar demonstrada a abusividade dos juros remuneratórios em face da média de mercado do BACEN e verificou pactuação expressa da capitalização de juros em contrato celebrado após a vigência da MP 1.963-17/2000 (reeditada como MP 2.170-36/2001); a modificação do decidido demandaria reexame de fatos e provas, vedado pelas Súmulas 5 e 7 do STJ. Ademais, majorou-se em 10% os honorários sucumbenciais com fundamento no art. 85, §11, do NCPC, respeitada a gratuidade de justiça.
Court Disposition
nego provimento ao agravo
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Majorar em 10% o valor dos honorários sucumbenciais fixados pelo Tribunal de origem, nos termos do art. 85, § 11, do NCPC, observados os efeitos do deferimento da gratuidade de justiça.
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DECISÃO Cuida-se de agravo em recurso especial interposto por JEISON DE CONTO, em face de decisão que não admitiu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, III, alínea"a"", daCF/88, desafia acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, assim ementado (fl. 272, e-STJ): APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REVISIONAL. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. BEM MÓVEL. PRELIMINAR DAS CONTRARRAZÕES. INÉPCIA RECURSAL. AFASTAMENTO. CUMPRIDOS OS REQUISITOS DO ARTIGO 1.010, INCISOS II E III DO CPC. JUROS REMUNERATÓRIOS MANTIDOS. OS JUROS REMUNERATÓRIOS, NO CASO, NÃO SUPERAM SIGNIFICATIVAMENTE A TAXA MÉDIA PRATICADA PELO MERCADO. ABUSIVIDADE NÃO DEMONSTRADA. CAPITALIZAÇÃO MANTIDA. POSSÍVEL A CAPITALIZAÇÃO DE JUROS PACTUADA EM PERIODICIDADE INFERIOR À ANUAL, NOS TERMOS DA MEDIDA PROVISÓRIA N.º 2.170-36/2001, DESDE QUE EXPRESSAMENTE PACTUADA. ORIENTAÇÃO DO STJ, ORIUNDA DO RESP N.º973.827/RS E SÚMULA N.º539. CARACTERIZAÇÃO DA MORA. INEXISTENTE ABUSIVIDADE NOS ENCARGOS DO PERÍODO DA NORMALIDADE. CARACTERIZAÇÃO DA MORA, NOS TERMOS DOS RESPS. NºS 1.061.530/RS E 1.639.320/SP. IOF. IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES FINANCEIRAS. OBRIGAÇÃO DE PAGAMENTO PELO CONSUMIDOR. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE NO FINANCIAMENTO DE TAL VALOR JUNTAMENTE COM O DÉBITO PRINCIPAL. NEGADO PROVIMENTO À APELAÇÃO. Opostos embargos de declaração (fls. 278/283, e-STJ), esses foram rejeitados. Em suas razões recursais (fls. 183/203, e-STJ), o insurgente apontou,violação aos artigos 489, 1022 e 1025 do Código de Processo Civil/15;6º, 39 e51 do Código de Defesa doConsumidor; 591do Código Civil; 5º da Medida Provisória 2170-36/01 e 7º da Lei Complementar 95/98.Sustentou, em síntese: i) negativa de prestaçãojurisdicional,por não terem sido supridas as omissões suscitadas nos aclaratórios emrelação ao enfrentamento adequado da questão relativa à abusividade das cláusulas do contrato em relação as taxa de juros; ii)a cobrança de juros remuneratórios nopatamar contratado é abusiva, porquanto deve ser limitada àtaxa média divulgada pelo BACEN; iii) a ilegalidade da capitalização mensal dos juros, ante a ausência de cláusula alusiva àperiodicidade dos juros. Contrarrazões às fls. 353/362, e-STJ. Em juízo de admissibilidade (fls. 362/372, e-STJ), negou-se oprocessamento do recurso especial, sob os seguintes fundamentos: i) ausência de negativa de prestação jurisdicional; ii)incidência das Súmulas 5, 7 e 83do STJ. Daí o agravo (fls. 378/3996, e-STJ), buscando destrancar o processamentodaquela insurgência, no qual a insurgente refuta os óbices aplicado pelaCorte estadual. Sem contraminuta (fls. 400/402,e-STJ). É o relatório. Decido. A insurgência não merece prosperar. 1. Com efeito, no que tange à alegada violação aos artigos 489 e 1.022 do CPC/15, não merece acolhimento a insurgência, porquanto clara e suficiente a fundamentação adotada pelo Tribunal de origem. Aduz a ora agravante a ocorrência de negativa de prestação jurisdicional, ao argumento de que o Tribunal de origem teria sido omisso em relação ao enfrentamento da questão relativada questão relativa à abusividade das cláusulas do contrato em relação as taxa de juros. Contudo, da leitura dos autos, constata-se que referida tese foi expressamente examinada pela Corte a quo, consoante se denota dos seguintes trechos (fl. 292, e-STJ): Apenas para que a questão não fique aqui sem enfrentamento, vale mencionar que a questão dos juros remuneratórios foi amplamente analisada, sendo que o contrato os prevê no valor de 29,24% a. a., portanto, não ultrapassam o dobro da taxa média de mercado estabelecida pelo BACEN para a data da contratação (20,80%, em junho/2019), critério esse que vem sendo amplamente aceito pelo STJ. Desta forma, considerando que a questão trazida à discussão foi dirimidapelo Tribunal de origem de forma fundamentada e sem omissões oucontradições, merece ser afastada a alegada negativa de prestaçãojurisdicional. 2. Quanto à taxa de juros remuneratórios, o Tribunal de origem primeiro destacou a jurisprudência do STJ, segundo a qual, para permitir a revisão judicial do contrato de mútuo bancário, a abusividade do referido encargo deve estar cabalmente demonstrada nos autos. Depois destacou não haver provas nos autos quanto à manifesta onerosidade excessiva dos juros, conforme se vê do seguinte trecho do acórdão recorrido (fl. 269, e-STJ): JUROS REMUNERATÓRIOS O Sistema Financeiro Nacional (SFN) tem como regra a não aplicação das restrições da Lei da Usura (Decreto nº 22.626 de 1933), em se tratando de instituições financeiras, não as sujeitando, pois, à limitação dos juros remuneratórios. Ademais, o §3º do artigo 192 da Constituição Federal, que dispunha sobre a limitação dos juros, foi revogado pela Emenda Constitucional nº 40,de 29/05/2003. A jurisprudência, com o tempo, encaminhou-se, maciçamente, pela livre pactuação, com restrições pontuais em casos de prova inarredável de abusividade (Resp nº 915.572/RS). Nesse sentido a Súmula n. 382 do Superior Tribunal de Justiça: "A estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano, por si só, não indica abusividade". E mais recentemente, o REsp nº 1.061.530/RS - julgado de acordo com o rito dos recursos repetitivos - consolidou o posicionamento no sentido de que a taxa de juros remuneratórios somente se caracteriza como abusiva quando significativamente destoante da média do mercado, apurada pelo Banco Central do Brasil (BACEN) à época da contratação. Na sedimentação sobre o critério a ser adotado, por seu turno, também indicou o egrégio tribunal superior que a análise deve ocorrer de forma casuística. Assim aquilatadas as diretrizes supra - e revendo meu posicionamento anterior sobre o tema - entendo que no caso dos autos são regulares os juros remuneratórios pactuados (29,24% ao ano - doc. CONTR7), porquanto não ultrapassam o dobro da taxa média de mercado estabelecida pelo BACEN para a data da contratação (20,80%1, em junho/2019), critério esse que vem sendo amplamente aceito pelo STJ. O acórdão, portanto, não pode ser reformado em sede de recurso especial, pois sua revisão, no ponto destacado, demanda a revisão das cláusulas contratuais e das provas dos autos, juízo vedado pelas Súmulas 5 e 7/STJ. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO (ART. 544 DO CPC/73) - AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. IRRESIGNAÇÃO DO AUTOR. (..) 2. Juros remuneratórios. Impossibilidade de limitação em 12% ao ano, pois os juros remuneratórios não sofrem a limitação imposta pelo Decreto nº 22.626/33 (Lei de Usura), conforme dispõe a Súmula 596/STF. A abusividade da pactuação deve ser cabalmente demonstrada em cada caso, o que, segundo o acórdão recorrido, não foi comprovado. Incidência das Súmulas 5 e 7 do STJ. Precedentes. (..) 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp 514.224/RS, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 21/06/2016, DJe 27/06/2016) (grifos acrescidos) 3. Sustenta a parte insurgente, relativamente à capitalização dos juros, que há entendimento maçante desta Corte Superior no sentido de ser admissível o encargo tão somente quando expressamente pactuado. O Tribunal de origem, ao analisar a controvérsia, assim decidiu (fl. 270, e-STJ): CAPITALIZAÇÃO DOS JUROS Quanto a capitalização de juros em periodicidade inferior à anual, o RESp 973.827/RS fixou tese, com os efeitos do artigo 543-C do antigo CPC, admitindo-a, respeitados os seguintes requisitos: a) pactuação expressa entre as partes envolvidas no negócio jurídico; b) celebração do contrato após a edição da Medida Provisória nº 1.963-17, de30.03.2000, reeditada sob o nº 2.170-36, de 23.08.2001. (..) Tal entendimento foi consolidado na Súmula n.º539 do egrégio STJ: "É permitida a capitalização de juros com periodicidade inferior à anual em contratos celebrados com instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional a partir de 31/3/2000 (MP n. 1.963-17/2000, reeditada como MP n. 2.170-36/2001), desde que expressamente pactuada". Dessa forma, considerando-se que o contrato prevê expressamente a capitalização(item 2.1 - doc. CONTR7) e foi celebrado em data posterior à vigência da referida MP, permite-se a capitalização dos juros em periodicidade inferior à anual, não havendo ilegalidade a corrigir. E da sentença extrai-se o seguinte: No caso, além de os contratos terem sido encetados posteriormente à aludida Medida Provisória, verifico que neles estão previstos os juros remuneratórios em patamar mensal e anual, sendo que a multiplicação da taxa mensal por doze (meses) não alcança a taxa anual estipulada. Sobre o tema, a Segunda Seção desta Corte Superior de Justiça, no julgamento do Recurso Especial 973.827/RS, sob a sistemática dos recursos repetitivos, firmou tese no sentido de ser "permitida a capitalização de juros com periodicidade inferior a um ano em contratos celebrados após 31.3.2000, data da publicação da Medida Provisória n. 1.963-17/2000 (em vigor como MP 2.170-36/2001), desde que expressamente pactuada", conforme ementa a seguir transcrita: CIVIL E PROCESSUAL. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. AÇÕES REVISIONAL E DE BUSCA E APREENSÃO CONVERTIDA EM DEPÓSITO. CONTRATO DE FINANCIAMENTO COM GARANTIA DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. JUROS COMPOSTOS. DECRETO 22.626/1933 MEDIDA PROVISÓRIA 2.170-36/2001. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. MORA. CARACTERIZAÇÃO. .. 3. Teses para os efeitos do art. 543-C do CPC: - "É permitida a capitalização de juros com periodicidade inferior a um ano em contratos celebrados após 31.3.2000, data da publicação da Medida Provisória n. 1.963-17/2000 (em vigor como MP 2.170-36/2001), desde que expressamente pactuada." - "A capitalização dos juros em periodicidade inferior à anual deve vir pactuada de forma expressa e clara. A previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superiorao duodécuplo da mensal é suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual contratada". 4. Segundo o entendimento pacificado na 2ª Seção, a comissão de permanência não pode ser cumulada com quaisquer outros encargos remuneratórios ou moratórios. 5. É lícita a cobrança dos encargos da mora quando caracterizado o estado de inadimplência, que decorre da falta de demonstração da abusividade das cláusulas contratuais questionadas. 6. Recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, provido. (REsp 973.827/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, Rel. p/ Acórdão Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 08.08.2012, DJe 24.09.2012) Nesse contexto, a inversão da premissa fixada pelo Tribunal de origem acerca da existência da taxa mensal e anual demandaria a reanálise de matéria fática e dos termos do contrato, providências vedadas nesta esfera recursal extraordinária, em virtude dos óbices contidos nos enunciados 05 e 07 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. REVISIONAL. CÉDULA DE CRÉDITO RURAL. CDC. MULTA MORATÓRIA. CAPITALIZAÇÃO MENSAL DE JUROS. CORREÇÃO MONETÁRIA. ENCARGOS MORATÓRIOS. PRORROGAÇÃO DA DÍVIDA. SUCUMBÊNCIA MÍNIMA. 1. O entendimento da Corte local de que se tratando de relação de insumo é inaplicável o CDC está em conformidade com a jurisprudência do STJ. 2. Considerando a inaplicabilidade do CDC no presente caso, consequentemente deve ser mantida a multa moratória contratada. 3. Possibilidade de cobrança de capitalização de juros, desde que pactuada, tendo em vista que o art. 5º do Decreto-Lei n. 167/67 autoriza a cobrança do encargo nas cédulas de crédito rural, industrial e comercial. 4. Rever o acórdão recorrido e acolher a pretensão recursal quanto à alegada hipossuficiência e vulnerabilidade dos recorrentes e ausência de pactuação expressa de capitalização de juros demandaria a alteração das premissas fático-probatórias estabelecidas pelo acórdão recorrido, com o revolvimento das provas carreadas aos autos, bem como interpretação de cláusulas contratuais, o que é vedado nesta via especial ante os óbices das Súmulas 5 e 7 do STJ. 5. Nas razões do presente agravo interno, os agravantes não indicaram as premissas fáticas do acórdão recorrido que supostamente permitiriam conclusão jurídica diversa da adotada pelo Tribunal de origem, limitando-se a alegar, genericamente, que não seria necessário o reexame de provas. 6. A Taxa Referencial (TR) pode ser aplicada como indexador da correção monetária nos contratos posteriores à Lei 8.177/91, desde que pactuada. Incidência da Súmula 83 do STJ. 7. No tocante ao dissídio sobre a inoponibilidade dos encargos moratórios, a ausência de indicação do dispositivo legal a que se tenha dado interpretação divergente atrai o óbice previsto na Súmula 284/STF, por deficiência de fundamentação do recurso especial a impedir a exata compreensão da controvérsia. 8. O dissídio jurisprudencial não foi devidamente demonstrado, à míngua do indispensável cotejo analítico. 9. Quanto às alegações de preenchimento dos requisitos para a prorrogação da dívida e de sucumbência mínima, o acolhimento da pretensão recursal demandaria o revolvimento de matéria eminentemente fática, o que é inviável ante o óbice da Súmula 7 do STJ. 10. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1365244/MG, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 23/02/2021, DJe 02/03/2021) AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CIVIL. PROCESSO CIVIL. BANCÁRIO.AÇÃO REVISIONAL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. PRESCRIÇÃO DECENAL. SÚMULA 83/STJ. JUROS REMUNERATÓRIOS, CAPITALIZAÇÃO MENSAL E MORA. SÚMULAS 5 E 7/STJ. HONORÁRIOS.DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULAS 283 E 284/STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. RECURSO ESPECIAL IMPROVIDO. AGRAVO IMPROVIDO. (..) 3. A capitalização dos juros em periodicidade inferior à anual deve vir pactuada de forma expressa e clara. A previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao duodécuplo da mensal é suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual contratada. 4. É possível, de forma excepcional, a revisão da taxa de juros remuneratórios prevista em contratos de mútuo, sobre os quais incide a legislação consumerista, desde que a abusividade fique cabalmente demonstrada, mediante a colocação do consumidor em desvantagem exagerada. 5. Na hipótese, o Tribunal local, com base na análise das peculiaridades da presente demanda e das cláusulas contratuais, consignou a existência de contratação da capitalização de juros, bem como afastou a alegada abusividade da taxa de juros praticada pela instituição financeira. Reverter a conclusão do Colegiado originário, para acolher a pretensão recursal, demandaria o revolvimento de cláusulas contratuais e do acervo fático-probatório dos autos, o que se mostra impossível ante a natureza excepcional da via eleita, consoante enunciado das Súmulas n. 5 e 7 do Superior Tribunal de Justiça. 6. A falta de impugnação de argumento suficiente para manter, por si só, o acórdão impugnado, a argumentação dissociada bem como a ausência de demonstração da suposta violação à legislação federal impedem o conhecimento do recurso, na esteira dos enunciados n. 283 e 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 7. A incidência da Súmula n. 7/STJ impede o conhecimento do recurso lastreado, também, pela alínea c do permissivo constitucional, dado que falta identidade entre os paradigmas apresentados e os fundamentos do acórdão recorrido, tendo em vista a situação fática de cada caso. 8. Agravo interno improvido. (AgInt no REsp 1862436/RS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 29/03/2021, DJe 06/04/2021) 4. Do exposto, nego provimento ao agravo e, com fulcro no artigo 85, § 11,NCPC, majoro em 10% (dez por cento) o valor dos honorários sucumbenciaisfixados pelo Tribunal de origem, observados, porém, os efeitos dodeferimento da gratuidade de justiça. Publique-se. Intimem-se.