AREsp 2525659 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento por entender que o Tribunal de origem, com base na análise do conjunto probatório, concluiu que a taxa de juros pactuada (32,30% a.a.) não ultrapassa o dobro da taxa média de mercado divulgada pelo Bacen (26,87% a.a.), não havendo abusividade comprovada, e que a...
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- Parties
- Recorrente: GIOVANNI DE OLIVEIRA NARDES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo (art. 1042 Do Cpc/15) / Decisão De Não Admissão De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Juros Remuneratórios, Alienação Fiduciária De Bem Móvel, Aplicabilidade Do CDC, Súmulas Do STJ, Tarifa De Cadastro, Tutela Antecipada, Compensação E Repetição Do Indébito, Reexame Do Conjunto Fático Probatório
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Parties
GIOVANNI DE OLIVEIRA NARDES
Recorrente
Procedural Posture
Agravo (art. 1042 Do Cpc/15) / Decisão De Não Admissão De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 abusividade da taxa de juros remuneratórios
- 2 aplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor aos contratos bancários
- 3 vedação ao reexame de fatos e provas em recurso especial (Súmulas 5 e 7/STJ)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento por entender que o Tribunal de origem, com base na análise do conjunto probatório, concluiu que a taxa de juros pactuada (32,30% a.a.) não ultrapassa o dobro da taxa média de mercado divulgada pelo Bacen (26,87% a.a.), não havendo abusividade comprovada, e que a modificação dessa conclusão exigiria reexame fático-probatório vedado pelas Súmulas 5 e 7 do STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
Orders
- Conhecer do agravo e negar provimento ao recurso especial.
- Majorar honorários advocatícios em 10% sobre o valor já fixado na instância de origem.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo (art. 1042 do CPC/15), interposto por GIOVANNI DE OLIVEIRA NARDES, contra decisão que não admitiu recurso especial. O apelo nobre, amparado no art. 105, inciso III, alínea "c", da Constituição Federal, desafia acórdão prolatado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, assim ementado: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REVISIONAL. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. BEM MÓVEL. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. APLICABILIDADE. APLICÁVEL O CDC AOS CONTRATOS BANCÁRIOS NOS TERMOS DASÚMULA Nº 297 DO EGRÉGIO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. VEDADO O CONHECIMENTO DE OFÍCIO ACERCA DE ABUSIVIDADES(SÚMULA Nº 381 DO STJ). JUROS REMUNERATÓRIOS MANTIDOS. OS JUROSREMUNERATÓRIOS, NO CASO, NÃO SUPERAM SIGNIFICATIVAMENTEA TAXA MÉDIA PRATICADA PELO MERCADO. ABUSIVIDADE NÃODEMONSTRADA. CARACTERIZAÇÃO DA MORA. INEXISTENTE ABUSIVIDADE NOSENCARGOS DO PERÍODO DA NORMALIDADE DA CONTRATAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DA MORA, NOS TERMOS DOS RECURSOSESPECIAIS NºS 1.061.530/RS E 1.639.320/SP. TAC E TEC. INOVAÇÃO RECURSAL. PEDIDOS NÃO DEDUZIDOS NAORIGEM. APELO NÃO CONHECIDO, NOS PONTOS. TARIFA DE CADASTRO. LEGALIDADE. PRESENTE EXPRESSAPACTUAÇÃO, EM PATAMAR RAZOÁVEL. LEGALIDADE DA COBRANÇANOS TERMOS DOS RESP NºS 1.251.331/RS E 1.255.573/RS. SÚMULA Nº 566DO STJ. COMPENSAÇÃO E REPETIÇÃO DO INDÉBITO. REQUERIMENTOPREJUDICADO ANTE A NÃO REVISÃO DO CONTRATO. TUTELA ANTECIPADA. INDEFERIMENTO. NÃO CONSTATADAABUSIVIDADE NOS ENCARGOS DA NORMALIDADE. AUSÊNCIA DOSREQUISITOS SEDIMENTADOS NO JULGAMENTO DO RESP. APELAÇÃO CÍVEL PARCIALMENTE CONHECIDA E, NO QUECONHECIDA, DESPROVIDA. Em suas razões de recurso especial, o recorrente aponta, além de dissídio jurisprudencial, violação ao artigo 51, IV e § 1º, III, do CDC. Sustenta, em síntese, que a taxa de juros pactuada é abusiva. O apelo não foi admitido na origem, dando ensejo ao agravo, visando destrancar o processamento daquela insurgência, no qual o recorrente refutou os óbices aplicados pela Corte estadual. É o relatório. Decide-se. O inconformismo não merece prosperar. 1. Na hipótese, a Corte local, ao concluir pela ausência de abusividade dos juros remuneratórios, consignou: Na sedimentação sobre o crit ério a ser adotado, por seu turno, também indicou oegrégio tribunal superior que a análise deve ocorrer de forma casuística. Na hipótese dos autos, consideradas a natureza do contrato e as particularidades da garantia prestada, sem perder de vista, ainda, os princípios associados ao crédito responsável, entendo deva ser reconhecido como válidoo percentual de juros remuneratórios até o dobro da média de mercado divulgada pelo Banco Central (critério também amplamente aceito pelo egrégioSTJ para casos análogos). São regulares, portanto, os juros remuneratórios pactuados (32,30% ao ano - Evento12 - CONTR3), porquanto não ultrapassam o dobro da taxa média de mercado estabelecida peloBACEN para a data da contratação (26,87%, em janeiro/20222). Assim, a Corte de origem considerou legal a taxa de juros remuneratórios no contrato celebrado de maneira fundamentada, com base nos elementos concretos dos autos, de maneira que rever tal entendimento demandaria promover a interpretação das cláusulas contratuais, bem como o reexame do arcabouço fático probatório dos autos, providências vedadas na via eleita, a teor dos óbices das Súmulas 5 e 7/STJ. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JUROS REMUNERATÓRIOS. ABUSIVIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. REEXAME DO CONTRATO E DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULAS N. 5 E 7 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. O recurso especial não comporta o exame de questões que impliquem interpretação de cláusula contratual ou revolvimento do contexto fático-probatório dos autos, a teor do que dispõem as Súmulas n. 5 e 7 do STJ. 2. O Tribunal de origem, mediante a análise da prova dos autos e os parâmetros definidos no Recurso Especial Repetitivo n. 1.061.530/RS a respeito dos juros remuneratórios em contratos bancários, afastou a alegação de abusividade da taxa cobrada, afirmando, inclusive, a contratação abaixo da média de mercado divulgada pelo Bacen. Desse modo, a alteração do desfecho conferido ao processo atrai o óbice das mencionadas súmulas. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1312897/MG, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 30/09/2019, DJe 03/10/2019) AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. CONTRATO BANCÁRIO. JUROS REMUNERATÓRIOS. ABUSIVIDADE. LIMITAÇÃO À TAXA MÉDIA DE MERCADO. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. DESCARACTERIZAÇÃO DA MORA. FALTA DE IMPUGNAÇÃO A FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA. INCIDÊNCIA DO VERBETE 283 DA SÚMULA/STF. NÃO PROVIMENTO. 1. O STJ consolidou o seguinte entendimento em julgamento de demanda repetitiva: "Em qualquer hipótese, é possível a correção para a taxa média se for verificada abusividade nos juros remuneratórios praticados." (REsp 1.112.879/PR, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, Dje de 19.5.2010) 2. Na hipótese, o Tribunal de origem reconheceu a abusividade da taxa de juros remuneratórios ao avaliar o contexto fático e probatório dos autos, razão pela qual a revisão da conclusão adotada esbarra no óbice descrito na Súmula 7/STJ. 3. "O reconhecimento da abusividade nos encargos exigidos no período da normalidade contratual (juros remuneratórios) descaracteriza a mora". (REsp 1.061.530/RS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, DJe de 10.3.2009). 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1412287/RS, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 10/09/2019, DJe 18/09/2019) 2. Registre-se, por fim, que, consoante iterativa jurisprudência desta Corte, a necessidade do reexame da matéria fática impede a admissão do recurso especial tanto pela alínea a quanto pela alínea c do inciso III do art. 105 da Constituição Federal. Precedentes: AgRg no AREsp 646.141/ES, Relator o Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 10.3.2015, DJe 13.3.2015; REsp n. 765.505/SC; Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 7.3.2006, DJ 20.3.2006; REsp 1011849/RS, Relator o Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, QUINTA TURMA, julgado em 23.6.2009, DJe 3.8.2009. 3. Do exposto, com fundamento no art. 932 do NCPC c/c a súmula 568/STJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Majoro os honorários advocatícios em 10% sobre o valor já fixado na instância de origem, nos termos do art. 85, §11º, do CPC/15. Publique-se. Intimem-se. EMENTA