AREsp 2548982 - DECISAO
Conheceu-se do agravo (art. 1.042 do CPC/15), indeferiu-se o pedido de suspensão por liquidação extrajudicial por se tratar de ação de conhecimento que busca a certeza e liquidez do crédito, deferiu-se a assistência judiciária gratuita apenas para fins recursais (efeitos ex nunc) diante da demonstração da...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante/recorrente: PORTOCRED S.A. - CREDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO - EM LIQUIDACAO EXTRAJUDICIAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo (art. 1.042 Do Cpc/15) / Decisão De Admissibilidade Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Agravo conhecido; não conhecido o recurso especial; AJG deferida exclusivamente para fins recursais (sem retroatividade); majoração dos honorários sucumbenciais em 10%.
- Legal Topics
- Juros Remuneratórios, Abuso De Cláusula Contratual, Ação Revisional De Contrato, Assistência Judiciária Gratuita (ajg), Liquidação Extrajudicial, Aplicação Das Súmulas 5, 7 E 83/stj, Taxa Média Do BACEN Como Parâmetro
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
PORTOCRED S.A. - CREDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO - EM LIQUIDACAO EXTRAJUDICIAL
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo (art. 1.042 Do Cpc/15) / Decisão De Admissibilidade Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 suspensão do processo em razão de liquidação extrajudicial (art. 18 da Lei nº 6.024/1974)
- 2 concessão de assistência judiciária gratuita a pessoa jurídica em liquidação extrajudicial
- 3 limitação judicial de juros remuneratórios em contratos bancários com fundamento no art. 51, IV, do CDC
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo (art. 1.042 do CPC/15), indeferiu-se o pedido de suspensão por liquidação extrajudicial por se tratar de ação de conhecimento que busca a certeza e liquidez do crédito, deferiu-se a assistência judiciária gratuita apenas para fins recursais (efeitos ex nunc) diante da demonstração da fragilidade financeira, e não se conheceu do recurso especial porque o pedido de reforma da conclusão do Tribunal de origem sobre a abusividade dos juros exigiria reexame de provas e interpretação de cláusulas contratuais, vedados pelas Súmulas 5 e 7/STJ; manteve-se a análise do Tribunal de origem que considerou abusiva a taxa contratada na hipótese concreta.
Court Disposition
Agravo conhecido; não conhecido o recurso especial; AJG deferida exclusivamente para fins recursais (sem retroatividade); majoração dos honorários sucumbenciais em 10%.
Orders
- Concede-se o benefício da assistência judiciária gratuita exclusivamente para fins recursais, vedada a retroatividade.
- Conhece-se do agravo (art. 1.042 do CPC/15) e não se conhece do recurso especial.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo (art. 1.042 do CPC/15) interposto por PORTOCRED S.A. - CREDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO - EM LIQUIDACAO EXTRAJUDICIAL contra a decisão que inadmitiu o recurso especial da agravante. O apelo extremo, fundamentado na alínea "c" do permissivo constitucional, fora deduzido em desafio ao acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, assim ementado (fl. 650, e-STJ): APELAÇÃO CÍVEL. RETORNO DO STJ. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATOS. JUROS REMUNERATÓRIOS QUE EXCEDEM A 20% DA TAXA MÉDIA FIXADA PELO BACEN PARA A ESPÉCIE DE CONTRATAÇÃO E PARA O MESMO PERÍODO CONTRATUAL, O QUE SE MOSTRA EXORBITANTE, DIANTE DAS PECULIARIDADES QUE ENVOLVEM A CONTRATAÇÃO, EM ESPECIAL, O TIPO DE OPERAÇÃO, O VALOR DISPONIBILIZADO, O PRAZO AJUSTADO PARA PAGAMENTO, BEM COMO O PERFIL DA PARTE CONTRATANTE. ABUSIVIDADE CAPAZ DE COLOCAR O CONSUMIDOR EM DESVANTAGEM EXCESSIVA. PRECEDENTE DO STJ. MANTIDO O RESULTADO DO ACÓRDÃO REVISADO, ACRESCIDO DE NOVOS FUNDAMENTOS. APELO DESPROVIDO. UNÂNIME. Nas razões de recurso especial (fls. 706/731, e-STJ), a Instituição Financeira recorrente, preliminarmente, requereu a suspensão do processo nos termos do art. 18 da Lei ºn. 6.024/1974, tendo em vista a decretação de sua liquidação extrajudicial pelo Banco Central, bem como pugnou pelo deferimento do pedido de assistência judiciária gratuita, argumentando que o recolhimento das custas poderá comprometer significativamente sua saúde financeira, pois há um número expressivo de ações tramitando em seu desfavor. No mérito, alegou divergência jurisprudencial com relação à interpretação do art. 51, inciso IV e §1º, inciso III, do CDC. Aduziu, em síntese, a impossibilidade de ser reconhecida a abusividade da taxa de juros remuneratórios praticada no contrato objeto da ação revisional, mediante simples cotejo com a taxa média de mercado publicada pelo BACEN, sem a análise individualizada das peculiaridades do caso concreto, contrariamente ao decidido no REsp nº. 1.061.530/RS. Requereu a reforma do acórdão para que se declarem válidas as cláusulas que estipulam a cobrança dos juros remuneratórios e demais encargos, com sua consequente manutenção nos percentuais estabelecidos pelas partes. Pleiteou ainda a imposição dos ônus de sucumbência exclusivamente à parte recorrida caso a demanda seja provida. Sem contrarrazões. A Corte de origem inadmitiu o apelo nobre ante a aplicação das súmulas 5, 7 e 83 do STJ (fls. 903/908, e-STJ). PORTOCRED S.A. - CREDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO - EM LIQUIDACAO EXTRAJUDICIAL interpôs o presente agravo (art. 1.042 do CPC/15), no qual reiterou os pedidos de suspensão do processo e de concessão do benefício da Assistência Judiciária Gratuita, além de defender a inaplicabilidade das súmulas 5, 7 e 83/STJ (fls. 913/930, e-STJ). Sem contraminuta. É o relatório. Decide-se. Presentes os pressupostos para a admissão do agravo (art. 1.042 do CPC/15), passa-se à análise do recurso especial. 1. De início, com relação ao pedido de suspensão do processo, conforme entendimento firmado pela jurisprudência desta Corte, o comando previsto no art. 18 da Lei nº 6.024/1974 não alcança as ações de conhecimento voltadas à obtenção de provimento relativo à certeza e liquidez do crédito. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE USUCAPIÃO - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA DO DEMANDADO . 1. Conforme julgado da Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça, "a suspensão de ações ajuizadas em desfavor de entidades sob regime de liquidação extrajudicial não alcança as ações de conhecimento voltadas à obtenção de provimento judicial relativo à certeza e liquidez do crédito. No caso, a ação de usucapião apresenta indiscutível eficácia declaratória, uma vez que - reconhecida a prescrição aquisitiva - os efeitos da sentença retroagem desde aquela época, não prevalecendo contra o possuidor eventuais ônus constituídos a partir de então pelo anterior proprietário" (AgInt no REsp 1985667/ES, Rel. Min. LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 15/08/2022) 2. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 1.969.577/ES, relator Ministro MARCO BUZZI, Quarta Turma, julgado em 27/3/2023, DJe de 31/3/2023) grifou-se AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. DENUNCIAÇÃO DA LIDE À SEGURADORA. REGIME DE LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. 1. Não cabe ao Superior Tribunal de Justiça reexaminar as premissas de fato que levaram o Tribunal de origem a concluir pela existência de dano moral a ser reparado, sob pena de afronta ao óbice da Súmula 7/STJ. 2. Em se tratando de indenização por danos morais decorrentes de responsabilidade contratual, o termo inicial dos juros de mora é a data da citação. 3. "A jurisprudência desta Corte firmou o entendimento de que a suspensão de ações ajuizadas em desfavor de entidades sob regime de liquidação extrajudicial não alcança as ações de conhecimento voltadas à obtenção de provimento judicial relativo à certeza e liquidez do crédito, bem assim que tal condição não impede a incidência de juros e correção monetária. Incidência da Súmula 83 do STJ. " (AgInt no REsp 1.669.141/MG, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 26.06.2018, DJe 01.08.2018). 4. O direito à gratuidade da justiça da pessoa jurídica em regime de liquidação extrajudicial ou de falência depende de demonstração de sua impossibilidade de arcar com os encargos processuais, o que não ficou afigurado na espécie. 5. Decisão agravada mantida pelos seus próprios fundamentos. 6. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. (AgInt no REsp n. 1.783.833/SP, relator Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, Terceira Turma, julgado em 19/10/2020, DJe de 27/10/2020) grifou-se Na hipótese, a ação revisional de contrato de empréstimo consignado demanda quantia ilíquida, razão pela qual não se justifica, por ora, a suspensão do processo. Inviável, portanto, o deferimento do pedido. 2. No que pertine ao pedido de justiça gratuita, conforme disposto no Enunciado n.º 481 da súmula do STJ: Faz jus ao benefício da justiça gratuita a pessoa jurídica com ou sem fins lucrativos que demonstrar sua impossibilidade de arcar com os encargos processuais. Verifica-se ter sido comprovada a suscitada frágil condição financeira da recorrente na petição e documentos de fls. 709/714 , e-STJ, sendo, portanto, deferido o pedido, até prova em contrário. Todavia, ainda que seja possível formular pedido de gratuidade de justiça a qualquer tempo, a concessão do benefício somente produzirá efeitos práticos para o futuro, de forma que a condenação em custas, despesas processuais e honorários advocatícios não pode mais ser elidida. Nesse sentido: PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DO STJ. RECURSO ESPECIAL. PREPARO. INTIMAÇÃO PARA REGULARIZAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO. DESERÇÃO. GRATUIDADE DE JUSTIÇA. EFEITOS EX NUNC. DECISÃO MANTIDA. 1. Não havendo a comprovação do recolhimento do preparo no ato da interposição do recurso, o recorrente será intimado para realizar o recolhimento em dobro no prazo de 05 (cinco) dias, sob pena de deserção. 2. É deserto o recurso quando a parte recorrente, intimada efetuar o recolhimento do preparo, não cumpre a diligência no prazo fixado. Aplicação da Súmula 187 desta Corte. 3. O benefício da gratuidade judiciária não tem efeito retroativo, de modo que a sua concessão posterior à interposição do recurso não tem o condão de isentar a parte do recolhimento do respectivo preparo. Desse modo, nem mesmo eventual deferimento da benesse nesta fase processual, descaracterizaria a deserção do recurso especial. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.064.741/SP, Relatora Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado 6/6/2022, DJe 8/6/2022) grifou-se Assim, defiro o benefício da justiça gratuita exclusivamente para fins recursais, vedada a retroatividade. 3. No mérito, a pretensão recursal não merece prosperar. A jurisprudência desta Corte é assente no sentido de que os juros remuneratórios cobrados pelas instituições financeiras não sofrem a limitação imposta pelo Decreto n.º 22.626/33 (Lei de Usura), a teor do disposto na Súmula 596/STF (cf. REsp n.º 1.061.530/RS, de 22.10.2008, julgado pela Segunda Seção segundo o rito dos recursos repetitivos). A aferição de eventual abusividade dos juros remuneratórios ajustados entre as partes se dá por força do art. 51, inc. IV, do CDC. Para essa tarefa, a orientação deste Tribunal Superior toma por base os parâmetros referentes à taxa média de mercado praticada pelas instituições financeiras do país, mas não a erigindo como um teto das contratações. Logo, para que se reconheça abusividade no percentual de juros, não basta o fato de a taxa contratada suplantar a média de mercado, devendo-se observar uma tolerância a partir daquele patamar, de modo que a vantagem exagerada, justificadora da limitação judicial, deve ficar cabalmente demonstrada em cada caso. No caso presente, ao analisar a controvérsia acerca da limitação dos juros remuneratórios, o Tribunal de origem, assim decidiu (fls. 648, e- STJ, grifou-se): No caso em exame, o contrato revisando n. 3802136576 (evento 1, CONTR6), firmado entre as partes em 09/11/2015, prevê a cobrança de juros remuneratórios no patamar de 4,83% ao mês e 76,23% ao ano, o que se afigura abusivo, já que a tabela do BACEN prevê, para o período, uma taxa anual de 26,33% para a hipótese de crédito pessoal consignado destinado a servidor público (série 20745), autorizando a limitação do encargo, já que a taxa contratual excede o limite de tolerância de 20%. Nesse contexto, observada a consonância do acórdão recorrido com a jurisprudência desta Corte (Súmula 83/STF), posto ter procedido à análise das especificidades do caso concreto, não se limitando ao cotejo entre o contratado e a média de mercado, não há como afastar a conclusão estadual (no sentido de que os juros remuneratórios contratados seriam abusivos) sem a interpretação das cláusulas pactuadas e sem o revolvimento fático-probatório, procedimentos que se encontram obstados na seara extraordinária, em razão dos óbices contidos nos verbetes nºs. 5 e 7 da Súmula desta Casa. Sobre o tema, vejam-se: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AÇÃO REVISIONAL. JUROS REMUNERATÓRIOS. ABUSIVIDADE CONSTATADA PELO TRIBUNAL. REVISÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS N.os 5 E 7 DO STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO CONFIGURADO. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo n.º 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2.Afastar a afirmação contida no acórdão atacado no sentido de que a taxa de juros remuneratórios da avença é abusiva, demanda a reavaliação do acervo fático-probatório dos autos e a interpretação das cláusulas contratuais, o que é vedado no âmbito do recurso especial, nos termos das Súmulas n.ºs 5 e 7 desta Corte. 3. A jurisprudência desta Corte firmou o entendimento de que não é possível o conhecimento do apelo nobre interposto pela divergência, na hipótese em que o dissídio é apoiado em fatos, e não na interpretação da lei. Isso porque a Súmula n.º 7 do STJ também se aplica aos recursos especiais interpostos pela alínea c do permissivo constitucional. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.165.595/RS, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 28/11/2022, DJe de 30/11/2022.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. JUROS REMUNERATÓRIOS. ABUSIVIDADE RECONHECIDA. SÚMULAS 5 E 7/STJ. MORA. DESCARACTERIZADA. SÚMULA 83 DO STJ. DECISÃO MONOCRÁTICA DA PRESIDÊNCIA DESTA CORTE QUE NÃO CONHECEU DO AGRAVO. AGRAVO INTERNO PROVIDO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. (..) 3. No caso dos autos, o Tribunal de origem entendeu, quanto aos juros remuneratórios, que houve abusividade em sua cobrança. Rever essa conclusão demandaria reexame de provas e interpretação de cláusulas contratuais, providências vedadas nos termos das Súmulas 5 e 7/STJ. (..) 5. Agravo interno a que se dá provimento para reconsiderar a decisão da Presidência desta Corte e negar provimento ao agravo em recurso especial. (AgInt no AREsp 1.983.007/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 21/02/2022, DJe 25/02/2022.) RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL, CONSUMIDOR E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO REVISIONAL. CONTRATO DE CARTÃO DE CRÉDITO. JUROS REMUNERATÓRIOS. ABUSIVIDADE RECONHECIDA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. TEMA REPETITIVO Nº 27/STJ. INCIDÊNCIA DOS ENUNCIADOS N.º 05 E 07/STJ. (..) 8. Afastar a conclusão do Tribunal de Justiça a quo, soberano na análise dos fatos e das provas, reconhecendo a abusividade da taxa de juros remuneratórios praticada no caso concreto, exigiria incursão no conteúdo fático-probatório dos autos e interpretação de cláusula contratual, procedimentos vedados em sede de recurso especial, a teor dos enunciados sumulares n.º 5 e 7/STJ. 9. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E DESPROVIDO. (REsp 1.722.233/RS, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 14/09/2021, DJe 14/12/2021.) 4. Do exposto, com amparo no artigo 1.042, §5º, do CPC/15 c/c o art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea "a", do RISTJ, defere-se o pedido de concessão dos benefícios da AJG, exclusivamente para fins recursais, vedada a retroatividade, e conhece-se do agravo (art. 1.042 do CPC/15), para não conhecer do recurso especial. Com base no art. 85, § 11, do CPC/2015, majoro em 10% (dez por cento) o valor dos honorários sucumbenciais fixados pelo Tribunal de origem em favor da parte ora recorrida, observando-se o disposto no artigo 98, § 3º, do CPC/2015. Publique-se. Intimem-se EMENTA