AREsp 2445451 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo porque incidiram as Súmulas 5, 7 e 83 do STJ, sendo o recurso especial inadmissível; além disso, a Corte reafirmou que o fato de a taxa contratada estar acima da taxa média de mercado do Banco Central não caracteriza, por si só, abusividade, cabendo avaliação casuística das...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos / Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial
- Outcome
- Nego provimento ao agravo.
- Legal Topics
- Juros Remuneratórios, Abusividade, Contrato De Financiamento, Alienação Fiduciária, Inadmissão De Recurso Especial, Súmulas Do STJ, Honorários Advocatícios, Gratuidade Da Justiça
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Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos / Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial
Legal Issues
- 1 abusividade da taxa de juros remuneratórios pactuada
- 2 uso da taxa média de mercado do Banco Central como parâmetro de avaliação
- 3 inadmissibilidade do recurso especial por incidência das Súmulas 5, 7 e 83 do STJ
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque incidiram as Súmulas 5, 7 e 83 do STJ, sendo o recurso especial inadmissível; além disso, a Corte reafirmou que o fato de a taxa contratada estar acima da taxa média de mercado do Banco Central não caracteriza, por si só, abusividade, cabendo avaliação casuística das circunstâncias contratuais.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo.
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Incidem as Súmulas n. 5, 7 e 83 do STJ.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos interposto contra decisão publicada na vigência do CPC/2015, que inadmitiu o recurso especial em razão da incidência das Súmulas n. 5, 7 e 83 do STJ (e-STJ fls. 249/252). O acórdão recorrido encontra-se assim ementado (e-STJ fl. 215): APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REVISIONAL. CONTRATO DE FINANCIAMENTO COM GARANTIA DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. JUROS REMUNERATÓRIOS. CARACTERIZAÇÃO DA MORA. TUTELA ANTECIPADA. DOS JUROS REMUNERATÓRIOS. Estando a taxa pactuada pelas partes dentro dos limites previstos na média de mercado apurada pelo BACEN, a pactuação em contrato deve ser preservada. Precedentes. DA CARACTERIZAÇÃO DA MORA. Inalteradas as cláusulas avençadas para o período da normalidade contratual, resta configurada a mora do autor em caso de inadimplência, nos termos do REsp nº 1.061.530/RS. DA TUTELA ANTECIPADA. Inalterados os encargos do período da normalidade contratual, resta configurada a mora da fiduciante em caso de inadimplência, possibilitando, por parte da instituição financeira, a inserção do nome da devedora em cadastro restritivo ao crédito, bem como a apreensão do veículo dado em garantia de alienação fiduciária. DA SUCUMBÊNCIA. Redimensionada. APELAÇÃO PROVIDA. Não foram opostos embargos de declaração. Nas razões do recurso especial (e-STJ fls. 229/240), fundamentado no art. 105, III, "a" e "c", da CF, a parte alegou dissídio jurisprudencial e violação dos arts. 39, V, e 51, IV, e § 1º, III, do CDC, defendendo o abuso dos juros remuneratórios contratados, porquanto "a taxa praticada pela instituição financeira recorrida no contrato foi muito acima da praticada no mercado a época da contratação" (e-STJ fl. 236). No agravo (e-STJ fls. 261/270), afirma a presença dos requisitos de admissibilidade do especial. Contraminuta não apresentada. É o relatório. Decido. No âmbito deste Tribunal Superior, há orientação firmada no sentido de que "a taxa média de mercado apurada pelo Banco Central para cada segmento de crédito é referencial útil para o controle da abusividade, mas o simples fato de a taxa efetiva cobrada no contrato estar acima da taxa média de mercado não significa, por si só, abuso" (REsp n. 1.821.182/RS, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 23/6/2022, DJe de 29/6/2022 - grifei). Aliás, o entendimento do STJ é pela adoção da chamada "taxa média de mercado" somente nos casos em que não é possível aferir o percentual pactuado (AgInt no REsp 1.549.044/SC, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 28/09/2020, DJe 01/10/2020). Fora dessa hipótese, conforme já registrado, o índice apenas fornece ao julgador uma referência para a avaliação de eventual abusividade no caso concreto, não se traduzindo limite à instituição financeira. No acórdão recorrido, ficou consignado que, "na cédula de crédito bancário em exame, (..) restou pactuada a taxa de juros remuneratórios de 3,53% ao mês e de 51,63% ao ano, sobre o valor financiado" e que, "quando da assinatura do contrato entre as partes, a taxa média de mercado estava apurada em 27,15% a.a. " (e-STJ fl. 219). O Tribunal de origem destacou que "o simples fato de a taxa prevista no contrato revisando ser superior à média divulgada pelo Banco Central para o período e modalidade de pactuação não importa em abusividade" e que "a verificação quanto à configuração (ou não) de abuso do encargo deve levar em consideração, necessariamente, fatores casuísticos: além da data em que formalizado o contrato, a espécie de financiamento e a garantia ofertada (ou se há mais de uma garantia exigida pela instituição financeira, reduzindo, assim o risco de inadimplência), a espécie de veículo financiado, se trata-se de bem móvel novo ou usado e o valor do capital emprestado" (e-STJ fl. 219). "Sopesando todas as circunstâncias supra" (e-STJ fl. 219), concluiu pela ausência de desvantagem exagerada por parte do consumidor passível de ensejar a revisão judicial. Incidem as Súmulas n. 5, 7 e 83 do STJ. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo. Na forma do art. 85, § 11, do CPC/2015, MAJORO os honorários advocatícios em 20% (vinte por cento) do valor arbitrado, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo. Deferida a gratuidade da justiça na instância de origem, deve ser observada a regra do § 3º do art. 98 do CPC/2015. Publique-se e intimem-se. EMENTA