AREsp 2589427 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para, na sequência, não conhecer do recurso especial, porque a Corte de origem reconheceu a abusividade das taxas com base em prova e interpretação fático-probatória (controle que demandaria reexame de fatos e provas, vedado em recurso especial conforme Súmulas 5 e 7/STJ), e incide o óbice da...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante/recorrente: CREFISA S.A. CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 July 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Recurso Especial Não Conhecido
- Outcome
- Agravo conhecido; recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Juros Remuneratórios, Revisão Contratual, Súmulas 5 E 7/stj, Súmula 83/stj, Multa Do Art. 1.026, §2º Do CPC, Honorários Recursais (art. 85, §11, Cpc)
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
CREFISA S.A. CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Recurso Especial Não Conhecido
Legal Issues
- 1 abusividade de juros remuneratórios contratados
- 2 utilização da taxa média do BACEN como parâmetro para aferição de abusividade
- 3 limitação da intervenção judicial em revisão contratual
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para, na sequência, não conhecer do recurso especial, porque a Corte de origem reconheceu a abusividade das taxas com base em prova e interpretação fático-probatória (controle que demandaria reexame de fatos e provas, vedado em recurso especial conforme Súmulas 5 e 7/STJ), e incide o óbice da Súmula 83/STJ; manteve-se também a conclusão do tribunal de origem quanto ao caráter protelatório dos embargos de declaração, situação igualmente não passível de revisão na via estreita, e majoraram-se os honorários recursais para 16% sobre o valor atualizado da causa com fundamento no art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
Agravo conhecido; recurso especial não conhecido
Orders
- Conheço do agravo e não conheço do recurso especial
- Majoram-se os honorários recursais em desfavor da parte recorrente para 16% sobre o valor atualizado da causa, nos termos do art. 85, §11, do CPC
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo interposto por CREFISA S.A. CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS contra decisão que obstou a subida de recurso especial. Extrai-se dos autos que a agravante interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA cuja ementa guarda os seguintes termos: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO. EMPRÉSTIMO PESSOAL. SENTENÇADE PARCIAL PROCEDÊNCIA. IRRESIGNAÇÃO DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. PRELIMINARES. JULGAMENTO EXTRA PETITA. AFASTAMENTO. PRETENSÃO DE ENVIO DE OFÍCIO AONUMOPEDE. NÃO ACOLHIMENTO. MÁ-FÉ PROCESSUAL NÃO VERIFICADA. MÉRITO. TESEDE IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DAS TAXAS DEFINIDAS NO CONTRATO. INSUBSISTÊNCIA. RELAÇÃO DE CONSUMO. MITIGAÇÃO DO PRINCÍPIO DO PACTA SUNTSERVANDA. OBSERVAÇÃO DAS TAXAS MÉDIAS DIVULGADAS PELO BACEN. JUROSPACTUADOS EXORBITANTES. ADEQUAÇÃO DEVIDAMENTE PROMOVIDA. SERIE 20743- PESSOAS FÍSICAS - CRÉDITO PESSOAL NÃO CONSIGNADO VINCULADO À COMPOSIÇÃODE DÍVIDAS. APLICAÇÃO ESCORREITA. PRECEDENTE. DEVOLUÇÃO DOS VALORESINDEVIDAMENTE DESCONTADOS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 42 DO CÓDIGO DE DEFESA DOCONSUMIDOR. PEDIDO DE REDUÇÃO DO VALOR ARBITRADO A TÍTULO DE HONORÁRIOSSUCUMBENCIAIS PREJUDICADO. ADEQUAÇÃO DE OFÍCIO PARA QUE SEJAM FIXADOS COMBASE NO VALOR DA CAUSA. HONORÁRIOS RECURSAIS. ARTIGO 85, §11 DO CÓDIGO DEPROCESSO CIVIL. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. Rejeitados os embargos de declaração opostos pela recorrente. No recurso especial, alega a parte recorrente ofensa aos arts. 421 do Código Civil e 1.026, § 2º, do CPC. Argumenta que não cabe ao Poder Judiciário intervir em negócios jurídicos para revisar cláusulas contratuais relativas à taxa de juros remuneratórios, substituindo a vontade das partes, especialmente considerando as peculiaridades do caso, que envolve contrato de empréstimo não consignado de alto risco. Aduz que a taxa média de mercado não pode ser considerada como limite, por ser apenas uma média que incorpora operações de diferentes níveis de risco, de forma que a conclusão pela abusividade da cláusula contratual pactuada e a definição de uma nova taxa de juros com respaldo unicamente na taxa média de mercado violam o art. 421 do Código Civil. Afirma, outrossim, que os embargos de declaração opostos contra o acórdão recorrido não tinham natureza procrastinatória, mas a finalidade de prequestionar a matéria em discussão nos autos, sendo incabível a imposição de multa. Aponta, ainda, dissídio jurisprudencial. Postulou o provimento. Não foram oferecidas contrarrazões. Sobreveio o juízo de admissibilidade negativo na instância de origem, o que ensejou a interposição do presente agravo. Não foi apresentada contraminuta ao agravo. É, no essencial, o relatório. Atendidos os pressupostos de admissibilidade d o agravo, passo ao exame do recurso especial. Segundo a orientação jurisprudencial da Segunda Seção do STJ, consolidada em recurso especial repetitivo, a estipulação de juros remuneratórios em taxa superior a 12% ao ano não indica, por si só, abusividade contra o consumidor, permitida a revisão dos contratos de mútuo bancário apenas quando fique demonstrado, no caso concreto, manifesto excesso da taxa praticada ante a média de mercado aplicada a contratos da mesma espécie. Verificada a abusividade, a taxa de juros remuneratórios deve ser limitada à taxa média do mercado divulgada pelo Bacen (REsp n. 1.061.530/RS, relatora Ministra NANCY ANDRIGHI, Segunda Seção, j. em 22/10/2008, DJe de 10/3/2009). Nesse contexto, é permitida a revisão, pelo Poder Judiciário, das taxas de juros remuneratórios firmadas nos contratos regidos pelo Código de Defesa do Consumidor quando cabalmente demonstrada, em cada caso concreto, a onerosidade excessiva ao consumidor, capaz de colocá-lo em desvantagem exagerada (art. 51, §1º, do CDC), podendo ser utilizada como um dos parâmetros para aferir a abusividade a taxa média do mercado para as operações equivalentes. A propósito, confira-se a ementa do julgado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E BANCÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CLÁUSULAS DE CONTRATO BANCÁRIO. INCIDENTE DE PROCESSO REPETITIVO. JUROS REMUNERATÓRIOS. (..) ORIENTAÇÃO 1 - JUROS REMUNERATÓRIOS a) As instituições financeiras não se sujeitam à limitação dos juros remuneratórios estipulada na Lei de Usura (Decreto 22.626/33), Súmula 596/STF; b) A estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano, por si só, não indica abusividade; c) São inaplicáveis aos juros remuneratórios dos contratos de mútuo bancário as disposições do art. 591 c/c o art. 406 do CC/02; d) É admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações excepcionais, desde que caracterizada a relação de consumo e que a abusividade (capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada art. 51, §1º, do CDC) fique cabalmente demonstrada, ante às peculiaridades do julgamento em concreto. (REsp n. 1.061.530/RS, relatora Ministra NANCY ANDRIGHI, Segunda Seção, j. em 22/10/2008, DJe de 10/3/2009.) No caso em julgamento, as taxas de juros remuneratórios contratadas foram de 837,23% a 987,22% ao ano, e as taxas médias divulgadas pelo BACEN no mesmo período para as mesmas operações de crédito foram de 39,04 a 79,87% ao ano. Nesse contexto, a instância ordinária reconheceu a abusividade da taxa de juros remuneratórios contratada por ter superado excessivamente o índice médio de mercado divulgado pelo Bacen para a operação de crédito pessoal contratada, caracterizando a desvantagem excessiva ao consumidor, nos seguintes termos: A Corte Superior também já se manifestou no sentido de que "a média mensal divulgada pelo Banco Central do Brasil também considera no seu cálculo as taxas de juros pactuadas pelas instituições financeiras que concedem crédito para perfis diferenciados de mutuários, de maneira que pode ser utilizada para fins de limitação do encargo pelo Poder Judiciário" (AgInt no AREsp n.2.219.456/RS, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 24/2/2023). Conforme se verifica, embora as taxas divulgadas pelo BACEN não sirvam como um padrão estanque para o estabelecimento das taxas de juros remuneratórios, podem ser utilizadas como parâmetro pelo julgador para perquirir eventual abusividade praticada pela instituição financeira que não deve estabelecer taxa demasiadamente distante dos valores praticados pelo mercado. Nessa toada, é firme o entendimento do egrégio Tribunal de Justiça de Santa Catarina no sentido de adotar como parâmetro de aferição de abusividade a flexibilização da taxa de juros remuneratórios até o percentual de 10% (dez por cento) acima da taxa média divulgada pelo BACEN: (..) No caso em apreço, as taxas de juros remuneratórios definidas nos contratos, representam mais que o dobro da taxa média divulgada pelo BACEN para as modalidades contratadas. Giza-se: (..) Em que pesem as alegações da parte apelante, denota-se dos documentos acostados à exordial que os contratos de n.º 030400073806 (evento 1.13), nº 032450010819 (evento 1.15),nº 032450015900 (evento 1.16), nº 032450027567 (evento 1.18), nº 032450029002 (evento 1.20),nº 032450030035 (evento 1.22) foram firmados com a finalidade de composição de dívidas pretéritas(confissão de dívida e autorização/ termo de refinanciamento). Assim, correta a aplicação das série n. 25465 e 20743 - "Taxa média de juros - Pessoas físicas - Crédito pessoal não consignado vinculado à composição de dívidas" não havendo razões para adoção de critério diverso. (..) Assim, a sentença não merece reparos no tocante a limitação dos juros remuneratórios e adoção das séries 25465 e 20743 divulgadas pelo BACEN. Como se observa, a Corte local decidiu em consonância com a orientação jurisprudencial desta Corte, incidindo ao caso o óbice da Súmula n. 83/STJ. Ademais, a natureza abusiva dos juros remuneratórios contratados foi reconhecida pela instância ordinária a partir da análise fático-probatória dos autos e da interpretação de cláusulas contratuais, razão pela qual a revisão dessa conclusão encontra óbice nas Súmulas n. 5 e 7/STJ. Nesse sentido, cito: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL. CONTRATO DE EMPRÉSTIMO PESSOAL CONSIGNADO. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 O CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO DO RECURSO. SÚMULA N. 284 DO STF. TAXA DE JUROS REMUNERATÓRIOS CONTRATADA. ABUSIVIDADE. REEXAME CONTRATUAL E FÁTICO DOS AUTOS. SÚMULAS N. 5 E 7 DO STJ. 1. A deficiência na fundamentação do recurso especial no tocante à alegação de violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015 atrai a incidência da Súmula n. 284/STF. 2. A jurisprudência do STJ firmou o entendimento de que a taxa média de mercado apurada pelo Banco Central para cada segmento de crédito é referencial útil para o controle da abusividade, mas o simples fato de a taxa efetiva cobrada no contrato estar acima da taxa média de mercado não significa, por si só, abuso. Ao contrário, a média de mercado não pode ser considerada o limite, justamente porque é média; incorpora as menores e maiores taxas praticadas pelo mercado, em operações de diferentes níveis de risco. 3. O caráter abusivo da taxa de juros contratada haverá de ser demonstrado de acordo com as peculiaridades de cada caso concreto, levando-se em consideração circunstâncias como o custo da captação dos recursos no local e época do contrato, a análise do perfil de risco de crédito do tomador e o spread da operação. 4. Hipótese em que a Corte de origem manteve a limitação da taxa de juros remuneratórios porque foi fixada em valor que excede substancialmente o parâmetro da taxa média de mercado. 5. Nesse contexto, rever a conclusão da Corte local, a qual manteve a limitação da taxa de juros remuneratórios contratada, em razão da manifesta abusividade da taxa pactuada no contrato de empréstimo pessoal consignado, diante da diferença significativa entre a taxa fixada no contrato e a taxa média de mercado divulgada pelo Banco Central do Brasil, demandaria o reexame contratual e fático dos autos, situação vedada pelos óbices das Súmulas n. 5 e 7 do STJ. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.417.472/RS, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 8/4/2024, DJe de 11/4/2024.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO. CARTÃO DE CRÉDITO. 1. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO CONFIGURADA. 2. JUROS REMUNERATÓRIOS. ABUSIVIDADE CONSTATADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. REVISÃO DO JULGADO. NECESSIDADE DE INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS E DO REEXAME DE FATOS E PROVAS DOS AUTOS. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. 3. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. Não ficou configurada a violação do art. 1.022 do CPC/2015, uma vez que o Tribunal de origem se manifestou de forma fundamentada sobre todas as questões necessárias para o deslinde da controvérsia. O mero inconformismo da parte com o julgamento contrário à sua pretensão não caracteriza falta de prestação jurisdicional. 2. O acórdão constatou o caráter abusivo dos juros praticados pela instituição bancária, não havendo como acolher a pretensão recursal sem proceder à interpretação de cláusulas contratuais e o reexame de fatos e provas, providências vedadas na via estreita do recurso especial, ante a aplicação das Súmulas 5 e 7/STJ. 3. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 1.555.502/RS, relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, julgado em 10/2/2020.) O óbice da Súmula n. 7 do STJ também impede o conhecimento do recurso especial interposto pela divergência. Ademais, da análise das razões recursais, verifica-se que a recorrente não particularizou qual dispositivo de lei federal objeto de interpretação divergente pelos julgados em confronto, atraindo a incidência do óbice da Súmula 284/STF, por analogia. Finalmente, quanto à multa do art. 1.026, § 2º, do CPC, conforme asseverado pelo Tribunal de origem, os embargos de declaração opostos pela recorrente tinham o propósito único de rediscussão do julgado, pois não demonstrada nenhuma das hipóteses de cabimento previstas no art. 1.022 do CPC, dando ensejo à aplicação da referida multa como forma de coibir novos recursos protelatórios. A revisão dessa conclusão, para afastar o caráter protelatório dos embargos de declaração, encontra óbice, mais uma vez, na Súmula 7/STJ. A propósito, cito os seguintes julgados: AgInt no AREsp n. 2.124.347/PE, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 16/10/2023, DJe de 18/10/2023; e AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.331.331/MS, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 9/10/2023, DJe de 16/10/2023. Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro os honorários fixados em desfavor da parte recorrente para 16% sobre o valor atualizado da causa , observada eventual concessão de gratuidade de justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. TAXA DE JUROS REMUNERATÓRIOS. ABUSIVIDADE CONSTATADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. LIMITAÇÃO À TAXA MÉDIA DE MERCADO APURADA PELO BACEN. SÚMULA N. 83/STJ. REVISÃO DO JULGADO. SÚMULAS 5 E 7/STJ. MULTA DO ART. 1.026 DO CPC. SÚMULA N. 7/STJ. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.