AREsp 2564996 - DECISAO
Reconsiderada a decisão monocrática inicial, concluiu-se que houve impugnação suficiente aos fundamentos da decisão agravada para reexame; contudo, não se conheceu do recurso especial por óbice de prequestionamento quanto à necessidade de perícia (Súmula 211/STJ) e por ausência de impugnação específica aos...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante/recorrente: CREFISA S/A CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno Em Agravo Em Recurso Especial / Admissibilidade De Recurso Especial / Decisão Sobre Conhecimento
- Outcome
- Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Juros Remuneratórios, Revisional De Contrato, Abuso De Cláusulas Contratuais, Súmulas E Óbices De Admissibilidade, Prequestionamento, Necessidade De Prova Pericial, Honorários Sucumbenciais
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
CREFISA S/A CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo Interno Em Agravo Em Recurso Especial / Admissibilidade De Recurso Especial / Decisão Sobre Conhecimento
Legal Issues
- 1 violação ao art. 421 do Código Civil (pacta sunt servanda vs. revisão por onerosidade excessiva)
- 2 necessidade de prequestionamento para conhecimento do recurso especial (Súmula 211/STJ)
- 3 insuficiência de impugnação específica e óbices de admissibilidade por súmulas (Súmulas 83, 5, 7, 283 e 284)
Ratio Decidendi
Reconsiderada a decisão monocrática inicial, concluiu-se que houve impugnação suficiente aos fundamentos da decisão agravada para reexame; contudo, não se conheceu do recurso especial por óbice de prequestionamento quanto à necessidade de perícia (Súmula 211/STJ) e por ausência de impugnação específica aos fundamentos do acórdão recorrido, estando o tema também em conformidade com a jurisprudência do STJ sobre uso da taxa média do BACEN como parâmetro indicativo de abusividade; por fim, majoraram-se honorários sucumbenciais.
Court Disposition
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conhece-se do agravo interno.
- Não conhece-se do recurso especial.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interno interposto por CREFISA S/A CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS em face da decisão de fls. 448-449e-STJ, da lavra da Presidência do STJ, que não conheceu do agravo (art. 1.042 do CPC/15), por meio do qual a ora insurgente pretendia ver admitido o recurso especial. O apelo extremo, fundado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, fora deduzido em desafio ao acórdão de fls. 214-220 e-STJ, proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, assim ementado: APELAÇÃO. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. REVISIONAL. JUROS REMUNERATÓRIOS. ABUSIVIDADE VERIFICADA NO CASO CONCRETO. SENTENÇA ALTERADA. 1. Inobstante o princípio da força obrigatória dos contratos, as cláusulas contratuais firmadas, ainda que por parte capaz e ciente de seus termos, podem ser revistas em situações excepcionais, flexibilizando-se o pacta sunt servanda, especialmente como a dos autos, quando demonstrada a excessiva oneração e o flagrante desequilíbrio entre as partes, caracterizando a conduta abusiva, vedada pelo art. 39, inc. V, do CDC, autorizando a revisão, na forma do art. 6º, inc. V, do CDC. 2. Determinada a limitação da taxa de juros remuneratórios pactuada, pois excede substancialmente a média praticada pelo mercado em operações similares, à época da contratação, inexistindo prova apta a justificar a adequação dos índices cobrados do consumidor, em razão da modalidade da operação controvertida. Precedentes do STJ e deste Tribunal. DESCARACTERIZAÇÃO DA MORA. COMPENSAÇÃO DE VALORES. REPETIÇÃO DE INDÉBITO NA FORMA SIMPLES. Reconhecida a abusividade e revisado o contrato, é possível a descaracterização da mora, a compensação de valores e a repetição do indébito na forma simples. RECURSO PROVIDO. Nas razões de recurso especial (fls. 227-259 e-STJ), alegou a insurgente que o acórdão recorrido violou os seguintes dispositivos de lei federal: (i) artigo 421 do CC, bem como dissídio jurisprudencial, aduzindo a ausência de abusividade das taxas pactuadas, cuja análise não pode ser feita mediante mero cotejo com a média de mercado; e, (ii) artigos 355, inc. I e II, e 356, inc. I e II, do CPC/15, arguindo a necessidade de prova pericial para analisar todas as particularidades e riscos envolvidos e indicar, quando for o caso, o percentual mais adequado a ser estabelecido. Sem contrarrazões. Em juízo prévio de admissibilidade (fls. 415-417 e-STJ), a Corte de origem inadmitiu o apelo nobre, por óbice das Súmulas 83, 5 e 7/STJ, ensejando a interposição do respectivo agravo (art. 1.042 do CPC/15), às fls. 425-433 e-STJ, no qual a parte aduz a inaplicabilidade dos enunciados. Sem contraminuta. Em decisão monocrática (fls. 448-449 e-STJ), a Presidência do STJ não conheceu do reclamo, por ofensa ao princípio da dialeticidade. Daí o presente agravo interno (fls. 453-462 e-STJ), no qual a parte insurgente sustenta ter impugnado todos os fundamentos da decisão de admissibilidade. Sem impugnação. É o relatório. Decide-se. Ante as razões expostas, e constatada a efetiva impugnação aos fundamentos da decisão que inadmitiu o apelo nobre, reconsidera-se a decisão agravada, passando-se a nova análise do recurso. 1. A recorrente afirma que "houve flagrante violação ao disposto no art. 421 do Código Civil, visto que o Tribunal a quo se pautou unicamente na "taxa média de mercado", sem se atentar as peculiaridades do caso concreto, as particularidades das contratações firmadas entre as partes e principalmente desconsiderando os altos riscos assumidos pela Recorrente, riscos estes que sabidamente não são assumidos pelas demais instituições financeiras, para invalidar um ato jurídico perfeito, o que não se pode admitir" (fl. 239 e-STJ). Do acórdão recorrido, todavia, extrai-se (fls. 215-216 e-STJ): Saliento que este Colegiado somente reconhece a abusividade, nas taxas de juros remuneratórios pactuadas, quando demonstrada a existência de discrepância significativa entre os juros remuneratórios pactuados e a taxa média de mercado divulgadas pelo BACEN, para operações similares, à época da contratação, considerando as particularidades de cada caso, de acordo com o entendimento do STJ (AgInt no AREsp nº 1.183.999/RS). Não se está dizendo que o Banco Central é a instituição competente para regular a taxa média de juros do mercado, mas sim que este referencial é um dos parâmetro utilizados para aferir a abusividade da taxa avençada, até porque os riscos e condições das operações já estão inseridos dentro da lógica mercadológica que leva o BACEN a calcular e divulgar a taxa média para operações similares (Apelação Cível nº 70085219129). Soma-se a isso o fato de que a demandada apenas apresenta argumentos genéricos a justificar o índice pactuado, o qual destoa da média já inequivocamente alta no país, sem comprovar que efetivamente decorre do risco da modalidade de empréstimo em discussão. Embora com maior capacidade de produção de provas (art. 373 do CPC), a demandada não demonstrou ser adequado ao caso o elevado índice cobrado, tampouco postulou a produção de prova técnica para esse fim. Diante disso, não há falar na ausência de ilegalidade, afronta à livre pactuação e à limitação infraconstitucional ou inaplicabilidade da taxa média divulgada pelo BACEN, ante as taxas de juros remuneratórios foram pactuadas em 666,69% ao ano, enquanto as taxas médias de juros apuradas pelo BACEN, para operações similares, naquele período, eram de 133,15% ao ano (Códigos 25464 e 041). Logo, não houve mero cotejo da taxa pactuada com a média de mercado - tendo a Corte de origem apresentado outros fundamentos, os quais não foram infirmados especificamente pelo recurso especial. Ademais, a insurgente afirma que a Corte de origem não se atentou às peculiaridades do caso concreto, todavia não houve qualquer indicação de qual(is) particularidades não teriam sido consideradas. Houve, novamente, mera menção genérica aos riscos do negócio. Logo, ante a insuficiência de razões recursais e ausência de impugnação específica aos fundamentos do acórdão, o recurso especial encontra óbice nas Súmulas 283 e 284/STF. 1.1. Ademais, nos termos da reiterada jurisprudência deste STJ, a inadmissibilidade ou o exame da tese trazida a esta Corte pela alínea "a" torna prejudicado o dissídio jurisprudencial sobre a mesma matéria. Neste sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL. INDENIZAÇÃO DANOS MATERIAIS E MORAIS. ATO ILÍCITO ADMINISTRATIVO. LAVRATURA DE PROCURAÇÃO PÚBLICA. TABELIÃO DE NOTAS. PRAZO PRESCRICIONAL. ART. 206, §3º, V, DO CÓDIGO CIVIL. PRAZO TRIENAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA 83 DO STJ. TERMO INICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO DA AÇÃO ANULATÓRIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. .. 5. A incidência do enunciado da Súmula 83/STJ obsta a análise do recurso pela alínea "c", ficando prejudicado o exame do dissídio jurisprudencial, conforme sinaliza a jurisprudência do STJ. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AgInt no AREsp n. 2.156.511/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 25/9/2023, DJe de 28/9/2023.) AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER CUMULADA COM INDENIZAÇÃO. PACOTE TURÍSTICO E SEGURO SAÚDE PARA VIAGEM INTERNACIONAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DO DISPOSITIVO SUPOSTAMENTE VIOLADO. SÚMULA 211 DO STJ. INCIDÊNCIA. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. .. 2. É firme o entendimento desta Corte no sentido de que "os mesmos óbices impostos à admissão do recurso pela alínea a do permissivo constitucional impedem a análise recursal pela alínea c, ficando prejudicada a análise do dissídio jurisprudencial" (STJ, AgInt no REsp 1.503.880/PE, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 08/03/2018). 3. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.904.140/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 21/2/2022, DJe de 25/2/2022.) 2. Em relação à necessidade de perícia, não houve pronunciamento por parte da Corte de origem. Nos termos da jurisprudência deste Tribunal Superior, "para que se configure o prequestionamento da matéria, há que se extrair do acórdão recorrido pronunciamento sobre as teses jurídicas em torno dos dispositivos legais tidos como violados, a fim de que se possa, na instância especial, abrir discussão sobre determinada questão de direito, definindo-se, por conseguinte, a correta interpretação da legislação federal" (AgRg no AREsp 519.518/RS, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 03/05/2018, DJe 25/05/2018). No mesmo sentido, citam-se: AgInt no REsp 1668409/MG, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/05/2018, DJe 24/05/2018; AgInt no REsp 1599354/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/11/2016, DJe 30/11/2016; AgInt no AREsp 1081236/RS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 22/08/2017, DJe 05/09/2017. Assim, uma vez que o Tribunal de origem não proferiu decisão a respeito da controvérsia trazida a esta Corte Superior, em que pese a oposição de embargos de declaração, é inviável conhecer o recurso especial, uma vez ausente o requisito do prequestionamento, conforme óbice da Súmula 211/STJ. 3. Do exposto, reconsidera-se a decisão impugnada e, com amparo no artigo 932 do CPC/15 c/c a Súmula 568/STJ, conhece-se do agravo para não conhecer do recurso especial. Com base no art. 85, § 11, do CPC/2015, majoram-se os honorários sucumbenciais para R$ 1.700,00 (um mil e setecentos reais), em favor dos patronos da parte recorrida. Publique-se. Intimem-se. EMENTA