AREsp 2678181 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e do recurso especial e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem avaliou corretamente, à luz do precedente REsp 1.061.530/RS e da jurisprudência desta Corte, que não ficou demonstrada abusividade cabal da taxa pactuada; a taxa contratada, embora superior à média...
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- Parties
- Agravante: CARLA PULGATTI; Agravada: Instituição bancária
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento Do Agravo E Do Recurso Especial, Com Não Provimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Agravo conhecido. Recurso especial conhecido e negado provimento.
- Legal Topics
- Juros Remuneratórios, Revisional De Contrato Bancário, Mora Contratual, Limitação De Juros À Taxa Média De Mercado, Compensação E Repetição Do Indébito, Tarifa De Cadastro, Seguro Prestamista, Súmula 568/stj
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Parties
CARLA PULGATTI
Agravante
Instituição bancária
Agravada
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento Do Agravo E Do Recurso Especial, Com Não Provimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Se a taxa de juros remuneratórios pactuada é abusiva e deve ser limitada à taxa média de mercado divulgada pelo Banco Central
- 2 Aplicação da Súmula 568/STJ para obstar reexame de matéria fática e probatória em recurso especial
- 3 Caracterização da mora contratual e seus efeitos
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e do recurso especial e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal de origem avaliou corretamente, à luz do precedente REsp 1.061.530/RS e da jurisprudência desta Corte, que não ficou demonstrada abusividade cabal da taxa pactuada; a taxa contratada, embora superior à média divulgada pelo BACEN, não supera o dobro dessa média e, considerando as peculiaridades do caso concreto, impõe-se a preservação do ajuste entre as partes, incidindo a Súmula 568/STJ impeditiva de reexame do caso.
Court Disposition
Agravo conhecido. Recurso especial conhecido e negado provimento.
Orders
- Conhecer do agravo e conhecer do recurso especial, negando-lhe provimento
- Majoram-se os honorários advocatícios anteriormente fixados de 15% para 18% sobre o valor da causa (art. 85, §11, CPC), observada eventual concessão de gratuidade de justiça
Full Case Text
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DECISÃO Examina-se agravo em recurso especial interposto por CARLA PULGATTI contra decisão que inadmitiu recurso especial fundamentado, exclusivamente, na alínea "c" do permissivo constitucional. Agravo em recurso especial interposto em: 22/05/2024. Concluso ao gabinete em: 09/09/2024. Ação: revisional de contrato bancário, ajuizada pelo agravante, em face da Instituição bancária, na qual alega ter celebrado cédula de crédito bancário para financiamento de veículo com garantia de alienação fiduciária e que, no decorrer da avença, houve excesso na cobrança de juros remuneratórios. Pleiteia a revisão do contrato descrito na inicial, bem como a descaracterização da mora, a compensação dos valores e a repetição de valores pagos a maior. Sentença: julgou parcialmente procedentes os pedidos para: "1) determinar a revisão do(s) contrato(s) objeto(s) dos autos para: - limitar os juros remuneratórios à taxa média de mercado, para o mês da contratação, permitida a capitalização, na forma da fundamentação. 2) condenar a parte ré a compensar o débito com o crédito da parte autora decorrente desta revisão, corrigindo-se monetariamente as parcelas pagas a maior pelo IGP-M, a contar de cada desembolso, com juros moratórios de 1% ao mês desde a citação e, remanescendo saldo credor em favor da parte autora, os valores deverão ser restituídos, na forma simples, com a mesma forma de atualização monetária e juros determinados na compensação; 3) revogar a antecipação de tutela, em razão do descumprimento dos requisitos impostos na decisão concessiva da liminar, mantendo-se hígida a mora contratual; 4) rejeitar os demais pedidos, com fundamento no artigo 487, inciso I, do Código de Processo Civil." Acórdão: ambas as partes apelaram. o TJRS negou provimento à apelação interposta pela agravante; deu provimento à apelação da Instituição bancária (agravada), nos termos da seguinte ementa: "APELAÇÕES CÍVEIS. AÇÃO REVISIONAL. CONTRATO DE FINANCIAMENTO COM GARANTIA DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA. JUROS REMUNERATÓRIOS. TARIFA DE CADASTRO. SEGURO. CARACTERIZAÇÃO DA MORA. TUTELA ANTECIPADA. DA APELAÇÃO DA DEMANDADA DOS JUROS REMUNERATÓRIOS. Estando a taxa pactuada pelas partes dentro dos limites previstos na média de mercado apurada pelo BACEN, a pactuação em contrato deve ser preservada. Precedentes. Encargo restabelecido. DA APELAÇÃO DA AUTORA DA TARIFA DE CADASTRO. É válida a cobrança da tarifa de cadastro expressamente convencionada, a qual somente pode ser cobrada no início do relacionamento entre a contratante e a instituição financeira. Tese paradigma. Recurso especial nº 1.251.331/RS e nº 1.255.573/RS. Súmula 566 do STJ. DO SEGURO PRESTAMISTA. Não contém abusividade a cláusula que, em contrato celebrado a partir de 30.04.2008, permite a consumidora optar, com nítida autonomia da vontade, pela contratação de seguro com a instituição financeira. Tese fixada nos Recursos Especiais Repetitivos nos1.639.320/SP e 1.639.259/SP - TEMA 972. Inexistindo comprovação de venda casada, prevalece o avençado. Documento recebido eletronicamente da origem DA CARACTERIZAÇÃO DA MORA E DA TUTELA ANTECIPADA. Mantida a avença no período da normalidade contratual, resta caracterizada a mora em caso de inadimplemento contratual, nos termos do REsp nº 1.061.530/RS, possibilitando, por parte da instituição financeira, a inserção do nome da devedora em cadastro restritivo ao crédito, bem como a apreensão do veículo dado em garantia de alienação fiduciária. A SUCUMBÊNCIA. Redimensionada. APELAÇÃO DA AUTORA DESPROVIDA. APELAÇÃO DA DEMANDADA PROVIDA." Recurso especial: alega violação do art. 51, IV, § 1º, da Lei nº 8.078/1990, sob o argumento de que o acórdão do TJRS divergiu da jurisprudência do STJ acerca da limitação dos juros à taxa média de mercado. Defende que o contrato firmado entre as partes possui taxa de juros remuneratórios superiores à média de mercado, devendo ser aplicado os Temas 27 e 234/STJ. Afirma, ainda, que a mora deve ser afastada. RELATADO O PROCESSO, DECIDE-SE. - Dos juros remuneratórios (Súmula 568/STJ) A Segunda Seção do STJ, no REsp 1.061.530/RS, DJe de 10/03/2009, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, entende que é admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações excepcionais, desde que caracterizada a relação de consumo e que a abusividade capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada (art. 51, §1 º, do CDC) fique cabalmente demonstrada, ante às peculiaridades do julgamento em concreto. A taxa de juros remuneratórios, verificada sua abusividade, deve ser limitada à taxa média de mercado, divulgada pelo Banco Central do Brasil. As duas Turmas de Direito Privado desta Corte Superior, nos termos do que restou consolidado no referido precedente, entendem que a fixação de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano não evidencia, por si só, abusividade em face do consumidor, de modo que os juros remuneratórios afiguram-se abusivos e devem ser limitados à média de mercado quando houver, no caso concreto, significativa discrepância entre a taxa pactuada e a taxa média praticada em operações da mesma espécie. Nesse sentido: AgInt no REsp n. 2.018.402/RS, 4ª Turma, julgado em 13/2/2023, DJe de 28/2/2023; e AgInt no AREsp n. 2.161.895/RS, 3ª Turma, DJe de 19/10/2022. Na hipótese sob julgamento, o Tribunal de origem, analisou a questão relativa à abusividade dos juros remuneratórios sob o enfoque do REsp 1.061.530/RS, consignando que a taxa média do BACEN seria um dos parâmetros para análise da abusividade, além da análise das peculiaridades do caso concreto, nos seguintes termos (e-STJ, fls. 241-242): "A questão atinente aos juros remuneratórios foi amplamente analisada e definida por ocasião do julgamento do REsp nº 1.061.530-RS, no qual restou estabelecido que a alteração da taxa de juros pactuada depende da demonstração cabal de sua abusividade em relação à taxa média do mercado. Neste sentido, o precedente da Corte Superior .. Na cédula de crédito bancário em exame (evento 28, CONTR5), firmada em 10.06.2022, restou pactuada a taxa de juros remuneratórios de 3,29% ao mês e de 47,47% ao ano, sobre o valor financiado. Por meio do site do Banco Central do Brasil é possível constatar que, quando da assinatura do contrato entre as partes, a taxa média de mercado estava apurada em 27,43% Conforme referido acima, de acordo com a Tese fixada pelo Superior Tribunal de Justiça, o simples fato de a taxa prevista no contrato revisando ser superior à média divulgada pelo Banco Central para o período e modalidade de pactuação não importa em abusividade. Assim - e considerando que os juros nada mais são do que o "valor do dinheiro no tempo", servindo como "aluguel" do capital -, a verificação quanto à configuração (ou não) de abuso do encargo deve levar em consideração, necessariamente, fatores casuísticos: além da data em que formalizado o contrato, a espécie de financiamento e a garantia ofertada (ou se há mais de uma garantia exigida pela instituição financeira, reduzindo, assim o risco de inadimplência), a espécie de veículo financiado, se trata-se de bem móvel novo ou usado e o valor do capital emprestado. Sopesando todas as circunstâncias supra, e observando que, no caso, a taxa prevista no contrato não supera o dobro da média divulgada pelo BACEN, inexiste abusividade, devendo prevalecer o ajuste celebrado entre as partes. Documento recebido eletronicamente da origem Sendo assim, de acordo com a jurisprudência predominante no STJ e nesta Corte de Justiça, reformo a sentença e restabeleço a taxa de juros remuneratórios pactuada pelas partes. Via de consequência, resulta prejudicada a determinação de compensação de valores/repetição do indébito." Verifica-se que a conclusão do Tribunal de origem considerou as particularidades da situação concreta apresentada, em consonância com o entendimento dominante sobre o tema nesta Corte Superior. Aplica-se, portanto, a Súmula 568/STJ. - Da divergência jurisprudencial. Diante da análise do mérito em que foi desacolhida a pretensão da parte agravante, fica prejudicada a divergência jurisprudencial. Forte nessas razões, CONHEÇO do agravo e, com fundamento no art. 932, III e IV, "a", do CPC, bem como na Súmula 568/STJ, CONHEÇO do recurso especial e NEGO-LHE PROVIMENTO. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, considerando o trabalho adicional imposto ao advogado da parte agravada em virtude da interposição deste recurso, majoro os honorários fixados anteriormente em 15% sobre o valor da causa (e-STJ fls. 246) para 18% (dezoito porcento), observada eventual concessão da gratuidade de justiça. Previno as partes que a inte rposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar sua condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. JUROS REMUNERATÓRIOS. LIMITAÇÃO. TAXA MÉDIA DE MERCADO. HARMONIA DO ACÓRDÃO RECORRIDO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. INCIDÊCIA. SÚMULA 568/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. 1. Ação revisional de contrato bancário. 2. É admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações excepcionais, desde que caracterizada a relação de consumo e que a abusividade capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada (art. 51, §1 º, do CDC) fique cabalmente demonstrada, ante às peculiaridades do julgamento em concreto. 3. Na hipótese, o Tribunal de origem afastou a existência de abusividade na taxa de juros pactuada, diante da previsão contratual de limitação com base na taxa média de mercado, divulgada pelo Banco Central do Brasil. Incidência da Súmula 568/STJ. 3. Diante da análise do mérito em que foi desacolhida a pretensão da parte agravante, fica prejudicada a divergência jurisprudencial. 4. Agravo conhecido. Recurso especial não provido.