AREsp 2758251 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e deu-se parcial provimento para afastar a multa do art. 1.026, § 2º, do CPC/2015, pois os embargos foram opostos com finalidade de prequestionamento e, assim, não tinham caráter protelatório (Súmula 98/568). Mantida, contudo, a conclusão das instâncias ordinárias sobre a abusividade dos juros...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos / Decisão
- Outcome
- Conheço do agravo e dou parcial provimento ao recurso especial para afastar a multa do art. 1.026, § 2º, do CPC/2015.
- Legal Topics
- Juros Remuneratórios, Revisão Contratual, Multa Por Embargos De Declaração, Prequestionamento, Média De Mercado Do Banco Central, Ônus Da Prova
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Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos / Decisão
Legal Issues
- 1 abusividade dos juros remuneratórios comparados à média do Banco Central
- 2 ônus da prova da instituição financeira para justificar taxas superiores à média de mercado
- 3 aplicabilidade das Súmulas 5 e 7 do STJ quanto à reexame de fatos e provas
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e deu-se parcial provimento para afastar a multa do art. 1.026, § 2º, do CPC/2015, pois os embargos foram opostos com finalidade de prequestionamento e, assim, não tinham caráter protelatório (Súmula 98/568). Mantida, contudo, a conclusão das instâncias ordinárias sobre a abusividade dos juros remuneratórios, porquanto a instituição financeira não se desincumbiu do ônus de justificar a aplicação de taxas muito superiores à média de mercado divulgada pelo Banco Central, matéria não passível de reexame no especial em razão das Súmulas 5 e 7 do STJ.
Court Disposition
Conheço do agravo e dou parcial provimento ao recurso especial para afastar a multa do art. 1.026, § 2º, do CPC/2015.
Orders
- Afastar a multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC/2015 aplicada em sede de embargos de declaração.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial em razão da incidência das Súmulas n. 5 e 7 do STJ (e-STJ fls. 968/971). Após decisão desta Corte determinando o retorno dos autos (e-STJ fls. 749/752), o acórdão recorrido encontra-se assim ementado (e-STJ fl. 773): APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REVISIONAL. CONTRATOS DE EMPRÉSTIMO PESSOAL. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. RECURSO DA PARTE RÉ. JUROS REMUNERATÓRIOS. PRETENSA MANUTENÇÃO DAS TAXAS CONTRATADAS. INSURGÊNCIA DESPROVIDA NO PONTO POR ACÓRDÃO DESTA CÂMARA. INTERPOSIÇÃO DE RECURSO ESPECIAL PELA INSTITUIÇÃO DE CRÉDITO. DETERMINAÇÃO PELO STJ DE RETORNO DOS AUTOS A ESTA INSTÂNCIA PARA NOVO JULGAMENTO, CONFORME AS ORIENTAÇÕES FIXADAS NO RESP 1.061.530/RS. ABUSIVIDADE, AINDA ASSIM, EVIDENCIADA. OBSERVÂNCIA DAS MÉDIAS DIVULGADAS PELO BACEN A TÍTULO REFERENCIAL. JUROS PACTUADOS EXORBITANTES, À MÍNGUA DE JUSTIFICATIVA PLAUSÍVEL PELA CREDORA. ÔNUS QUE LHE INCUMBIA. ART. 373, INC. II, DO CPC. ILEGALIDADE INCONTESTE. ACERTADA ADEQUAÇÃO CONFORME A SÉRIE TEMPORAL RESPECTIVA. PRECEDENTES DESTA CORTE. DECISÃO COLEGIADA MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. Os embargos de declaração foram rejeitados (e-STJ fls. 792/797). Nas razões do recurso especial (e-STJ fls. 813/847), interposto com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da CF, a parte recorrente alegou dissídio jurisprudencial e violação: (i) do art. 421 do CC, pois (e-STJ fl. 822): .. o D. Juízo a quo incontroversamente invalidou um ato jurídico perfeito, justificando suas razões de decidir unicamente no fato de as taxas dos juros remuneratórios fixadas em contrato destoarem daquelas estabelecidas pelo Banco Central para o período, bem como determinou a adequação da taxa de juros pautada na "taxa média de mercado", sem ao menos considerar as particularidades da contratação em discussão, tampouco sem realizar uma detida e necessária análise quanto aos altos riscos da contratação em discussão. (ii) do art. 1.026, § 2º, do CPC/2015, porque (e-STJ fl. 834 ): .. os embargos de declaração opostos pela Recorrente não podem ser considerados manifestamente protelatórios e, portanto, não é possível a aplicação da multa estabelecida no artigo 1.026, § 2º do CPC/2015, visto que opostos com finalidade de prequestionar a matéria em discussão nos autos, circunstância que se enquadra na Súmula 98 desta Colenda Corte Cidadã .. No agravo (e-STJ fls. 979/988), afirma a presença dos requisitos de admissibilidade do especial. Contraminuta apresentada (e-STJ fls. 997/1.005). É o relatório. Decido. Ao apreciar a questão relativa aos juros remuneratórios, o Tribunal de origem concluiu pela abusividade da taxa contratada em comparação com a média mensal apurada pelo Banco Central para operações da mesma espécie no período da contratação, fundamentando o caráter abusivo dos juros remuneratórios no caso concreto (e-STJ fl. 770): Em atenção aos dados supra, obtempera-se haver sido ultrapassado em demasia os percentuais veiculados pela autarquia federal como médios à pactuação dos juros, à míngua de qualquer fundamento plausível a justificar a superação em mais que o triplo - por vezes o quádruplo - do referencial de mercado. É cogente, assim, o reconhecimento da abusividade. E as alegações tecidas pela requerida, genérica e abstratamente, a respeito da modalidade contratual celebrada não perfazem sustentação hábil, nos moldes supra alinhavados, a fazer comprovar em concreto a legitimidade dos índices convencionados. Vale enfatizar, nesse tocante, "que a Instituição Financeira nem sequer verteu qualquer explicação e muito menos justificativa para que a taxa de juros remuneratórios se afastasse da média de mercado, e o ônus probatório acerca de tal situação era exclusivamente de sua alçada, pois tem acesso a todas as avenças que celebrou" (STJ, AR Esp n. 2.603.061, rel. Min. João Otávio de Noronha, D Je de 25-4-2024). Logo, porquanto a requerida não se desincumbiu a contento do dever probatório a si atribuído, desponta injustificado o excesso de juros em face dos parâmetros consignados pelo Banco Central, pelo que falece de anteparo a aventada licitude das taxas contratuais. O entendimento está de acordo com a jurisprudência desta Corte. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. SUSPENSÃO DA AÇÃO. INAPLICABILIDADE. JUSTIÇA GRATUITA. AUSÊNCIA DE PROVEITO PARA A PARTE. MÉRITO. JUROS REMUNERATÓRIOS. CRÉDITO CONSIGNADO. NATUREZA ABUSIVA. TAXA MÉDIA DE MERCADO. REFERENCIAL. SÚMULA N. 83 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. .. 3. "É admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações excepcionais, desde que caracterizada a relação de consumo e que a abusividade (capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada art. 51, § 1º, do CDC) fique cabalmente demonstrada, ante às peculiaridades do julgamento em concreto" (REsp 1.061.530/RS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, julgado em 22/10/2008, DJe 10/03/2009) 4. A taxa média de mercado apurada pelo Banco Central para cada segmento de crédito é referencial útil para o controle do abuso da taxa de juros remuneratórios contratada. Precedentes. 5. "Em qualquer hipótese, é possível a correção para a taxa média se for verificada abusividade nos juros remuneratórios praticados" (REsp n. 1.112.879/PR, relatora Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, julgado em 12/5/2010, DJe de 19/5/2010). 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.427.734/RS, de minha relatoria, Quarta Turma, julgado em 26/02/2024, DJe 29/02/2024.) Ainda, desconstituir a convicção formada pelas instâncias ordinárias quanto às peculiaridades do contrato e à ausência de prova por parte da recorrente e, assim, acolher os argumentos do recurso especial é inviável, em razão das Súmulas n. 5 e 7 do STJ. O Tribunal de origem aplicou a multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC (e-STJ fl. 794): No caso em apreço, não foi demonstrada qualquer das hipóteses de cabimento previstas no rol do artigo 1.022 do Código de Processo Civil, tratando-se de mero inconformismo com o mérito da decisão prolatada. É inconteste, pois, a intenção meramente protelatória da parte, que objetiva procrastinar o andamento do feito com o manejo de embargos de declaração manifestamente incabíveis, razão pela qual se impõe a sua condenação na multa prevista no § 2º do artigo 1.026 do Código de Processo Civil. Relativamente à suscitada infração ao art. 1.026, § 2º, do CPC/2015, quanto à multa aplicada em sede dos primeiros embargos de declaração, assiste razão à parte. A interposição dos aclaratórios, na Corte de origem, decorreu do exercício do direito de insurgir-se da parte, além do intuito de prequestionar matéria relevante para futuro recurso especial. Logo, deve ser afastada a multa aplicada, conforme as Súmulas n. 98 e 568 do STJ: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MULTA. ART. 1.026, § 2º, DO CPC/2015. OPOSIÇÃO DE ACLARATÓRIOS COM O OBJETIVO DE PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA DE CARÁTER PROTELATÓRIO. DECISÃO MANTIDA. 1. "A oposição de embargos de declaração, com nítido fim de prequestionamento, não possui caráter protelatório, não ensejando a aplicação da multa prevista no art. 1.026, §2º, do CPC/2015, nos termos da Súmula 98 do STJ" (AgInt no AREsp n. 2.000.528/MG, Relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 2/5/2022, DJe de 6/5/2022). 2. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.735.672/MT, de minha relatoria, Quarta Turma, julgado em 13/11/2023, DJe de 20/11/2023.) Ante o exposto, CONHEÇO do agravo para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso especial, exclusivamente a fim de afastar a multa do art. 1.026, § 2º, do CPC/2015. Publique-se e intimem-se. EMENTA