REsp 2093347 - DECISAO
O STJ admitiu que o CDI pode ser pactuado como encargo financeiro, mas determinou que o Tribunal de origem reavalie a declaração de abusividade feita sem o cotejo exigido pela jurisprudência da Corte; assim, o recurso especial foi conhecido e provido para devolver os autos ao Tribunal de origem para novo julgamento...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: COOPERATIVA DE CRÉDITO, POUPANÇA E INVESTIMENTO CONEXÃO (SICREDI CONEXÃO)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 September 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Conhecimento E Provimento Com Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem Para Novo Julgamento
- Outcome
- Recurso especial conhecido e provido; autos devolvidos ao Tribunal de origem para novo julgamento à luz da jurisprudência do STJ
- Legal Topics
- Juros Remuneratórios, Cdi/cetip, Abusividade Contratual, Correção Monetária, Capitalização De Juros, Repetição De Indébito, Comissão De Permanência, Tarifas Bancárias
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Parties
COOPERATIVA DE CRÉDITO, POUPANÇA E INVESTIMENTO CONEXÃO (SICREDI CONEXÃO)
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Conhecimento E Provimento Com Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem Para Novo Julgamento
Legal Issues
- 1 validade da utilização do CDI como índice em contratos bancários
- 2 abusividade dos encargos financeiros e necessidade de cotejo com taxas médias divulgadas pelo Banco Central do Brasil
- 3 substituição do indexador CDI por IGP-M pelo Tribunal de origem
Ratio Decidendi
O STJ admitiu que o CDI pode ser pactuado como encargo financeiro, mas determinou que o Tribunal de origem reavalie a declaração de abusividade feita sem o cotejo exigido pela jurisprudência da Corte; assim, o recurso especial foi conhecido e provido para devolver os autos ao Tribunal de origem para novo julgamento conforme os parâmetros do STJ (verificação casuística da abusividade face às taxas médias do BACEN).
Court Disposition
Recurso especial conhecido e provido; autos devolvidos ao Tribunal de origem para novo julgamento à luz da jurisprudência do STJ
Orders
- Conheço do recurso especial e dou-lhe provimento.
- Determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que proceda a novo julgamento, avaliando eventual abusividade do somatório dos encargos contratados de acordo com os parâmetros estabelecidos pela jurisprudência do STJ.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por COOPERATIVA DE CRÉDITO, POUPANÇA E INVESTIMENTO CONEXÃO (SICREDI CONEXÃO) com fundamento no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul em apelação cível nos autos de ação revisional. O julgado foi assim ementado (fl. 492-493): APELAÇÃO CÍVEL NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. AÇÃO REVISIONAL. JUROS REMUNERATÓRIOS. Os juros remuneratórios cobrados por instituições financeiras devem obedecer às estipulações do Conselho Monetário Nacional, por força do enunciado nº 596 da Súmula do STF. Consoante orientação emanada pelo Superior Tribunal de Justiça, nos moldes do art. 543-C do Código de Processo Civil de 1973 (R Esp. n. 1.061.530/RS), a caracterização da abusividade do contrato com relação aos juros remuneratórios depende da comprovação cabal de que estão sendo cobradas taxas que excedam significativamente a média de mercado. Incumbe ao devedor provar que o percentual pactuado discrepa da praxis do mercado. Caso em que não restou caracterizada a abusividade no contrato de abertura de crédito. CAPITALIZAÇÃO DOS JUROS. Desde que pactuada, é possível a capitalização mensal de juros em contratos bancários celebrados após o advento da Medida Provisória n. 1.963-17/2000. Caso em que há previsão de capitalização mensal na avença. CDI/CETIP. É abusiva a imposição de correção monetária pelo CDI/CETIP no período da normalidade e inadimplência. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO. É cabível a repetição simples dos valores que tenham sido indevidamente cobrados, independentemente da prova de erro ou de má-fé por parte do banco. Outrossim, a compensação decorre da Lei, conforme disposto nos artigos 368 e 369 do Código Civil. DERAM PARCIAL PROVIMENTO AO APELO. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 543-551). No recurso especial, a parte aponta, além de divergência jurisprudencial, violação dos arts. 169 e 884 do CC e 10, caput, VI, da Lei n. 4.595/1964, porquanto o Tribunal de origem declarou nula a cláusula que fixa os encargos financeiros atrelados à Taxa CDI e determinou a substituição pelo IGP-M, defendendo a prevalência da taxa média de mercado fixada pelo BACEN, evitando o enriquecimento sem causa da parte recorrida. Sustenta que o Tribunal de origem, ao entender pela abusividade da utilização do CDI como componente dos juros remuneratórios, divergiu de julgado do Tribunal de Justiça de São Paulo, que decidiu pela validade da cobrança de juros pela Taxa DI quando em sintonia com a média praticada pelo Banco Central do Brasil (Apelação n. 1129155-74.2016.8.26.0100). Requer o provimento do recurso para que se declare válida e legal a utilização da Taxa DI nos contratos bancários em análise. Não foram apresentadas contrarrazões, conforme a certidão de fl. 598. O recurso especial foi admitido (fls. 602-605). É o relatório. A controvérsia diz respeito a ação revisional em que a parte autora pleiteou a revisão dos encargos financeiros e repetição do indébito, em razão de alegada abusividade dos juros remuneratórios, da capitalização de juros e do percentual de comissão de permanência, bem como cobrança de tarifas abusivas. O valor da causa é de R$ 24.513,20. Na sentença, o Juízo de primeiro grau julgou parcialmente procedentes os pedidos para promover a parcial revisão e limitar a cobrança dos juros moratórios em 1% ao mês. A Corte estadual deu parcial provimento à apelação para afastar a incidência do CDI/CETIP e determinar sua substituição pelo IGP-M. I - Arts. 169 e 884 do CC e 10, caput, VI, da Lei n. 4.595/1964 No recurso especial, alega a parte recorrente que a utilização do CDI nos contratos bancários é permitida e que o Tribunal de origem desconsiderou a regulamentação da matéria pelo BACEN e pelo CMN. Alega ainda que a Súmula n. 176 do STJ não se aplica ao CDI, pois foi editada para notas e cédulas rurais, não se confundindo com a taxa AMBID. Argumenta que, ao declarar nula a cláusula que fixa os encargos financeiros atrelados à Taxa CDI e substituí-la pelo IGP-M, o acórdão recorrido violou os artigos mencionados. Defende que, se a cláusula é nula, deve prevalecer a taxa média de mercado fixada pelo BACEN, evitando o enriquecimento sem causa da parte recorrida. As duas Turmas que compõem a Segunda Seção no STJ firmaram entendimento no sentido de que não há obstáculo legal à estipulação dos encargos financeiros em contratos bancários com base no índice flutuante denominado certificado de depósito interbancário (CDI), acrescido de juros remuneratórios, sendo desimportante a nomenclatura adotada pelas partes ou pelos órgãos julgadores para definir a natureza jurídica de tal encargo (correção monetária, taxa remuneratória, encargo financeiro ou juros remuneratórios). Cumpre apenas verificar se o somatório dos encargos contratados não se revela abusivo, devendo eventual abuso ser observado caso a caso, em cotejo com as taxas médias de mercado regularmente divulgadas pelo Banco Central do Brasil para as operações de mesma espécie. Confiram-se precedentes: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL E BANCÁRIO. CERTIFICADO DE DEPÓSITO INTERBANCÁRIO (CDI). ÍNDICE FLUTUANTE QUE REFLETE A VARIAÇÃO DO CUSTO DA MOEDA NO MERCADO INTERBANCÁRIO. POSSIBILIDADE DE SUA UTILIZAÇÃO, SOMADA A JUROS REMUNERATÓRIOS, NOS CONTRATOS BANCÁRIOS. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. TAXA DIÁRIA. INFORMAÇÃO DEFICIENTE. ILEGALIDADE. 1. Em se tratando de serviços que tenham por objeto a captação de recursos ou concessão de empréstimos pelas instituições financeiras, o CDI é índice flutuante adequado para medir a variação do custo da moeda, uma vez que é o adotado no mercado interbancário ao qual recorrem as instituições financeiras no fechamento diário de suas operações. 2. Ao contrário do INPC e do IPCA, que são índices neutros de correção destinados a reajustar os contratos envolvendo bens e serviços em geral, o índice setorial que mede a variação do custo do dinheiro em negócios bancários é o CDI, do mesmo modo como INCC é o índice que mede a variação do custo dos insumos na construção civil. 3. Não há obstáculo legal à estipulação dos encargos financeiros em contratos bancários com base no índice flutuante CDI, acrescido de juros remuneratórios, sendo desimportante o nome atribuído a tal encargo (juros, correção monetária, "correção remuneratória"), cumprindo apenas verificar se a somatória dos encargos contratados não se revela abusiva, devendo eventual abuso ser observado caso a caso, em cotejo com as taxas médias de mercado regularmente divulgadas pelo Banco Central do Brasil para as operações de mesma espécie, o que não se evidencia na espécie. Precedente. 4. Insuficiência da informação acerca das taxas efetivas mensal e anual, na hipótese em que pactuada capitalização diária, sendo imprescindível, também, informação acerca da taxa diária de juros, a fim de se garantir ao consumidor a possibilidade de controle "a priori" do alcance dos encargos do contrato" (REsp n. 1.826.463/SC, Relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Segunda Seção, julgado em 14/10/2020, DJe 29/10/2020). 5. Agravo interno parcialmente provido. (AgInt no AREsp n. 2.318.994/SC, relator Ministro Marco Buzzi, relatora para acórdão Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 27/8/2024, DJe de 16/10/2024, destaquei.) AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. CÉDULAS DE CRÉDITO BANCÁRIO. CLÁUSULA QUE PREVÊ COMO ENCARGO FINANCEIRO VARIAÇÃO DO CERTIFICADO DE DEPÓSITO INTERBANCÁRIO (CDI) ACRESCIDA DE TAXA DE JUROS REMUNERATÓRIOS. LEGALIDADE DA PACTUAÇÃO. AGRAVO INTERNO PROVIDO PARA DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. 1. Têm-se como prequestionados os dispositivos legais de forma implícita, ou seja, ainda que não referidos diretamente no julgado, quando o acórdão recorrido emite juízo de valor fundamentado acerca das matérias por eles regidas. 2. No julgamento do Agravo Interno no Agravo em Recurso Especial nº 2.318.994/SC, Relatora para acórdão Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, finalizado na sessão do dia 27.08.2024, prevaleceu na Quarta Turma o entendimento de que não há obstáculo legal à estipulação dos encargos financeiros em contratos bancários com base no índice flutuante denominado Certificado de Depósito Interbancário (CDI), acrescido de juros remuneratórios, sendo desimportante a nomenclatura adotada pelas partes ou pelos órgãos julgadores para definir a natureza jurídica de tal encargo (correção monetária, taxa remuneratória, encargo financeiro ou juros remuneratórios). Cumpre apenas verificar se o somatório dos encargos contratados não se revela abusivo, devendo eventual abuso ser observado caso a caso em cotejo com as taxas médias de mercado regularmente divulgadas pelo Banco Central do Brasil para as operações de mesma espécie. 3. Não se verifica abuso na hipótese concreta, em que os encargos financeiros das cédulas de crédito bancário foram estipulados em percentual fixo de juros equivalentes a 0,2699%, acrescidos de 100% da variação do CDI. 4. Agravo interno provido para dar provimento ao recurso especial, a fim de admitir a cobrança do CDI. (AgInt no REsp n. 1.694.443/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 3/9/2024, DJe de 23/9/2024, destaquei.) CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DECLARATÓRIA C/C INDENIZATÓRIA. CONTRATO DE ASSESSORIA FINANCEIRA. RECURSO ESPECIAL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO VERIFICADA. JULGAMENTO CITRA E EXTRA PETITA NÃO CONFIGURADO. NULIDADE DA PERÍCIA POR FALTA DE QUALIFICAÇÃO TÉCNICA E PARCIALIDADE DO PERITO QUE NÃO PODE SER RECONHECIDA SEM OFENSA À SÚMULA Nº 7 DO STJ. PRESCRIÇÃO. TEMA COBERTO PELA PRECLUSÃO. FUNDAMENTO NÃO ATACADO. SÚMULA Nº 283 DO STF. CUMPRIMENTO ADEQUADO DAS OBRIGAÇÕES CONTRATUAIS. SÚMULAS NºS 5 E 7 DO STJ. INCIDÊNCIA DO CDI COMO ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA. DESCABIMENTO NO CASO. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Não se configura omissão, falta de fundamentação ou negativa de prestação jurisdicional quando o Tribunal estadual tenha decidido, fundamentadamente a questão submetida a juízo, apreciando por completo a controvérsia posta nos autos. 2. Apenas se verifica ofensa ao princípio da congruência quando o provimento judicial não observar o pedido, em sua interpretação lógico-sistemática, ou a causa de pedir, o que não se verifica na hipótese. 3. Não é possível modificar as conclusões do acórdão estadual a respeito da imparcialidade ou da qualificação técnica do perito sem revolver fatos e provas, o que veda a Súmula nº 7 do STJ. 4. As razões recursais não impugnaram todos os fundamentos declinados pelo acórdão recorrido para fixar o termo inicial do prazo prescricional, o que atrai a incidência da Súmula nº 283 do STF. 5. O acórdão estadual assinalou que, nos termos do contrato, a obrigação assumida pela parte era de meio, e não de resultado, sendo impossível modificar essa conclusão sem esbarrar nas Súmulas nº 5 e 7 do STJ. 6. Tratando-se de contratos bancários, não há obstáculo legal à estipulação dos encargos financeiros com base no índice flutuante CDI, acrescido de juros remuneratórios, sendo desimportante o nome atribuído a tal encargo (juros, correção monetária, "correção remuneratória"), cumprindo apenas verificar se a somatória dos encargos contratados não se revela abusiva, devendo eventual abuso ser observado caso a caso, em cotejo com as taxas médias de mercado regularmente divulgadas pelo Banco Central do Brasil para as operações de mesma espécie. Precedentes. 7. Em outras modalidades contratuais, porém, não é admissível a utilização do CDI como índice de correção monetária, em razão de sua natureza remuneratória. Precedentes. 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, parcialmente provido. (REsp n. 2.147.710/RJ, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 3/12/2024, DJEN de 6/12/2024, destaquei.) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS A EXECUÇÃO. ENCARGOS. CDI. CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO. CÉDULA DE CRÉDITO RURAL. ABUSIVIDADE. INOCORRÊNCIA. 1. Ação de embargos à execução. 2. Recurso especial interposto em: 06/07/2021. Concluso ao gabinete em: 20/01/2022. 3. O propósito recursal consiste em perquirir se é abusiva a aplicação dos Certificados de Depósito Interfinanceiro (CDI) como encargo de cédula de crédito bancário e de cédula de crédito rural, tendo em vista a disposição da Súmula nº 176 do STJ. 4. O art. 122 do Código Civil determina que são lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública ou aos bons costumes; entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico, ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes. 5. É firme a jurisprudência deste STJ no sentido de que eventual abusividade deve ser verificada casuisticamente, em função do percentual fixado pela instituição financeira. Precedentes. 6. Em se tratando de cédula de crédito bancário, tem sido firme este STJ no sentido de que não há vedação à adoção da variação dos Certificados de Depósitos Interbancários - CDI como encargo financeiro em contratos bancários, devendo o abuso ser observado na hipótese, em cotejo com as taxas médias de mercado regularmente divulgadas pelo Banco Central do Brasil para as operações de mesma espécie. 7. As cédulas de crédito rural, industrial e comercial se submetem a regramento próprio, que confere ao Conselho Monetário Nacional o dever de fixar os juros a serem praticados. Não havendo atuação do referido órgão, adota-se a limitação de 12% ao ano, prevista no Decreto nº 22.626/1933. Precedentes. 8. O art. 5º do Decreto-Lei nº 167/1967, ao determinar que as taxas de juros remuneratórios devem obedecer ao limite fixado pelo CMN, sem ressalvas quanto à possibilidade de livre pactuação, tem por objetivo evitar a fixação de taxas abusivas por parte das instituições financeiras e, simultaneamente, permitir certa flexibilidade, uma vez que o limite pode ser constantemente alterado pelo CMN. 9. O CMN, por meio do item 1 do MCR 6-3, autorizou que as partes, em cédulas de crédito rural com recursos não controlados, pactuem livremente as taxas de juros, mas permaneceu omisso quanto à fixação de um limite, de modo que, não havendo limite estabelecido pelo CMN, as taxas acordadas entre as partes não podem ultrapassar o limite de 12% ao ano, conforme previsto no Decreto nº 22.626/1933. 10. A mera indexação da CDI em cédulas de crédito rural, não configura abusividade, haja vista que o consignado nesta Corte Superior é que a limitação deve ser de 12% ao ano. 11. Recurso especial provido. (REsp n. 1.978.445/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 25/10/2022, DJe de 28/10/2022, destaquei.) No caso dos autos, o Tribunal de origem considerou a adoção da variação do CDI para fins de atualização monetária como abusiva, apenas mencionando a Súmula n. 176 do STJ, que estabelece que é nula a cláusula contratual que sujeita o devedor à taxa de juros divulgada pela ANBID/CETIP. Diante disso, afastou a incidência do CDI e, em sua substituição, fixou a incidência do IGP-M. Confira-se trecho do acórdão da apelação (fl. 488): Quanto à adoção da variação do CDI para fins de atualização monetária do débito, é caso de acolhimento do recurso. A jurisprudência desta Corte é no sentido do descabimento da correção monetária por meio do indexador CDI, por tratar-se de cláusula nitidamente abusiva. Nesse sentido, aliás, a Súmula n. 176, do Superior Tribunal de Justiça, é nula a clausula contratual que sujeita o devedor a taxa de juros divulgada pela ANBID/CETIP. Destarte, tem-se que é nula e, portanto, inexistente, a cláusula do contrato que estipulou a remuneração do mútuo por meio de aplicação de taxa divulgada pela CETIP. Nesse sentido, é de ser afastada a incidência da CDI/CETIP. Em sua substituição, caberá a incidência do IGP-M (e não a TR ou o INPC como postula a apelante), índice que melhor recompõe o valor do débito. A propósito, salienta-se que o IGP-M reflete adequadamente a inflação do mercado, compreende os índices oficiais do Governo, e que há muito foi eleito o indexador aplicável para atualização monetária de condenações judiciais. Esse entendimento não está de acordo com a jurisprudência do STJ, que admite a utilização do CDI como encargo financeiro do contrato bancário, independentemente do nome atribuído (correção monetária, taxa remuneratória, encargo financeiro ou juros remuneratórios), cumprindo apenas verificar se a somatória dos encargos contratados não se revela abusiva em comparação com operações da mesma espécie. Dessa forma, é necessário o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que, à luz dos requisitos estabelecidos pela jurisprudência do STJ, proceda a novo julgamento, considerando as particularidades do caso concreto. II - Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso especial e dou-lhe provimento para determinar a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que novo julgamento seja realizado, avaliando-se eventual abusividade decorrente do somatório dos encargos contratados de acordo com os parâmetros estabelecidos pela jurisprudência do STJ. Publique-se. Intimem-se. EMENTA