AREsp 1866744 - DECISAO
O agravo foi negado porque o acórdão recorrido aplicou jurisprudência consolidada de recursos repetitivos e analisou provas com conclusão de inexistência de abusividade dos juros e de capitalização (esta expressamente pactuada); tais matérias envolvem valoração probatória vedada em recurso especial pelas Súmulas n....
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 June 2021
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos / Julgamento Do Agravo (decisão Que Nega Provimento)
- Outcome
- Negado provimento ao agravo
- Legal Topics
- Juros Remuneratórios, Capitalização De Juros, Mora Contratual, Recursos Repetitivos, Súmulas
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Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos / Julgamento Do Agravo (decisão Que Nega Provimento)
Legal Issues
- 1 Admissibilidade do recurso especial
- 2 Limitação dos juros remuneratórios em contratos bancários
- 3 Possibilidade de capitalização mensal de juros
Ratio Decidendi
O agravo foi negado porque o acórdão recorrido aplicou jurisprudência consolidada de recursos repetitivos e analisou provas com conclusão de inexistência de abusividade dos juros e de capitalização (esta expressamente pactuada); tais matérias envolvem valoração probatória vedada em recurso especial pelas Súmulas n. 5 e 7 do STJ, além da incidência da Súmula n. 83/STJ no tocante à configuração da mora.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Majorar em 20% o valor atualizado dos honorários advocatícios arbitrados na origem, nos termos do art. 85, §11, do CPC/2015, observados os §§2º e 3º do dispositivo.
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos interposto contra decisão que inadmitiu recurso especial sob os seguintes fundamentos: (a) impossibilidade de apreciar alegação de ofensa a dispositivo constitucional no âmbito do recurso especial, (b) observância, pelo aresto impugnado, da jurisprudência firmada em julgamento de recurso especial representativo de controvérsia e (c) aplicação das Súmulas n. 5, 7 e 83 do STJ e 282 e 356 do STF. O acórdão recorrido está assim ementado (e-STJ fls. 231/232): APELAÇÃO CÍVEL. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. AÇÃO REVISIONAL. 1. Preliminar: deve ser rejeitada a preliminar de nulidade da sentença, tendo em vista que, embora de forma sucinta, o Julgador de origem apreciou os pedidos de revisão formulados pela parte autora/recorrente, tendo havido enfrentamento das questões em observância ao disposto no art. 489, § 1º, do CPC. 2. Juros remuneratórios: a alteração da taxa de juros remuneratórios, em se tratando de pacto firmado por instituição cadastrada no sistema financeiro nacional, depende da demonstração cabal de sua abusividade em relação à taxa média do mercado estabelecida pelo Banco Central para o período, o que não se verifica no caso em apreço. 3. Capitalização dos juros: a capitalização dos juros, em periodicidade mensal, é admitida, em caso de expressa estipulação em contrato ou quando a taxa de juros anual for superior ao duodécuplo da mensal, e desde que o pacto tenha sido firmado após 31/03/2000, nos termos da Medida Provisória n. 1.963, reeditada sob o n. 2.170- 36/2001. 4. Comissão de permanência: quando pactuada, é permitida a cobrança de comissão de permanência, a partir da configuração da mora. Ademais, a cobrança da comissão de permanência não deve ser cumulada com correção monetária, juros de mora, multa ou com juros remuneratórios (Súmulas n.º 30, 294, 296 e 472). Caso em que, como não restou prevista a incidência de comissão de permanência, deve ser desprovido o recurso. 5. Mora contratual: a descaracterização da mora está relacionada ao afastamento dos encargos incidentes no período da normalidade, o que não ocorreu, não havendo falar em vedar a inscrição nos cadastros restritivos de crédito em caso de inadimplemento. 6. Compensação e/ou repetição: não tendo havido revisão das cláusulas contratuais,resta prejudicado o pedido de compensação e/ou repetição de valores. 7. Suspensão dos descontos: deve ser rejeitado o pedido de suspensão dos descontos em folha de pagamento, tendo em vista a inexistência de revisão dos encargos contratuais e a impossibilidade de alteração da forma de pagamento pactuada entre as partes. PRELIMINAR REJEITADA. APELAÇÃO DESPROVIDA. No recurso especial (e-STJ fls. 244/259), fundamentado no art. 105, III, "a" e "c", da CF, orecorrente alegou, além de dissídio jurisprudencial, ofensa aos arts. 47 e 51, IV, § 1º, III, do CDC e 28, § 1º, I, da Lei n. 10.931/2004, sustentando, em síntese,a limitação dos juros remuneratórios, o descabimento da capitalização mensal dos juros e a descaracterização da mora do devedor. O agravo (e-STJ fls. 366/378) refuta os fundamentos da decisão agravada e alega o cumprimento de todos requisitos legais para recebimento do especial. Não foi apresentada contraminuta (e-STJ fl. 380). É o relatório. Decido. Juros remuneratórios No julgamento do Recurso Especial n. 1.061.530/RS (Relatora Ministra NANCY ANDRIGHI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 10/3/2009), submetido à sistemática dos recursos repetitivos (art. 543-C do CPC/1973), esta Corte Superior consolidou aseguinteorientação sobre juros remuneratórios em contratos bancários: ORIENTAÇÃO 1 - JUROS REMUNERATÓRIOS a) As instituições financeiras não se sujeitam à limitação dos juros remuneratórios estipulada na Lei de Usura (Decreto 22.626/33), Súmula 596/STF;b) A estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano, por si só, não indica abusividade; c) São inaplicáveis aos juros remuneratórios dos contratos de mútuo bancário as disposições do art. 591 c/c o art. 406 do CC/02; d) É admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações excepcionais, desde que caracterizada a relação de consumo e que a abusividade (capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada - art. 51, §1º, do CDC) fique cabalmente demonstrada, ante às peculiaridades do julgamento em concreto. Portanto, não há óbice à revisão contratual, com fundamento no CDC (Súmula n. 297/STJ), nas hipóteses em que, após dilação probatória, ficar cabalmente demonstrada a abusividade da cláusula de juros, sendo insuficiente o fato de o índice estipulado ultrapassar 12% (doze por cento) ao ano (Súmula n. 382/STJ), ou de haver estabilidade inflacionária no período. A taxa média de mercado apurada pelo Banco Central, para operações similares na mesma época do empréstimo, pode ser utilizada como referência no exame do desequilíbrio contratual, mas não constitui valor absoluto a ser adotado em todos os casos. Com efeito, a variação dos juros praticados pelas instituições financeiras decorre de diversos aspectos e especificidades das múltiplas relações contratuais existentes (tipo de operação, prazo, reputação do tomador, garantias, políticas de captação e empréstimo, aplicações da própria entidade financeira etc.). O acórdão ora recorrido - mediante a análise da prova dos autos, cuja revisão em recurso especial encontra óbice nas Súmulas n. 5 e 7 do STJ - afirmou que (e-STJ fl. 235): Destaco que esta Câmara pauta-se no sentido de considerar como discrepantes os juros remuneratórios estabelecidos em contrato bancários quando fixados em patamares superiores a "uma vez e meia" da média de mercado, esta apurada pelo Banco Central do Brasil - BACEN1 para operações financeiras similares. No caso em apreço, consoante se verifica das próprias razões recursais da parte autora/recorrente, não há abusividade na taxa de juros prevista no contrato (28,92% ao ano), tendo em vista que se encontra apenas um pouco acima da média de mercado (27,21% ao ano), impondo- se o desprovimento do recurso no tópico. Em tais circunstâncias, deve ser mantida a cláusula de juros prevista no contrato, por inexistir significativa discrepância entre a média de mercado e o índice pactuado, que não chega a ultrapassar uma vez e meia o percentual médio divulgado pelo Bacen. Apresentada a questão nesses termos, conclui-se que, no ponto, o recurso encontra óbice na Súmula n. 83/STJ. Capitalização de juros A Segunda Seção desta Corte, no julgamento do REsp n. 973.827/RS (Relatora para o acórdão a Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, julgado em 8/8/2012, DJe 24/9/2012), submetido ao rito dos recursos especiais repetitivos (art. 543-C do CPC/1973), consolidou o seguinte entendimento sobre a capitalização de juros: É permitida a capitalização de juros com periodicidade inferior a um ano em contratos celebrados após 31/3/2000, data da publicação da Medida Provisória n. 1.963-17/2000 (em vigor como MP 2.170-36/2001), desde que expressamente pactuada. A capitalização dos juros em periodicidade inferior à anual deve vir pactuada de forma expressa e clara. A previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao duodécuplo da mensal é suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual contratada. No presente caso, ficou expressamente consignado no acórdão recorrido a previsão contratual de capitalização de juros (e-STJ fl. 236). De modo que a alteração de tal premissa em recurso especial encontra óbice nas Súmulas n. 5 e 7 do STJ. Nesse contexto, aplica-se a Súmula n. 83/STJ. Caracterização da mora O Superior Tribunal de Justiça, quando do julgamento do Recurso Especial n. 1.061.530/RS (Relatora Ministra NANCY ANDRIGHI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 10/3/2009), submetido à sistemática dos recursos repetitivos (art.543-C do CPC/1973), estabeleceu que: ORIENTAÇÃO 2 - CONFIGURAÇÃO DA MORA a) O reconhecimento da abusividade nos encargos exigidos no período da normalidade contratual (juros remuneratórios e capitalização) descaracteriza a mora; b) Não descaracteriza a mora o ajuizamento isolado de ação revisional, nem mesmo quando o reconhecimento de abusividade incidir sobre os encargos inerentes ao período de inadimplência contratual. No caso concreto, não foi reconhecida a abusividade dos juros remuneratórios, da capitalização ou de outros encargos exigidos no período da normalidade, devendo ser afastada a descaracterização da mora. Sobre o tema: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRATO BANCÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. LIMITAÇÃO DE JUROS REMUNERATÓRIOS. ABUSIVIDADE. AUSÊNCIA. CONFIGURAÇÃO (CARACTERIZAÇÃO) DA MORA. ENCARGOS DO PERÍODO DE NORMALIDADE CONTRATUAL. REGULARIDADE. PRORROGAÇÃO DE DÍVIDA RURAL. REEXAME DE PROVAS. FALTA DE IMPUGNAÇÃO A FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. 1. O reconhecimento da validade dos encargos financeiros exigidos no período da normalidade contratual (juros remuneratórios e capitalização) implica a caracterização da mora. Precedentes. (..) 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.180.681/PR, Relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 21/3/2019, DJe 27/3/2019.) Assim, deve ser reconhecida novamente a aplicação da Súmula n. 83/STJ. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, majoro em 20% (vinte por cento) o valor atualizado dos honorários advocatícios arbitrados na origem em favor do patrono da parte recorrida, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo. Deferida a gratuidade da justiça na instância ordinária, deve ser observada a regra do § 3º do art. 98 do CPC/2015. Publique-se e intimem-se.