AREsp 1890014 - DECISAO
O agravo foi conhecido para indeferir o recurso especial porque a recorrente não indicou com precisão os dispositivos legais supostamente violados e não comprovou o dissídio jurisprudencial por meio do cotejo analítico exigido, atraindo a aplicação da Súmula n. 284/STF; por consequência, não se conheceu do recurso...
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- Parties
- Agravante: IRIA MARIA WINCK
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 August 2021
- Procedural Posture
- Agravo / Admissibilidade De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
- Legal Topics
- Juros Remuneratórios, Tarifas Bancárias, Capitalização De Juros, Comissão De Permanência, Dissídio Jurisprudencial, Súmula 284/stf, Honorários Advocatícios
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Parties
IRIA MARIA WINCK
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Admissibilidade De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 ilegalidade da cobrança de tarifas bancárias
- 2 limitação dos juros remuneratórios à taxa média de mercado divulgada pelo BACEN
- 3 capitalização de juros em período inferior ao anual prevista em contrato
Ratio Decidendi
O agravo foi conhecido para indeferir o recurso especial porque a recorrente não indicou com precisão os dispositivos legais supostamente violados e não comprovou o dissídio jurisprudencial por meio do cotejo analítico exigido, atraindo a aplicação da Súmula n. 284/STF; por consequência, não se conheceu do recurso especial e majorou-se os honorários em 15%.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial
Orders
- Majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por IRIA MARIA WINCK contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a" e alínea "c" da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL, assim resumido: APELAÇÃO CÍVEL AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO - PRELIMINAR DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE - REJEITADA MÉRITO CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO LIMITAÇÃO JUROS REMUNERATÓRIOS - ABUSIVIDADE NÃO VERIFICADA - MATÉRIA JULGADA ATRAVÉS DO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS CAPITALIZAÇÃO DE JUROS EM PERÍODO INFERIOR AO ANUAL EXPRESSAMENTE CONTRATADA - MANTIDA COMISSÃO DE PERMANÊNCIA - AUSÊNCIA DE PREVISÃO CONTRATUAL - TARIFA DE ABERTURA DE CADASTRO RECURSO DESPROVIDO Quanto à primeira controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, alega a ilegalidade das tarifas cobradas e à necessidade de que os juros remuneratórios sejam limitados à taxa média de mercado, trazendo os seguintes argumentos: Os juros remuneratórios cobrados pela casa bancária estão acima da taxa média de mercado, demonstrando a abusividade, merecendo, portanto, reforma a r. sentença recorrida. A Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do RESp n.º 1.061.530/RS, da relatoria da Ministra Nancy Andrighi, assentou a seguinte orientação: .. Por tais motivos, requer seja a taxa de juros remuneratórios limitada à média divulgada no site do BACEN (http://www.bcb.gov.br/ TXJUROS), conforme vem decidindo o nosso Tribunal. .. Portanto, vê-se que a decisão do julgador de primeiro grau contrariou o entendimento do STJ, eis que o STJ entendeu que os juros cobrados pela casa bancária não estão liberados, devendo ser limitados de acordo com a taxa média de mercado. .. Como dito, prevê o contrato a incidência destas tarifas ilegais, devendo, portanto, ser reconhecida que tal cobrança é ilegal, mesmo que constante do contrato, eis que imposta a cobrança pela casa bancária, e determinar a restituição de valores. Foi cobrado da Recorrente, os seguintes valores, conforme fls. 145-146: .. Tais tarifas não devem ser cobradas do consumidor, porque constituem despesas inerentes à própria atividade da requerida. Uma empresa não pode pretender repassar ao consumidor os custos ínsitos à atividade comercial desenvolvida. Para fazer frente a tais custos, a empresa deve estruturar-se, e não pretender subtrair de cada consumidor quantias a título de "tarifa", ou qualquer outra denominação que se lhe dê. .. Portanto, deve ser reconhecida como ilegal a cobrança de tais tarifas. Assim, faz jus a recorrente à procedência dos pedidos iniciais deduzidos, mediante o total provimento do presente apelo extremo, conforme restou demonstrado através da comparação com os casos análogos citados alhures (fls. 274/278). Quanto à segunda controvérsia, pela alínea "c" do permissivo constitucional, alega dissídio jurisprudencial. É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais que teriam sido violados, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4/5/2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29/6/2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14/8/2020; REsp n. 1.114.407/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18/12/2009; e AgRg no EREsp n. 382.756/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17/12/2009. Quanto à segunda controvérsia, na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar com precisão quais dispositivos legais seriam objeto de dissídio interpretativo, o que atrai, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nessa linha, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou no sentido de que, "uma vez observado, no caso concreto, que nas razões do recurso especial não foram indicados os dispositivos de lei federal acerca dos quais supostamente há dissídio jurisprudencial, a única solução possível será o não conhecimento do recurso por deficiência de fundamentação, nos termos da Súmula 284/STF". (AgRg no REsp 1.346.588/DF, relator Ministro Arnaldo Esteves Lima, Corte Especial, DJe de 17/3/2014.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.616.851/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; AgInt no AREsp 1.518.371/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 15/5/2020; AgInt no AREsp 1.552.950/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 8/5/2020; AgInt no AREsp 1.023.256/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 24/4/2020; e AgInt nos EDcl no AREsp 1.510.607/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 1º/4/2020. Ademais, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, uma vez que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige a transcrição de trechos dos julgados confrontados, bem como a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e os paradigmas indicados. Nesse sentido: "O dissídio jurisprudencial não foi comprovado, pois a parte agravante não efetuou o devido cotejo analítico entre as hipóteses apresentadas como divergentes, com transcrição dos trechos dos acórdãos confrontados, bem como menção das circunstâncias que os identifiquem ou assemelhem, nos termos dos arts. 541, parágrafo único, do CPC/1973 (ou 1.029, § 1º, do CPC/2015) e 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ". (AgInt no REsp n. 1.840.089/CE, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 8/6/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no REsp n. 1.849.315/SP, relator Ministro Marcos Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º/8/2020; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.617.771/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 13/8/2020; AgRg no AREsp n. 1.422.348/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.456.746/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 3/6/2020. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se.