AREsp 2507851 - DECISAO
Houve dissonância entre o acórdão do Tribunal de origem e a jurisprudência dominante do STJ porque o Tribunal limitou-se a cotejar a taxa contratada com a taxa média do BACEN sem realizar a necessária fundamentação concreta sobre as peculiaridades do caso; por isso o STJ conheceu e deu provimento ao recurso...
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- Parties
- Agravante: COOPERATIVA DE CREDITO DOS EMPRESARIOS E EMPREGADOS DOS TRANSPORTES E CORREIOS DO SUL DO BRASIL -TRANSPOCRED; Autor: GIL INDÚSTRIA COMÉRCIO E TRANSPORTES DE ESTOFADOS LTDA.; Autores: OUTROS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 February 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial (sobre Recurso Especial) / Decisão Que Conheceu Do Agravo, Conheceu E Deu Provimento Ao Recurso Especial, Determinando O Retorno Dos Autos Às Instâncias Ordinárias Para Novo Julgamento Da Apelação À Luz Da Jurisprudência Do STJ
- Outcome
- Agravo conhecido; recurso especial conhecido e provido; autos remetidos de volta às instâncias ordinárias para novo julgamento da apelação à luz da jurisprudência do STJ.
- Legal Topics
- Juros Remuneratórios, Abusividade Contratual, Taxa Média De Mercado Do BACEN, Revisão Contratual, Recursos Especiais E Agravo Em Recurso Especial, Súmula 568/stj
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Parties
COOPERATIVA DE CREDITO DOS EMPRESARIOS E EMPREGADOS DOS TRANSPORTES E CORREIOS DO SUL DO BRASIL -TRANSPOCRED
Agravante
GIL INDÚSTRIA COMÉRCIO E TRANSPORTES DE ESTOFADOS LTDA.
Autor
OUTROS
Autores
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial (sobre Recurso Especial) / Decisão Que Conheceu Do Agravo, Conheceu E Deu Provimento Ao Recurso Especial, Determinando O Retorno Dos Autos Às Instâncias Ordinárias Para Novo Julgamento Da Apelação À Luz Da Jurisprudência Do STJ
Legal Issues
- 1 Se a simples comparação entre a taxa contratada e a taxa média de mercado divulgada pelo Banco Central é suficiente para declarar a abusividade dos juros remuneratórios
- 2 Quais os requisitos e o padrão de fundamentação exigidos pelo STJ para revisão das taxas de juros remuneratórios em contratos bancários
- 3 Aplicação da Súmula 568/STJ em face de dissonância entre acórdão regional e jurisprudência do STJ
Ratio Decidendi
Houve dissonância entre o acórdão do Tribunal de origem e a jurisprudência dominante do STJ porque o Tribunal limitou-se a cotejar a taxa contratada com a taxa média do BACEN sem realizar a necessária fundamentação concreta sobre as peculiaridades do caso; por isso o STJ conheceu e deu provimento ao recurso especial, aplicando a Súmula 568/STJ e determinando o retorno dos autos às instâncias ordinárias para novo julgamento conforme os parâmetros da Corte (requisitos e fundamentação exigidos para revisão de juros remuneratórios).
Court Disposition
Agravo conhecido; recurso especial conhecido e provido; autos remetidos de volta às instâncias ordinárias para novo julgamento da apelação à luz da jurisprudência do STJ.
Orders
- Conhecer do agravo em recurso especial
- Conhecer e dar provimento ao recurso especial
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo em recurso especial interposto por COOPERATIVA DE CREDITO DOS EMPRESARIOS E EMPREGADOS DOS TRANSPORTES E CORREIOS DO SUL DO BRASIL -TRANSPOCRED, contra decisão que negou seguimento a recurso especial fundamentado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional. Agravo em recurso especial interposto em: 28/07/2023. Concluso ao gabinete em: 05/02/2024. Ação: revisional, ajuizada por GIL INDÚSTRIA COMÉRCIO E TRANSPORTES DE ESTOFADOS LTDA. e OUTROS, em face do agravante, fundada na abusividade contratual. Sentença: julgou parcialmente procedentes os pedidos, para declarar a nulidade das cláusulas que estabeleçam a cobrança de juros remuneratórios superiores à taxa média de mercado nas operações da mesma espécie à época do pacto e condenar a agravante à restituição do valor devido em razão da cobrança dos encargos abusivos, admitida a compensação com o saldo devedor, além de afastar a mora. Acórdão: deu parcial provimento à apelação da agravante, para manter caracterizada a mora contratual, nos termos da seguinte ementa: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REVISIONAL. CONTRATO DE FINANCIAMENTO COM ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA. SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA. INSURGÊNCIA DA PARTE REQUERIDA. JUROS REMUNERATÓRIOS. UTILIZAÇÃO DA TAXA MÉDIA DE MERCADO DIVULGADA PELO BACEN COMO REFERENCIAL PARA A CONSTATAÇÃO DA ABUSIVIDADE. SÚMULA 296 ERESP REPETITIVO N. 1.061.530/RS, AMBOS DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ENUNCIADOS I E IV DO GRUPO DE CÂMARAS DE DIREITO COMERCIAL DESTE E. TRIBUNALDE JUSTIÇA. PERCENTUAL PACTUADO ACIMA DA MÉDIA DE MERCADO. ABUSIVIDADE EVIDENCIADA. SENTENÇA MANTIDA. PLEITO DE MANUTENÇÃO DA MORA. CABIMENTO. INADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL DA OBRIGAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DEPÓSITO DO VALOR INCONTROVERSO DA DÍVIDA. PRECEDENTES DA CÂMARA. RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO. Embargos de declaração: opostos pela agravante, foram rejeitados. O Tribunal de origem consignou o seguinte (e-STJ, fls. 273/275): Da leitura do julgado é possível perceber que a questão atinente à abusividade da taxa de juros remuneratórios foi devidamente analisada, restando esclarecido que: a) a taxa média de mercado é um parâmetro para aferir a dita abusividade; b) deve ser realizada a comparação entre o índice negociado e a média de mercado, ficando, então, demonstrada a suposta abusividade e o desequilíbrio contratual, caso a caso; e c) dentro da oscilação permitida, a discrepância in casu se revelou significativa, o que configurou a abusividade. Retira-se do acórdão: (..) Com efeito, conforme já esclarecido e dito até mesmo pela embargante, a taxa média de mercado divulgada pelo Banco Central do Brasil constitui um parâmetro para aferição da abusividade, não sendo, no entanto, um valor estanque, o que admite uma faixa razoável de variação, "mas cabe somente ao juiz, no exame das peculiaridades do caso concreto, avaliar se os juros contratados foram ou não abusivos" (REsp n. 1.061.530/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, julgado em 22/10/2008, DJe de 10/3/2009). Outrossim, importante esclarecer que os órgãos do Poder Judiciário estaduais são independentes entre si, sendo natural a existência de entendimentos distintos sobre a mesma matéria. Nesse contexto, por ser a taxa média de mercado apenas um referencial, que depende do caso concreto para afirmar a abusividade, não há como estabelecer critérios objetivos-quantitativos, apenas a análise do caso em si indicará se há, ou não, abusividade, dentro do poder discricionário conferido ao julgador. Nessa toada, nota-se que o acórdão embargado até cita o Recurso Especial Repetitivo n. 1.061.530/RS em sua fundamentação. No mais, o decisum não vai de encontro a nenhuma das teses firmadas no citado repetitivo, em relação aos juros remuneratórios. Veja-se: (..) Tem-se, destarte, que o Superior Tribunal de Justiça não definiu um critério objetivo ou um patamar para aferição da abusividade, porque, senão, estaria decidindo contrariamente à definição já criada da taxa média de mercado apenas como parâmetro. Recurso especial: alega violação dos arts. 1º e 4º, XI, da Lei 4.595/64, e dos arts. 39, 51 e 52, II, do CDC, além de dissídio jurisprudencial. Sustenta que não seria possível a utilização apenas da taxa média divulgada pelo Bacen como único fator de consideração para declarar como abusivas as taxas de juros remuneratórios contratadas. Aduz que o Tribunal de origem teria estabelecido, de forma absoluta, um critério de abusividade, sem minimamente analisar a realidade da contratação, a inadimplência anterior e seu consequente risco, a natureza específica de cada operação, entre outros critérios É O RELATÓRIO. DECIDO. - Dos juros remuneratórios (Súmula 568/STJ) A Segunda Seção do STJ, no REsp 1.061.530/RS, DJe de 10/03/2009, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, entende que é admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações excepcionais, desde que caracterizada a relação de consumo e que a abusividade capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada (art. 51, §1 º, do CDC) fique cabalmente demonstrada, ante às peculiaridades do julgamento em concreto. A taxa de juros remuneratórios, verificada sua abusividade, deve ser limitada à taxa média de mercado, divulgada pelo Banco Central do Brasil. Cumpre ressaltar que no referido julgamento, quanto à análise da abusividade dos juros remuneratórios e da taxa média divulgada pelo Banco Central, a Segunda Seção consignou o seguinte: Necessário tecer, ainda, algumas considerações sobre parâmetros que podem ser utilizados pelo julgador para, diante do caso concreto, perquirir a existência ou não de flagrante abusividade. (..) As informações divulgadas por aquela autarquia, acessíveis a qualquer pessoa através da rede mundial de computadores (conforme http://www.bcb.gov.br/ ecoimpom - no quadro XLVIII da nota anexa; ou http://www.bcb.gov.br/ TXCREDMES, acesso em 06.10.2008), são segregadas de acordo com o tipo de encargo (prefixado, pós-fixado, taxas flutuantes e índices de preços), com a categoria do tomador (pessoas físicas e jurídicas) e com a modalidade de empréstimo realizada ("hot money", desconto de duplicatas, desconto de notas promissórias, capital de giro, conta garantida, financiamento imobiliário, aquisição de bens, "vendor", cheque especial, crédito pessoal, entre outros). A taxa média apresenta vantagens porque é calculada segundo as informações prestadas por diversas instituições financeiras e, por isso, representa as forças do mercado. Ademais, traz embutida em si o custo médio das instituições financeiras e seu lucro médio, ou seja, um "spread" médio. É certo, ainda, que o cálculo da taxa média não é completo, na medida em que não abrange todas as modalidades de concessão de crédito, mas, sem dúvida, presta-se como parâmetro de tendência das taxas de juros. Assim, dentro do universo regulatório atual, a taxa média constitui o melhor parâmetro para a elaboração de um juízo sobre abusividade. Como média, não se pode exigir que todos os empréstimos sejam feitos segundo essa taxa. Se isto ocorresse, a taxa média deixaria de ser o que é, para ser um valor fixo. Há, portanto, que se admitir uma faixa razoável para a variação dos juros. A jurisprudência, conforme registrado anteriormente, tem considerado abusivas taxas superiores a uma vez e meia (voto proferido pelo Min. Ari Pargendler no REsp 271.214/RS, Rel. p. Acórdão Min. Menezes Direito, DJ de 04.08.2003), ao dobro (Resp 1.036.818, Terceira Turma, minha relatoria, DJe de 20.06.2008) ou ao triplo (REsp 971.853/RS, Quarta Turma, Min. Pádua Ribeiro, DJ de 24.09.2007) da média. Todavia, esta perquirição acerca da abusividade não é estanque, o que impossibilita a adoção de critérios genéricos e universais. A taxa média de mercado, divulgada pelo Banco Central, constitui um valioso referencial, mas cabe somente ao juiz, no exame das peculiaridades do caso concreto, avaliar se os juros contratados foram ou não abusivos. As duas Turmas de Direito Privado desta Corte Superior, nos termos do que restou consolidado no referido precedente, entendem que o simples fato de a taxa de juros remuneratórios praticada pela instituição financeira exceder a taxa média de mercado divulgada pelo Banco Central do Brasil, por si só, não indica abusividade, consistindo a referida taxa em um referencial a ser considerado, e não em um limite que deva ser necessariamente observado pelas instituições financeiras (REsp 2.009.614/SC, 3ª Turma, DJe de 30/09/2022). No mesmo sentido: REsp 1.821.182/RS, 4ª Turma, DJe de 29/06/2022; AgInt no REsp n. 1.977.593/SP, 3ª Turma, DJe de 22/06/2022. No julgamento do mencionado REsp 2.009.614/SC restou consignado que devem ser observados os seguintes requisitos para a revisão das taxas de juros remuneratórios: a) a caracterização de relação de consumo; b) a presença de abusividade capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada; e c) a demonstração cabal, com menção expressa às peculiaridades da hipótese concreta, da abusividade verificada, levando-se em consideração, entre outros fatores, a situação da economia na época da contratação, o custo da captação dos recursos, o risco envolvido na operação, o relacionamento mantido com o banco e as garantias ofertadas, revelando-se insuficiente, portanto, (I) a menção genérica às "circunstâncias da causa" - ou outra expressão equivalente -, (II) o simples cotejo entre a taxa de juros prevista no contrato e a média de mercado divulgada pelo BACEN e (III) a aplicação de algum limite adotado, aprioristicamente, pelo próprio Tribunal estadual. O precedente ficou assim ementado: RECURSO ESPECIAL. CONTRATO DE MÚTUO BANCÁRIO. JUROS REMUNERATÓRIOS. REVISÃO. CARÁTER ABUSIVO. REQUISITOS. NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA. 1- Recurso especial interposto em 19/4/2022 e concluso ao gabinete em 4/7/2022. 2- O propósito recursal consiste em dizer se: a) a menção genérica às "circunstâncias da causa" não descritas na decisão, acompanhada ou não do simples cotejo entre a taxa de juros prevista no contrato e a média praticada no mercado, é suficiente para a revisão das taxas de juros remuneratórios pactuadas em contratos de mútuo bancário; e b) qual o incide a ser aplicado, na espécie, aos juros de mora. 3- A Segunda Seção, no julgamento REsp n. 1.061.530/RS, submetido ao rito dos recursos especiais repetitivos, fixou o entendimento de que "é admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações excepcionais, desde que caracterizada a relação de consumo e que a abusividade (capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada - art. 51, § 1º, do CDC) fique cabalmente demonstrada, ante as peculiaridades do julgamento em concreto." 4- Deve-se observar os seguintes requisitos para a revisão das taxas de juros remuneratórios: a) a caracterização de relação de consumo; b) a presença de abusividade capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada; e c) a demonstração cabal, com menção expressa às peculiaridades da hipótese concreta, da abusividade verific ada, levando-se em consideração, entre outros fatores, a situação da economia na época da contratação, o custo da captação dos recursos, o risco envolvido na operação, o relacionamento mantido com o banco e as garantias ofertadas. 5- São insuficientes para fundamentar o caráter abusivo dos juros remuneratórios: a) a menção genérica às "circunstâncias da causa" - ou outra expressão equivalente; b) o simples cotejo entre a taxa de juros prevista no contrato e a média de mercado divulgada pelo BACEN e c) a aplicação de algum limite adotado, aprioristicamente, pelo próprio Tribunal estadual. 6- Na espécie, não se extrai do acórdão impugnado qualquer consideração acerca das peculiaridades da hipótese concreta, limitando-se a cotejar as taxas de juros pactuadas com as correspondentes taxas médias de mercado divulgadas pelo BACEN e a aplicar parâmetro abstrato para aferição do caráter abusivo dos juros, impondo-se, desse modo, o retorno dos autos às instâncias ordinárias para que aplique o direito à espécie a partir dos parâmetros delineados pela jurisprudência desta Corte Superior. 7- Recurso especial parcialmente provido. (REsp n. 2.009.614/SC, 3ª Turma, DJe de 30/09/2022.) g.n. Na hipótese dos autos, o Tribunal de origem, após consignar que a análise da abusividade da cobrança dos juros remuneratórios consistiria na comparação entre o índice negociado e a taxa média de mercado prevista na época da assinatura do contrato, destacou que a taxa contratada estaria acima da média de mercado, razão pela qual entendeu que estaria configurada a abusividade (e-STJ, fls. 238/239 e 273/275), sem realizar qualquer consideração acerca das peculiaridades da hipótese concreta, nos termos da jurisprudência desta Corte Superior. Diante da dissonância com o entendimento dominante sobre o tema nesta Corte, aplica-se a Súmula 568/STJ no particular. Desse modo, impõe-se o retorno dos autos às instâncias ordinárias para que aplique o direito à espécie a partir dos parâmetros acima delineados, nos termos da jurisprudência desta Corte Superior, verificando se as taxas de juros remuneratórios, na hipótese, revelam-se abusivas. Forte nessas razões, CONHEÇO do agravo, para CONHECER do recurso especial e DAR-LHE PROVIMENTO, com fundamento no art. 932, V, "a", do CPC, bem como na Súmula 568/STJ, para determinar o retorno dos autos às instâncias ordinárias para que aplique o direito à espécie, a fim de que proceda novo julgamento da apelação interposta, na esteira do devido processo legal, à luz da jurisprudência do STJ. Previno as partes que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar na condenação das penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, ambos, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL. DISSONÂNCIA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA 568/STJ. 1. Ação revisional, fundada na abusividade contratual. 2. O simples fato de a taxa de juros remuneratórios praticada pela instituição financeira exceder a taxa média de mercado divulgada pelo Banco Central do Brasil, por si só, não indica abusividade, consistindo a referida taxa em um referencial a ser considerado, e não em um limite que deva ser necessariamente observado pelas instituições financeiras. Precedentes. Ante o entendimento dominante do tema nesta Corte Superior, aplica-se, no particular, a Súmula 568/STJ. 3. Agravo em recurso especial conhecido. Recurso especial conhecido e provido.