AREsp 2511777 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial, por incidir o óbice processual da Súmula 83 do STJ diante da consonância do acórdão recorrido com a jurisprudência do Tribunal sobre o uso da taxa média de mercado como parâmetro (e não limite absoluto) e pela conclusão concreta de que, no caso, havia...
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- Parties
- Agravante: AYMORÉ CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S/A
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo De Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Decisão
- Outcome
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Juros Remuneratórios, Abusividade, Taxa Média De Mercado, Alienação Fiduciária, Recurso Especial, Honorários Advocatícios, Súmula 83
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Parties
AYMORÉ CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S/A
Agravante
Procedural Posture
Agravo De Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Decisão
Legal Issues
- 1 Se o fato de a taxa de juros remuneratórios exceder a taxa média de mercado indica, por si só, cobrança abusiva
- 2 Qual o parâmetro adequado para aferir a abusividade dos juros remuneratórios
- 3 Se é possível limitar a taxa contratada com base na taxa média de mercado e na jurisprudência do STJ
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial, por incidir o óbice processual da Súmula 83 do STJ diante da consonância do acórdão recorrido com a jurisprudência do Tribunal sobre o uso da taxa média de mercado como parâmetro (e não limite absoluto) e pela conclusão concreta de que, no caso, havia discrepância significativa entre a taxa contratada e a média de mercado que justificou a limitação dos juros.
Court Disposition
Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
Orders
- Negado provimento ao recurso especial.
- Majorados os honorários advocatícios devidos aos recorridos de 15% para 16% sobre o valor atualizado da causa, com supedâneo no art. 85, § 11, do Código de Processo Civil.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo de decisão que inadmitiu recurso especial, fundado no art. 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal, interposto por AYMORÉ CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S/A, contra v. acórdão do Eg. Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, assim ementado: "APELAÇÃO. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA. AÇÃOREVISIONAL. 1. OS JUROS REMUNERATÓRIOS SÃO ABUSIVOS APENAS SE FIXADOSEM VALOR MANIFESTAMENTE EXCEDENTE À TAXAMÉDIA DE MERCADO. 2. CABÍVEL A COMPENSAÇÃO E/OU REPETIÇÃOSIMPLESCASOVERIFICADA A COBRANÇA DE VALORES INDEVIDOS. RECURSO IMPROVIDO." (fl. 213) Nas razões do recurso especial, a parte recorrente aponta afronta aos arts. 4º, IX, da Lei 4.595/64; e 51, § 1º, do CDC e divergência jurisprudencial, sustentando, em síntese, o descabimento da limitação da taxa dos juros remuneratórios à média de mercado. É o relatório. Decido. No que tange aos juros remuneratórios, cabe averiguar se o tão só fato de estes extrapolarem a taxa média praticada pelo mercado financeiro em operações de mesma espécie, no período de celebração do pacto, indicaria a existência de cobrança abusiva. Ao julgar o recurso representativo da controvérsia que pacificou a questão acerca da índole abusiva dos juros remuneratórios (REsp 1.061.530/RS, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe de 10/3/2009), a em. Min. Relatora consignou, no que toca ao parâmetro a ser considerado para inferir se os juros contratados são abusivos ou não, o seguinte: "Descartados índices ou taxas fixos, é razoável que os instrumentos para aferição da abusividade sejam buscados no próprio mercado financeiro. Assim, a análise da abusividade ganhou muito quando o Banco Central do Brasil passou, em outubro de 1999, a divulgar as taxas médias, ponderadas segundo o volume de crédito concedido, para os juros praticados pelas instituições financeiras nas operações de crédito realizadas com recursos livres (conf. Circular nº 2957, de 30.12.1999). (..) A taxa média apresenta vantagens porque é calculada segundo as informações prestadas por diversas instituições financeiras e, por isso, representa as forças do mercado. Ademais, traz embutida em si o custo médio das instituições financeiras e seu lucro médio, ou seja, um "spread" médio. É certo, ainda, que o cálculo da taxa média não é completo, na medida em que não abrange todas as modalidades de concessão de crédito, mas, sem dúvida, presta-se como parâmetro de tendência das taxas de juros. Assim, dentro do universo regulatório atual, a taxa média constitui o melhor parâmetro para a elaboração de um juízo sobre abusividade. Como média, não se pode exigir que todos os empréstimos sejam feitos segundo essa taxa. Se isto ocorresse, a taxa média deixaria de ser o que é, para ser um valor fixo. Há, portanto, que se admitir uma faixa razoável para a variação dos juros. A jurisprudência, conforme registrado anteriormente, tem considerado abusivas taxas superiores a uma vez e meia (voto proferido pelo Min. Ari Pargendler no REsp 271.214/RS, Rel. p. Acórdão Min. Menezes Direito, DJ de 04.08.2003), ao dobro (Resp 1.036.818, Terceira Turma, minha relatoria, DJe de 20.06.2008) ou ao triplo (REsp 971.853/RS, Quarta Turma, Min. Pádua Ribeiro, DJ de 24.09.2007) da média. Todavia, esta perquirição acerca da abusividade não é estanque, o que impossibilita a adoção de critérios genéricos e universais. A taxa média de mercado, divulgada pelo Banco Central, constitui um valioso referencial, mas cabe somente ao juiz, no exame das peculiaridades do caso concreto, avaliar se os juros contratados foram ou não abusivos." Vê-se, assim, que a circunstância de a taxa de juros remuneratórios, praticada pela instituição financeira, exceder a taxa média de mercado não induz, por si só, à conclusão de cobrança abusiva, consistindo a referida taxa em um referencial a ser considerado, e não em um limite que deva ser necessariamente observado pelas instituições financeiras, tal como entendeu o eg. Tribunal de origem. Portanto, para considerar aviltantes os juros remuneratórios praticados, é imprescindível que se proceda à demonstração cabal de sua natureza abusiva, em cada caso específico. No caso dos autos, segundo os fatos definitivamente delineados no acórdão recorrido, o Tribunal de origem concluiu pela configuração de significativa discrepância entre a taxa pactuada e a taxa média de mercado para operações da mesma espécie, considerando-se as peculiaridades envolvidas: As partes ajustaram, em 07/04/22, cédula de crédito bancário com cláusula dea lienação fiduciária. Os juros remuneratórios foram fixados em 3,39% ao mês e 49,21% ao ano. .. No caso em exame, ainda que ponderados os riscos específicos envolvidos naoperação (capacidade econômica do devedor), seus custos e as garantias ofertadas (veículo usado),resta evidenciada a excessiva discrepância entre a taxa do contrato e a taxa média de mercado(27,23% ao ano), impondo-se sua limitação nos moldes da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (AgInt no AREsp n. 2.273.830/RS, D Je de 30/3/2023). (fl. 211) Nesse contexto, verifica-se que o entendimento esposado no v. acórdão recorrido está em consonância com a pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Dessa forma, incide, in casu, o óbice processual sedimentado na Súmula 83 do Superior Tribunal de Justiça. Diante do exposto, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Com supedâneo no art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários advocatícios devidos aos recorridos de 15% para 16% sobre o valor atualizado da causa. Publique-se. EMENTA