AREsp 2545669 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e, quanto ao recurso especial, verificou-se ausência de prequestionamento em relação a diversos dispositivos indicados; quanto à matéria dos juros remuneratórios, a alteração do decidido exigiria reexame de fatos e interpretação contratual, vedados em recurso especial, de modo que o recurso...
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- Parties
- Agravante: CAIXA ECONÔMICA FEDERAL; Agravada: INSTITUTO BRASILEIRO DE DEFESA DO CONSUMIDOR
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 April 2024
- Procedural Posture
- Ação De Cobrança / Cumprimento De Sentença
- Outcome
- Conheço do agravo. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta extensão, negado provimento.
- Legal Topics
- Juros Remuneratórios, Cumprimento De Sentença, Embargos De Declaração, Prequestionamento, Reexame De Fatos E Provas, Súmula 211/stj, Súmula 568/stj
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Parties
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
Agravante
INSTITUTO BRASILEIRO DE DEFESA DO CONSUMIDOR
Agravada
Procedural Posture
Ação De Cobrança / Cumprimento De Sentença
Legal Issues
- 1 Alegada violação de dispositivos do CPC (art. 489, §1º, III, IV e VI; arts. 502, 503, 507, 508; art. 927, III; art. 1.022; art. 1.040)
- 2 Ausência de prequestionamento (impedindo conhecimento do recurso especial)
- 3 Incidência de juros remuneratórios de 0,5% ao mês quando não expressos no título executivo judicial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e, quanto ao recurso especial, verificou-se ausência de prequestionamento em relação a diversos dispositivos indicados; quanto à matéria dos juros remuneratórios, a alteração do decidido exigiria reexame de fatos e interpretação contratual, vedados em recurso especial, de modo que o recurso especial foi parcialmente conhecido e, nessa extensão, negado provimento.
Court Disposition
Conheço do agravo. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta extensão, negado provimento.
Orders
- Conheço do agravo.
- Conheço parcialmente do recurso especial.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Examina-se agravo em recurso especial interposto por CAIXA ECONÔMICA FEDERAL contra decisão que inadmitiu recurso especial fundamentado na alínea "a" do permissivo constitucional. Agravo em recurso especial interposto em: 22/09/2023. Concluso ao gabinete em: 18/03/2024. Ação: de cobrança em fase de cumprimento de sentença ajuizada pelo INSTITUTO BRASILEIRO DE DEFESA DO CONSUMIDOR em face da agravante, com objetivo de recebimento de rendimentos de caderneta de poupança resultante da diferença de correção monetária entre o índice aplicado e o IPC. Decisão monocrática: deu parcial provimento à apelação da agravada para reconhecer à incidência dos juros remuneratórios, no patamar de 0,5% (meio por cento) ao mês, desde a data em que deveriam ter sido creditados, bem como aplicar os juros de mora à razão de 0,5% (meio por cento) ao mês, desde a citação, em conformidade com o título executivo judicial, observando-se, a partir de 11.01.03, data de início da eficácia do novo Código Civil, o índice que estiver em vigor para a mora no pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional, nos termos de seu art. 406, qual seja, a Taxa SELIC, que inclui juros e correção monetária, excluindo-se a aplicação de qualquer outro índice a esses títulos. Acórdão: negou provimento aos agravos internos interpostos pelas partes, nos termos da seguinte ementa:(e-STJ Fl. 904): AGRAVOS INTERNOS. APELAÇÃO. ART. 1.021, § 3º DO NCPC. REITERAÇÃO. RECURSOS DESPROVIDOS. - A vedação insculpida no art. 1.021, §3º do CPC/15 contrapõe-se ao dever processual estabelecido no §1º do mesmo dispositivo. - Se as partes agravantes apenas reiteram os argumentos ofertados na peça anterior, sem atacarem com objetividade e clareza os pontos trazidos na decisão que ora se objurga, com fundamentos novos e capazes de infirmar a conclusão ali manifestada, decerto não há que se falar em dever do julgador de trazer novéis razões para rebater alegações genéricas ou repetidas, que já foram amplamente discutidas. - Agravos internos desprovidos. Embargos de Declaração: opostos pelas partes, foram rejeitados. Recurso especial: alega violação dos arts. 489, §1º, III, IV e VI, 502, 503, 507, 508, 927, III, 1.022, II, e 1.040, todos do CPC. Além de negativa de prestação jurisdicional, sustenta ofensa à coisa julgada, na medida em que o título executivo judicial não previa expressamente a incidência de juros remuneratórios na liquidação e cumprimento de sentença. Aponta, quanto a matéria, a inobservância do Tema 887 do STJ. Assim, insurge-se contra a incidência dos juros remuneratórios de 0,5%. RELATADO O PROCESSO, DECIDE-SE. - Da violação do art. 1.022 do CPC É firme a jurisprudência do STJ no sentido de que não há ofensa ao art. 1.022 do CPC quando o Tribunal de origem, aplicando o direito que entende cabível à hipótese soluciona integralmente a controvérsia submetida à sua apreciação, ainda que de forma diversa daquela pretendida pela parte. A propósito, confira-se: REsp n. 2.095.460/SP, Terceira Turma, DJe de 15/2/2024 e AgInt no AREsp n. 2.325.175/SP, Quarta Turma, DJe de 21/12/2023. No particular, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu, de forma fundamentada e expressa, acerca da incidência do juros remuneratórios , de maneira que os embargos de declaração opostos pela parte agravante, de fato, não comportavam acolhimento. Assim, observado o entendimento dominante desta Corte acerca do tema, não há que se falar em violação do art. 1.022 do CPC, incidindo, quanto ao ponto a Súmula 568/STJ. - Da violação do art. 489 do CPC Do exame do acórdão recorrido, constata-se que as questões de mérito foram devidamente analisadas e discutidas, de modo que a prestação jurisdicional foi esgotada. É importante salientar que a ausência de manifestação a respeito de determinado ponto não deve ser confundida com a adoção de razões contrárias aos interesses da parte. Logo, não há contrariedade ao art. 489 do CPC, pois o Tribunal de origem decidiu de modo claro e fundamentado. No mesmo sentido: AgInt nos EDcl no AREsp 1547208/SP, TERCEIRA TURMA, DJe 19/12/2019 e AgInt no AREsp 1480314/RJ, QUARTA TURMA, DJe 19/12/2019. - Da ausência de prequestionamento O acórdão recorrido, apesar da interposição de embargos de declaração, não decidiu acerca dos argumentos invocados pela recorrente em seu recurso especial quanto aos arts. 502, 503, 507, 508, 927, III, e 1.040, do CPC e, bem assim, à tese de não cabimento de juros remuneratórios quando não previstos expressamente no título executivo judicial, o que inviabiliza o seu julgamento. Aplica-se, na hipótese, a Súmula 211/STJ. - Do reexame de fatos e provas Ademais, ainda que não fosse, o Tribunal a quo ao analisar o recurso interposto pela recorrente, concluiu o seguinte (e-STJ Fl. 902): "Outrossim, quanto à incidência dos juros remuneratórios, entendo serem devidos por força de disposição contratual firmada entre a instituição financeira e os depositários, desde a data em que deveriam ter sido creditados, no patamar de 0,5% (meio por cento) ao mês (v. g., STJ, 4ª T., REsp 466732/SP, Rel. Min. Ruy Rosado de Aguiar, j.24.06.03, v. u., DJ 08.09.03, p. 337). - grifos nossos Desse modo, alterar o decidido pela Corte de origem, quanto ao ponto, exige o reexame de fatos e provas e a interpretação de cláusulas contratuais, o que é vedado em recurso especial pelas Súmulas 5 e 7, ambas do STJ. Assim, não é possível que sejam revisitados fatos ou que seja conferida nova interpretação de cláusula contratual, uma vez que são matérias ligadas à demanda e alheias à função desta Corte Superior que é a uniformização da interpretação da legislação federal. Forte nessas razões, CONHEÇO do agravo e, com fundamento no art. 932, III e IV, "a", do CPC, bem como na Súmula 568/STJ, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso especial e, nessa extensão, NEGO-LHE PROVIMENTO. Deixo de majorar os honorários na forma do art. 85, §11, do CPC, visto que não foram arbitrados no julgamento do recurso pelo Tribunal de origem. Previno as partes que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar sua condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE COBRANÇA. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 489 DO CPC. INOCORRÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. REEXAME DE FATOS. INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INADMISSIBILIDADE. 1. Ação de cobrança em fase de cumprimento de sentença. 2. Ausentes os vícios do art. 1.022 do CPC, rejeitam-se os embargos de declaração. 3.Devidamente analisadas e discutidas as questões de mérito, e fundamentado corretamente o acórdão recorrido, de modo a esgotar a prestação jurisdicional, não há que se falar em violação do art. 489 do CPC. 4. A ausência de decisão acerca dos dispositivos legais indicados como violados, não obstante a interposição de embargos de declaração, impede o conhecimento do recurso especial. 5. O reexame de fatos e a interpretação de cláusulas contratuais em recurso especial são inadmissíveis. 6. Agravo conhecido. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta extensão, não provido.