REsp 2138426 - DECISAO
Aplicando a jurisprudência consolidada do STJ (Súmula 568/STJ e precedentes indicados), verificou-se dissonância entre o acórdão recorrido e a orientação desta Corte quanto à limitação dos juros remuneratórios à análise segundo a taxa média de mercado, à exigência de indicação da taxa diária para capitalização...
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- Parties
- Recorrente: TANIA MARGARETE DOS SANTOS; Recorrido: BANCO VOTORANTIM S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 May 2024
- Procedural Posture
- Ação Revisional De Contrato Bancário / Recurso Especial Conhecido E Parcialmente Provido (determinação De Retorno Ao Tribunal De Origem Para Novo Julgamento Da Apelação)
- Outcome
- Recurso especial conhecido e parcialmente provido.
- Legal Topics
- Juros Remuneratórios, Capitalização De Juros, Mora, Revisão Contratual, Dever De Informação, Súmula 568/stj
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Parties
TANIA MARGARETE DOS SANTOS
Recorrente
BANCO VOTORANTIM S.A.
Recorrido
Procedural Posture
Ação Revisional De Contrato Bancário / Recurso Especial Conhecido E Parcialmente Provido (determinação De Retorno Ao Tribunal De Origem Para Novo Julgamento Da Apelação)
Legal Issues
- 1 Se a taxa de juros remuneratórios deve ser limitada à taxa média de mercado por abusividade
- 2 Se a capitalização diária de juros é admissível sem indicação expressa da taxa diária
- 3 Se a reconhecida abusividade dos encargos no período de normalidade descaracteriza a mora
Ratio Decidendi
Aplicando a jurisprudência consolidada do STJ (Súmula 568/STJ e precedentes indicados), verificou-se dissonância entre o acórdão recorrido e a orientação desta Corte quanto à limitação dos juros remuneratórios à análise segundo a taxa média de mercado, à exigência de indicação da taxa diária para capitalização diária e às consequências da declaração de abusividade dos encargos sobre a caracterização da mora; por isso o recurso especial foi conhecido e parcialmente provido para determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para novo julgamento em conformidade com a jurisprudência do STJ.
Court Disposition
Recurso especial conhecido e parcialmente provido.
Orders
- Determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para novo julgamento da apelação à luz da jurisprudência do STJ (Súmula 568/STJ).
- Publicar e intimar as partes.
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de recurso especial interposto por TANIA MARGARETE DOS SANTOS, fundamentado, exclusivamente, na alínea "c" do permissivo constitucional. Recurso especial interposto em: 05/12/2023. Concluso ao gabinete em: 25/04/2024. Ação: revisional de contrato bancário, ajuizada pela recorrente, em face de BANCO VOTORANTIM S.A., fundada na abusividade de cláusulas contratuais. Sentença: julgou parcialmente procedentes os pedidos para: i) determinar a revisão do(s) contrato(s) objeto(s) dos autos, a fim de limitar os juros remuneratórios incidentes sobre as parcelas em atraso ao percentual previsto para o período de normalidade contratual e para limitar os juros moratórios a 1% (um por cento) ao mês; e ii) condenar o recorrido a compensar o débito com o crédito da parte autora decorrente desta revisão, corrigindo-se monetariamente as parcelas pagas a maior pelo IGP-M, a contar de cada desembolso, com juros moratórios de 1% (um por cento) ao mês desde a citação e, remanescendo saldo credor em favor da parte autora, os valores deverão ser restituídos, na forma simples, com a mesma forma de atualização monetária e juros determinados na compensação. Acórdão: deu parcial provimento à apelação interposta pela recorrente, a fim de reconhecer a invalidade do seguro prestamista; e deu parcial provimento à apelação interposta pelo recorrido, para redimensionar a sucumbência. O acórdão foi assim ementado: APELAÇÃO CIVEL. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA. AÇÃO REVISIONAL . 1 . INOCORRÊNCIA DE DECISÃO EXTRA PETITA. 2. APLICABILIDADE DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR ÀS OPERAÇÕES DE CONCESSÃO DE CRÉDITO E FINANCIAMENTO. SÚMULA N. 297 DO STJ. 3. OS JUROS REMUNERATÓRIOS SÃO ABUSIVOS APENAS SE FIXADOS EM VALOR MANIFESTAMENTE EXCEDENTE À TAXA MÉDIA DE MERCADO. 4. POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CAPITALIZAÇÃO DIÁRIA MENSAL DE JUROS APÓS A EDIÇÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.170/2001 E DESDE QUE EXPRESSAMENTE PACTUADA NO CONTRATO. "A PREVISÃO NO CONTRATO BANCÁRIO DE TAXA DE JUROS ANUAL SUPERIOR AO DUODÉCUPLO DA MENSAL É SUFICIENTE PARA PERMITIR A COBRANÇA DA TAXA EFETIVA ANUAL CONTRATADA" (RECURSO ESPECIAL N. 973827/RS, J. 27/06/2012). 5. A COBRANÇA DOS ENCARGOS MORATÓRIOS NÃO PODE ULTRAPASSAR A SOMA DOS ENCARGOS REMUNERATÓRIOS E MORATÓRIOS ESTABELECIDOS NO CONTRATO. SÚMULAS 30 E 472 DO STJ E RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 1.580.114. 6. SEGURO DE PROTEÇÃO FINANCEIRA. AO FINANCIADO DEVE SER ASSEGURADA A LIBERDADE DE CONTRATAR E COM QUEM CONTRATAR (RESP 1639320/SP, DJE 17/12/2018). 7. A DESCARACTERIZAÇÃO DA MORA DEPENDE DO RECONHECIMENTO DA ABUSIVIDADE DOS ENCARGOS PREVISTOS PARA O PERÍODO DA NORMALIDADE. 8 . CABÍVEL A COMPENSAÇÃO E/OU REPETIÇÃO SIMPLES, CASO VERIFICADA A COBRANÇA DE VALORES INDEVIDOS. 9. TUTELA PROVISÓRIA. NÃO PREENCHIDOS OS REQUISITOS EXIGIDOS PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. PRELIMINAR AFASTADA. RECURSOS PROVIDOS EM PARTE (e-STJ fl. 323). Recurso especial: com base em dissídio jurisprudencial, sustenta que i) a taxa de juros remuneratórios deve ser limitada à taxa média de mercado, dada a sua abusividade; ii) é vedada a capitalização diária de juros ante a ausência de previsão contratual; e iii) deve ser descaracterizada a mora ante as constatadas irregularidades do contrato. RELATADO O PROCESSO, DECIDE-SE. - Dos juros remuneratórios (Súmula 568/STJ) A Segunda Seção do STJ, no REsp 1.061.530/RS, DJe de 10/03/2009, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, entendeu que é admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações excepcionais, desde que caracterizada a relação de consumo e que a abusividade, capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada (art. 51, §1 º, do CDC), fique cabalmente demonstrada, ante às peculiaridades do julgamento em concreto. A taxa de juros remuneratórios, verificada sua abusividade, deve ser limitada à taxa média de mercado, divulgada pelo Banco Central do Brasil. Cumpre ressaltar que no referido julgamento, quanto à análise da abusividade dos juros remuneratórios e da taxa média divulgada pelo Banco Central, a Segunda Seção consignou o seguinte: Necessário tecer, ainda, algumas considerações sobre parâmetros que podem ser utilizados pelo julgador para, diante do caso concreto, perquirir a existência ou não de flagrante abusividade. (..) As informações divulgadas por aquela autarquia, acessíveis a qualquer pessoa através da rede mundial de computadores (conforme http://www.bcb.gov.br/ ecoimpom - no quadro XLVIII da nota anexa; ou http://www.bcb.gov.br/ TXCREDMES, acesso em 06.10.2008), são segregadas de acordo com o tipo de encargo (prefixado, pós-fixado, taxas flutuantes e índices de preços), com a categoria do tomador (pessoas físicas e jurídicas) e com a modalidade de empréstimo realizada ("hot money", desconto de duplicatas, desconto de notas promissórias, capital de giro, conta garantida, financiamento imobiliário, aquisição de bens, "vendor", cheque especial, crédito pessoal, entre outros). A taxa média apresenta vantagens porque é calculada segundo as informações prestadas por diversas instituições financeiras e, por isso, representa as forças do mercado. Ademais, traz embutida em si o custo médio das instituições financeiras e seu lucro médio, ou seja, um "spread" médio. É certo, ainda, que o cálculo da taxa média não é completo, na medida em que não abrange todas as modalidades de concessão de crédito, mas, sem dúvida, presta-se como parâmetro de tendência das taxas de juros. Assim, dentro do universo regulatório atual, a taxa média constitui o melhor parâmetro para a elaboração de um juízo sobre abusividade. Como média, não se pode exigir que todos os empréstimos sejam feitos segundo essa taxa. Se isto ocorresse, a taxa média deixaria de ser o que é, para ser um valor fixo. Há, portanto, que se admitir uma faixa razoável para a variação dos juros. A jurisprudência, conforme registrado anteriormente, tem considerado abusivas taxas superiores a uma vez e meia (voto proferido pelo Min. Ari Pargendler no REsp 271.214/RS, Rel. p. Acórdão Min. Menezes Direito, DJ de 04.08.2003), ao dobro (REsp 1.036.818, Terceira Turma, minha relatoria, DJe de 20.06.2008) ou ao triplo (REsp 971.853/RS, Quarta Turma, Min. Pádua Ribeiro, DJ de 24.09.2007) da média. Todavia, esta perquirição acerca da abusividade não é estanque, o que impossibilita a adoção de critérios genéricos e universais. A taxa média de mercado, divulgada pelo Banco Central, constitui um valioso referencial, mas cabe somente ao juiz, no exame das peculiaridades do caso concreto, avaliar se os juros contratados foram ou não abusivos. Ressalte-se, ainda, que as duas Turmas de Direito Privado do STJ entendem que "a circunstância de a taxa de juros remuneratórios praticada pela instituição financeira exceder a taxa média do mercado não induz, por si só, à conclusão de cobrança abusiva, consistindo a referida taxa em um referencial a ser considerado, e não em um limite que deva ser necessariamente observado pelas instituições financeiras" (AgInt no AREsp 1.308.486/RS, 4ª Turma, DJe de 21/10/2019). Ainda nesse sentido: AgInt no AREsp 1.165.422/MS, 3ª Turma, DJe de 15/12/2017. Na hipótese sob julgamento, o Tribunal de origem entendeu que: A questão foi analisada no Recurso Especial representativo de controvérsia repetitiva nº 1.061.530-RS, DJe 10/03/2009, restando admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações excepcionais, desde que caracterizada a relação de consumo e que a abusividade (capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada - art. 51, §1º, do CDC) fique cabalmente demonstrada, ante às peculiaridades do julgamento em concreto. Além disso, devem ser observados diversos fatores para a revisão da taxa de juros, tais como o custo de captação dos recursos, o spread da operação, a análise do risco de crédito do contratante, ponderando-se a caracterização da relação de consumo e eventual desvantagem exagerada do consumidor (REsp n. 2.009.614/SC, DJe de 30/9/2022). No caso em exame, ausente demonstração da abusividade alegada, considerando-se, entre outros fatores, a situação da economia na época da contratação, o custo da captação dos recursos, o risco envolvido na operação, o relacionamento mantido com o banco, as garantias ofertadas e a própria taxa média de mercado (20,64% ao ano) (e-STJ fl. 319). Assim, diante da consonância com o entendimento dominante sobre o tema nesta Corte, aplica-se a Súmula 568/STJ no particular. - Da capitalização de juros (Súmula 568/STJ) A jurisprudência do STJ é no sentido de que a cobrança de juros capitalizados nos contratos de mútuo é permitida quando houver expressa pactuação. Especificamente em relação aos juros capitalizados com periodicidade inferior a um ano, está em pleno vigor o entendimento de que: i) é permitida a capitalização de juros com periodicidade inferior a um ano em contratos celebrados após 31.3.2000, data da publicação da Medida Provisória n. 1.963-17/2000 (em vigor como MP 2.170-36/2001), desde que expressamente pactuada (Tema 246/STJ); e ii) a capitalização dos juros em periodicidade inferior à anual deve vir pactuada de forma expressa e clara. A previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao duodécuplo da mensal é suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual contratada (Tema 247/STJ). Nesse sentido: (REsp 973.827/RS, 2ª Seção, DJe 24/09/2012). No que se refere à capitalização diária de juros e indicação da respectiva taxa, a Segunda Seção desta Corte Superior (REsp 1.826.463/SC, DJe de 29/10/2020) entendeu ser abusiva a cláusula contratual genérica de capitalização diária, sem informação acerca da taxa diária de juros remuneratórios, por dificultar a compreensão do consumidor acerca do alcance da capitalização diária, o que configura descumprimento do dever de informação, nos termos da seguinte ementa: RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL, PROCESSUAL CIVIL E DO CONSUMIDOR. (EN. 3/STJ). CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO. CAPITALIZAÇÃO DIÁRIA DE JUROS REMUNERATÓRIOS. TAXA DIÁRIA NÃO INFORMADA. VIOLAÇÃO AO DEVER DE INFORMAÇÃO. ABUSIVIDADE. 1. Controvérsia acerca do cumprimento de dever de informação na hipótese em que pactuada capitalização diária de juros em contrato bancário. 2. Necessidade de fornecimento, pela instituição financeira, de informações claras ao consumidor acerca da periodicidade da capitalização dos juros adotada no contrato, e das respectivas taxas. 3. Insuficiência da informação acerca das taxas efetivas mensal e anual, na hipótese em que pactuada capitalização diária, sendo imprescindível, também, informação acerca da taxa diária de juros, a fim de se garantir ao consumidor a possibilidade de controle "a priori" do alcance dos encargos do contrato. Julgado específico da Terceira Turma. 4. Na espécie, abusividade parcial da cláusula contratual na parte em que, apesar de pactuar as taxas efetivas anual e mensal, que ficam mantidas, conforme decidido pelo acórdão recorrido, não dispôs acerca da taxa diária. 5. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO, COM MAJORAÇÃO DE HONORÁRIOS (REsp 1.826.463/SC, 2ª Seção, DJe 29/10/2020). Também nesse sentido, cita-se o REsp 1.568.290/RS (3ª Turma, DJe de 02/02/2016), no qual restou consignado que, diante da ausência de informação da taxa diária de juros, apenas das taxas mensal e anual, descabida a incidência da capitalização diária, mas apenas da mensal. Destaque-se ainda: AgInt no AgInt no AREsp 1.872.355/SC, 3ª Turma, DJe de 25/11/2021; e AgInt no REsp 1.689.156/PR, 4ª Turma, DJe de 03/08/2021. Na hipótese sob julgamento, o Tribunal de origem entendeu que seria possível a capitalização de juros na forma contratada, tendo em vista que estaria comprovada que a taxa de juros anual superaria o duodécuplo da mensal e que há cláusula contratual acerca da capitalização diária de juros na cédula. Contudo, reputou desnecessária a previsão expressa da taxa de juros diária (e-STJ fl. 320). Desse modo, encontrando-se o entendimento do Tribunal de origem em dissonância com a jurisprudência deste Tribunal, aplica-se a Súmula 568/STJ no particular. - Da caracterização da mora (Súmula 568/STJ) Quanto à questão envolvendo a mora, a Segunda Seção desta Corte Superior entende que "o reconhecimento da abusividade nos encargos exigidos no período da normalidade contratual (juros remuneratórios e capitalização) descaracteriza a mora" (REsp 1.061.530/RS, 2ª Seção, DJe 10/03/2009). Ainda nesse sentido: AgInt no REsp n. 1.914.532/RS, 4ª Turma, DJe de 17/12/2021; AgInt no AREsp n. 1.405.350/RS, 4ª Turma, DJe de 01/07/2021; AgInt no AREsp 1.412.287/RS, 4ª Turma, DJe de 18/09/2019; AgInt no AREsp n. 1.183.999/RS, 3ª Turma, DJe de 29/6/2018; e AgInt no AREsp n. 1.202.187/RS, 3ª Turma, DJe de 24/4/2018. Na hipótese, a questão relativa à mora deve ser analisada considerando o entendimento concernente à capitalização diária de juros consignado no tópico anterior. Quanto ao ponto, o Tribunal de origem entendeu que, ausente abusividade nos encargos cobrados no período de normalidade contratual, não seria hipótese de descaracterizar amora (e-STJ fl. 321). Assim, diante da dissonância com o entendimento sobre o tema nesta Corte Superior, aplica-se a Súmula 568/STJ. Forte nessas razões, com fundamento no art. 932, IV, "a", e V, "a", do CPC, bem como na Súmula 568/STJ, CONHEÇO do recurso especial e DOU-LHE PARCIAL PROVIMENTO, para determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que proceda novo julgamento da apelação interposta, na esteira do devido processo legal, à luz da jurisprudência do STJ. Previno as partes que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar sua condenação ao pagamento das penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. JUROS REMUNERATÓRIOS. HARMONIA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA 568/STJ. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS E CARACTERIZAÇÃO DA MORA. DISSONÂNCIA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA 568/STJ. 1. Ação revisional de contrato bancário, fundada na abusividade de cláusulas contratuais. 2. A circunstância de a taxa de juros remuneratórios praticada pela instituição financeira exceder a taxa média do mercado não induz, por si só, à conclusão de cobrança abusiva, consistindo a referida taxa em um referencial a ser considerado, e não em um limite que deva ser necessariamente observado pelas instituições financeiras. Precedentes. 3. É abusiva a cláusula contratual genérica de capitalização diária, sem informação acerca da taxa diária de juros remuneratórios, por dificultar a compreensão do consumidor acerca do alcance da capitalização diária, o que configura descumprimento do dever de informação. Precedentes. 4. O reconhecimento da abusividade nos encargos exigidos no período da normalidade contratual (capitalização diária) descaracteriza a mora. Precedentes. 5. Recurso especial conhecido e parcialmente provido.