AREsp 2615812 - DECISAO
O Tribunal de origem, após análise fático-probatória, reconheceu a abusividade das taxas de juros; como a alteração do entendimento demandaria reexame de provas e interpretação contratual, incidem as Súmulas 5 e 7 do STJ, vedando o conhecimento do mérito do recurso especial, razão pela qual o agravo foi conhecido e...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante/recorrente: CREFISA S/A CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo (art. 1042 Do Cpc/15) / Conhecimento Do Agravo E Negação De Provimento Ao Recurso Especial Pelo STJ
- Outcome
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Juros Remuneratórios, Abusividade, Revisão Contratual, Repetição De Indébito, Descaracterização Da Mora, Súmulas 5 E 7/stj, Admissibilidade De Recurso Especial
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Parties
CREFISA S/A CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo (art. 1042 Do Cpc/15) / Conhecimento Do Agravo E Negação De Provimento Ao Recurso Especial Pelo STJ
Legal Issues
- 1 admissibilidade do recurso especial vs. necessidade de reexame de fatos e interpretação contratual (Súmulas 5 e 7/STJ)
- 2 abusividade de juros remuneratórios e limitação à taxa média de mercado divulgada pelo BACEN
- 3 repetição de indébito simples em decorrência de cobranças excessivas
Ratio Decidendi
O Tribunal de origem, após análise fático-probatória, reconheceu a abusividade das taxas de juros; como a alteração do entendimento demandaria reexame de provas e interpretação contratual, incidem as Súmulas 5 e 7 do STJ, vedando o conhecimento do mérito do recurso especial, razão pela qual o agravo foi conhecido e o recurso especial teve seu provimento negado.
Court Disposition
Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
- Majoro os honorários advocatícios em 10% sobre o valor já fixado na instância de origem, nos termos do art. 85, §11º, do CPC/15.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo (art. 1042 do CPC/15), interposto por CREFISA S/A CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS, contra decisão que não admitiu recurso especial. O apelo nobre, amparado no art. 105, inciso III, alínea "c", da Constituição Federal, desafia acórdão prolatado pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, assim ementado: APELAÇÃO CÍVEL. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. AÇÃOORDINÁRIA. REVISÃO DE CONTRATO DE EMPRÉSTIMO NÃO CONSIGNADO. JUROS REMUNERATÓRIOS. Comprovada a abusividade, os juros devem ser limitados à taxa média de mercado divulgada pelo BACEN para o mês da contratação. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. É admitida a repetição simples, em decorrência dos excessos verificados. DESCARACTERIZAÇÃO DA MORA. O excesso do encargo remuneratório descaracteriza a mora do devedor. Diz o STJ no REsp 1061530/RS: (..). CONFIGURAÇÃO DA MORA a) O reconhecimento da abusividade nos encargos exigidos no período da normalidade contratual (juros remuneratórios e capitalização) descaracteriza a mora; (..). (REsp 1061530/RS, Rel. MinistraNANCY ANDRIGHI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe10/03/2009). No entanto, descabe a descaracterização da mora no caso concretoquanto a três dos quatro contratos objurgados, por estarem liquidados. RECURSO PROVIDO EM PARTE. Opostos embargos de declaração, restaram rejeitados. Em suas razões de recurso especial, o recorrente aponta, além de dissídio jurisprudencial, violação aos artigos 421 do Código Civil, 927 do Código de Processo Civil e 51, § 1º, do Código de Defesa do Consumidor. Sustenta, que a taxa de juros remuneratórios pactuada deve ser observada, não havendo falar em abusividade. O apelo não foi admitido na origem, dando ensejo ao agravo, visando destrancar o processamento daquela insurgência, no qual o recorrente refutou os óbices aplicados pela Corte estadual. É o relatório. Decide-se. O inconformismo não merece prosperar. 1. Na hipótese, a Corte local, ao reconhecer a abusividade dos juros remuneratórios, consignou: Com isso em mente, adentrando nas peculiaridades do caso concreto, de acordo comas informações supra, os juros foram fixados em percentual excessivamente superior à taxa médiade mercado divulgada pelo BACEN1, estando, mesmo que ponderadas as especificidades quepermeiam a operação financeira objeto dos autos, verificada a abusividade, diante da evidentediscrepância injustificável dos juros contratados. .. Sinalo, ademais, em atenção às alegações da instituição financeira, que a modalidadecontratual e sua respectiva natureza (no caso, o fato do contrato revisado ser de crédito nãoconsignado), mesmo quando ponderadas tais peculiaridades, não afastam a necessidade de que sejaprezada a salvaguarda do equilíbrio contratual, sobressaindo a estipulação dos juros remuneratóriosnos percentuais de 987,22% e de 666,69% ao ano como circunstância hábil a caracterizar aabusividade e autorizar a sua revisão, tal qual salientado. Sendo assim, fica mantida a sentença,inclusive quanto à taxa média utilizada. Referendando toda essa linha de fundamentação, torno a colocar em enfoque que,conforme o posicionamento do Eg. STJ a respeito da matéria, não é a mera discrepância dos jurosremuneratórios contratados com a taxa média de mercado que atrai o comando revisional dosencargos, sendo necessária a análise casuística dos elementos que revolveram a operação financeira,tal qual se procedeu anteriormente no exame das circunstâncias fáticas que delineiam o feito. Aliás, destaca-se que a instituição financeira, em contestação, a despeito de sustentar adesnecessidade da revisão dos juros remuneratórios, deixou de trazer os motivos concretos voltadosà especificidade do negócio entabulado que elevaram (e de forma deveras significativa) a taxacontratada pelo consumidor. Com isso em mente, verifica-se que não foram demonstrados pelo banco - ao menosà saciedade e de forma concreta e vinculada ao caso em debate - o risco da operação, o custo dacaptação dos recursos, o risco envolvido na operação e os outros elementos citados pela ilustreMinistra, cuja demonstração, evidentemente, recai sobre a instituição financeira, detentora daestrutura capaz de trazer ao presente processo os quesitos que conformaram, no caso específico dosautos, a taxa de juros estipulada no contrato. Conclui-se, por conseguinte, que as alegações do banco no sentido da regularidade dataxa de juros pactuada, desprovidas de elementos suficientemente concretos e específicos querespaldem a estipulação em patamar elevado, não infirmam a conclusão pela abusividade nocontexto fático da presente demanda. Assim, a Corte local considerou abusiva a taxa de juros remuneratórios no contrato celebrado de maneira fundamentada, com base nos elementos concretos dos autos, de maneira que rever tal entendimento demandaria promover a interpretação das cláusulas contratuais, bem como o reexame do arcabouço fático probatório dos autos, providências vedadas na via eleita, a teor dos óbices das Súmulas 5 e 7/STJ. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JUROS REMUNERATÓRIOS. ABUSIVIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. REEXAME DO CONTRATO E DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULAS N. 5 E 7 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. O recurso especial não comporta o exame de questões que impliquem interpretação de cláusula contratual ou revolvimento do contexto fático-probatório dos autos, a teor do que dispõem as Súmulas n. 5 e 7 do STJ. 2. O Tribunal de origem, mediante a análise da prova dos autos e os parâmetros definidos no Recurso Especial Repetitivo n. 1.061.530/RS a respeito dos juros remuneratórios em contratos bancários, afastou a alegação de abusividade da taxa cobrada, afirmando, inclusive, a contratação abaixo da média de mercado divulgada pelo Bacen. Desse modo, a alteração do desfecho conferido ao processo atrai o óbice das mencionadas súmulas. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1312897/MG, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 30/09/2019, DJe 03/10/2019) AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. CONTRATO BANCÁRIO. JUROS REMUNERATÓRIOS. ABUSIVIDADE. LIMITAÇÃO À TAXA MÉDIA DE MERCADO. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. DESCARACTERIZAÇÃO DA MORA. FALTA DE IMPUGNAÇÃO A FUNDAMENTO DA DECISÃO AGRAVADA. INCIDÊNCIA DO VERBETE 283 DA SÚMULA/STF. NÃO PROVIMENTO. 1. O STJ consolidou o seguinte entendimento em julgamento de demanda repetitiva: "Em qualquer hipótese, é possível a correção para a taxa média se for verificada abusividade nos juros remuneratórios praticados." (REsp 1.112.879/PR, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, Dje de 19.5.2010) 2. Na hipótese, o Tribunal de origem reconheceu a abusividade da taxa de juros remuneratórios ao avaliar o contexto fático e probatório dos autos, razão pela qual a revisão da conclusão adotada esbarra no óbice descrito na Súmula 7/STJ. 3. "O reconhecimento da abusividade nos encargos exigidos no período da normalidade contratual (juros remuneratórios) descaracteriza a mora". (REsp 1.061.530/RS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, DJe de 10.3.2009). 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1412287/RS, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 10/09/2019, DJe 18/09/2019) 2. Registre-se, por fim, que, consoante iterativa jurisprudência desta Corte, a necessidade do reexame da matéria fática impede a admissão do recurso especial tanto pela alínea a quanto pela alínea c do inciso III do art. 105 da Constituição Federal. Precedentes: AgRg no AREsp 646.141/ES, Relator o Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 10.3.2015, DJe 13.3.2015; REsp n. 765.505/SC; Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 7.3.2006, DJ 20.3.2006; REsp 1011849/RS, Relator o Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, QUINTA TURMA, julgado em 23.6.2009, DJe 3.8.2009. 3 . Do exposto, com fundamento no art. 932 do NCPC c/c a súmula 568/STJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Majoro os honorários advocatícios em 10% sobre o valor já fixado na instância de origem, nos termos do art. 85, §11º, do CPC/15. Publique-se. Intimem-se. EMENTA