AREsp 2578069 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo em recurso especial porque, embora a jurisprudência admita a taxa média do Bacen como referencial para controle de abusividade, tal média não é limite absoluto; no caso concreto a Corte de origem concluiu pela abusividade diante da discrepância significativa entre a taxa contratada e a...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Que Negou Seguimento Ao Recurso Especial
- Outcome
- Negado provimento ao agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Juros Remuneratórios, Abusividade De Taxas, Revisão Contratual, Honorários Advocatícios, Taxa Média De Mercado Do Bacen, Súmula 296, Resp 1.061.530/rs
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Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Que Negou Seguimento Ao Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Alegação de violação ao art. 421 do Código Civil pela agravante
- 2 Controle da abusividade dos juros remuneratórios com base na taxa média de mercado do Banco Central
- 3 Possibilidade de revisão da taxa de juros em relação de consumo quando abusividade devidamente demonstrada
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo em recurso especial porque, embora a jurisprudência admita a taxa média do Bacen como referencial para controle de abusividade, tal média não é limite absoluto; no caso concreto a Corte de origem concluiu pela abusividade diante da discrepância significativa entre a taxa contratada e a taxa média, e a revisão dessa conclusão implicaria reexame fático-probatório vedado pelas Súmulas 5 e 7 do STJ. Além disso, procedeu-se à majoração em 10% dos honorários já arbitrados nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo em recurso especial.
Orders
- Nego provimento ao agravo em recurso especial.
- Majorou em 10% a quantia já arbitrada a título de honorários em favor da parte recorrida, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do mesmo artigo.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto contra decisão que negou seguimento ao recurso especial, impugnando acórdão assim ementado: APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO REVISIONAL. CONTRATOS DE EMPRÉSTIMO PESSOAL. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. INCONFORMISMO DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. PRELIMINAR. ALEGADA CAPTAÇÃO INDEVIDA DE CLIENTES. AFASTAMENTO. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS MÍNIMOS. PODER JUDICIÁRIO QUE NÃO PODE RESTRINGIR A ATUAÇÃO DOS ADVOGADOS. EVENTUAL INFRAÇÃO ÉTICO DISCIPLINAR QUE DEVE SER COMUNICADA E, CONSEQUENTEMENTE, APURADA PELO ÓRGÃO PROFISSIONAL COMPETENTE. MÉRITO. JUROS REMUNERATÓRIOS. UTILIZAÇÃO DA TAXA MÉDIA DE MERCADO DIVULGADA PELO BACEN COMO REFERENCIAL PARA A CONSTATAÇÃO DA ABUSIVIDADE. SÚMULA 296 E RESP REPETITIVO Nº 1.061.530/RS, AMBOS DO STJ. ENUNCIADOS I E IV DO GRUPO DE CÂMARAS DE DIREITO COMERCIAL DESTE E. TRIBUNAL DE JUSTIÇA. PERCENTUAIS PACTUADOS CONSIDERAVELMENTE ACIMA DA MÉDIA DE MERCADO. ABUSIVIDADE EVIDENCIADA. AFASTAMENTO DA REPETIÇÃO EM DOBRO DO INDÉBITO. PARCIAL ACOLHIMENTO. EXISTÊNCIA DE ENCARGOS ABUSIVOS. DEVER DE PROMOVER A DEVOLUÇÃO DOS VALORES COBRADOS INDEVIDAMENTE. APLICAÇÃO, TODAVIA, DA FORMA SIMPLES, DIANTE DA AUSÊNCIA DE MÁ-FÉ DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. SENTENÇA PARCIALMENTE MODIFICADA NO PONTO. REDUÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS FIXADOS NO IMPORTE DE R$4.000,00 (QUATRO MIL REAIS), CONFORME TABELA DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL. PEDIDO DE FIXAÇÃO COM BASE NO PROVEITO ECONÔMICO OBTIDO. PARCIAL ACOLHIMENTO. PROVEITO ECONÔMICO QUE NÃO PODE SER AFERIDO. VALOR DA CAUSA, POR OUTRO LADO, QUE NÃO SE REVELA BAIXO. AFASTAMENTO DO CRITÉRIO POR EQUIDADE. FIXAÇÃO EM 10% (DEZ POR CENTO) SOBRE O VALOR ATUALIZADO DA CAUSA (ART. 85, § 2º, DO CPC). HONORÁRIOS RECURSAIS. INVIABILIDADE. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO EM PARTE. Não foram opostos embargos declaratórios. A parte agravante indica violação ao art. 421 do Código Civil. Afirma ser indevido o reconhecimento de abusividade da cobrança dos juros remuneratórios no caso com base unicamente na taxa média praticada no mercado. Assim delimitada a controvérsia, passo ao exame do recurso. Quanto ao tema, destaco que a atual jurisprudência do STJ firmou o entendimento de que a taxa média de mercado apurada pelo Banco Central do Brasil para cada segmento de crédito é referencial útil para o controle da abusividade, mas o simples fato de a taxa efetiva cobrada no contrato estar acima da taxa média de mercado não significa, por si só, abuso. Ao contrário, a média de mercado não pode ser considerada o limite, justamente porque é média; incorpora as menores e maiores taxas praticadas pelo mercado, em operações de diferentes níveis de risco. O caráter abusivo da taxa de juros contratada haverá de ser demonstrado de acordo com as peculiaridades de cada caso concreto, levando-se em consideração circunstâncias como o custo da captação dos recursos no local e época do contrato, a análise do perfil de risco de crédito do tomador e o spread da operação. A propósito, confira-se: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL. CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO. TAXA DE JUROS REMUNERATÓRIOS CONTRATADA. ABUSIVIDADE. AUSÊNCIA. ORIENTAÇÃO FIRMADA NO RESP N. 1.061.530/RS. 1. De acordo com a orientação adotada no julgamento do REsp. 1.061.530/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC/73, "é admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações excepcionais, desde que caracterizada a relação de consumo e que a abusividade (capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada - art. 51, § 1º, do CDC) fique cabalmente demonstrada, ante as peculiaridades do julgamento em concreto." 2. Prevaleceu o entendimento de que a taxa média de mercado apurada pelo Banco Central para cada segmento de crédito é referencial útil para o controle da abusividade, mas o simples fato de a taxa efetiva cobrada no contrato estar acima da taxa média de mercado não significa, por si só, abuso. Ao contrário, a média de mercado não pode ser considerada o limite, justamente porque é média; incorpora as menores e maiores taxas praticadas pelo mercado, em operações de diferentes níveis de risco. Foi expressamente rejeitada a possibilidade de o Poder Judiciário estabelecer aprioristicamente um teto para taxa de juros, adotando como parâmetro máximo o dobro ou qualquer outro percentual em relação à taxa média. 3. O caráter abusivo da taxa de juros contratada haverá de ser demonstrado de acordo com as peculiaridades de cada caso concreto, levando-se em consideração circunstâncias como o custo da captação dos recursos no local e época do contrato, a análise do perfil de risco de crédito do tomador e o spread da operação. 4. A redução da taxa de juros contratada pelo Tribunal de origem, somente pelo fato de estar acima da média de mercado, em atenção às supostas "circunstâncias da causa" não descritas, e sequer referidas no acórdão - apenas cotejando, de um lado, a taxa contratada e, de outro, o limite aprioristicamente adotado pela Câmara em relação à taxa média divulgada pelo Bacen - está em confronto com a orientação firmada no REsp. 1.061.530/RS. 5. Hipótese, ademais, em que as parcelas foram prefixadas, tendo o autor tido conhecimento, no momento da assinatura do contrato, do quanto pagaria do início ao fim da relação negocial. 6. Agravo interno provido. (AgInt no AREsp n. 1.522.043/RS, relator Ministro Marco Buzzi, relatora para acórdão Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 17.11.2020, DJe de 10.3.2021.) Nesse contexto, registro que esta Corte Superior entende que é possível proceder à revisão da taxa de juros remuneratórios, quando caracterizada a relação de consumo e o caráter abusivo ficar devidamente demonstrado, diante das peculiaridades do caso concreto. No caso dos autos, observo que a Corte de origem manteve a sentença que limitou os juros remuneratórios, porque a taxa contratada ultrapassou a taxa média de mercado e porque foram fixados em valor que supera substancialmente o referido parâmetro, conforme se observa dos seguintes trechos (fls. 123 - 124): Sustenta a parte apelante/ré a legalidade dos juros remuneratórios contratados, sob o argumento de que a média de mercado divulgada pelo Banco Central, consoante entendimento firmado no REsp 1.061.530/RS, " não é ferramenta exclusiva para determinar qualquer abusividade ". O inconformismo não comporta provimento no ponto. (..) Desse modo, a questão a ser analisada no tocante à abusividade da cobrança de juros remuneratórios consiste na comparação entre o índice negociado entre as partes e a taxa média de mercado prevista na época da assinatura do contrato, devendo ser demonstrada a suposta abusividade e o desequilíbrio contratual em cada caso concreto (grifamos). (..) A consulta foi realizada nositedo Banco Central do Brasil, ente governamental que presta informações sobre as operações de crédito praticadas no mercado nanceiro, segundo a Circular n. 2.957, de 30/12/1999 (www.bcb.gov.br), utilizando a tabela "25464 - Taxa média mensal de juros das operações de crédito com recursos livres - Pessoas físicas - Crédito pessoal não consignado". Como se pode perceber, as taxas contratadas estão acima da média de mercado, de maneira que a discrepância se revela significativa e, portanto, configura abusividade (grifamos). Dessa forma, anoto que rever a conclusão da Corte local, a qual manteve a limitação da taxa de juros remuneratórios, em razão da manifesta abusividade da taxa pactuada no contrato em questão, diante da diferença significativa entre a taxa fixada no contrato e a taxa média de mercado divulgada pelo Banco Central do Brasil, demandaria o reexame contratual e fático dos autos, situação vedada pelos óbices das Súmulas n. 5 e 7 do STJ. Em face do exposto, nego provimento ao agravo em recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, majoro em 10% (dez por cento) a quantia já arbitrada a título de honorários em favor da parte recorrida, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do mesmo artigo. Intimem-se. EMENTA