AREsp 2767521 - DECISAO
Conheceu-se do agravo interno e, em novo exame, negou-se provimento ao recurso especial porque o acórdão recorrido estava em conformidade com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, tendo o Tribunal de origem demonstrado, diante das peculiaridades do caso, a abusividade dos juros pactuados e a necessidade...
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- Parties
- Agravante: CREFISA S/A CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Agravo Interno Decidido Pelo STJ
- Outcome
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Juros Remuneratórios, Revisão Contratual, Abusividade, Súmula 83/stj, Honorários Advocatícios
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Parties
CREFISA S/A CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Agravo Interno Decidido Pelo STJ
Legal Issues
- 1 abusividade dos juros remuneratórios
- 2 uso da taxa média do BACEN como parâmetro/limite
- 3 incidência da Súmula 83/STJ
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo interno e, em novo exame, negou-se provimento ao recurso especial porque o acórdão recorrido estava em conformidade com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, tendo o Tribunal de origem demonstrado, diante das peculiaridades do caso, a abusividade dos juros pactuados e a necessidade de limitação à taxa média do BACEN; aplicou-se a Súmula 83/STJ e majoraram-se os honorários advocatícios com fundamento no art. 85, § 11, do CPC/2015.
Court Disposition
Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
Orders
- Majoro os honorários advocatícios devidos pela parte recorrente de R$ 1.500,00 para R$ 1.800,00.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por CREFISA S/A CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS contra decisão de inadmissibilidade do recurso especial apresentado em desafio a acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, assim ementado (e-STJ, fl. 406) : "AGRAVO INTERNO EM APELAÇÃO CÍVEL. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. AÇÃO REVISIONAL. JUROS REMUNERATÓRIOS. ABUSIVIDADE. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO DO INDÉBITO. Não há limitação da taxa de juros remuneratórios, desde que não ultrapassem demasiadamente a taxa média mensal divulgada pelo BACEN para a operação, conforme orientação pacífica das Cortes Superior e Extraordinária. Caso concreto em que, mesmo que apreciadas as peculiaridades do contrato em tela, configurada a abusividade, sendo cabível a limitação às taxas do BACEN. Utilização da taxa do BACEN relativa à composição de dívidas, visto que ausente prova de que o contrato objeto da renegociação e confissão de dívida teria natureza idêntica ao revisando, ônus do qual não se desincumbiu. Permitida a compensação/repetição do indébito em havendo cobrança de parcelas indevidas, como ocorre no caso concreto. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. " Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ, fls. 434-437). Nas razões do recurso especial (e-STJ, fls. 447-472), a parte agravante apontou ofensa e divergência jurisprudencial em relação ao art. 421 do Código Civil de 2002; 927 do Código de Processo Civil de 2015; e 51 do Código de Processo Civil, ao argumento da impossibilidade de revisão contratual tão somente pela taxa média do Banco Central. Foi apresentada contrarrazões (e-STJ, fls. 626-642). O Tribunal de origem não admitiu o recurso especial em razão da incidência das Súmulas 5, 7 e 83 do STJ (e-STJ, fls. 646-648). É o relatório. Decido. Quanto aos juros remuneratórios, cabe averiguar se o tão só fato de estes extrapolarem a taxa média praticada pelo mercado financeiro em operações de mesma espécie, no período de celebração do pacto, indicaria a existência de cobrança abusiva. Ao julgar o recurso representativo da controvérsia que pacificou a questão acerca da índole abusiva dos juros remuneratórios (REsp 1.061.530/RS, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe de 10/3/2009), a em. Min. Relatora consignou, no que toca ao parâmetro a ser considerado para inferir se os juros contratados são abusivos ou não, o seguinte: "Descartados índices ou taxas fixos, é razoável que os instrumentos para aferição da abusividade sejam buscados no próprio mercado financeiro. Assim, a análise da abusividade ganhou muito quando o Banco Central do Brasil passou, em outubro de 1999, a divulgar as taxas médias, ponderadas segundo o volume de crédito concedido, para os juros praticados pelas instituições financeiras nas operações de crédito realizadas com recursos livres (conf. Circular nº 2957, de 30.12.1999). (..) A taxa média apresenta vantagens porque é calculada segundo as informações prestadas por diversas instituições financeiras e, por isso, representa as forças do mercado. Ademais, traz embutida em si o custo médio das instituições financeiras e seu lucro médio, ou seja, um "spread" médio. É certo, ainda, que o cálculo da taxa média não é completo, na medida em que não abrange todas as modalidades de concessão de crédito, mas, sem dúvida, presta-se como parâmetro de tendência das taxas de juros. Assim, dentro do universo regulatório atual, a taxa média constitui o melhor parâmetro para a elaboração de um juízo sobre abusividade. Como média, não se pode exigir que todos os empréstimos sejam feitos segundo essa taxa. Se isto ocorresse, a taxa média deixaria de ser o que é, para ser um valor fixo. Há, portanto, que se admitir uma faixa razoável para a variação dos juros. A jurisprudência, conforme registrado anteriormente, tem considerado abusivas taxas superiores a uma vez e meia (voto proferido pelo Min. Ari Pargendler no REsp 271.214/RS, Rel. p. Acórdão Min. Menezes Direito, DJ de 04.08.2003), ao dobro (Resp 1.036.818, Terceira Turma, minha relatoria, DJe de 20.06.2008) ou ao triplo (REsp 971.853/RS, Quarta Turma, Min. Pádua Ribeiro, DJ de 24.09.2007) da média. Todavia, esta perquirição acerca da abusividade não é estanque, o que impossibilita a adoção de critérios genéricos e universais. A taxa média de mercado, divulgada pelo Banco Central, constitui um valioso referencial, mas cabe somente ao juiz, no exame das peculiaridades do caso concreto, avaliar se os juros contratados foram ou não abusivos." Vê-se, assim, que a circunstância de a taxa de juros remuneratórios, praticada pela instituição financeira, exceder a taxa média de mercado, não induz, por si só, à conclusão de cobrança abusiva, consistindo a referida taxa em um referencial a ser considerado, e não em um limite que deva ser necessariamente observado pelas instituições financeiras, tal como entendeu o eg. Tribunal de origem. Portanto, para considerar aviltantes os juros remuneratórios praticados, é imprescindível que se proceda à demonstração cabal de sua natureza abusiva, em cada caso específico. No caso dos autos, segundo os fatos delineados no acórdão recorrido, o Tribunal de origem concluiu pela configuração de significativa discrepância entre a taxa pactuada e a taxa média de mercado para operações da mesma espécie, considerando-se as peculiaridades envolvidas (e-STJ, fls. 440-441): "Colegas, o agravo interno não prospera, devendo ser a decisão agravada mantida pelos seus próprios fundamentos. Verbis: (..) ORIENTAÇÃO 1 - JUROS REMUNERATÓRIOS a) As instituições financeiras não se sujeitam à limitação dos juros remuneratórios estipulada na Lei de Usura (Decreto 22.626/33), Súmula 596/STF; b) A estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano, por si só, não indica abusividade; c) São inaplicáveis aos juros remuneratórios dos contratos de mútuo bancário as disposições do art. 591 c/c o art. 406 do CC/02; d) É admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações excepcionais, desde que caracterizada a relação de consumo e que a abusividade (capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada art. 51, §1º, do CDC) fique cabalmente demonstrada, ante às peculiaridades do julgamento em concreto. (..) Alinhando-me ao entendimento desta Câmara, que admite uma pequena margem de tolerância sobre a taxa média divulgada pelo BACEN (10%), passo à análise da hipótese dos autos. No caso concreto, trata-se de contrato de empréstimo não consignado, com desconto em conta corrente e, ainda que tenha maior risco de inadimplência em comparação com os empréstimos consignados, tem-se que a própria taxa média do BACEN já contempla as peculiaridades deste tipo de negociação, haja vista que faz um cotejo das taxas praticadas por todas as instituições financeiras em contratos desta mesma espécie. Na hipótese, a contratação ocorreu em junho/2021, sendo pactuada a taxa de juros remuneratórios no percentual de 22% a. m., mês no qual a taxa média divulgada pelo BACEN foi de 5,01% a. m. (Série 25464 - Taxa média mensal de juros das operações de crédito com recursos livres - Pessoas Físicas - Crédito pessoal não consignado). Ainda que não se desconheça o risco de inadimplência diante do público alvo com o qual optou a apelante trabalhar, o certo é que a taxa de juros pactuada no contrato revisando revela flagrante abusividade, pois, muito superior à taxa média do BACEN, conforme assentado. Em outras palavras, o fato de a ré ter optado por desenvolver sua atividade com empréstimos de maior risco, não se constitui em salvo conduto para a cobrança de taxas elevadíssimas de juros, muito superiores àquelas divulgadas pelo BACEN, como no caso em tela. Acrescento que, embora a apelante defenda a regularidade dos juros sob o prisma do risco da operação, em razão da taxa de inadimplência e demora na recuperação do crédito, tal argumento não prospera, à medida que o entendimento aplicável quanto aos juros remuneratórios é de que superando 10% a taxa média do BACEN são considerados abusivos, impondo-se a limitação à referida taxa, não restando contemplada a diferenciação pretendida pela recorrente. Ou seja, embutir tais custos na taxa de juros, a justificar a cobrança de percentuais abusivos, não se mostra viável, diante do entendimento jurisprudencial que vem sendo adotado por esta Câmara, a qual, como já dito, considera como abusivas taxas que superam 10% da taxa média do BACEN. Por outro lado, pretendendo o repasse de tais custos ao consumidor, cabe à instituição financeira proceder de outra forma, que não seja elevando a taxa de juros, desde que seja legal e transparente aos olhos do contratante, sob pena de ver, em inúmeras demandas judiciais, revisados seus contratos de forma a limitar os juros à média de mercado divulgada pelo BACEN. Logo, demonstrado que o consumidor está em desvantagem exagerada, admite-se a revisão da taxa de juros remuneratórios, a fim de aplicar a taxa média do BACEN. Em relação à descaracterização da mora, do julgamento do R Esp 1.061.530/RS, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, extrai-se a seguinte orientação: (..) Acrescento, em atenção às razões da agravante, que ainda que não se desconheça o risco de inadimplência diante do público alvo com o qual optou a apelante trabalhar, o certo é que a taxa de juros pactuada no contrato revisando revela flagrante abusividade, pois, muito superior à taxa média do BACEN, conforme assentado. Em outras palavras, o fato de a ré ter optado por desenvolver sua atividade com empréstimos de maior risco, não se constitui em salvo conduto para a cobrança de taxas elevadíssimas de juros, muito superiores àquelas divulgadas pelo BACEN, como no caso em tela. Insta consignar, ainda, que embora a apelante defenda a regularidade dos juros sob o prisma do risco da operação, em razão da taxa de inadimplência e demora na recuperação do crédito, tal argumento não prospera, à medida que o entendimento aplicável quanto aos juros remuneratórios é de que superando 10% a taxa média do BACEN são considerados abusivos, impondo-se a limitação à referida taxa, não restando contemplada a diferenciação pretendida pela recorrente. Ou seja, embutir tais custos na taxa de juros, a justificar a cobrança de percentuais abusivos, não se mostra viável, diante do entendimento jurisprudencial que vem sendo adotado por esta Câmara, a qual, como já dito, considera como abusivas taxas que superam 10% da taxa média do BACEN." (Sem grifo no original). Desse modo, constatada a conformidade do acórdão recorrido com a jurisprudência desta Corte, é inviável o provimento do recurso especial no tópico, nos termos da Súmula 83/STJ. A propósito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA. RECONSIDERAÇÃO. BANCÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL. JUROS REMUNERATÓRIOS. ÍNDOLE ABUSIVA. CONSONÂNCIA DO ACÓRDÃO RECORRIDO COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. SÚMULA 83/STJ. AGRAVO INTERNO PROVIDO. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Agravo interno contra decisão da Presidência, que não conheceu do agravo em recurso especial, em razão da falta de impugnação específica de fundamento decisório. Reconsideração. 2. No caso, o Tribunal a quo concluiu pelo caráter abusivo dos juros remuneratórios pactuados, considerando que excederam, de forma considerável, a taxa média de mercado. Nesse contexto, observa-se que a controvérsia foi decidida em conformidade com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Incidência da Súmula 83 do STJ. 3. Agravo interno provido para reconsiderar a decisão agravada, e, em novo exame, conhecer do agravo para negar provimento ao recurso especial. (AgInt no AREsp n. 2.473.713/RS, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 19/3/2024, DJe de 22/3/2024.) Diante do exposto, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Com supedâneo no art. 85, § 11, do CPC/2015, majoro os honorários advocatícios devidos pela parte recorrente de R$ 1.500,00 para R$ 1.800,00 . EMENTA