AREsp 2822839 - DECISAO
Nega-se provimento ao agravo porque não houve prequestionamento do art. 421 do CC, nos termos da Súmula 282 do STF, o que impede o conhecimento da insurgência; além disso, o Tribunal de origem corretamente concluiu pela abusividade da taxa de juros contratada com fundamento na comparação com a taxa média de mercado...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos / Decisão Que Inadmitiu O Recurso Especial
- Outcome
- Negado provimento ao agravo.
- Legal Topics
- Juros Remuneratórios, Abusividade De Taxas, Taxa Média De Mercado, Restituição De Valores, Prequestionamento, Súmulas 5 E 7 Do STJ, Súmula 83 Do STJ, Art. 421 Do CC
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Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos / Decisão Que Inadmitiu O Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Abusividade da taxa de juros remuneratórios
- 2 Comparação da taxa contratada com a taxa média de mercado divulgada pelo Banco Central
- 3 Prequestionamento do art. 421 do CC
Ratio Decidendi
Nega-se provimento ao agravo porque não houve prequestionamento do art. 421 do CC, nos termos da Súmula 282 do STF, o que impede o conhecimento da insurgência; além disso, o Tribunal de origem corretamente concluiu pela abusividade da taxa de juros contratada com fundamento na comparação com a taxa média de mercado apurada pelo Banco Central, conclusão que não se desconstitui em razão das Súmulas n. 5 e 7 do STJ e da aplicação da Súmula n. 83 do STJ.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo.
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Majorou em 20% o valor atualizado dos honorários advocatícios arbitrados na origem em favor do patrono da parte recorrida, nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial em razão da incidência das Súmulas n. 5 e 7 do STJ (fls. 717/720). O acórdão recorrido encontra-se assim ementado (fl. 472): APELAÇÕES - AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO - CONTRATO DE EMPRÉSTIMO PESSOAL - DÉBITO NÃO CONSIGNADO - JUROS REMUNERATÓRIOS - TAXA SUPERIOR A MÉDIA DE MERCADO - REDUÇÃO - COBRANÇA INDEVIDA - RESTITUIÇÃO DOS VALORES - SENTENÇA MANTIDA. 1. O STJ pacificou seu entendimento no sentido de que a abusividade da taxa de juros remuneratórios prevista no contrato é aferida em comparação com o limite de uma vez e meia a taxa média de mercado, para o período de celebração do ajuste, conforme tabela divulgada pelo BACEN. 2. A restituição dos valores cobrados indevidamente deve ser feita de forma simples porquanto o pagamento indevido de encargos tem amparo em previsão contratual e não há indícios de quebra dos deveres de lealdade e cooperação na relação contratual estabelecida entre as partes (boa-fé objetiva). 3. Recursos não providos. Os embargos de declaração foram rejeitados (fls. 523/527). Nas razões do recurso especial (fls. 530/554), interposto com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da CF, a parte recorrente alegou dissídio jurisprudencial e violação do art. 421 do CC, pois (fl. 539): .. o D. Juízo a quo incontroversamente invalidou um ato jurídico perfeito, justificando suas razões de decidir unicamente no fato de as taxas dos juros remuneratórios fixadas em contrato destoarem daquelas estabelecidas pelo Banco Central para o período, bem como determinou a adequação da taxa de juros pautada na "taxa média de mercado", sem ao menos considerar as particularidades da contratação em discussão, tampouco sem realizar uma detida e necessária análise quanto aos altos riscos da contratação em discussão. Foram apresentadas contrarrazões (fls. 700/713). No agravo (fls. 723/732), afirma a presença dos requisitos de admissibilidade do especial. Não foi oferecida contraminuta (fl. 741). Juízo negativo de retratação (fl. 742). É o relatório. Decido. O Tribunal a quo não se pronunciou sobre o conteúdo normativo do art. 421 do CC sob o enfoque dado pela parte, circunstância que impede o conhecimento da insurgência por falta de prequestionamento, conforme a Súmula n. 282 do STF, aplicada por analogia. Ainda que superado o enunciado do STF, observo que, ao apreciar a questão relativa aos juros remuneratórios, o Tribunal de origem concluiu pela abusividade da taxa contratada em comparação com a média mensal apurada pelo Banco Central para operações da mesma espécie no período da contratação, fundamentando o caráter abusivo dos juros remuneratórios ( fls. 477/478): O instrumento apresentado pelo réu (ordem 38) - contrato de empréstimo pessoal não consignado, datado de 14 de janeiro de 2016, revela a incidência de juros mensais de 22,00% e juros anuais de 987,22%. (..) No caso, como estabelecido na sentença: (..) IMPERIOSO CONCLUIR PELA DIVERGÊNCIA, ABUSIVIDADE E ONEROSIDADE DA TAXA MÉDIA DE JUROS PACTUADA (22,00% a. m. e 987,22% a. a.), COM A MÉDIA PRATICADA PELO MERCADO FINANCEIRO À ÉPOCA DA CONTRATAÇÃO (6,73% a. m. e 118,49% a. a.). O entendimento está de acordo com a jurisprudência desta Corte. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. SUSPENSÃO DA AÇÃO. INAPLICABILIDADE. JUSTIÇA GRATUITA. AUSÊNCIA DE PROVEITO PARA A PARTE. MÉRITO. JUROS REMUNERATÓRIOS. CRÉDITO CONSIGNADO. NATUREZA ABUSIVA. TAXA MÉDIA DE MERCADO. REFERENCIAL. SÚMULA N. 83 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. (..) 3. "É admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações excepcionais, desde que caracterizada a relação de consumo e que a abusividade (capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada art. 51, § 1º, do CDC) fique cabalmente demonstrada, ante às peculiaridades do julgamento em concreto" (REsp 1.061.530/RS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, julgado em 22/10/2008, DJe 10/03/2009) 4. A taxa média de mercado apurada pelo Banco Central para cada segmento de crédito é referencial útil para o controle do abuso da taxa de juros remuneratórios contratada. Precedentes. 5. "Em qualquer hipótese, é possível a correção para a taxa média se for verificada abusividade nos juros remuneratórios praticados" (REsp n. 1.112.879/PR, relatora Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, julgado em 12/5/2010, DJe de 19/5/2010). 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.427.734/RS, de minha relatoria, Quarta Turma, julgado em 26/02/2024, DJe 29/02/2024.) Incide a Súmula n. 83 do STJ, aplicável aos recursos interpostos com base tanto na alínea "c" quanto na alínea "a" do permissivo constitucional. Ademais , é inviável desconstituir a convicção formada pelas instâncias ordinárias quanto às peculiaridades do contrato e à ausência de prova por parte da recorrente, em razão das Súmulas n. 5 e 7 do STJ. Ante o exposto, NEGO PROVIM ENTO ao agravo. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro em 20% o valor atualizado dos honorários advocatícios arbitrados na origem em favor do patron o da parte recorrida, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo. Publique-se e intimem-se. EMENTA