AREsp 2841811 - DECISAO
DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial em virtude da incidência das Súmulas n. 5 e 7 do STJ e 282 e 284 do STF (fls. 712-714). O acórdão do Tribunal a quo está assim ementado (fl. 526): AGRAVO INTERNO - REVISIONAL BANCÁRIA - JUROS REMUNATÓRIOS QUE...
Source-derived case information.
- Parties
- Consumidora: Maria; Instituição Financeira: Crefisa
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos / Decisão
- Legal Topics
- Juros Remuneratórios, Revisional De Contrato Bancário, Súmulas, Litigância De Má Fé, Multa Por Embargos De Declaração
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Maria
Consumidora
Crefisa
Instituição Financeira
Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos / Decisão
Legal Issues
- 1 admissibilidade do recurso especial diante das Súmulas nº 5 e 7 do STJ e 282 e 284 do STF
- 2 possibilidade de limitação dos juros remuneratórios à taxa média de mercado
- 3 aplicação e manutenção da multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial em virtude da incidência das Súmulas n. 5 e 7 do STJ e 282 e 284 do STF (fls. 712-714). O acórdão do Tribunal a quo está assim ementado (fl. 526): AGRAVO INTERNO - REVISIONAL BANCÁRIA - JUROS REMUNATÓRIOS QUE DEVEM ORBITAR EM TORNO DA MÉDIA DE MERCADO - LIMITAÇÃO CABÍVEL E ADEQUADA - RECURSO INTERNO DESPROVIDO Os juros remuneratórios não podem divorciar-se da taxa média de mercado, autorizada, é claro, certa discrepância, natural do livre mercado e desde que não se revele excessiva (STJ - Agravo Interno no Agravo em Recurso Especial nº 1.823.166/RS, Quarta Turma, unânime, relator Ministro Marco Buzzi, j. em 21.2.2022). Os embargos de declaração foram rejeitados (fls. 549-551), com imposição da sanção prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC. No recurso especial (fls. 566-600), fundamentado no art. 105, III, "a" e "c", da CF, a recorrente apontou divergência jurisprudencial e violação dos seguintes dispositivos: (i) art. 421 do CC, defendendo a impossibilidade de limitação dos juros remuneratórios, e (ii) arts. 80, VII, e 1.026, § 2º, do CPC, insurgindo-se contra a multa aplicada por oposição de embargos de declaração. Contrarrazões não apresentadas (fls. 705-709). No agravo (fls. 722-733), afirma a presença de todos os requisitos de admissibilidade do especial. Contraminuta não apresentada (fls. 742-743). É o relatório. Decido. Inicialmente, quanto aos juros remuneratórios, o Tribunal de origem assim se manifestou (fls. 524-525): Ultrapassado isso, não se desconhece que "a estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano, por si só, não indica abusividade" (STJ - Súmula nº 382). Todavia, a taxa prevista no contrato entabulado entre Maria e a Crefisa destoa significativamente da divulgada pelo Banco Central para operação análoga na época do empréstimo, o que corrobora a alegada abusividade. A discrepância é visível na medida em que os juros exigidos do consumidor foram praticados em patamar superior ao da média de mercado: .. Diante da nítida onerosidade excessiva a que a consumidora foi exposta no referido contrato, a taxa de juros remuneratórios deve ser minorada porque "os juros remuneratórios devem ser limitados à taxa média de mercado quando comprovada, no caso concreto, a significativa discrepância entre a taxa pactuada e a taxa de mercado para operações similares .. " (Agravo Interno no Agravo em Recurso Especial nº 1.823.166/RS, Quarta Turma, unânime, relator Ministro Marco Buzzi, j. em 21.2.2022). Para além disso, "a procedência dos pedidos formulados em ação revisional de contrato bancário possibilita tanto a compensação de créditos quanto a devolução da quantia paga indevidamente, em obediência ao princípio que veda o enriquecimento ilícito" (STJ - Agravo Interno no Recurso Especial nº 1.679.635/PR, Quarta Turma, unânime, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, j. em 10.8.2020). Nesse contexto, consignou que: (I) em relação ao contrato n. 030700069320, o contrato estabeleceu a taxa em 22% ao mês, enquanto a média de mercado divulgada pelo BACEN para o período contratado (outubro de 2021) foi de 5,19% ao mês, (II) em relação ao contrato n. 030700068615, o contrato estabeleceu a taxa em 22% ao mês, enquanto a média de mercado divulgada pelo BACEN para o período contratado (agosto de 2021) foi de 5,01% ao mês, (III) em relação ao contrato n. 030700067806, o contrato estabeleceu a taxa em 20,5% ao mês, enquanto a média de mercado divulgada pelo BACEN para o período contratado (maio de 2021) foi de 5,05% ao mês, (IV) em relação ao contrato n. 030700067064, o contrato estabeleceu a taxa em 22% ao mês, enquanto a média de mercado divulgada pelo BACEN para o período contratado (março de 2021) foi de 5,27% ao mês, (V) em relação ao contrato n. 030700066798, o contrato estabeleceu a taxa em 17% ao mês, enquanto a média de mercado divulgada pelo BACEN para o período contratado (fevereiro de 2021) foi de 5,23% ao mês, (VI) em relação ao contrato n. 030700059003, o contrato estabeleceu a taxa em 22% ao mês, enquanto a média de mercado divulgada pelo BACEN para o período contratado (janeiro de 2019) foi de 6,64% ao mês, (VII) em relação ao contrato n. 030700048160, o contrato estabeleceu a taxa em 22% ao mês, enquanto a média de mercado divulgada pelo BACEN para o período contratado (julho de 2018) foi de 6,74% ao mês, (VIII) em relação ao contrato n. 030700046399, o contrato estabeleceu a taxa em 18,5% ao mês, enquanto a média de mercado divulgada pelo BACEN para o período contratado (março de 2018) foi de 6,99% ao mês, e (IX) em relação ao contrato n. 030700068951, o contrato estabeleceu a taxa em 20,5% ao mês, enquanto a média de mercado divulgada pelo BACEN para o período contratado (setembro de 2021) foi de 4,89% ao mês. O acórdão recorrido, levando em consideração as provas dos autos e o contrato celebrado, afirmou que ficou evidente que a taxa de juros remuneratórios contratada extrapolou substancialmente a média do mercado. Concluiu assim pela necessidade de limitação do encargo, tendo em vista a abusividade da taxa aplicada. Dessa forma, desconstituir a convicção formada pelas instâncias ordinárias e acolher os argumentos do recurso especial é inviável, em razão das Súmulas n. 5 e 7 do STJ. Ademais, ressalta-se que o entendimento da Corte de origem está de acordo com a jurisprudência desta Corte. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. SUSPENSÃO DA AÇÃO. INAPLICABILIDADE. JUSTIÇA GRATUITA. AUSÊNCIA DE PROVEITO PARA A PARTE. MÉRITO. JUROS REMUNERATÓRIOS. CRÉDITO CONSIGNADO. NATUREZA ABUSIVA. TAXA MÉDIA DE MERCADO. REFERENCIAL. SÚMULA N. 83 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. .. 3. "É admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações excepcionais, desde que caracterizada a relação de consumo e que a abusividade (capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada art. 51, § 1º, do CDC) fique cabalmente demonstrada, ante às peculiaridades do julgamento em concreto" (REsp 1.061.530/RS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, julgado em 22/10/2008, DJe 10/03/2009) 4. A taxa média de mercado apurada pelo Banco Central para cada segmento de crédito é referencial útil para o controle do abuso da taxa de juros remuneratórios contratada. Precedentes. 5. "Em qualquer hipótese, é possível a correção para a taxa média se for verificada abusividade nos juros remuneratórios praticados" (REsp n. 1.112.879/PR, relatora Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, julgado em 12/5/2010, DJe de 19/5/2010). 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.427.734/RS, de minha relatoria, Quarta Turma, julgado em 26/02/2024, DJe 29/02/2024.) Incide também a Súmula n. 83 do STJ no caso em apreço . Quanto ao dissídio jurisprudencial, as mesmas súmulas impedem seu exame, na medida em que falta identidade entre os paradigmas apresentados e os fundamentos do acórdão, tendo em vista a situação fática do caso concreto, com base na qual se deu solução à causa. No mais, a insurgência quanto à inexistência de litigância de má-fé não se sustenta. Note-se que a agravante alegou a impossibilidade de aplicação de multa por litigância de má-fé (art. 80, VII, do CPC). Tal argumento está desconexo do contexto dos autos, tendo em vista que o TJSC não impôs a multa mencionada no dispositivo legal em questão. Dessa forma, há discrepância entre as razões recursais e os fundamentos dos arestos recorridos, o que impede o conhecimento do especial, ante a incidência das Súmulas n. 283 e 284 do STF. Por fim, a interposição dos aclaratórios, na origem, decorreu do exercício do direito de insurgir-se da parte, que se valeu desse meio de modo a tentar discutir matéria relevante. Dessa forma, deve-se afastar a multa aplicada. Ante o exposto, CONHEÇO do agravo e DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso especial apenas para afastar a multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC. Publique-se e intimem-se. EMENTA