AREsp 2870267 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo porque o Tribunal a quo não prequestionou o conteúdo normativo do art. 421 do CC, inviabilizando o conhecimento da insurgência por ausência de prequestionamento (Súmula 282/STF), e porque a revisão da conclusão sobre abusividade dos juros exigiria reavaliação de matéria...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos (agravo Em Recurso Especial) / Decisão Sobre Agravo Nos Próprios Autos (inadmissão/negativa De Provimento)
- Outcome
- NEGO PROVIMENTO ao agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Juros Remuneratórios, Revisional De Contrato, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmulas Do STJ, Prequestionamento, Ônus Da Sucumbência, Honorários Advocatícios
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Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos (agravo Em Recurso Especial) / Decisão Sobre Agravo Nos Próprios Autos (inadmissão/negativa De Provimento)
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial em razão das Súmulas n. 5 e 7 do STJ
- 2 falta de prequestionamento do art. 421 do Código Civil (Súmula n. 282 do STF)
- 3 possibilidade de limitação dos juros remuneratórios com base na taxa média de mercado divulgada pelo Banco Central
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque o Tribunal a quo não prequestionou o conteúdo normativo do art. 421 do CC, inviabilizando o conhecimento da insurgência por ausência de prequestionamento (Súmula 282/STF), e porque a revisão da conclusão sobre abusividade dos juros exigiria reavaliação de matéria fático-probatória vedada no recurso especial (Súmulas 5 e 7 do STJ); ademais, não foi demonstrado cotejo analítico necessário para admitir divergência jurisprudencial na alínea 'c' do art. 105 da CF.
Court Disposition
NEGO PROVIMENTO ao agravo em recurso especial.
Orders
- Julgo prejudicado o pedido de concessão de efeito suspensivo ao recurso.
- NEGO PROVIMENTO ao agravo em recurso especial.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial em razão da incidência das Súmulas n. 5 e 7 do STJ e ausência de similitude fática no dissídio jurisprudencial (fls. 523-526). O acórdão recorrido encontra-se assim ementado (fls. 309): APELAÇÃO. REVISIONAL DE CONTRATO. CRÉDITO PESSOAL NÃO CONSIGNADO. PEDIDO JULGADO IMPROCEDENTE. JUROS REMUNERATÓRIOS. RECURSO DA PARTE ATIVA. PERCENTUAIS PACTUADOS NOS CONTRATOS QUESTIONADOS, QUE SUPERAM O DOBRO DA TAXA MÉDIA DE MERCADO, PUBLICADA PELO BACEN. PARÂMETRO QUE VIGE NESTA CÂMARA. CARACTERIZADA A ABUSIVIDADE. RESP N. 1.061.530 / RS. PRECEDENTES DESTA CORTE. NECESSIDADE DE LIMITAÇÃO À TAXA MÉDIA. SENTENÇA REFORMADA. REDISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA SUCUMBÊNCIA. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. Os embargos de declaração foram rejeitados (fls. 337-344). Nas razões do recurso especial (fls. 349-379), interposto com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da CF, a parte recorrente alegou dissídio jurisprudencial e violação do art. 421 do Código Civil, porque (fl. 360): .. o entendimento firmado quando do julgamento do REsp 1821182/RS no sentido de que " .. a taxa média de mercado apurada pelo Banco Central para cada segmento de crédito é referencial útil para o controle da abusividade, mas o simples fato de a taxa efetiva cobrada no contrato estar acima da taxa média de mercado não significa, por si só, abuso. Ao contrário, a média de mercado não pode ser considerada o limite, justamente porque é média; incorpora as menores e maiores taxas praticadas pelo mercado, em operações de diferentes níveis de risco. Foi expressamente rejeitada a possibilidade de o Poder Judiciário estabelecer aprioristicamente um teto para taxa de juros, adotando como parâmetro máximo o dobro ou qualquer outro percentual em relação à taxa média .. ". Requereu a concessão de efeito suspensivo ao recurso, a fim de garantir a eficácia da decisão final da causa. Foram apresentadas contrarrazões (fls. 499-522). No agravo (fls. 578-587), afirma a presença dos requisitos de admissibilidade do especial. Foi oferecida contraminuta (fls. 596-605). Juízo negativo de retratação (fl. 607). É o relatório. Decido. O Tribunal a quo não se pronunciou sobre o conteúdo normativo do art. 421 do CC sob o enfoque dado pela parte, circunstância que impede o conhecimento da insurgência por falta de prequestionamento, conforme a Súmula n. 282 do STF, aplicada por analogia. Ainda que superado o enunciado do STF, observo que, ao apreciar a questão relativa aos juros remuneratórios, o Tribunal de origem concluiu pela abusividade da taxa contratada em comparação com a média mensal apurada pelo Banco Central para operações da mesma espécie no período da contratação, fundamentando o caráter abusivo dos juros remuneratórios (fls. 310-313): Aduzira, a parte ativa, apelante, que as taxas de juros praticadas pela Instituição financeira foram abusivas, e, por isso, devem ser limitadas à taxa média de mercado. E, com razão! Ora, é certo que os contratos de adesão para a obtenção de crédito pessoal (de ns. 032640008225, 032640009624, 032640010744 e 032640024113), celebrados pelas partes são expressos, os tais juros à taxa mensal em 22,00%, 22,00%, 18,50% e 17,00%, mas, os efetivos, à taxa anual de 987,22%, 987,22%, 666,69% e 558,01% e que, uma vez decompostos, apontam taxa mensal previamente pactuada. Noutras palavras, os juros foram estabelecidos e calculados de antemão, à integração ao cabo das parcelas, exatamente como se previra nos contratos, nos demonstrativos. Logo, as taxas destes foram praticadas como expressamente pactuadas, o que, todavia, não afasta a possibilidade de ser reconhecida a abusividade no caso. .. Ademais, a jurisprudência tem reputado abusiva a taxa dos juros remuneratórios pactuada quando superior a uma vez e meia, ao dobro ou triplo da média divulgada pelo Bacen, e, nesta eventualidade, reduzindo ou limitando aquela ao parâmetro desta, do BACEN. .. : .. Assim, a tese da parte apelante ora é acolhida, reformando-se a sentença, para declarar a abusividade dos juros remuneratórios das avenças ns. 032640008225, 032640009624, 032640010744 e 032640024113, limitando-os as taxas de mercado (a anual) divulgada pelo BACEN. Logo, ao recurso para julgar procedente o pedido ora se dá provimento inicial. O entendimento está de acordo com a jurisprudência desta Corte. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. SUSPENSÃO DA AÇÃO. INAPLICABILIDADE. JUSTIÇA GRATUITA. AUSÊNCIA DE PROVEITO PARA A PARTE. MÉRITO. JUROS REMUNERATÓRIOS. CRÉDITO CONSIGNADO. NATUREZA ABUSIVA. TAXA MÉDIA DE MERCADO. REFERENCIAL. SÚMULA N. 83 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. .. 3. "É admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações excepcionais, desde que caracterizada a relação de consumo e que a abusividade (capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada art. 51, § 1º, do CDC) fique cabalmente demonstrada, ante às peculiaridades do julgamento em concreto" (REsp 1.061.530/RS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, julgado em 22/10/2008, DJe 10/03/2009) 4. A taxa média de mercado apurada pelo Banco Central para cada segmento de crédito é referencial útil para o controle do abuso da taxa de juros remuneratórios contratada. Precedentes. 5. "Em qualquer hipótese, é possível a correção para a taxa média se for verificada abusividade nos juros remuneratórios praticados" (REsp n. 1.112.879/PR, relatora Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, julgado em 12/5/2010, DJe de 19/5/2010). 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.427.734/RS, de minha relatoria, Quarta Turma, julgado em 26/02/2024, DJe 29/02/2024.) Incide a Súmula n. 83 do STJ, aplicável aos recursos interpostos com base tanto na alínea "c" quanto na alínea "a" do permissivo constitucional. Além disso, rever a conclusão do acórdão, quanto às peculiaridades que envolvem a contratação e que evidenciam a abusividade das taxas de juros contratadas, demandaria reavaliação do contrato e incursão no campo fático-probatório, providências vedadas na via especial, conforme as Súmulas n. 5 e 7 do STJ. Nesse sentido, em casos análogos: AgInt no AREsp n. 2.311.111/RS, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 12/6/2023, DJe de 19/6/2023; e AgInt no AgInt no AREsp n. 2.027.066/RS, de minha relatoria, Quarta Turma, julgado em 15/8/2022, DJe de 18/8/2022. Outrossim, para o conhecimento do recurso especial com base na alínea "c" do permissivo constitucional, seria indispensável demonstrar, por meio de cotejo analítico, que as soluções encontradas tanto na decisão recorrida quanto nos paradigmas tiveram por base as mesmas premissas fáticas e jurídicas, existindo entre elas similitude de circunstâncias. Contudo, a parte não se desobrigou desse ônus, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015. Julgo prejudicado o pedido de concessão de efeito suspensivo ao recurso. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo em recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro em 20% o valor atualizado dos honorários advocatícios arbitrados na origem em favor do patrono da parte recorrida, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo. Publique-se e intimem-se. EMENTA