AREsp 2849595 - DECISAO
Negou‑se provimento ao agravo porque não houve prequestionamento quanto à violação do art. 421 do CC, incidindo as Súmulas 282 e 356 do STF; ademais, o Tribunal de origem motivadamente concluiu pela abusividade da taxa contratada ao compará‑la com a média do Banco Central e limitou os juros à taxa média,...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos / Decisão Sobre Agravo Interposto Contra Inadmissão De Recurso Especial (admissibilidade)
- Outcome
- Nego provimento ao agravo.
- Legal Topics
- Juros Remuneratórios, Revisão Contratual, Abusividade De Taxa, Prova Pericial, Cerceamento De Defesa, Honorários Advocatícios, Súmulas Do STJ, Taxa Média De Mercado
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Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos / Decisão Sobre Agravo Interposto Contra Inadmissão De Recurso Especial (admissibilidade)
Legal Issues
- 1 prequestionamento para análise de violação do art. 421 do CC
- 2 abusividade de juros remuneratórios em comparação com a taxa média do Banco Central
- 3 necessidade ou não de prova pericial para aferir abusividade e quantificação
Ratio Decidendi
Negou‑se provimento ao agravo porque não houve prequestionamento quanto à violação do art. 421 do CC, incidindo as Súmulas 282 e 356 do STF; ademais, o Tribunal de origem motivadamente concluiu pela abusividade da taxa contratada ao compará‑la com a média do Banco Central e limitou os juros à taxa média, entendimento em consonância com a jurisprudência do STJ, sendo inviável o reexame de fatos e provas neste Tribunal (Súmulas 5 e 7/STJ).
Court Disposition
Nego provimento ao agravo.
Orders
- Majoram os honorários advocatícios em 20% (vinte por cento) do valor arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, observando‑se os limites dos §§ 2º e 3º
- Publique‑se e intimem‑se
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial em razão da incidência das Súmulas n. 5, 7 e 83 do STJ e da ausência de divergência jurisprudencial (fls. 637-6 40). O acórdão recorrido encontra-se assim ementado (fl. 416): APELAÇÃO CÍVEL. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. AÇÃO REVISIONAL. PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA AFASTADA. CONTRATO DE EMPRÉSTIMO PESSOAL NÃO CONSIGNADO. JUROS REMUNERATÓRIOS MUITO ACIMA DA TAXA MÉDIA. ABUSIVIDADE CONSTATADA NO CASO CONCRETO, DESCARACTERIZAÇÃO DA MORA. DEVOLUÇÃO DE VALORES. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. SENTENÇA MANTIDA. - Incumbe à parte demandada o ônus de provar o fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, visando justificar, esclarecer, demonstrar a metodologia de cálculo adotada para se chegar a taxa reconhecidamente abusiva contratada. Embora a instituição financeira demandada tenha informado que se trata de contrato de alto risco, tal fato, por si só, não justifica a abusividade da taxa adotada. É necessário a comprovação com elementos que justifiquem a individualização do parâmetro adotado em relação à parte autora, ônus do qual a ré não se desincumbiu. - No caso, o percentual estipulado no contrato difere significativamente da taxa média de mercado apurada pelo Banco Central à época da contratação, restando, portanto, caracterizada a abusividade. - A caracterização da mora ocorre quando constatada a exigência de encargos abusivos no período da normalidade da contratação (juros remuneratórios e capitalização), o que se observa no caso em apreço. - Devida a restituição dos valores, na forma simples, na medida em que a cobrança se deu com fundamento em cláusulas expressamente ajustadas. RECURSO DESPROVIDO. Os embargos de declaração foram rejeitados (fls. 445-447) Nas razões do recurso especial (fls. 454-483), interposto com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da CF, a parte recorrente alegou dissídio jurisprudencial e violação, além de dissídio jurisprudencial: (i) do art. 421 do CC, pois (fl. 466): o acórdão recorrido invalidou um ato jurídico perfeito, justificando suas razões de decidir unicamente no fato de as taxas dos juros remuneratórios fixadas em contrato destoarem daquelas estabelecidas pelo Banco Central para o período, bem como determinou a adequação da taxa de juros pautada na "taxa média de mercado" (..) (ii) dos arts. 355, I e II, e 356, I e II, do CPC, porque (fl. 469): .. evidente que a prova pericial se torna necessária e imprescindível, visto que apenas um expert no assunto, com o necessário conhecimento técnico e de confiança do juízo pode de fato analisar todas as particularidades e riscos envolvidos e indicar, quando for o caso, o percentual mais adequado a ser estabelecido. No agravo (fls. 648-657), afirma a presença dos requisitos de admissibilidade do especial. Contraminuta não apresentada (fl. 659). É o relatório. Decido. Não houve pronunciamento do Tribunal de origem quanto à violação do art. 421 do CC nem a Corte local foi instada a fazê-lo por via de embargos declaratórios, circunstância que impede o conhecimento da insurgência por falta de prequestionamento. Assim, devem ser aplicadas ao caso as Súmulas n. 282 e 356 do STF. Ademais, ao apreciar a questão relativa aos juros remuneratórios, o Tribunal de origem concluiu pela abusividade da taxa contratada em comparação com a média mensal apurada pelo Banco Central para operações da mesma espécie no período da contratação, fundamentando o caráter abusivo dos juros remuneratórios. O acórdão ora recorrido julgou abusiva a taxa de 19,00% a. m., prevista no contrato, e limitou os juros remuneratórios a 5,01% a. m., índice correspondente à média de mercado na respectiva modalidade de crédito (fl. 413). O entendimento está de acordo com a jurisprudência desta Corte. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. SUSPENSÃO DA AÇÃO. INAPLICABILIDADE. JUSTIÇA GRATUITA. AUSÊNCIA DE PROVEITO PARA A PARTE. MÉRITO. JUROS REMUNERATÓRIOS. CRÉDITO CONSIGNADO. NATUREZA ABUSIVA. TAXA MÉDIA DE MERCADO. REFERENCIAL. SÚMULA N. 83 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. .. 3. "É admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações excepcionais, desde que caracterizada a relação de consumo e que a abusividade (capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada art. 51, § 1º, do CDC) fique cabalmente demonstrada, ante às peculiaridades do julgamento em concreto" (REsp 1.061.530/RS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, julgado em 22/10/2008, DJe 10/03/2009) 4. A taxa média de mercado apurada pelo Banco Central para cada segmento de crédito é referencial útil para o controle do abuso da taxa de juros remuneratórios contratada. Precedentes. 5. "Em qualquer hipótese, é possível a correção para a taxa média se for verificada abusividade nos juros remuneratórios praticados" (REsp n. 1.112.879/PR, relatora Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, julgado em 12/5/2010, DJe de 19/5/2010). 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.427.734/RS, de minha relatoria, Quarta Turma, julgado em 26/02/2024, DJe 29/02/2024.) Incide, portanto, a Súmula n. 83/STJ . Ainda, desconstituir a convicção formada pelas instâncias de origem acerca das peculiaridades do contrato e à ausência de prova por parte da recorrente, para assim acolher os argumentos do recurso especial, é inviável em razão das Súmulas n. 5 e 7 do STJ. Quanto ao cerceamento de defesa, a Corte local entendeu (fl. 412): No caso, a magistrada considerou suficientes os elementos probatórios trazidos para elucidar a questão, sendo desnecessária a perícia. Ausente o prejuízo apontado, diante da desnecessidade de realização de prova pericial na fase de conhecimento, visto se tratar de matéria eminentemente de direito. Ademais, a prova pericial objetiva, dentre outras funções, à quantificação do montante devido por qualquer das partes, observando-se os parâmetros fixados no título executivo judicial, que ainda não há. Destarte, entendo desnecessária a prova pericial pleiteada, afastando a prefacial. Assim, modificar o entendimento do acórdão impugnado e reconhecer a existência de cerceamento de defesa, pelo julgamento antecipado da lide e pela desnecessidade de prova pericial, demandaria reexame do conjunto fático-probatório dos autos, providência não admitida no âmbito desta Corte, a teor da Súmula n. 7/STJ. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo. Na forma do art. 85, § 11, do CPC, MAJORO os honorários advocatícios em 20% (vinte por cento) do valor arbitrado, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo. Publique-se e intimem-se. EMENTA