AREsp 2876187 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo porque o Tribunal de origem concluiu, em consonância com a jurisprudência do STJ, pela abusividade da taxa de juros contratada (22% ao mês) em comparação com a taxa média do Banco Central no período (1,76% ao mês), sendo aplicáveis as Súmulas n. 83, 5 e 7 do STJ e havendo ausência de...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos / Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial
- Outcome
- Nega provimento ao agravo.
- Legal Topics
- Juros Remuneratórios, Revisão Contratual, Súmula 83 Do STJ, Súmulas 5 E 7 Do STJ, Prequestionamento (súmula 282 Stf), Honorários Advocatícios, Prova Pericial Contábil, Compensação/repetição Do Indébito
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Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos / Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial por aplicação das Súmulas n. 5, 7 e 83 do STJ
- 2 ausência de prequestionamento (Súmula 282 do STF)
- 3 abusividade da taxa de juros remuneratórios contratada
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque o Tribunal de origem concluiu, em consonância com a jurisprudência do STJ, pela abusividade da taxa de juros contratada (22% ao mês) em comparação com a taxa média do Banco Central no período (1,76% ao mês), sendo aplicáveis as Súmulas n. 83, 5 e 7 do STJ e havendo ausência de prequestionamento quanto a outras matérias, de modo que não se admitiu o recurso especial.
Court Disposition
Nega provimento ao agravo.
Orders
- Nega provimento ao agravo.
- Majora em 20% o valor atualizado dos honorários advocatícios arbitrados na origem em favor do patrono da parte recorrida, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial em razão da incidência das Súmulas n. 5, 7 e 83 do STJ (fls. 735-737). O acórdão recorrido encontra-se assim ementado (fl. 514): APELAÇÃO CÍVEL. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO. I. OS JUROS REMUNERATÓRIOS, CONSOANTE ENTENDIMENTO ASSENTADO PELO STJ, PODEM SER PACTUADOS ATÉ O LIMITE DA TAXA MÉDIA DE MERCADO, NA ÉPOCA DA CONTRATAÇÃO. CARACTERIZADA A ABUSIVIDADE, NO PONTO. MANTIDA A SENTENÇA. II. COMPENSAÇÃO/REPETIÇÃO DO INDÉBITO. MANTIDA A AUTORIZAÇÃO DE REPETIÇÃO SIMPLES DO INDÉBITO APÓS A DEVIDA COMPENSAÇÃO, NOS TERMOS DA SENTENÇA. III. DESCARACTERIZAÇÃO DA MORA. POSSIBILITADA, EM FACE DA ABUSIVIDADE NA COBRANÇA DOS ENCARGOS (JUROS REMUNERATÓRIOS) NO PERÍODO DE NORMALIDADE CONTRATUAL (ANTES DA INADIMPLÊNCIA). IV. HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA MAJORADOS, POR EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. NEGARAM PROVIMENTO AO RECURSO. UNÂNIME. Os embargos de declaração foram rejeitados (fls. 546-547). Nas razões do recurso especial (fls. 556-582), interposto com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da CF, a parte recorrente alegou dissídio jurisprudencial e violação dos arts. 421 do CC e 927 do CPC, pois (fl. 568): .. o D. Juízo a quo incontroversamente invalidou um ato jurídico perfeito, justificando suas razões de decidir unicamente no fato de as taxas dos juros remuneratórios fixadas em contrato destoarem daquelas estabelecidas pelo Banco Central para o período, bem como determinou a adequação da taxa de juros pautada na "taxa média de mercado", sem ao menos considerar as particularidades da contratação em discussão, tampouco sem realizar uma detida e necessária análise quanto aos altos riscos da contratação em discussão. Sustentou, ainda, ofensa aos arts. 355, I e II, e 356, I e II, do CPC, aduzindo que seria imprescindível a produção de prova pericial contábil para confirmar suas alegações de ausência de abusividade nos juros remuneratórios (fl. 571). Não foram apresentadas contrarrazões (fl. 731). No agravo (fls. 752-760), afirma a presença dos requisitos de admissibilidade do especial. Foi oferecida contraminuta (fls. 767-772). É o relatório. Decido. O Tribunal a quo não se pronunciou sobre o conteúdo normativo dos arts. 421 do CC, 927, 355, I e II, e 356, I e II, do CPC sob o enfoque dado pela parte, circunstância que impede o conhecimento da insurgência por falta de prequestionamento, conforme a Súmula n. 282 do STF, aplicada por analogia. Ainda que superado o enunciado do STF, observo que, ao apreciar a questão relativa aos juros remuneratórios, o Tribunal de origem concluiu pela abusividade da taxa contratada (22% ao mês) em comparação com a média mensal apurada pelo Banco Central para operações da mesma espécie no período da contratação (1,76% ao mês), fundamentando o caráter abusivo dos juros remuneratórios (fl. 512). O entendimento está de acordo com a jurisprudência desta Corte. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO BANCÁRIO. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. SUSPENSÃO DA AÇÃO. INAPLICABILIDADE. JUSTIÇA GRATUITA. AUSÊNCIA DE PROVEITO PARA A PARTE. MÉRITO. JUROS REMUNERATÓRIOS. CRÉDITO CONSIGNADO. NATUREZA ABUSIVA. TAXA MÉDIA DE MERCADO. REFERENCIAL. SÚMULA N. 83 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. .. 3. "É admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações excepcionais, desde que caracterizada a relação de consumo e que a abusividade (capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada art. 51, § 1º, do CDC) fique cabalmente demonstrada, ante às peculiaridades do julgamento em concreto" (REsp 1.061.530/RS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, julgado em 22/10/2008, DJe 10/03/2009) 4. A taxa média de mercado apurada pelo Banco Central para cada segmento de crédito é referencial útil para o controle do abuso da taxa de juros remuneratórios contratada. Precedentes. 5. "Em qualquer hipótese, é possível a correção para a taxa média se for verificada abusividade nos juros remuneratórios praticados" (REsp n. 1.112.879/PR, relatora Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, julgado em 12/5/2010, DJe de 19/5/2010). 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.427.734/RS, de minha relatoria, Quarta Turma, julgado em 26/02/2024, DJe 29/02/2024.) Tendo em vista a consonância do acórdão recorrido com a jurisprudência desta Corte Superior, aplica-se a Súmula n. 83 do STJ, tanto em relação aos recursos interpostos com base na alínea "c" quanto àqueles fundados na alínea "a" do permissivo constitucional. Ademais, é inviável desconstituir a convicção formada pelas instâncias locais quanto às peculiaridades do contrato e à ausência de prova por parte da recorrente, em razão das Súmulas n. 5 e 7 do STJ. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, ma joro em 20% (vinte por cento) o valor atualizado dos honorários advocatícios arbitrados na origem em favor do patrono da parte recorrida, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo. Publique-se e intimem-se. EMENTA