AREsp 2451382 - ACORDAO
Conhecer do agravo e não conhecer do recurso especial em razão da ausência de prequestionamento da matéria nas instâncias ordinárias, incidindo, por analogia, o óbice da Súmula nº 282/STF, o que impede a análise pelo Superior Tribunal de Justiça; adicionalmente, por tratar-se de recurso originado de decisão...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL - PREVI
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo No Recurso Especial / Admissibilidade E Julgamento Do Agravo (decisão Sobre Conhecimento Do Recurso Especial)
- Outcome
- Agravo conhecido e recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Juros Remuneratórios, Juros Moratórios, Bis in Idem, Prequestionamento, Coisa Julgada, Equilíbrio Financeiro E Atuarial
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL - PREVI
Agravante
Procedural Posture
Agravo No Recurso Especial / Admissibilidade E Julgamento Do Agravo (decisão Sobre Conhecimento Do Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 Ausência de prequestionamento da questão sobre o termo final para incidência dos juros remuneratórios
- 2 Incidência de juros moratórios sobre juros remuneratórios e possibilidade de bis in idem
- 3 Determinação do termo final dos juros remuneratórios (data do desligamento do participante ou data do efetivo pagamento)
Ratio Decidendi
Conhecer do agravo e não conhecer do recurso especial em razão da ausência de prequestionamento da matéria nas instâncias ordinárias, incidindo, por analogia, o óbice da Súmula nº 282/STF, o que impede a análise pelo Superior Tribunal de Justiça; adicionalmente, por tratar-se de recurso originado de decisão interlocutória sem prévia fixação de honorários, não cabe majoração dos honorários sucumbenciais prevista no art. 85, § 11, do CPC.
Court Disposition
Agravo conhecido e recurso especial não conhecido
Orders
- Agravo conhecido
- Recurso especial não conhecido
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 09/09/2025 a 15/09/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Moura Ribeiro, Daniela Teixeira, Nancy Andrighi e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA AGRAVO NO RECURSO ESPECIAL. PREVIDÊNCIA PRIVADA. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. JUROS. REMUNERATÓRIOS. MORATÓRIOS. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA Nº 282/STF. 1. A ausência de debate no acórdão recorrido quanto ao tema suscitado no recurso especial evidencia a falta do indispensável prequestionamento. Incidência, por analogia, do disposto na Súmula nº 282/STF. 2. Agravo conhecido e recurso especial não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interposto por CAIXA DE PREVIDÊNCIA DOS FUNCIONÁRIOS DO BANCO DO BRASIL - PREVI contra a decisão que inadmitiu recurso especial. O apelo extremo, com fundamento no artigo 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, insurge-se contra o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro assim ementado: "Direito Civil. Direito Previdenciário. Incidência de juros moratórios sobre juros compensatórios ou remuneratórios que não configura bis in idem. Espécies de juros que possuem finalidades distintas, sendo possível, portanto, a cumulação. Precedentes do STJ. Recurso desprovido" (e-STJ fls. 100/106). No recurso especial, a recorrente alega violação dos arts. 506 e 507 do Código de Processo Civil e 3º, III, e 9º da Lei Complementar nº 109/2001, posto que a inclusão dos juros remuneratórios na base de cálculo dos juros moratórios configura bis in idem e afronta a coisa julgada e o equilíbrio financeiro e atuarial do plano de previdência complementar. Contrarrazões apresentadas às e-STJ fls. 150/164. O recurso especial foi inadmitido, dando ensejo à interposição do presente agravo. É o relatório. EMENTA AGRAVO NO RECURSO ESPECIAL. PREVIDÊNCIA PRIVADA. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. JUROS. REMUNERATÓRIOS. MORATÓRIOS. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA Nº 282/STF. 1. A ausência de debate no acórdão recorrido quanto ao tema suscitado no recurso especial evidencia a falta do indispensável prequestionamento. Incidência, por analogia, do disposto na Súmula nº 282/STF. 2. Agravo conhecido e recurso especial não conhecido. VOTO Ultrapassados os requisitos de admissibilidade do agravo, passa-se ao exame do recurso especial. A insurgência não merece prosperar. Com efeito, relata a recorrente que "suscitou a existência de pequena incorreção na apuração dos juros remuneratórios, eis que apurados desde a data do desligamento, ao revés da apuração desde a citação" (e-STJ fl. 124). Defendeu que "os juros remuneratórios/contratuais se extinguem com a ruptura da relação jurídica, notadamente com o resgate da Reserva Pessoal pelo Participante" (e-STJ fl. 126). O Tribunal de origem, por sua vez, ao se debruçar sobre a matéria, consignou o cabimento da cumulação dos juros remuneratórios e moratórios, por possuírem natureza e finalidade diversas. Reproduza-se, por oportuno, trecho elucidativo do voto condutor: "A respeito dos juros compensatórios, convém reproduzir o disposto no título executivo judicial objeto do presente cumprimento de sentença, proferido em julgamento de agravo interno na apelação referente ao processo nº 0316168- 21.2008.8.19.0001, verbis No que tange ao termo final dos juros remuneratórios, eles são devidos como compensação pelo fato de o credor estar privado da utilização de seu capital e, desde que previstos no contrato, são devidos desde a data que deveriam integrar o capital do correntista, ou seja, a contar dos respectivos meses de geração das diferenças monetárias, como se os expurgos não tivessem ocorrido, e até a data do efetivo pagamento (..). Dessa forma, os juros remuneratórios se destinam a remunerar a privação do credor de utilizar o seu capital, nos termos pactuados. Logo, eles passam a constituir o valor devido ao exequente. Dito isso, cabe lembrar que os juros moratórios decorrem justamente da mora ou atraso em efetuar o pagamento. Portanto, estes incidem sobre o valor devido ao exequente a partir da mora, inclusive sobre os juros compensatórios. Nota-se, assim, que a incidência dos juros moratórios sobre o valor devido ao recorrido, que inclui os juros compensatórios, não constitui bis in idem. Assim, por se destinarem a finalidades diversas, o compensatório é uma forma de remuneração pela privação do credor de utilizar o dinheiro, já os moratórios são devidos em razão do atraso do devedor em efetuar o pagamento ao credor" (e-STJ fls. 102/103). Nessa toada, verifica-se que a Corte estadual não analisou a questão sob o prisma do termo fatal para incidência dos juros remuneratórios, isto é, se o marco seria a data do rompimento do vínculo empregatício do participante ou do efetivo pagamento do débito. Assim, a controvérsia devolvida a esta Corte não foi objeto de debate pelas instâncias ordinárias, nem sequer de modo implícito, e tampouco houve a oposição de embargos de declaração, a fim de provocar a manifestação daquele Tribunal acerca da questão. Por tal motivo, carece do indispensável prequestionamento, por se tratar de matéria não debatida na instância de origem, a impedir a análise por esta Corte Superior ante a incidência, por analogia, do óbice imposto pela Súmula nº 282/STF, sob pena de supressão de instância. A propósito: "(..) ausente o prequestionamento do artigo apontado como violado, não é possível o conhecimento do recurso especial. Incidência, por analogia, dos óbices das Súmulas 282 e 356 do STF" (AgInt no AREsp 2.730.815/RS, Relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 28/10/2024, DJe de 30/10/2024) e, ainda, "(..) a ausência de debate no acórdão recorrido quanto ao tema suscitado no recurso especial evidencia a falta de prequestionamento, admitindo-se o prequestionamento ficto apenas na hipótese em que não sanada a omissão no julgamento de embargos de declaração e suscitada a ofensa ao art. 1.022 do NCPC no recurso especial, o que não é o caso dos autos" (AgInt no AREsp 1.834.881/RJ, Relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 17/10/2022, DJe de 19/10/2022). Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Na hipótese, não cabe a majoração dos honorários sucumbenciais prevista no art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, pois o recurso tem origem em decisão interlocutória, sem a prévia fixação de honorários. É o voto.