AREsp 1875464 - ACORDAO
Afastada a incidência da Súmula 284/STF quanto à indicação do dispositivo legal, manteve-se, contudo, a decisão do Tribunal de origem que indeferiu a justiça gratuita porque a modificação dessa conclusão exigiria o reexame do conjunto fático-probatório, o que é vedado ao recurso especial em razão da Súmula 7/STJ;...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: LINDACI FERNANDES CONCEICAO; Agravado: EMBRACON ADMINISTRADORA DE CONSÓRCIO LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão (julgamento Colegiado)
- Outcome
- NEGO PROVIMENTO ao agravo interno.
- Legal Topics
- Justiça Gratuita, Súmula 7/stj, Súmula 284/stf, Agravo Interno, Agravo Em Recurso Especial, Reexame De Provas
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
LINDACI FERNANDES CONCEICAO
Agravante
EMBRACON ADMINISTRADORA DE CONSÓRCIO LTDA
Agravado
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão (julgamento Colegiado)
Legal Issues
- 1 concessão de justiça gratuita a pessoa física
- 2 incidência da Súmula n. 284/STF quanto à indicação de dispositivos legais
- 3 vedação ao reexame do contexto fático-probatório pelo recurso especial (Súmula n. 7/STJ)
Ratio Decidendi
Afastada a incidência da Súmula 284/STF quanto à indicação do dispositivo legal, manteve-se, contudo, a decisão do Tribunal de origem que indeferiu a justiça gratuita porque a modificação dessa conclusão exigiria o reexame do conjunto fático-probatório, o que é vedado ao recurso especial em razão da Súmula 7/STJ; assim, negou-se provimento ao agravo interno.
Court Disposition
NEGO PROVIMENTO ao agravo interno.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Luis Felipe Salomão, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e Marco Buzzi votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Luis Felipe Salomão.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO ANTONIO CARLOS FERREIRA (Relator): Trata-se de agravo interno (e-STJ fls. 73/83) interposto contra decisão do Ministro Presidente desta Corte que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial. Em suas razões, a agravante aduz que indicou de forma clara o artigo violado (art. 99, II, do CPC/2015), não havendo falar em incidência da Súmula n. 284/STF. Afirma ainda ser desnecessário o reexame de provas. Ao final, pede a reconsideração da decisão monocrática ou a apreciação do agravo pelo Colegiado. Sem contrarrazões (e-STJ fl. 84). É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DESTA CORTE. AGRAVO DE INSTRUMENTO. JUSTIÇA GRATUITA. PESSOA FÍSICA. REVISÃO. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA N. 7/STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. O pedido de justiça gratuita pode ser formulado em qualquer momento do processo. Para fins de concessão, há presunção juris tantum de que a pessoa física requerente não possui condições de arcar com as despesas do processo sem comprometer o próprio sustento ou de sua família, podendo o magistrado indeferir o requerimento se encontrar elementos que infirmem a alegada hipossuficiência. 2. O recurso especial não comporta exame de questões que impliquem o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos (Súmula n. 7 do STJ). 3. No caso concreto, o Tribunal de origem analisou a prova dos autos para indeferir o pedido de justiça gratuita requerido pela recorrente. Alterar tal conclusão é inviável em recurso especial. 4. Agravo interno a que se nega provimento. AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 1.875.464 - SP (2021/0110023-0) RELATOR : MINISTRO ANTONIO CARLOS FERREIRA AGRAVANTE : LINDACI FERNANDES CONCEICAO ADVOGADO : MARCUS VINICIUS APARECIDO BORGES - SP315078 AGRAVADO : EMBRACON ADMINISTRADORA DE CONSÓRCIO LTDA ADVOGADO : SEM REPRESENTAÇÃO NOS AUTOS - SE000000M VOTO O EXMO. SR. MINISTRO ANTONIO CARLOS FERREIRA (Relator): A insurgência não merece ser acolhida. A agravante não trouxe nenhum argumento capaz de afastar os termos da decisão agravada, motivo pelo qual deve ser mantida por seus próprios fundamentos (e-STJ fls. 68/70): Cuida-se de agravo apresentado por LINDACI FERNANDES CONCEICAO contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a" da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: AGRAVO DE INSTRUMENTO AÇÃO DE RESTITUIÇÃO DE QUOTAS DE CONSÓRCIO ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA EM FAVOR DA REQUERENTE INDEFERIMENTO AUSÊNCIA DE ELEMENTOS QUE DEMONSTREM A ALEGADA INCAPACIDADE FINANCEIRA PARA ARCAR COM AS CUSTAS E DESPESAS PROCESSUAIS DECISÃO MANTIDA RECURSO DESPROVIDO Quanto à controvérsia, apresentada pela alínea "a" do permissivo constitucional, aduz pela concessão da gratuidade de justiça, trazendo o(s) seguinte(s) argumento(s): Ao contrário das alegações deste E. Tribunal é possível modificar a decisão objeto deste recurso pela simples razão de que o artigo 4º da Lei n.º 1050/60 é demonstrado à veracidade do pedido de assistência jurídica gratuita FATO INCLUSIVE SUPRIMIDO COM O ADVENTO DO NOVO CPC EM SEU ARTIGO 99 CAPUT , ou seja, somente compete a Recorrida provar que o Recorrente não encontra-se no estado de miserabilidade, fato este que não ocorreu, visto que muito embora tenha sido aberto o contraditório a Agravada não se manifestou ou impugnou o pedido. (fls. 23). É verdade que para fazer jus ao benefício basta a simples afirmação no bojo da petição para ser verossímil a alegada hipossuficiência, cabendo SMJ a parte Recorrida impugnar tal pedido. Conquanto o artigo 4º da Lei nº 1.060/50 mencione esta hipótese. Desta feita, este Egrégio Tribunal descaracteriza o artigo 4º da lei adjacente, ao indeferir os benefícios da assistência jurídica gratuita a Recorrente, impedindo assim seu acesso à justiça. (fls. 24). É, no essencial, o relatório. Decido. Na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que a parte recorrente deixou de indicar precisamente os dispositivos legais que teriam sido violados, ressaltando que a mera citação de artigo de lei na peça recursal não supre a exigência constitucional. Aplicável, por conseguinte, o enunciado da citada súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "A ausência de expressa indicação de artigos de lei violados inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF". (AgInt no AREsp n. 1.684.101/MA, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 26/8/2020.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no ARESP n. 1.611.260/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 26/6/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.675.932/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 4/5/2020; AgInt no REsp n. 1.860.286/RO, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 14/8/2020; AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.541.707/MS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 29/6/2020; AgRg no AREsp n. 1.433.038/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 14/8/2020; REsp n. 1.114.407/SP, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe de 18/12/2009; e AgRg no EREsp n. 382.756/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Corte Especial, DJe de 17/12/2009. Além disso, o Tribunal de origem assim decidiu: Na hipótese em comento, a alegada hipossuficiência financeira da agravante não se sustenta, notadamente ante a ausência de prova documental nos autos. Frise-se que mesmo após ser regularmente intimada em duas ocasiões pelo douto juízo de piso, a agravante trouxe aos autos somente seu extrato bancário (fls. 42 dos autos originários), deixando de apresentar declaração de imposto de renda e outros documentos hábeis a comprovar a alegada vulnerabilidade. Embora o acesso à justiça esteja constitucionalmente assegurado àqueles que se declaram pobres na acepção jurídica do termo (CF, art. 5.º, XXXV), ou seja, que não têm condições de suportar os custos do processo, essa benesse deve ser assegurada àqueles que realmente comprovem o estado de miserabilidade exigido pela legislação infraconstitucional. Registre-se que incumbe ao juiz dirigir o processo, verificando especialmente se a exposição dos fatos está em conformidade com a verdade (art. 77, I, c.c. art. 139, CPC/2015). Assim, cabe-lhe indeferir o pedido de gratuidade da justiça se a parte não comprovar a presença dos respectivos pressupostos legais (art. 98, "caput", c.c. art. 99, § 2º, CPC/2015). (fls. 17). Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o reexame da premissa fixada pela Corte de origem quanto à existência ou não dos requisitos para a concessão da gratuidade de justiça às partes exigiria a incursão no acervo fático-probatório dos autos, o que não é possível em sede de recurso especial. Nesse sentido, o STJ já decidiu sobre a "inviabilidade de verificar se as partes no caso poderiam ou não serem contempladas pelo benefício da gratuidade de justiça, por demanda reexame de contexto fático-probatório". (AgInt no AREsp 897.498/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 16/8/2016.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.570.272/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 20/5/2020; AgInt no AREsp 1.000.602/RS, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 22/5/2020; AgInt no AREsp 1.564.850/MG, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 4/3/2020; AgInt no AREsp 1.173.115/RS, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 18/4/2018; REsp 1.784.623/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 11/3/2019. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. Em relação à Súmula n. 284/STF, assiste razão à recorrente, visto que indicou, no recurso especial, o artigo de lei federal violado, devendo ser afastado o referido óbice. Quanto ao art. 99 do CPC/2015, subsistem os fundamentos da decisão agravada no que diz respeito à Súmula n. 7/STJ, visto que a Corte local, levando em consideração os elementos de prova, assentou que a recorrente não faria jus aos benefícios da gratuidade de justiça. Dissentir das conclusões do acórdão impugnado, a fim de acolher os argumentos da ora agravante, esbarra na Súmula n. 7/STJ. Ressalta-se que a declaração de hipossuficiência deduzida por pessoa física possui presunção de veracidade, mas, verificando o julgador a presença de elementos que evidenciem a falta de requisitos para concessão do benefício, pode indeferir o requerimento. A propósito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA. RECONSIDERAÇÃO. ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA. PESSOA FÍSICA. INDEFERIMENTO PELO TRIBUNAL APÓS ANÁLISE DO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. REEXAME. INVIABILIDADE. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. CONSONÂNCIA DO ACÓRDÃO RECORRIDO COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. SÚMULA 83/STJ. AGRAVO PROVIDO. 1. Decisão agravada reconsiderada, na medida em que o agravo em recurso especial impugnou devidamente os fundamentos da decisão que inadmitiu o apelo nobre. 2. Tratando-se de pessoa física, há presunção juris tantum de que quem pleiteia o benefício não possui condições de arcar com as despesas do processo sem comprometer seu próprio sustento ou de sua família. Tal presunção, contudo, é relativa, podendo o magistrado indeferir o pedido de justiça gratuita se encontrar elementos que infirmem a hipossuficiência do requerente. Precedentes. 3. No caso, as instâncias ordinárias, examinando a situação patrimonial e financeira do recorrente, concluíram haver elementos suficientes para afastar a declaração de hipossuficiência, indeferindo, por isso, o benefício da justiça gratuita. Nesse contexto, a alteração das premissas fáticas adotadas no acórdão recorrido demandaria o reexame do contexto fático-probatório dos autos, o que é defeso na via estreita do recurso especial (Súmula 7/STJ). 4. O entendimento adotado no acórdão recorrido coincide com a jurisprudência assente desta Corte Superior, circunstância que atrai a incidência da Súmula 83/STJ. 5. Agravo interno provido para reconsiderar a decisão agravada e, em novo exame, conhecer do agravo para negar provimento ao recurso especial. (AgInt no AREsp n. 1.722.201/SP, Relator Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 8/3/2021, DJe 26/3/2021.) Assim, não prosperam as alegações constantes no recurso, incapazes de alterar os fundamentos da decisão impugnada. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É como voto.