AREsp 2484322 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo porque o Tribunal de origem, com base no conjunto probatório, concluiu que não houve comprovação da insuficiência de recursos, demonstrando patrimônio suficiente (R$ 820.847,43) para arcar com as custas; a modificação dessa conclusão exigiria reexame do contexto fático-probatório, o que...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: NÉVIO CARLONE JÚNIOR
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 February 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão
- Outcome
- nego provimento ao agravo
- Legal Topics
- Justiça Gratuita, Custas Processuais, Súmula 7 Do STJ, Reexame De Matéria Fático Probatória
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
NÉVIO CARLONE JÚNIOR
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão
Legal Issues
- 1 concessão de gratuidade de justiça
- 2 comprovação da hipossuficiência financeira
- 3 vedação ao reexame de provas pelo STJ (Súmula 7)
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque o Tribunal de origem, com base no conjunto probatório, concluiu que não houve comprovação da insuficiência de recursos, demonstrando patrimônio suficiente (R$ 820.847,43) para arcar com as custas; a modificação dessa conclusão exigiria reexame do contexto fático-probatório, o que é vedado no recurso especial pela Súmula n. 7 do STJ.
Court Disposition
nego provimento ao agravo
Orders
- Deixo de majorar os honorários recursais nos termos do § 11 do art. 85 do CPC, em razão da inexistência de prévia fixação na origem.
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por NÉVIO CARLONE JÚNIOR contra decisão que inadmitiu o recurso especial com fundamento na Súmula n. 7 do STJ. Alega o agravante que os pressupostos de admissibilidade do recurso especial foram atendidos. O recurso especial, fundado no art. 105, III, a, da Constituição Federal, foi interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Agravo de Instrumento n. 2205675-57.2022.8.26.0000) assim ementado (fl. 180): AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DECLARATÓRIA. INDEFERIMENTO DA GRATUIDADE PROCESSUAL. MANUTENÇÃO. DOCUMENTOS JUNTADOS AOS AUTOS QUE NÃO CORROBORAM A HIPOSSUFICIÊNCIA FINANCEIRA ALEGADA. INDÍCIOS DE CAPACIDADE FINANCEIRA NÃO AFASTADOS. RECURSO NÃO PROVIDO. Nas razões do recurso especial, a ora agravante aponta ofensa ao art. 98 do Código de Processo Civil. Aduz que comprovou sua impossibilidade financeira de arcar com as despesas processuais, fazendo jus, portanto, ao benefício da justiça gratuita. Sustenta ainda ofensa aos arts. 98 e 99, § 2º, do Código de Processo Civil. Alega que "a incapacidade financeira da Agravante é evidente, visto que o Recorrente é aposentado e sobrevive apenas com os parcos rendimentos de aposentadoria, conforme extrato de fls. 108" (fl. 206). Aduz que, ainda que possua patrimônio, não tem condições de pagar as custas do processo que superam 100 mil reais. Requer o conhecimento e o provimento do recurso para que seja concedida a gratuidade de justiça ou, subsidiariamente, reduzido o valor das custas ou deferido o seu parcelamento. Não foram apresentadas contrarrazões (fl. 211). É o relatório. Decido. O Tribunal de Justiça estadual, baseado nas premissas fáticas dos autos, concluiu não ter sido comprovada a alegada necessidade financeira para a concessão da justiça gratuita, uma vez que dos documentos apresentados infere-se que o recorrente possui bens suficientes para custear as despesas do processo. Confira-se (fls. 293-294 ): (..) no caso concreto, os documentos juntados aos autos não corroboram a alegada hipossuficiência financeira, pelo contrário, demonstram que o agravante possui bens suficientes para arcar com as custas do processo, ressaltando que possui joias, quadros e antiguidades em seu patrimônio, que soma R$ 820.847,43. (..) Certamente, a justiça gratuita serve para viabilizar o acesso à justiça e não se deve exigir que a parte se desfaça de bens para custeio do processo, conquanto que tais bens lhe sejam essenciais, o que não é o caso de joias, quadros e antiguidades, que tem função meramente decorativa. Uma pessoa pobre na acepção jurídica do termo não manteria tais itens no patrimônio se estivesse em dificuldades financeiras. Outra interpretação serviria apenas para desvirtuar a finalidade do instituto da gratuidade de justiça, que se presta a viabilizar o acesso à justiça àqueles que não possam pagar custas processuais sem prejuízo de seu próprio sustento, o que não se verifica no caso sob análise. Assim, o conjunto probatório aponta situação diversa da alegada insuficiência de recursos ou "miserabilidade", o que desautoriza a concessão dos benefícios de gratuidade judiciária.
N esse contexto, para modificar as conclusões do Tribunal de origem a respeito da ausência de demonstração da necessidade financeira do ora agravante, seria necessário reexame do contexto fático-probatório dos autos, procedimento vedado na via do recurso especial em face da Súmula n. 7 do STJ. Ressalte-se que o Tribunal de origem, no julgamento dos embargos de declaração, concedeu o parcelamento das custas iniciais em seis vezes, a fim de possibilitar o acesso à justiça (fls. 192-195). Ante o exposto, nego provimento ao agravo. Deixo de majorar os honorários recursais nos termos do § 11 do art. 85 do CPC, em razão da inexistência de prévia fixação na origem. Publique-se. Intimem-se. EMENTA