AREsp 2536301 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque o recorrente não impugnou de forma específica os fundamentos do acórdão recorrido (aplicando-se a Súmula n. 284/STF), não houve prequestionamento sobre o art. 11 do CPC e não se demonstrou o cotejo analítico exigido para caracterizar dissídio...
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- Parties
- Agravante: MARCEL ALVES VASCONCELOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Justiça Gratuita, Preparo, Hipossuficiência, Dissídio Jurisprudencial, Prequestionamento, Fundamentação Das Decisões
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Parties
MARCEL ALVES VASCONCELOS
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
Legal Issues
- 1 concessão de justiça gratuita e efeitos sobre o recolhimento do preparo
- 2 necessidade de fundamentação das decisões (art. 11 do CPC)
- 3 aplicabilidade da Súmula n. 284/STF por deficiência de fundamentação do recurso
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque o recorrente não impugnou de forma específica os fundamentos do acórdão recorrido (aplicando-se a Súmula n. 284/STF), não houve prequestionamento sobre o art. 11 do CPC e não se demonstrou o cotejo analítico exigido para caracterizar dissídio jurisprudencial; ademais, foram considerados precedentes sobre a não presunção de hipossuficiência pelo patrocínio da Defensoria Pública.
Court Disposition
Conheço do agravo e não conheço do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem.
Full Case Text
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DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por MARCEL ALVES VASCONCELOS contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SERGIPE, assim resumido: Agravo Regimental. Apelação Cível. Irresignação do agravante quanto à decisão que não conheceu o recurso, em virtude da não comprovação do recolhimento em dobro do preparo, nos termos do art. 1.007, § 4º c/c 932, parágrafo único, "O do NCPC. STJ firmou entendimento de que a simples circunstância do patrocínio da causa pela Defensoria Pública não faz presumir a hipossuficiência econômica do representado, não podendo ser presumida a concessão da (AgInt gratuidade de justiça." no AREsp 1.492.587/RJ, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 19.11.2019; AgInt no AREsp 1.517.705/PE, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe 3.2.2020. Manutenção do Recurso decisum ad quem. conhecido e desprovido. À unanimidade. Quanto à controvérsia, a parte recorrente sustenta violação e dissídio jurisprudencial atinente à interpretação dos arts. 11 e 98 do CPC, porquanto, não houve indeferimento expresso do benefício de gratuidade da justiça a que faz jus. Apresenta os seguintes argumentos: O direito à justiça gratuita, portanto, não impede a condenação em custas e honorários sucumbenciais, cuja obrigações ficam apenas suspensas até a alteração do quadro fático que embasou a decisão que concedeu o aludido benefício. A norma, portanto, deve ser analisada na perspectiva financeira e situacional do indivíduo, sendo a decisão que concede a gratuidade um retrato das condições financeiras do beneficiário. Ademais, o art. 11 do CPC exige a fundamentação de todas as decisões: .. Neste ponto, ressalte-se que não há julgamento implícito referente ao INDEFERIMENTO da assistência judiciária. Saliente-se que o art. 5º da Lei n. 1.060 excepciona o caso de deferimento, permitindo ao Juiz o deferimento da assistência judiciária sem que haja necessidade de motivação. Observe-se, no entanto, que se trata de DEFERIMENTO! Conclui-se, então, que, nos casos de INDEFERIMENTO, é DEVER DO JUIZ fundamentá-lo. .. O que se quer é que seja suprida a sentença a fim de deferir o pedido de justiça gratuita e, por fim, suspender o pagamento nos termos do artigo 98 do CPC. .. Portanto, merece reforma o acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe, para que seja a apelação conhecida, dispensando-se o recolhimento do preparo, uma vez que não houve indeferimento expresso do benefício pelo juízo a quo. (fls. 578-580). É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, alínea "a" do permissivo constitucional, o acórdão recorrido assim decidiu: Não obstante as digressões realizadas pelo agravante, entendo que não há que se falar em modificação do decisum agravado. Explico. Sobre a temática em questão, imperioso salientar que "o STJ firmou entendimento de que a simples circunstância do patrocínio da causa pela Defensoria Pública não faz presumir a hipossuficiência (AgInt econômica do representado, não podendo ser presumida a concessão da gratuidade de justiça." no AREsp 1.492.587/RJ, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe 19.11.2019; AgInt no AREsp 1.517.705/PE, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe 3.2.2020. .. Ademais, também não merece acolhimento a alegação de que "o não pagamento do preparo decorreu do fato de haver certidão nos autos assim dizendo: "Certifico e dou fé que o feito tramita sob o pálio da gratuidade judiciária"", haja vista que a mencionada certidão, que se encontra colacionada à fl. 329 dos autos materializados de origem, foi exarada em decorrência do despacho que determinou a intimação dos demandantes para recolher as custas finais (fls. 328), aos quais foi concedida a gratuidade judiciária, consoante se vê à fl. 113 (fls. 566-568). Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 1.811.491/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19/11/2019; AgInt no AREsp n. 1.637.445/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.647.046/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27/8/2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2/5/2018. Ademais, no que tange ao art. 11 do CPC, apontado como violado, uma vez que não houve o devido e necessário debate a re speito deste dispositivo no acórdão prolatado pelo Tribunal a quo. Esta Corte Superior de Justiça já sedimentou o entendimento segundo o qual é "inviável a análise de violação de dispositivos de lei não prequestionados na origem, apesar da oposição de embargos de declaração" (AgInt no REsp n. 1.858.639/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 29/8/2022, DJe de 31/8/2022). Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 1.883.703/ES, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 1/9/2022; REsp n. 1.666.862/CE, relator Ministro Francisco Falcão, relator para acórdão Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 8/9/2022; AgRg no AREsp n. 2.089.384/RN, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 22/8/2022; AgInt no AREsp n. 2.101.047/MA, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 24/8/2022; AgInt no AREsp n. 2.033.678/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 19/8/2022; AgInt no AREsp n. 1.812.402/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 17/6/2022; AgInt no AREsp n. 743.795/RN, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe de 28/4/2022. Doutra banda, quanto à alínea "c" do art. 105, III, da CF/88, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, uma vez que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e os paradigmas indicados, não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Esta Corte já pacificou o entendimento de que a simples transcrição de ementas e de trechos de julgados não é suficiente para caracterizar o cotejo analítico, uma vez que requer a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma, mesmo no caso de dissídio notório". (AgInt no AREsp n. 1.242.167/MA, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 05/04/2019.) Ainda nessa linha: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16/03/2021.) Destaca-se de igual maneira: AgInt nos EDcl no REsp n. 1.849.315/SP, relator Ministro Marcos Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º/8/2020; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.617.771/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 13/8/2020; AgRg no AREsp n. 1.422.348/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.456.746/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 3/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.568.037/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12/05/2020; AgInt no REsp n. 1.886.363/RJ, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 28/04/2021; AgRg no REsp n. 1.857.069/PR, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 05/05/2021. Ainda, verifica-se que a pretensão da parte agravante é de ver reconhecida a existência de dissídio jurisprudencial que tem por objeto a mesma questão aventada sob os auspícios da alínea "a", que, por sua vez, foi obstaculizada pela ausência de impugnação específica dos fundamentos do acórdão recorrido. Assim, quando remanesce incólume fundamento capaz por si só de manter o acórdão recorrido, impõe-se o reconhecimento da inexistência de identidade jurídica entre os arestos confrontados, requisito indispensável ao conhecimento do recurso especial pela alínea "c". Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA