AREsp 2616594 - ACORDAO
Conheceu-se do agravo interno para não conhecer do recurso especial em razão de ausência de prequestionamento de dispositivo e da impossibilidade de reexaminar matéria fático-probatória sobre a hipossuficiência financeira (incidência da Súmula 7/STJ); não se aplicou a multa do art. 1.021, §4º do CPC/2015 porque não...
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- Parties
- Agravante: SILVIA GUERRERO PEREIRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão/julgamento
- Outcome
- Agravo interno desprovido; negar provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Justiça Gratuita, Hipossuficiência, Preclusão, Prequestionamento, Súmula 7/stj, Multa Art. 1.021, §4º Do Cpc/2015
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Parties
SILVIA GUERRERO PEREIRA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Decisão/julgamento
Legal Issues
- 1 ausência de impugnação de capítulo autônomo da decisão e preclusão do tema
- 2 concessão/revogação da gratuidade de justiça e comprovação de hipossuficiência financeira
- 3 incidência da Súmula 7/STJ sobre reexame de prova em recurso especial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo interno para não conhecer do recurso especial em razão de ausência de prequestionamento de dispositivo e da impossibilidade de reexaminar matéria fático-probatória sobre a hipossuficiência financeira (incidência da Súmula 7/STJ); não se aplicou a multa do art. 1.021, §4º do CPC/2015 porque não houve configuração de manifesta inadmissibilidade ou improcedência evidente do agravo interno; portanto, negou-se provimento ao agravo interno.
Court Disposition
Agravo interno desprovido; negar provimento ao recurso especial
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Partes cientificadas de que a oposição de embargos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios poderá ensejar a imposição da multa prevista no art. 1.026, §2º, do CPC/2015.
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 20/08/2024 a 26/08/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. PROCESSO CIVIL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DE CAPÍTULO AUTÔNOMO DA DECISÃO RECORRIDA. PRECLUSÃO. JUSTIÇA GRATUITA. PESSOA FÍSICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA HIPOSSUFICIÊNCIA FINANCEIRA. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. MULTA DO ART. 1.021,§ 4º, DO CPC/2015 INCABÍVEL. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A ausência de impugnação de fundamentos autônomos não acarreta o não conhecimento do recurso, mas, tão somente, a preclusão do tema. 2. Concluindo a instância originária que não há hipossuficiência financeira apta a justificar a concessão do benefício da justiça gratuita, não compete ao Superior Tribunal de Justiça, em recurso especial, rever esse posicionamento, ante a incidência da Súmula 7/STJ. Precedentes. 3. A multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC não decorre do mero desprovimento do agravo interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou da improcedência do meio de impugnação para autorizar sua imposição, situação esta não configurada no caso. 4. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por SILVIA GUERRERO PEREIRA contra decisão da Presidência do Superior Tribunal de Justiça que não conheceu do recurso especial, com os seguintes fundamentos (e-STJ, fls. 193-196): Quanto à primeira controvérsia, a parte alega violação do art. 98 do CPC, no que concerne à necessidade de deferimento da benesse da gratuidade de justiça à parte recorrente, eis que, conforme documentos anexados aos autos, não possui condições de arcar com as despesas decorrentes do processo, mormente porque, atualmente não aufere os rendimentos descritos no acórdão, trazendo a seguinte argumentação: .. Quanto à segunda controvérsia, a parte recorrente alega violação do art. 99, caput e § 3º, do CPC, no que concerne à presunção de veracidade da declaração de hipossuficiência, trazendo a seguinte argumentação: .. Quanto à terceira controvérsia, a parte recorrente alega violação do art. 9º da Lei n. 1.060/1950, no que concerne à necessidade de extensão dos efeitos da concessão da gratuidade de justiça deferida em outros processos a todos os demais processos em todas as instâncias, trazendo a seguinte argumentação: .. É, no essencial, o relatório. Decido. Quanto à primeira e à segunda controvérsia, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: .. Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o reexame da premissa fixada pela Corte de origem quanto à existência ou não dos requisitos para a concessão da gratuidade de justiça às partes exigiria a incursão no acervo fático-probatório dos autos, o que não é possível em sede de recurso especial. Nesse sentido, o STJ já decidiu sobre a "inviabilidade de verificar se as partes no caso poderiam ou não serem contempladas pelo benefício da gratuidade de justiça, por demanda reexame de contexto fático-probatório". (AgInt no AREsp 897.498/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 16/8/2016.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.570.272/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 20/5/2020; AgInt no AREsp 1.000.602/RS, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 22/5/2020; AgInt no AREsp 1.564.850/MG, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 4/3/2020; AgInt no AREsp 1.173.115/RS, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 18/4/2018; REsp 1.784.623/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 11/3/2019. Quanto à terceira controvérsia, incidem os óbices das Súmulas n. 282/STF e 356/STF, uma vez que a questão não foi examinada pela Corte de origem, tampouco foram opostos embargos de declaração para tal fim. Dessa forma, ausente o indispensável requisito do prequestionamento. Nesse sentido: "O requisito do prequestionamento é indispensável, por isso que inviável a apreciação, em sede de recurso especial, de matéria sobre a qual não se pronunciou o Tribunal de origem, incidindo, por analogia, o óbice das Súmulas 282 e 356 do STF. 9. In casu, o art. 17, do Decreto 3.342/00, não foi objeto de análise pelo acórdão recorrido, nem sequer foram opostos embargos declaratórios com a finalidade de prequestioná-lo, razão pela qual impõe-se óbice instransponível ao conhecimento do recurso quanto ao aludido dispositivo". (REsp 963.528/PR, relator Ministro Luiz Fux, Corte Especial, DJe de 4/2/2010.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 1.160.435/PE, relator Ministro Benedito Gonçalves, Corte Especial, DJe de 28/4/2011; REsp n. 1.730.826/MG, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 12/2/2019; AgInt no AREsp n. 1.339.926/PR, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 15/2/2019; e AgRg no REsp n. 1.849.115/SC, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 2 3/6/2020; AgRg no AREsp n. 2.022.133/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 15/8/2022. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nas razões recursais, a agravante alega que "no caso em discussão não se trata de reexame de contexto fático-probatório, mas sim, de aplicabilidade do acesso à justiça a uma mulher que há mais de quarenta anos não possui rendimentos próprios e que sempre dependeu financeiramente do ex-marido e, agora com fim da sociedade conjugal, não pode ficar desemparada por este Poder Judiciário, pois, caso assim ocorra, a Recorrente não terá condições de lutar pelos seus direitos" (e-STJ, fls. 208-209). Assim, requer a reconsideração da decisão agravada. Na impugnação, a parte recorrida requer a imposição da multa do art. 1.021, § 4º, do CPC/2015 (e-STJ, fls. 221-232). É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. PROCESSO CIVIL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DE CAPÍTULO AUTÔNOMO DA DECISÃO RECORRIDA. PRECLUSÃO. JUSTIÇA GRATUITA. PESSOA FÍSICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA HIPOSSUFICIÊNCIA FINANCEIRA. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. MULTA DO ART. 1.021,§ 4º, DO CPC/2015 INCABÍVEL. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A ausência de impugnação de fundamentos autônomos não acarreta o não conhecimento do recurso, mas, tão somente, a preclusão do tema. 2. Concluindo a instância originária que não há hipossuficiência financeira apta a justificar a concessão do benefício da justiça gratuita, não compete ao Superior Tribunal de Justiça, em recurso especial, rever esse posicionamento, ante a incidência da Súmula 7/STJ. Precedentes. 3. A multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC não decorre do mero desprovimento do agravo interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou da improcedência do meio de impugnação para autorizar sua imposição, situação esta não configurada no caso. 4. Agravo interno desprovido. VOTO De início, destaca-se que a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento quanto à possibilidade de impugnação parcial dos capítulos autônomos da decisão objeto do agravo interno, reconhecendo-se apenas a preclusão dos capítulos não impugnados. Dessa forma, entende-se que "a ausência de impugnação, no agravo interno, de capítulo autônomo e/ou independente da decisão monocrática do relator - proferida ao apreciar recurso especial ou agravo em recurso especial - apenas acarreta a preclusão da matéria não impugnada, não atraindo a incidência da Súmula 182 do STJ) EREsp 1.424.404/SP, Relator o Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 20/10/2021, DJe 17/11/2021). Neste caso, a agravante impugnou apenas o fundamento autônomo da decisão agravada que aplicou o enunciado da Súmula 7/STJ, e não se insurgiu quanto à ausência de prequestionamento do art. 9º da Lei n. 1.060/1950. Assim, passa-se à análise da alegada inaplicabilidade da Súmula 7/STJ. Nas razões do recurso especial, a recorrente sustentou o preenchimento dos requisitos para a obtenção do benefício da gratuidade judiciária. Verifica-se que o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, examinando a controvérsia, assim se manifestou (e-STJ, fls. 97-98 e 140; sem grifos no original): No caso em concreto, analisando o feito principal e os demais elementos de prova coligidos, verifica-se que, de fato, a agravada recebe prestação alimentícia no valor de R$4.500,00 mensais, além de proventos de aposentadoria no importe de R$1.212,00. Cumpre frisar que, na decisão concessiva de alimentos provisórios, o julgador ressaltou que "a pensão alimentícia não se destina ao pagamento do condomínio ou do IPTU do imóvel, que continuarão a ser suportados pelo réu, na condição de proprietário do bem" (fl. 34). Portanto, na prática, as despesas de moradia suportadas pela recorrida limitam-se aos serviços de consumo cotidiano, como energia elétrica, abastecimento de água etc. Com efeito, tais elementos retiram-lhe a condição de hipossuficiente. Pobre, na acepção jurídica do termo, é o litigante sem recursos financeiros suficientes para investir nas demandas judiciais, sem que com isso haja prejuízo para o sustento próprio ou de sua família. Alargar este conceito para abranger aqueles que possuem meios para custear o serviço prestado pelo Poder Judiciário implica sobrecarregar o Estado com gastos dirigidos a pessoas certas e determinadas, fazendo-o dispor, para tanto, dos meios recolhidos por toda a coletividade. Destarte, porque demonstrada a capacidade da requerida de arcar com o ônus econômico do processo, de rigor a revogação da benesse, sem prejuízo de eventual futura revisão, na hipótese de mudança da situação financeira da parte que a almeja. Isso posto, conheço e dou provimento ao recurso interposto, nos termos da fundamentação supra. .. Não obstante, anoto que o aresto expressamente consignou a possibilidade de futura revisão do pronunciamento em espeque, caso constatada mudança da situação financeira da parte que almeja a gratuidade. Deste modo, não se nega a hipótese de eventual novo deferimento da benesse, se porventura restar efetivamente demonstrada a inadimplência das prestações alimentícias, que consubstanciam principal fonte de renda da embargante fato, por ora, não demonstrado a contento, eis que há possibilidade de o depósito de fl. 81 ter sido complementado. Outrossim, o invocado art. 9º da Lei nº. 1.060/50, limita-se a determinar que "os benefícios da assistência judiciária compreendem todos os atos do processo até decisão final do litígio, em todas as instâncias", nada dispondo acerca de processos conexos. Por certo, prevalece o princípio da independência das decisões judiciais. No caso em questão, o Tribunal de origem revogou a gratuidade de justiça com base na análise dos elementos fáticos e provas dos autos, concluindo que a recorrente possui capacidade financeira para arcar com as custas do processo, considerando que recebe uma pensão alimentícia de R$ 4.500,00 mensais, e também os proventos de aposentadoria. Além disso, o acórdão recorrido também ressaltou a possibilidade de revisão futura da revogação da gratuidade de justiça, caso a situação financeira da parte venha a se modificar. À vista disso, reverter a conclusão da instância originária demandaria o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, o que se mostra impossível devido à natureza excepcional da via eleita, consoante enunciado da Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça. A esse respeito: PROCESSUAL CIVIL . AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DO STJ. RECONSIDERAÇÃO. GRATUIDADE DE JUSTIÇA. PESSOA FÍSICA. SERVIDORA PÚBLICA. AGRAVO INTERNO PROVIDO PARA CONHECER DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO.. 1. A agravante indicou precisamente, no recurso especial, os dispositivos de lei federal violados. Decisão da Presidência reconsiderada. 2. No caso, a Corte de origem demonstrou que a recorrente não possui direito à gratuidade de justiça, por ser servidora pública estadual e municipal aposentada, recebendo proventos líquidos, respectivamente, de R$ 6.865,60 e R$ 1.779,89, já deduzidos, inclusive, os valores a título de contribuição previdenciária e imposto de renda. 3. Agravo interno provido para conhecer do agravo e negar provimento ao recurso especial. (AgInt no AREsp n. 2.476.580/MS, Relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 29/4/2024, DJe de 2/5/2024.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. GRATUIDADE DE JUSTIÇA. DECLARAÇÃO DE POBREZA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE VERACIDADE. MATÉRIA COGNOSCÍVEL DE OFÍCIO. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. REVISÃO DOS PRESSUPOSTOS PARA CONCESSÃO DO BENEFÍCIO DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. NÃO PROVIDO. 1. Esta Corte Superior possui firme o entendimento no sentido de que: "O benefício da assistência judiciária gratuita pode ser pleiteado a qualquer tempo, sendo suficiente que a pessoa física declare não ter condições de arcar com as despesas processuais. Entretanto, tal presunção é relativa (art. 99, § 3º, do CPC/2015), podendo a parte contrária demonstrar a inexistência do alegado estado de hipossuficiência ou o julgador indeferir o pedido se encontrar elementos que coloquem em dúvida a condição financeira do peticionário" (AgInt no AREsp 1311620/RS, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 10/12/2018, Dje 14/12/2018). 2. A reapreciação de matéria no âmbito do recurso especial, de modo a infirmar os pressupostos adotados na Corte Local, quanto à suficiência econômica da requerente, a fim de reconhecer o benefício da gratuidade de justiça, encontra óbice na Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp n. 2.061.951/MG, Relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 27/11/2023, DJe de 30/11/2023.) Quanto ao pedido da parte recorrida, necessário enfatizar que a multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC não decorre do mero desprovimento do agravo interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou da improcedência do meio de impugnação para autorizar sua imposição, situação esta não configurada no caso. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO. MULTA DO ART. 1.021, §4º, DO CPC/15. INAPLICABILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS RECURSAIS. NÃO CABIMENTO. 1. Quanto à multa estabelecida no § 4º do art. 1.021 do CPC/15, a Segunda Seção deste STJ definiu que sua aplicação pressupõe que o agravo interno mostre-se manifestamente inadmissível ou que sua improcedência seja de tal forma evidente que a simples interposição do recurso possa ser tida, de plano, como abusiva ou protelatória, o que não se verifica na hipótese dos autos. 2. Não se admite a fixação de honorários advocatícios recursais por ocasião de julgamento de agravo interno ou embargos de declaração, porque tais recursos não inauguram um novo grau de jurisdição. 3. Embargos de declaração acolhidos parcialmente, sem efeitos modificativos. (EDcl no AgInt no REsp n. 1.965.727/MG, Relatora a Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 19/6/2023, DJe de 22/6/2023.) Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. Fiquem as partes cientificadas de que a insistência injustificada no prosseguimento do feito, com a oposição de embargos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios a este acórdão, ensejará a imposição de multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC/2015. É como voto.