AREsp 2642919 - ACORDAO
Reconsiderada a aplicação analógica da Súmula n. 182, o Tribunal procedeu ao novo exame e concluiu que o pedido da agravante exigiria reexame do conjunto fático-probatório para demonstrar hipossuficiência da pessoa jurídica, o que é vedado pelo óbice da Súmula n. 7 do STJ; assim, manteve-se a decisão que indeferiu a...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: AZEVEDO & TRAVASSOS ENGENHARIA LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado (sessão Virtual Da Quarta Turma, 17/09/2024 a 23/09/2024)
- Outcome
- Agravo interno desprovido; negar provimento ao recurso.
- Legal Topics
- Justiça Gratuita, Pessoa Jurídica, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj, Parcelamento Do Preparo, Agravo Interno
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Parties
AZEVEDO & TRAVASSOS ENGENHARIA LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado (sessão Virtual Da Quarta Turma, 17/09/2024 a 23/09/2024)
Legal Issues
- 1 inaplicabilidade da Súmula n. 182 do STJ
- 2 incidência da Súmula n. 7 do STJ que impede reexame do acervo fático-probatório
- 3 concessão de justiça gratuita a pessoa jurídica e necessidade de comprovação de hipossuficiência
Ratio Decidendi
Reconsiderada a aplicação analógica da Súmula n. 182, o Tribunal procedeu ao novo exame e concluiu que o pedido da agravante exigiria reexame do conjunto fático-probatório para demonstrar hipossuficiência da pessoa jurídica, o que é vedado pelo óbice da Súmula n. 7 do STJ; assim, manteve-se a decisão que indeferiu a gratuidade, autorizando apenas o parcelamento do preparo, e negou provimento ao agravo interno.
Court Disposition
Agravo interno desprovido; negar provimento ao recurso.
Orders
- Reconsiderar a decisão da Presidência de fls. 639-640 quanto à aplicação analógica da Súmula n. 182 do STJ.
- Negar provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 17/09/2024 a 23/09/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Marco Buzzi votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. EMENTA $ ementa
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por AZEVEDO & TRAVASSOS ENGENHARIA LTDA. contra julgado da Presidência que, com amparo no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheceu do agravo em razão da aplicação analógica da Súmula n. 182 do STJ. A agravante defende a inaplicabilidade da Súmula n. 182 do STJ ao argumento de que impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão denegatória do recurso especial. Sustenta a não incidência da Súmula n. 7 do STJ e reitera a violação dos arts. 98 e 99 do CPC e 5º, LXXIV, da CF. Afirma estar comprovado nos autos o seu direito à concessão da assistência judiciária gratuita, pois não possui condições financeiras para arcar com as custas e despesas processuais. Requer, assim, seja reconsiderada a decisão agravada ou seja o agravo julgado pelo colegiado. Contrarrazões apresentadas às fls. 666-669, em que se pleiteia o desprovimento do recurso. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO DA PRESIDÊNCIA. AFASTAMENTO DA SÚMULA N. 182 DO STJ. NOVA ANÁLISE. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 98 E 99 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. JUSTIÇA GRATUITA. PESSOA JURÍDICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE FINANCEIRA. REVISÃO. REEXAME DO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA N. 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Não se admite a revisão do entendimento do tribunal de origem quando a situação de mérito demandar o reexame do acervo fático-probatório dos autos, tendo em vista a incidência do óbice da Súmula n. 7 do STJ. 2. Agravo interno desprovido. VOTO Razão assiste à parte agravante quanto à inaplicabilidade da Súmula n. 182 do STJ, de modo que a decisão de fls. 639-640 deve ser reconsiderada. Procedo, pois, a novo exame de admissibilidade do recurso especial. Em nova análise, contudo, a irresignação do apelo nobre não reúne condições de prosperar. O recurso especial foi interposto por AZEVEDO & TRAVASSOS ENGENHARIA LTDA., com fundamento no art. 105, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (Agravo interno na Apelação n. 1014351-71.2018.8.26.0020/50000) nos autos de ação monitória. O julgado foi assim ementado (fl. 789): AGRAVO INTERNO - Decisão unipessoal do relator sorteado que indeferiu a gratuidade de justiça e determinou o recolhimento do preparo recursal - Ausência de condições financeiras não demonstrada - Decisão mantida - Deferimento, contudo, do parcelamento do valor de preparo aplicação do art. 98, §6º do CPC - RECURSO PROVIDO EM PARTE, com determinação. Nas razões do recurso especial, a parte recorrente apontou violação dos arts. 98 e 99 do CPC e 5º, LXXIV, da CF, argumentando que não tem condições para pagar o preparo recursal, mesmo que parcelado. Afirmou que os documentos apresentados comprovam o seu direito à concessão da assistência judiciária gratuita. Alegou que os colacionou documentos contábeis que indicam a sua situação econômica precária com passivo circulante superior ao ativo nos dois últimos anos dos três que foram apresentados. Requereu o provimento do recurso especial para a concessão da assistência judiciária gratuita. Passo, pois, à análise das proposições deduzidas. A respeito da apontada ofensa ao art. 5º, LXXIV, da CF, é incabível a pretensão de que esta Corte delibere sobre a suposta violação de dispositivos constitucionais, sob pena de usurpação da competência atribuída ao Supremo Tribunal Federal. Outrossim, é certo que a concessão do benefício da justiça gratuita a pessoa jurídica não dispensa a prévia comprovação de hipossuficiência, nos termos da orientação do STJ consolidada com a edição da Súmula n. 481, in verbis: Faz jus ao benefício da justiça gratuita a pessoa jurídica com ou sem fins lucrativos que demonstrar sua impossibilidade de arcar com os encargos processuais. No caso, a Corte a quo, instância soberana na análise das provas, concluiu pelo indeferimento dos benefícios da gratuidade de Justiça ao recorrente. De acordo com a análise dos documentos apresentados, verificou a inexistência de elementos capazes de atestar a hipossuficiência financeira alegada. Contudo, entendeu pertinente autorizar o parcelamento do preparo de ofício. Observe-se (fls. 562-563, destaquei): No caso dos autos, a gratuidade de justiça foi indeferida em razão da insuficiência de documentos aptos a demonstrar o estado de necessidade da pessoa jurídica agravante, pelo que a manutenção da decisão que indeferiu a concessão de assistência judiciária é medida que se impõe. Contudo, muito embora a parte apelante, ora embargante, não seja economicamente hipossuficiente, o Juízo poderá conceder de ofício o parcelamento das despesas processuais com o intuito de que o mesmo não seja obrigado a recolher de uma vez só e na íntegra as despesas processuais, caso não tenha condições para tanto. .. Na espécie, considerando as particularidades do caso concreto, possível a aplicação do disposto no novo CPC de forma benéfica para a parte, de modo a autorizar o parcelamento do preparo de ofício. Dessa forma, defiro o parcelamento das custas de preparo em 6 (seis) vezes, devendo a primeira parcela ser paga no prazo de 5 (cinco) dias, dando início ao recolhimento que deverá continuar de forma mensal todo 5º dia útil dos outros 5 meses subsequentes ao do primeiro recolhimento. Nesse contexto, decidir de forma contrária e aferir se a ora agravante não têm condições de arcar com as custas processuais, conforme alegam nas razões do recurso especial, atrai a incidência da Súmula n. 7 do STJ. A propósito, os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JUSTIÇA GRATUITA. PESSOA JURÍDICA. OFENSA A DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. NÃO CONHECIMENTO. INTIMAÇÃO DA PARTE. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO. PROVA DA INSUFICIÊNCIA DE RECURSOS. REVISÃO. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA N. 7 DO STJ. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. SÚMULA N. 83 DO STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. AUSÊNCIA. DECISÃO MANTIDA. 1. Não cabe ao Superior Tribunal de Justiça manifestar-se acerca de suposta violação de dispositivos constitucionais, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. Conforme a jurisprudência do STJ, a concessão do benefício de gratuidade da justiça à pessoa jurídica somente é possível quando comprovada a precariedade de sua situação financeira, inexistindo, em seu favor, presunção de insuficiência de recursos. 3. A parte, após regular intimação para demonstrar a concessão da justiça gratuita na origem sequer apresentou manifestação. 4. No caso concreto, o Tribunal de origem analisou as provas dos autos para indeferir o pedido de justiça gratuita. Alterar tal conclusão é inviável em recurso especial. 5. O recurso especial não comporta exame de questões que impliquem o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos (Súmula n. 7 do STJ). 6. O direito à gratuidade da justiça da pessoa jurídica depende da demonstração de sua impossibilidade de arcar com os encargos processuais. Precedentes. 7. Inadmissível o recurso especial quando o entendimento adotado pelo Tribunal de origem coincide com a jurisprudência do STJ (Súmula n. 83 do STJ). 8. O conhecimento do recurso pela alínea "c" do permissivo constitucional exige a demonstração da divergência, mediante o cotejo analítico do acórdão recorrido e dos arestos paradigmas, de modo a se verificarem as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados (arts. 255, § 1º, do RISTJ e 1.029, § 1º, do CPC/2015), ônus do qual a parte recorrente não se desincumbiu. 9. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.472.813/PR, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 1º/7/2024, DJe de 2/8/2024, destaquei.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. JUSTIÇA GRATUITA. PESSOA JURÍDICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA HIPOSSUFICIÊNCIA FINANCEIRA. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ POR AMBAS AS ALÍNEAS DO PERMISSIVO CONSTITUCIONAL. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA/DEFICIÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. NÃO INDICAÇÃO DO REPOSITÓRIO OFICIAL. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a pessoa jurídica faz jus à gratuidade judiciária, desde que comprove a insuficiência de recursos financeiros para custeio das despesas processuais. 2. Concluindo a instância originária que não há hipossuficiência financeira apta a justificar a concessão do benefício da justiça gratuita, descabe ao Superior Tribunal de Justiça, em recurso especial, rever esse posicionamento, ante a incidência da Súmula 7/STJ. 3. Nos termos da jurisprudência desta Corte, "o conhecimento do recurso especial fundado na alínea c do permissivo constitucional requisita a demonstração analítica da divergência jurisprudencial invocada, não apenas por intermédio da transcrição dos trechos dos acórdãos .. que configuram o dissídio, mas também da indicação das circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, o que não ocorreu in casu" (AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.318.991/SP, Relator o Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 23/10/2023, DJe de 25/10/2023). 4. Além disso, o dissenso jurisprudencial deve ser comprovado por certidão, cópia, ou citação do repositório de jurisprudência, oficial ou credenciado, inclusive em mídia eletrônica, em que tiver sido publicada a decisão divergente, ou ainda pela reprodução do julgado disponível na internet, com indicação da respectiva fonte, providência não adotada pela parte. 5. De acordo com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a incidência da Súmula n. 7/STJ impossibilita o conhecimento do recurso especial por ambas as alíneas do permissivo constitucional, porquanto não é possível encontrar similitude fática entre o acórdão recorrido e os arestos paradigmas, uma vez que as suas conclusões díspares ocorreram não em virtude de entendimentos diversos sobre uma mesma questão legal, mas sim de fundamentações baseadas em fatos, provas e circunstâncias específicas de cada processo. 6. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.470.214/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 27/5/2024, DJe de 29/5/2024, destaquei.) Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É o voto.