AREsp 2715094 - DECISAO
O Tribunal manteve o indeferimento da gratuidade por inexistência de comprovação da hipossuficiência da pessoa jurídica nos autos; revisar essa conclusão exigiria reexame do contexto fático-probatório, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7 do STJ, pelo que se negou provimento ao agravo, tornando inviável...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: PACER LOGÍSTICA LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 23 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Agravo Improvido No STJ
- Outcome
- Nego provimento ao agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Justiça Gratuita, Súmula 481/stj, Súmula 7/stj, Honorários Recursais, Reexame Do Conjunto Fático Probatório, Prequestionamento
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
PACER LOGÍSTICA LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Agravo Improvido No STJ
Legal Issues
- 1 concessão de justiça gratuita a pessoa jurídica e necessidade de comprovação de hipossuficiência
- 2 possibilidade de reexame do conjunto fático-probatório em recurso especial (Súmula 7)
- 3 prequestionamento
Ratio Decidendi
O Tribunal manteve o indeferimento da gratuidade por inexistência de comprovação da hipossuficiência da pessoa jurídica nos autos; revisar essa conclusão exigiria reexame do contexto fático-probatório, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7 do STJ, pelo que se negou provimento ao agravo, tornando inviável também a via fundada na alínea c do art.105 da CF.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo em recurso especial.
Orders
- Nego provimento ao agravo em recurso especial.
- Deixo de majorar os honorários recursais nos termos do § 11 do art. 85 do CPC.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por PACER LOGÍSTICA LTDA. contra decisão que inadmitiu recurso especial, tendo em vista a não demonstração da alegada ofensa aos dispositivos arrolados e a aplicação da Súmula n. 7 do STJ. A agravante alega que os pressupostos de admissibilidade do recurso especial foram atendidos. O recurso especial, fundado no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal, foi interposto contra acórdão prolatado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo em agravo de instrumento nos autos de embargos à execução. O julgado foi assim ementado (fl. 11.524): Agravo interno. Transporte de coisas. Ação de cobrança. Indeferimento do pedido gratuidade. Ausência de elementos que indiquem que a agravante, pessoa jurídica, não possui condições de arcar com os custos do processo. Decisão mantida. Recurso desprovido. Nas razões do recurso especial, a ora agravante aponta violação dos arts. 98 e 99 do CPC. Sustenta que faz jus ao benefício da gratuidade de justiça. Requer, assim, o provimento do re curso. É o relatório. Decido. É certo que a concessão do benefício da justiça gratuita a pessoa jurídica não dispensa a prévia comprovação de hipossuficiência, nos termos da orientação do STJ consolidada com a edição da Súmula n. 481 , que assim dispõe: Faz jus ao benefício da justiça gratuita a pessoa jurídica com ou sem fins lucrativos que demonstrar sua impossibilidade de arcar com os encargos processuais. No caso, a Corte a quo, instância soberana na análise das provas, concluiu pelo indeferimento dos benefícios da gratuidade de justiça à recorrente. De acordo com a análise dos documentos apresentados, verificou-se a inexistência de elementos capazes de atestar a hipossuficiência financeira alegada. Observe-se (fl. 11.532): Em que pese alegar que enfrenta crise financeira, com pedido de Recuperação Judicial, e o valor da demanda ser elevado, há que se ter presente que eventual incômodo financeiro não se confunde com a hipossuficiência alegada, como já dito. Reforça-se ainda que em se tratando de pessoa jurídica, a concessão do benefício somente ocorrerá nos casos em que houver comprovação, com elementos satisfatórios, da ausência de condições para arcar com as custas processuais, nos termos da Súmula 481, do STJ, o que não restou demonstrado nos autos. Deste modo, não está presente, nos autos, a verossimilhança das alegações da agravante de insuficiência de recursos financeiros para arcar com as despesas e custas processuais, de modo que o indeferimento do benefício deve ser mantido e igualmente o pedido de parcelamento e diferimento. Por fim, já é entendimento pacífico o de que não está obrigado o julgador a citar todos os artigos de lei e da Constituição Federal para fins de prequestionamento. Assim, ficam consideradas prequestionadas toda a matéria e disposições legais discutidas pelas partes. Nesse contexto, concluir de forma contrária ao decidido pela instância de origem e aferir se a ora agravante não possui condições de arcar com as custas processuais, conforme alega no recurso especial, atrai a incidência da Súmula n. 7 do STJ. A propósito, os seguintes precedentes: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. JUSTIÇA GRATUITA. INDEFERIMENTO. CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. HONORÁRIOS RECURSAIS. ARTIGO 85, § 11, DO CPC/2015. OBSERVÂNCIA DOS LIMITES LEGAIS. SÚMULA N. 83 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. O recurso especial não comporta o exame de questões que impliquem revolvimento do contexto fático-probatório dos autos, a teor do que dispõe a Súmula n. 7 do STJ. 2. No caso, o Tribunal a quo analisou a questão com base nos elementos fáticos que informaram a demanda, concluindo pela ausência de provas que demonstrem a incapacidade financeira de custear despesas processuais. Desse modo, rever as premissas estabelecidas pelas instâncias ordinárias implicaria reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que é vedado em sede de recurso especial, em virtude da Súmula n. 7 do STJ. 3. Nos termos da jurisprudência desta Corte, é devida a majoração da verba honorária sucumbencial, na forma do art. 85, § 11, do CPC/2015, quando estiverem presentes os seguintes requisitos, simultaneamente: a. decisão recorrida publicada a partir de 18.3.2016, quando entrou em vigor o novo Código de Processo Civil; b. recurso não conhecido integralmente ou desprovido, monocraticamente ou pelo órgão colegiado competente; c. condenação em honorários advocatícios desde a origem, no feito em que interposto o recurso. 4. O entendimento firmado pela Corte Especial deste Tribunal Superior é de que a fixação equitativa de honorários recursais observará o disposto no art. 85, §§ 2º e 3º, do CPC/2015. 5. Decisão monocrática que observa os parâmetros legais e jurisprudenciais. Incidência da Súmula n. 83 do STJ. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp n. 1.974.574/MG, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 28/11/2022, DJe de 5/12/2022, destaquei.) PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. GRATUIDADE DE JUSTIÇA. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA IMPOSSIBILIDADE DE ARCAR COM OS CUSTOS PROCESSUAIS. SÚMULA 481/STJ. CONTROVÉRSIA RESOLVIDA, PELO TRIBUNAL DE ORIGEM, À LUZ DAS PROVAS DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO, NA VIA ESPECIAL. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. Agravo interno aviado contra decisão que julgara recurso interposto contra decisum publicado na vigência do CPC/2015. .. 3. O Tribunal de origem, com base no exame dos elementos fáticos dos autos, rejeitou o pedido, apresentado na Apelação, de concessão do benefício da gratuidade de justiça. Tal entendimento, firmado pelo Tribunal a quo, no sentido de que a parte recorrente não se caracterizaria como juridicamente pobre, não pode ser revisto, pelo Superior Tribunal de Justiça, por exigir, no caso, o reexame da matéria fático-probatória dos autos. Nesse sentido: AgInt no REsp 1.858.814/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 24/09/2020; AgInt no REsp 1.880.769/DF, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 03/12/2020; AgInt nos EDcl no AREsp 1.649.945/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 09/12/2020. 4. Agravo interno improvido. (AgInt no REsp n. 1.349.031/RS, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 22/8/2022, DJe de 29/8/2022.) Quanto à pretensão recursal amparada no art. 105, III, c, da CF, melhor sorte não socorre a parte agravante, uma vez que a tese arguida com base na alínea a do permissivo constitucional foi afastada pela aplicação da Súmula n. 7 do STJ, o que implica a inviabilidade do recurso fundado na divergência jurisprudencial sobre a mesma questão. Ante o exposto, nego provimento ao agravo em recurso especial. Deixo de majorar os honorários recursais nos termos do § 11 do art. 85 do CPC, em razão da inexistência de prévia fixação na origem. Publique-se. Intimem-se. EMENTA