AREsp 2924965 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para não conhecer do Recurso Especial porque a alegação de violação aos arts. 1º e 9º da Lei 1.060/1950 padeceu de deficiência na fundamentação, atraindo o óbice da Súmula 284/STF, e porque a controvérsia sobre a concessão da justiça gratuita exigiria reexame do acervo fático-probatório, o que...
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- Parties
- Agravante/recorrente: ADEMIR DE CARVALHO FRIEDRICH
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 July 2025
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Justiça Gratuita, Hipossuficiência, Recurso Especial, Agravo, Súmula 7/stj, Súmula 284/stf, Dissídio Jurisprudencial
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Parties
ADEMIR DE CARVALHO FRIEDRICH
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo De Instrumento / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Ofensa aos arts. 1º e 9º da Lei 1.060/1950
- 2 Ofensa e interpretação divergente ao art. 99, § 4º, do CPC quanto à gratuidade de justiça e contratação de advogado particular
- 3 Aplicação da Súmula 7/STJ quanto à vedação de reexame de provas em Recurso Especial
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para não conhecer do Recurso Especial porque a alegação de violação aos arts. 1º e 9º da Lei 1.060/1950 padeceu de deficiência na fundamentação, atraindo o óbice da Súmula 284/STF, e porque a controvérsia sobre a concessão da justiça gratuita exigiria reexame do acervo fático-probatório, o que é vedado pela Súmula 7/STJ; ademais, não houve similitude fática suficiente para admitir dissídio jurisprudencial nos termos da alínea c do art. 105 da CF/88.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por ADEMIR DE CARVALHO FRIEDRICH à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE NULIDADE CONTRATUAL C/C PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA PARA SUSPENSÃO DE DESCONTOS. DECISÃO QUE INDEFERIU O BENEFÍCIO DA JUSTIÇA GRATUITA. RECURSO DA PARTE AUTORA. NECESSIDADE DO BENEFÍCIO NÃO DEMONSTRADA. CONTRATAÇÃO DE ADVOGADO PARTICULAR E AJUIZAMENTO DA CAUSA EM ESTADO DIVERSO DO DE SEU DOMICÍLIO, QUE NÃO OBSTAM, POR SI SÓ, A CONCESSÃO DO BENEFÍCIO DA ASSISTÊNCIA JUDICIAL GRATUITA DA PARTE, MAS QUE NO CASO DOS AUTOS MILITAM CONTRA A HIPOSSUFICIÊNCIA AVENTADA. MAGISTRADO QUE TEM O DEVER DE VERIFICAR O USO ABUSIVO DO PODER JUDICIÁRIO. INDEFERIMENTO MANTIDO. RECURSO NÃO PROVIDO. Quanto à primeira controvérsia, a parte recorrente aduz ofensa aos arts. 1º e 9º da Lei 1.060/1950, trazendo a seguinte argumentação: O recorrente entende que foi contrariada lei federal: art. 1º e 9º da lei 1060/50 (Lei da assistência judiciária gratuita) e art. 99, parágrafo 4º da lei 13.105(CPC). (fl. 49). Quanto à segunda controvérsia, pelas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, a parte recorrente aduz ofensa e interpretação divergente ao art. 99, § 4º, do CPC , no que concerne à necessidade de concessão da gratuidade de justiça considerando a condição de hipossuficiência do recorrente e que a contratação de advogado particular não afasta tal condição, trazendo a seguinte argumentação: Ocorre que deixaram de analisar, ou seja, sequer julgaram o mérito do pedido, pois o autor recebe renda inferior a 3 salários mínimos, decidindo que: "a peculiaridade de que a opção pelo foro desta Capital, somada à contratação de advogado particular, acaba por elidir as arguições de sua hipossuficiência" Assim, a decisão violou o art. 99, paragrafo 4º do CPC que estabelece que: CPC. Art. 99. O pedido de gratuidade da justiça pode ser formulado na petição inicial, na contestação, na petição para ingresso de terceiro no processo ou em recurso. .. § 4º A assistência do requerente por advogado particular não impede a concessão de gratuidade da justiça. Deste modo, a interpretação correta do art. 99 do CPC sugere que, independentemente da contratação de advogado particular, a parte que alega insuficiência de recursos para arcar com as custas do processo e comprova documentalmente, tem direito à justiça gratuita. Logo, foi contrariada lei federal que prevê expressamente que a contratação de advogado não afasta a alegação de hipossuficiência financeira (fl. 52). É o relatório. Decido. Quanto à primeira controvérsia, incide a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que a parte recorrente não demonstrou, de forma clara, direta e particularizada, como o acórdão recorrido violou arts. 1º e 9º da Lei 1.060/1950, o que atrai, por conseguinte, a aplicação do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido: "Evidencia-se a deficiência na fundamentação recursal quando o recorrente indica os artigos de lei federal que teriam sido violados, mas não desenvolve argumentação suficiente a fim de demonstrar a inequívoca ofensa aos dispositivos mencionados nas razões do recurso, situação que caracteriza deficiência na argumentação recursal e atrai, por analogia, o óbice da Súmula n. 284 do STF" (AgInt no REsp n. 2.059.001/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJEN de 23/12/2024). Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 2.174.828/DF, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 27/2/2025; AgRg nos EDcl no AREsp n. 2.442.094/PR, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJEN de 6/12/2024; AgInt no REsp n. 2.131.333/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 2/12/2024; AgRg nos EDcl no REsp n. 2.136.200/RJ, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 25/11/2024; AgRg no AREsp n. 2.566.408/MT, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP), Sexta Turma, DJe de 6/11/2024; AgInt no AREsp n. 2.542.223/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 30/8/2024; AgInt no AREsp n. 2.411.552/DF, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe de 3/7/2024; (REsp n. 1.883.187/RJ, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 14/12/2022; AgInt no AgInt no AREsp n. 2.106.824/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 18/11/2022. Quanto à segunda controvérsia, o Tribunal a quo se manifestou nos seguintes termos: De outra forma, considerando os demais elementos dos autos, verifica-se que não está comprovada a condição de hipossuficiência sustentada pelo recorrente. Apesar de o fato de a parte ser assistida por advogado particular não ser apto a afastar a gratuidade da justiça, diante de expressa previsão legal, prevista no art. 99, § 4º do Código de Processo Civil, que prevê que: "A assistência do requerente por advogado particular não impede a concessão de gratuidade da justiça.", no caso dos autos, alinhado ao fato de ajuizar a demanda em outro Estado, reforça a conclusão pelo indeferimento da benesse. Assim, ao renunciar ao seu direito de ajuizar a ação no foro de seu domicílio e optar por demandar em estado distinto do de seu domicílio, a agravante demonstra que tem condições de deslocar-se do estado do Rio Grande do Sul a esta Comarca de São Paulo, distante de sua residência para comparecer às audiências eventualmente designadas, sem que tal prejudique seu sustento ou de sua família (fl. 41). Assim, incide a Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), porquanto o reexame da premissa fixada pelo acórdão recorrido quanto à existência ou não dos requisitos para a concessão da gratuidade de justiça às partes exigiria a incursão no acervo fático-probatório dos autos, o que não é possível em Recurso Especial. Nesse sentido, o STJ já decidiu que "derruir a conclusão do Tribunal a quo, no sentido de estariam preenchidos os requisitos para a concessão do benefício da justiça gratuita, demandaria o reexame de fatos e provas, o que é vedado pela Súmula 7/STJ" (REsp n. 2.148.914/RJ, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJEN de 26/3/2025). Na mesma linha: "No caso, a Corte Estadual, com base nos elementos probatórios da lide, concluiu que, em sendo "evidente alteração da situação econômico-financeira da agravada, possível a revogação do benefício da gratuidade de justiça, possibilitando a execução dos honorários advocatícios sucumbenciais, eis que se trata de verba alimentar." (fl. 40). Assim, tendo a instância a quo concluído que houve modificação na condição financeira das partes, a alteração das premissas adotadas pela Corte de origem, tal como colocada a questão nas razões recursais, a fim de aferir se a parte não possui condições de arcar com as despesas do processo, demandaria, necessariamente, novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ" (AgInt no AREsp n. 2.481.612/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 18/4/2024). Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp n. 2.741.866/SP, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJEN de 20/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.774.890/MS, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 20/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.593.572/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Turma, DJEN de 6/3/2025; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.535.960/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 22/10/2024; AgInt no AREsp n. 2.501.722/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 6/9/2024; AgInt no REsp n. 2.120.602/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 13/6/2024. Ademais, verifica-se que a pretensão da parte agravante é de ver reconhecida a existência de dissídio jurisprudencial, que tem por objeto a mesma questão aventada sob os auspícios da alínea "a" do permissivo constitucional, que, por sua vez, foi obstaculizada pelo enunciado da Súmula n. 7/STJ. Quando isso acontece, impõe-se o reconhecimento da inexistência de similitude fática entre os arestos confrontados, requisito indispensável ao conhecimento do Recurso Especial pela alínea "c". Nesse sentido: "O recurso especial não pode ser conhecido com fundamento na alínea c do permissivo constitucional, porquanto o óbice da Súmula n. 7/STJ impede o exame do dissídio jurisprudencial quando, para a comprovação da similitude fática entre os julgados confrontados, é necessário o reexame de fatos e provas" (AgInt no REsp n. 2.175.976/DF, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 20/2/2025). Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 2.037.832/RO, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJEN de 25/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.365.913/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJEN de 21/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.701.662/GO, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 20/12/2024; AgInt no AREsp n. 2.698.838/SC, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJEN de 19/12/2024; AgInt no REsp n. 2.139.773/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 2/12/2024; AgInt no REsp n. 2.159.019/MG, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 16/10/2024. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA