AREsp 2984637 - DECISAO
Conheci do agravo e não conheci do Recurso Especial porque este foi interposto com fundamento em norma federal não vigente (revogada) e sua apreciação demandaria reexame do conjunto fático-probatório sobre a necessidade da justiça gratuita, providência vedada pela Súmula 7/STJ; ademais, o acórdão recorrido concluiu...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: NERI ECKE & CIA LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Legal Topics
- Justiça Gratuita, Admissibilidade De Recurso Especial, Reexame De Provas (súmula 7/stj), Súmulas Constitucionais E Jurisprudência
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
NERI ECKE & CIA LTDA
Agravante
Procedural Posture
Agravo / Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
Legal Issues
- 1 concessão de justiça gratuita a pessoa jurídica
- 2 admissibilidade de Recurso Especial fundado em norma revogada
- 3 vedação ao reexame de provas em Recurso Especial (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
Conheci do agravo e não conheci do Recurso Especial porque este foi interposto com fundamento em norma federal não vigente (revogada) e sua apreciação demandaria reexame do conjunto fático-probatório sobre a necessidade da justiça gratuita, providência vedada pela Súmula 7/STJ; ademais, o acórdão recorrido concluiu que a pessoa jurídica não demonstrou incapacidade financeira.
Court Disposition
Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
Orders
- Conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por NERI ECKE & CIA LTDA à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, assim resumido: AGRAVO INTERNO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. DIREITO TRIBUTÁRIO. EMBARGOS A EXECUÇÃO FISCAL. GRATUIDADE DE JUSTIÇA. PESSOA JURÍDICA. AUSÊNCIA DE PROVA DA EFETIVA NECESSIDADE. INDEFERIMENTO. EMBARGOS SEM PENHORA. HIPOSSUFICIENCIA NÃO COMPROVADA Quanto à controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega violação do art. 2º da Lei n. 1.060/50, no que concerne à necessidade de concessão do benefício da justiça gratuita, trazendo a seguinte argumentação: Desta forma, como se verifica na espécie é a afronta à lei federal, tendo em vista que a comprovação foi providenciada, com os documentos disponíveis, e a benesse negada, caracterizando-se afronta à lei federal, fundamentado a interposição do presente recurso. Pretende-se, outrossim, pelo manejo do Especial interposto, a demonstração do a negativa de vigência à lei federal 1060/50, notadamente seu art. 2º, que por seu turno, autoriza a concessão dos benefícios da justiça gratuita àquelas pessoas que assim necessitem, como é o caso do recorrente. Aliás, o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento de que é possível estender os benefícios da justiça gratuita às pessoas jurídicas (sem exceção quanto ao fim lucrativo da mesma). Confira-se: Súmula 481: Faz jus ao benefício da justiça gratuita a pessoa jurídica com ou sem fins lucrativos que demonstrar sua impossibilidade de arcar com os encargos processuais. O caso em comento, o recorrente instruiu o pedido de assistência com todos os documentos que dispunham no momento de apresentar o requerimento. O pleito foi indeferido sob o argumento de que outros tantos deveriam ser instruídos para formar o convencimento do julgador. Vejamos o entendimento pretoriano. .. Portanto, considerando a documentação apresentada pela empresa inativa e pela pessoa física - aposentado de rigor a concessão da assistência judiciária gratuita (fls. 74-76). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, não é cabível o Recurso Especial porque interposto com fundamento em violação de dispositivo de norma não vigente. Com efeito, tem-se como inviável o conhecimento de Recurso Especial que tenha como fundamento alegação de ofensa ou contrariedade à norma que já tenha sido revogada. Nesse sentido: Não é cabível, portanto, a interposição de recurso especial fundado em dispositivo de lei federal não vigente, seja em razão de a questão fática ou jurídica ter surgido após a sua revogação, seja por ser anterior à sua entrada em vigor" (AgInt no AREsp n. 2.180.882/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 19/12/2022.). E ainda, os seguintes julgados: AgInt no REsp n. 2.103.273/DF, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 11/4/2024; AgInt no AREsp n. 1.949.735/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 4/5/2022; REsp n. 726.446/PE, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 29/4/2011; REsp n. 735.473/SP, relator Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJ de 22/8/2005, p. 250. Ademais, o acórdão recorrido assim decidiu: Dessa forma, embora o art. 1.021, §3º, do CPC vede a reprodução dos fundamentos da decisão agravada, pode este juízo repisá-los, já que este dever específico de motivação para o juiz (assim como a novel fundamentação analítica - art. 489 do CPC/15) pressupõe maturidade no contraditório. Segue o teor da decisão monocrática: " .. No caso, no entanto, a agravante não comprova a necessidade de dispor do benefício, não se bastando para tanto a juntada de documento comprovando que a empresa esta inapta. Da mesma sorte, a juntada de comprovante de rendimentos de seu sócio não se mostra apto a comprovar a necessidade da pessoa jurídica. Mantenho a bem lançada decisão de origem, portanto: " (..) Na espécie, entendo que a dificuldade na situação econômica do embargante, pessoa jurídica, não restou demonstrada. Quando intimada para comprovação de sua incapacidade financeira, anexou ao caderno processual documentos particulares de seu sócio (evento 6, CARTA4 e evento 6, EXMMED6), sem ter juntado qualquer comprovante de ganhos e gastos da própria pessoa jurídica. Neste caso, tratando-se de pessoa jurídica, não basta somente juntada da declaração de hipossuficiência, muito menos cópia do comprovante de sua situação cadastral. Em que pese a situação cadastral demonstrar que seu CNPJ está inapto (evento 6, OUT2), sabe-se que é obrigação da pessoa jurídica cumprir com seus deveres tributários, não se valendo da omissão diante destes para gozar da benesse de gratuidade judiciária, uma vez que a irregularidade cadastral não configura razão comprobatória de insuficiência financeira. .. " Importante ressaltar à recorrente que empresa INAPTA é diferente de empresa INATIVA. No caso concreto, a empresa se encontra INAPTA porquanto omissa em relação aos seus deveres perante a Receita Federal. Não comprova, no entanto, por si só, que não esteja em inatividade ou mesmo que não tenha condições de arcar com as despes as processuais (fls. 39-40). Aplicável, portanto, a Súmula n. 284/STF, tendo em vista que as razões delineadas no Recurso Especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, pois a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia" (AgInt no AREsp n. 2.604.183/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 2/12/2024). Confiram-se ainda os seguintes julgados:AgInt no AREsp n. 2.734.491/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJEN de 25/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.267.385/ES, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJEN de 21/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.638.758/RJ, relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, DJEN de 20/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.722.719/PE, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJEN de 5/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.787.231/PR, relator Ministro Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS), Terceira Turma, DJEN de 28/2/2025; AgRg no AREsp n. 2.722.720/RJ, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJEN de 26/2/2025; AgInt no AREsp n. 2.751.983/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJEN de 21/2/2025; AgInt no REsp n. 2.162.145/RR, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJEN de 20/2/2025; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.256.940/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJEN de 9/12/2024; AgRg no AREsp n. 2.689.934/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJEN de 9/12/2024; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.421.997/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda Turma, DJe de 19/11/2024; EDcl no AgRg nos EDcl no AREsp n. 2.563.576/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe de 7/11/2024; AgInt no AREsp n. 2.612.555/DF, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 5/11/2024; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.489.961/PR, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 28/10/2024; AgInt no AREsp n. 2.555.469/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 20/8/2024; AgInt no AREsp n. 2.377.269/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 7/3/2024. Além disso, considerando os trechos do acórdão acima transcritos, incide a Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), porquanto o reexame da premissa fixada pelo acórdão recorrido quanto à existência ou não dos requisitos para a concessão da gratuidade de justiça às partes exigiria a incursão no acervo fático-probatório dos autos, o que não é possível em Recurso Especial. Nesse sentido, o STJ já decidiu que "derruir a conclusão do Tribunal a quo, no sentido de estariam preenchidos os requisitos para a concessão do benefício da justiça gratuita, demandaria o reexame de fatos e provas, o que é vedado pela Súmula 7/STJ" (REsp n. 2.148.914/RJ, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJEN de 26/3/2025). Na mesma linha: "No caso, a Corte Estadual, com base nos elementos probatórios da lide, concluiu que, em sendo "evidente alteração da situação econômico-financeira da agravada, possível a revogação do benefício da gratuidade de justiça, possibilitando a execução dos honorários advocatícios sucumbenciais, eis que se trata de verba alimentar." (fl. 40). Assim, tendo a instância a quo concluído que houve modificação na condição financeira das partes, a alteração das premissas adotadas pela Corte de origem, tal como colocada a questão nas razões recursais, a fim de aferir se a parte não possui condições de arcar com as despesas do processo, demandaria, necessariamente, novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ" (AgInt no AREsp n. 2.481.612/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe de 18/4/2024). Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp n. 2.741.866/SP, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJEN de 20/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.774.890/MS, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 20/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.593.572/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Turma, DJEN de 6/3/2025; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.535.960/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 22/10/2024; AgInt no AREsp n. 2.501.722/SP, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 6/9/2024; AgInt no REsp n. 2.120.602/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 13/6/2024. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA