AREsp 2884355 - ACORDAO
Não se conheceu do recurso especial porque para reformar o indeferimento da justiça gratuita seria necessário reexame do conjunto fático-probatório (verificação de elementos sobre hipossuficiência), o que é vedado pela Súmula n. 7 do STJ; igualmente, o dissídio jurisprudencial invocado é prejudicado quando a...
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- Parties
- Recorrente: ALBERTINA GONÇALVES DE VILLA; Recorrido: BANCO BMG S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Agravo Conhecido Para Não Conhecer Do Recurso Especial (julgamento Pela Terceira Turma)
- Outcome
- Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial
- Legal Topics
- Justiça Gratuita, Súmula N. 7/stj, Dissídio Jurisprudencial, Empréstimo Consignado, Hipossuficiência
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Parties
ALBERTINA GONÇALVES DE VILLA
Recorrente
BANCO BMG S.A.
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Agravo Conhecido Para Não Conhecer Do Recurso Especial (julgamento Pela Terceira Turma)
Legal Issues
- 1 concessão de justiça gratuita e comprovação de hipossuficiência
- 2 incidência da Súmula n. 7 do STJ que veda reexame de provas
- 3 possibilidade de conhecimento de recurso especial por dissídio jurisprudencial quando apoiado em fatos
Ratio Decidendi
Não se conheceu do recurso especial porque para reformar o indeferimento da justiça gratuita seria necessário reexame do conjunto fático-probatório (verificação de elementos sobre hipossuficiência), o que é vedado pela Súmula n. 7 do STJ; igualmente, o dissídio jurisprudencial invocado é prejudicado quando a divergência se apoia em fatos, não em interpretação de lei, impedindo o conhecimento pela alínea c do art. 105, III, da CF.
Court Disposition
Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial
Orders
- Não conhecer do recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 26/08/2025 a 01/09/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Daniela Teixeira, Nancy Andrighi, Humberto Martins e Ricardo Villas Bôas Cueva votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA PROCESSO CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRATO BANCÁRIO. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. AÇÃO DECLARATÓRIA. 1. JUSTIÇA GRATUITA. INDEFERIMENTO. VERIFICAÇÃO DOS ELEMENTOS PARA CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. 2. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO ANTE A INCIDÊNCIA DO ÓBICE SUMULAR. AGRAVO CONHECIDO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL. 1. Rever as conclusões quanto aos elementos que levaram ao indeferimento da justiça gratuita demandaria, necessariamente, reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que é vedado em razão do óbice da Súmula n. 7 do STJ. 2. A incidência da Súmula n. 7 do STJ impede o conhecimento do recurso lastreado pela alínea c do permissivo constitucional. 3. Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial.
RELATÓRIO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por ALBERTINA GONÇALVES DE VILLA (ALBERTINA) contra decisão que não admitiu seu apelo nobre manejado com fundamento no art. 105, III, alíneas a e c, da CF contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina, assim ementado: AGRAVO INTERNO. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO CUMULADA COM REPETIÇÃO DE INDÉBITO E CONDENAÇÃO POR DANOS MORAIS. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. AGRAVO DE INSTRUMENTO DESPROVIDO POR DECISÃO UNIPESSOAL. INTERLOCUTÓRIO NA ORIGEM QUE NEGOU GRATUIDADE DA JUSTIÇA. COMPROMETIMENTO DA RENDA COM DESPESAS NECESSÁRIAS À SUBSISTÊNCIA NÃO DEMONSTRADA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO (fl. 86). Os embargos de declaração de ALBERTINA foram rejeitados (fls. 119-121). Nas razões do agravo, ALBERTINA alegou basicamente que não incidem os óbices da Súmula n. 7 do STJ por ser necessária a revaloração do fato comprovado e modificação do julgado. Não foi apresentada contraminuta (fl. 199). É o relatório. O agravo é espécie recursal cabível, foi interposto tempestivamente e com impugnação adequada aos fundamentos da decisão recorrida. CONHEÇO, portanto, do agravo e passo ao exame do recurso especial, que não merece prosperar. Nas razões de seu apelo nobre interposto com fundamento nas alíneas a e c do inciso III do art. 105 da Constituição Federal, ALBERTINA apontou (1) violação dos arts. 98 e 99, § 3º, do CPC, pois a decisão recorrida não considerou a presunção de insuficiência financeira da agravante; (2) violação dos arts. 2º e 3º da Lei n. 9.099/95, ao determinar que a ação deveria tramitar no Juizado Especial, mesmo havendo necessidade de perícia grafotécnica; (3) dissídio jurisprudencial com outros tribunais que concederam a justiça gratuita em casos semelhantes. Não foram apresentadas contrarrazões (fl. 174). É o relatório. EMENTA PROCESSO CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRATO BANCÁRIO. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO. AÇÃO DECLARATÓRIA. 1. JUSTIÇA GRATUITA. INDEFERIMENTO. VERIFICAÇÃO DOS ELEMENTOS PARA CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. 2. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO ANTE A INCIDÊNCIA DO ÓBICE SUMULAR. AGRAVO CONHECIDO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL. 1. Rever as conclusões quanto aos elementos que levaram ao indeferimento da justiça gratuita demandaria, necessariamente, reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que é vedado em razão do óbice da Súmula n. 7 do STJ. 2. A incidência da Súmula n. 7 do STJ impede o conhecimento do recurso lastreado pela alínea c do permissivo constitucional. 3. Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial. VOTO (1) Da justiça gratuita Como emana dos autos, ALBERTINA propôs ação declaratória de inexistência de débito cumulada com reparação por danos morais e materiais, contra BANCO BMG S.A, em virtude de um empréstimo consignado realizado sem sua autorização, requerendo a concessão do benefício da justiça gratuita. O Juízo de primeira instância indeferiu o pedido, entendendo que ALBERTINA não demonstrou o comprometimento completo de sua renda com despesas essenciais à subsistência. ALBERTINA interpôs agravo de instrumento, que foi desprovido monocraticamente, e, posteriormente, agravo interno, também desprovido, conforme trechos que ora se transcrevem: Logo, não tendo a parte agravante colaborado para derruir a dúvida do Magistrado, apresentando a documentação por ele solicitada, estava a Autoridade Judiciária autorizada a indeferir a Justiça Gratuita, pois a presunção de veracidade da declaração de hipossuficiência não é absoluta, tanto é que o Juiz da causa pode requerer que o jurisdicionado comprove sua situação econômica, especialmente quando houver no processo dúvidas a respeito da impossibilidade financeira de custear os encargos processuais, como ocorreu no caso em tela. .. No caso em tela, como a parte postulante do benefício da Justiça Gratuita possui fonte de rendimentos, deveria demonstrar, de modo inequívoco, o comprometimento dessa renda com despesas necessárias à subsistência de seu núcleo familiar, bem como a impossibilidade de pagamento das taxas judiciais, ainda que de forma parcelada. Veja que, no caso concreto, como também mencionado no interlocutório combatido, examinado a sua declaração do imposto de renda de 2022, percebe-se que a agravante informa ter R$ 15.000,00 em espécie guardados consigo, dinheiro que pode muito bem ser utilizado para o pagamento das taxas judiciais. A alegação de que tal quantia provém de empréstimo para conserto do seu veículo não tem o mínimo de amparo probatório. Outrossim, o seu benefício previdenciário é de R$ 3.859,64, e não existe nenhuma prova no processo originário de que esteja completamente comprometido com as despesas essenciais de sua subsistência. (e-STJ, fls. 80/81) Assim, rever as conclusões quanto aos elementos que levaram ao indeferimento da gratuita demandaria, necessariamente, reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que é vedado em razão do óbice da Súmula n. 7 do STJ. Nesse sentido, confira-se a jurisprudência desta Corte: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. JUSTIÇA GRATUITA INDEFERIDA. HIPOSSUFICIÊNCIA NÃO COMPROVADA. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7. AGRAVO NÃO CONHECIDO. I. Caso em exame 1. Agravo em recurso especial interposto contra decisão que inadmitiu recurso especial, sob o argumento de que a análise do mérito demandaria reexame de prova, o que é vedado pela Súmula 7 do STJ. II. Questão em discussão 2. Consiste em saber se a análise da decisão do Tribunal que concluiu pela não comprovação da hipossuficiência, para fins de benefício da justiça gratuita, demandaria o reexame de prova. III. Razões de decidir 3. A declaração de hipossuficiência deduzida por pessoa física possui presunção de veracidade, mas, verificando o julgador a presença de elementos que evidenciem a falta de requisitos para concessão do benefício, ele pode indeferi-lo. 4. Rever a conclusão do Tribunal pela negativa do benefício demandaria incursão nos elementos probatórios, sendo que o recurso especial não comporta exame de questões que impliquem revolvimento do contexto fático-probatório dos autos (Súmula n. 7 do STJ). IV. Dispositivo 5. Agravo não conhecido. (AREsp n. 2.859.076/RS, relatora Ministra DANIELA TEIXEIRA, Terceira Turma, julgado em 23/6/2025, DJEN de 26/6/2025) CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. GRATUIDADE DA JUSTIÇA. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. DECISÃO MANTIDA. I. Caso em exame 1. Agravo interno interposto contra decisão da Presidência do STJ que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial. II. Questão em discussão 2. Consiste em saber se a análise de mérito do recurso especial demandaria o reexame de prova. III. Razões de decidir 3. A declaração de hipossuficiência deduzida por pessoa física possui presunção de veracidade, mas, verificando o julgador a presença de elementos que evidenciem a falta de requisitos para concessão do benefício, ele pode indeferi-lo. 4. O recurso especial não comporta exame de questões que impliquem revolvimento do contexto fático-probatório dos autos (Súmula n. 7 do STJ). IV. Dispositivo e tese 5. Agravo interno desprovido. Tese de julgamento: 1. Para fins de concessão da justiça gratuita, há presunção juris tantum de que a pessoa física requerente não possui condições de arcar com as despesas do processo, podendo o magistrado indeferir o requerimento se encontrar elementos que infirmem a alegada hipossuficiência. 2. O recurso especial não admite reexame de provas, conforme a Súmula n. 7 do STJ. (AgInt no AREsp n. 2.793.250/SP, relator Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, Quarta Turma, julgado em 5/5/2025, DJEN de 13/5/2025) Dessa forma, o recurso não merece que dele se conheça quanto ao ponto. (2) Do dissídio jurisprudencial ALBERTINA apontou ainda a existência de dissídio jurisprudencial sobre a matéria. Destaca-se que a jurisprudência desta Corte firmou o entendimento de que não é possível o conhecimento do recurso especial interposto pela divergência jurisprudencial na hipótese em que o dissídio é apoiado em fatos, e não na interpretação da lei. Isso porque a Súmula n. 7 do STJ também se aplica aos recursos especiais interpostos pela alínea c do permissivo constitucional, conforme precedente abaixo relacionado: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS C/C COMPENSAÇÃO POR DANOS MORAIS. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. COTEJO ANALÍTICO E SIMILITUDE FÁTICA. INOCORRÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. NÃO INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL VIOLADO. SÚMULA 284/STF. 1. O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado mediante o cotejo analítico entre acórdãos que versem sobre situações fáticas idênticas. 2. A ausência de prequestionamento do tema que se supõe divergente impede o conhecimento da insurgência veiculada pela alínea "c" do art. 105, III, da Constituição da República. 3. A incidência da Súmula 7 desta Corte, acerca do tema que se supõe divergente, também impede o conhecimento da insurgência veiculada pela alínea "c" do permissivo constitucional. .. (AgInt no AREsp 1.692.173/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, Terceira Turma,j. 30/11/2020, DJe 2/12/2020 - sem destaque no original) Nessas condições, CONHEÇO do agravo para NÃO CONHECER do recurso especial. É o voto. Por oportuno, previno que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar condenação às penalidades fixadas no art. 1.026, § 2º, do CPC.