REsp 1657877 - DECISAO
O Superior Tribunal de Justiça entendeu que o laudo médico elaborado por médico particular é suficiente para demonstrar a necessidade do tratamento, reconheceu a validade do laudo apresentado e, em consequência, deu parcial provimento ao recurso especial para determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para...
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- Parties
- Recorrente: Jocelia de Sousa Estevão; Recorrido: Estado do Rio de Janeiro
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 May 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento Pelo Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- conheço em parte do recurso especial e, na parte conhecida, dou-lhe provimento
- Legal Topics
- Laudo Médico Particular, Fornecimento De Tratamento/medicamento Pelo Estado, Legitimidade Passiva Dos Entes Federados, Tutela Antecipada, Omissão De Acórdão (art. 535 Cpc/73)
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Parties
Jocelia de Sousa Estevão
Recorrente
Estado do Rio de Janeiro
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento Pelo Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 admissibilidade e valor probatório do laudo médico particular
- 2 necessidade de exigir prescrição ou prontuário por médico vinculado ao SUS
- 3 possibilidade de reexame de matéria fático-probatória em recurso especial
Ratio Decidendi
O Superior Tribunal de Justiça entendeu que o laudo médico elaborado por médico particular é suficiente para demonstrar a necessidade do tratamento, reconheceu a validade do laudo apresentado e, em consequência, deu parcial provimento ao recurso especial para determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para prosseguimento da apelação, com previsão de realização de avaliação pericial judicial se necessário, sem admitir reexame fático-probatório no STJ.
Court Disposition
conheço em parte do recurso especial e, na parte conhecida, dou-lhe provimento
Orders
- reconhecer a validade do laudo médico particular apresentado
- determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que prossiga no julgamento da apelação do Estado do Rio de Janeiro
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial manejado por Jocelia de Sousa Estevão pelo com fundamento no art. 105, III, a, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, assim ementado (fls. 186/187): Constitucional. Direito à saúde. Autora que, medianteapresentação de laudo de médico particular, não integrante doSUS, demanda a realização de cirurgia. Antecipação de tuteladeferida. Agravo retido. Sentença que condena os entes políticos réus à realização de cirurgia. Inconformismo do ERJ. Agravo retido. Conhecimento do mesmo, por ter sido reiteradoem sede de apelação. Matéria versada no mesmo que seconfunde com o mérito da demanda. Remessa do mesmo paraapreciação em conjunto com esse. Ilegitimidade passiva do ERJ que não se verifica. Obrigaçãodos entes federados decorrente dos princípios inseridos na leino. 8.080/90. Inteligência do art. 196 da Constituição Federal.Precedente do E. STF e aplicação do Verbete n.º 115 daSúmula de Jurisprudência desta Corte. Violação do princípio de separação de poderes que tambémnão ocorre. Ente político submetido ao regramentoconstitucional que impõe que se propicie aos necessitados otratamento médico adequado e eficaz. Embora o princípio da reserva do possível e dificuldades emrelação à previsão orçamentária devam ser valorados medianteponderação de interesses em relação ao direito à vida e àsaúde da parte, o exercício deste direito público subjetivo devese adequar a regramento mínimo capaz de informar, e deafirmar, da validade da pretensão. Mas se a demanda vem estribada, exclusivamente, em laudomédico emitido por profissional não integrante dos quadros doSUS, necessário se faria o cotejo do mesmo com osprocedimentos de atendimento, em massa, como disponíveispelo estado, às necessidades da autora. Limitação do poder dedemandar reconhecido pelo STJ. Precedentes. Provimento parcial do apelo do Estado RJ. Sentença que secassa, assim como em relação à antecipação da tutela.Retorno dos autos ao juízo de origem, para estabelecimento doregular processo dialético referente à pretensão inaugural, para adequação do pedido aos termos da legislação em vigor. Opostos embargos declaratórios, foram rejeitados (fls. 222/226). A parte recorrente aponta violação aos arts. 456, 458 e 535, I e II, todos do CPC/73. Para tanto, sustenta que (I) a Corte de origem deixou de examinar a totalidade de seus argumentos, mesmo após os competentes embargos de declaração; e (II) o acórdão recorrido, ao passar a exigir prontuário médico prescrito por médico do SUS a fim de comprovar a necessidade da cirurgia, acabou por incorrer em julgamentoextra petita. Parecer Ministerial às fls. 330/336, pelo parcial provimento do recurso especial. É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. Registre-se, de logo, que o acórdão recorrido foi publicado na vigência do CPC/73; por isso, no exame dos pressupostos de admissibilidade do recurso, será observada a diretriz contida no Enunciado Administrativo n. 2/STJ, aprovado pelo Plenário desta Corte, na Sessão de 9 de março de 2016 (Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/73 - relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016 -- devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas, até então, pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça). De início, mostra-se deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão se fez omisso, contraditório ou obscuro. Aplica-se, na espécie, o óbice da Súmula 284 do STF. Nesse mesmo sentido vão os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.070.808/MA, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 10/6/2020; AgInt no REsp 1.730.680/RJ, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 24/4/2020; AgInt nos EDcl no AREsp 1.141.396/SP, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 12/3/20020; AgInt no REsp 1.588.520/DF, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de27/2/2020 e AgInt no AREsp 1.018.228/PI, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 25/9/2019. Sobre a questão de fundo, esta Corte tem consolidado o entendimento de que o laudo médico elaborado por médico particular é suficiente para demonstrar a necessidade da terapia medicamentosa. Nesse sentido, destacam-se os seguintes julgados: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. VIOLAÇÃO DO ART. 535, II, DO CPC/1973. INEXISTENTE. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTOS NÃO INCORPORADOS AO SUS. NECESSIDADE DO TRATAMENTO. REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. LAUDO MÉDICO PARTICULAR. PROVA. ADMISSIBILIDADE. 1. Não merece prosperar a tese de violação do art. 535, II, do CPC/1973, porquanto o acórdão recorrido fundamentou, claramente, o posicionamento por ele assumido, de modo a prestar a jurisdição que lhe foi postulada, resolvendo a questão acerca da alegação de ausência de prova pré-constituída. 2. Sendo assim, não há que se falar em omissão, obscuridade, contradição ou erro material do aresto. O fato de o Tribunal a quo haver decidido a lide de forma contrária à defendida pela parte recorrente, elegendo fundamentos diversos daqueles por ela propostos, não configura omissão nem outra causa passível de exame mediante a oposição de embargos de declaração. 3. O acórdão de origem não destoa da jurisprudência do STJ, vigente à época, no sentido de que esta Corte admite o fornecimento de medicamentos não incorporados ao SUS mediante protocolos clínicos, quando as instâncias ordinárias verificam a necessidade do tratamento prescrito, como é a hipótese dos autos. Rever tal conclusão demandaria a análise de aspectos fático-probatórios coligidos aos autos, o que é defeso em recurso especial, conforme o disposto na Súmula 7/STJ. 4. Também está consolidado o entendimento nesta Corte de que "é admissível, em sede de mandado de segurança, prova constituída por laudo médico elaborado por médico particular atestando a necessidade do uso de determinado medicamento, para fins de comprovação do direito líquido e certo capaz de impor ao Estado o seu fornecimento gratuito" (AgRg no Ag 1.107.526/MG, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 18/11/2010, DJe 29/11/2010). 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1103039/PE, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/09/2020, DJe 29/09/2020) PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. DELEGAÇÃO DO JUÍZO AUXILIAR DA VICE-PRESIDÊNCIA. POSSIBILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DE FÁRMACO. DIREITO FUNDAMENTAL À VIDA E À SAÚDE. DESNECESSIDADE DE QUE A PRESCRIÇÃO DO MEDICAMENTO SEJA SUBSCRITA POR MÉDICO DO SUS. AGRAVO INTERNO DO ENTE FEDERAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. Nos termos do que decidido pelo Plenário do STJ, aos recursos interpostos com fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele prevista, com as interpretações dadas até então pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (Enunciado Administrativo 2). 2. Conforme a tese fixada pelo STF em sede de Repercussão Geral, a responsabilidade dos Entes Federados pelo direito à saúde é solidária, podendo figurar no polo passivo qualquer um deles em conjunto ou isoladamente (RE 855.178/PE, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 16.3.2015, Tema 793). Deste modo, a determinação para o fornecimento do fármaco pode ser dirigida à UNIÃO - já que, existindo solidariedade passiva, qualquer dos devedores pode ser chamado a cumprir a obrigação. 3. A substituição ou complemento do fármaco inicialmente pleiteado, após a prolação da sentença, não configura inovação do pedido ou da causa de pedir, mas mera adequação do tratamento para a cura da enfermidade do paciente (AgInt no REsp. 1.503.430/SP, Rel. Min. GURGEL DE FARIA, DJe 22.11.2016). No mesmo sentido: AgRg no REsp. 1.577.050/RS, Rel. Min. REGINA HELENA COSTA, DJe 16.5.2016; AgRg no AREsp. 752.682/RS, Rel. Min. ASSUSETE MAGALHÃES, DJe 9.3.2016. 4. É possível a determinação judicial ao fornecimento de medicamentos com base em prescrição elaborada por médico particular, não se podendo exigir que o a receita seja subscrita por profissional vinculado ao SUS. Julgados: REsp. 1.794.059/RJ, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe 22.4.2019; AgInt no REsp. 1.309.793/RJ, Rel. Min. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, DJe 7.4.2017; AgInt no AREsp. 405.126/DF, Rel. Min. GURGEL DE FARIA, DJe 26.10.2016. 5. A alegada incompetência do Juiz Auxiliar fundamenta-se no fato de o Magistrado ter deferido nova tutela antecipada, ao acatar a substituição do fármaco pleiteado. Entretanto, como já exposto, a modificação empreendida consiste em simples ajuste do tratamento, sem qualquer alteração objetiva na demanda. 6. Agravo Interno do Ente Federal a que se nega provimento. (AgInt no RMS 47.529/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/06/2019, DJe 25/06/2019) Desta forma, merece reforma o acórdão local, que deu provimento parcial à apelação do Estado do Rio de Janeiro, para determinar o retorno dos autos à primeira instância para realização de avaliação médica por perito judicial. ANTE O EXPOSTO, conheço em parte do recurso especial e, na parte conhecida, dou-lhe provimento para reconhecer a validade do laudo apresentado e determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para que ele prossiga no julgamento da apelação do Estado do Rio de Janeiro.. Publique-se.