AREsp 2534947 - DECISAO
O Tribunal de origem corretamente declarou a ilegitimidade ativa do exequente por ausência de filiação ao sindicato autor, aplicando o princípio da unicidade sindical; a matéria fático-probatória exigiria reexame vedado ao recurso especial (Súmula 7); e houve ausência de prequestionamento de outras alegações, pelo...
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- Parties
- Exequente: MARIA DO NASCIMENTO RODRIGUES DE BARROS; Executado: ESTADO DO MARANHÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 February 2024
- Procedural Posture
- Cumprimento De Sentença / Recurso Especial (não Conhecido)
- Outcome
- Conheço do agravo; não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Legitimidade Ativa, Unicidade Sindical, Prequestionamento, Reexame De Prova (súmula 7), Honorários Advocatícios, Fundamentação Judicial (art. 489 Cpc/2015)
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Parties
MARIA DO NASCIMENTO RODRIGUES DE BARROS
Exequente
ESTADO DO MARANHÃO
Executado
Procedural Posture
Cumprimento De Sentença / Recurso Especial (não Conhecido)
Legal Issues
- 1 ilegitimidade ativa da parte exequente por ausência de filiação ao sindicato autor
- 2 interpretação e aplicação do princípio da unicidade sindical (art. 8, II, CF)
- 3 vedação ao reexame de matéria fático-probatória em recurso especial (Súmula 7)
Ratio Decidendi
O Tribunal de origem corretamente declarou a ilegitimidade ativa do exequente por ausência de filiação ao sindicato autor, aplicando o princípio da unicidade sindical; a matéria fático-probatória exigiria reexame vedado ao recurso especial (Súmula 7); e houve ausência de prequestionamento de outras alegações, pelo que o recurso especial não é conhecido.
Court Disposition
Conheço do agravo; não conheço do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo.
- Não conheço do recurso especial.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Na origem, trata-se de cumprimento de sentença ajuizada por MARIA DO NASCIMENTO RODRIGUES DE BARROS contra o ESTADO DO MARANHÃO, referente ao percentual de 4,36% na remuneração. Na sentença, julgou-se extinto o pedido, ante a ausência de comprovação de filiação a associação autora, caracterizada a ilegitimidade processual. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. O valor da causa foi fixado em R$ 35.930,39 (Trinta e cinco mil, novecentos e trinta reais e trinta e nove centavos). O recurso especial foi interposto no TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MARANHÃO contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: APELAÇÃO CÍVEL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA AÇÃO COLETIVA 6542/2005 AJUIZADA PELO SINTSEP ILEGITIMIDADE DO EXEQUENTE. PARTE INTEGRANTE DE SINDICATO DIVERSO DO QUE AJUIZOU A AÇÃO ORIUNDA DO TÍTULO EXECUTIVO. SENTENÇA MANTIDA APELO DESPROVIDO. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. O Tribunal de origem bem dirimiu a questão jurídica controvertida, sob os seguintes fundamentos: .. A jurisprudência desta e. Corte Estadual é firme no sentido de que o SINTSEP/MA só representa os servidores públicos estaduais que não possuem sindicato específico, com fulcro no Princípio da Unicidade Sindical (art. 8, II, CF1), o que não é o caso dos autos. Isso porque, o ora Apelante exerce o cargo de serviços gerias, abrangido pelo SINDSAUDEMA -Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem e Trabalhadores em Estabelecimento de Saúde do Estado do Maranhão, conforme extrato de cadastro do referido sindicato, juntado no ID96963989. .. No caso em questão percebe-se que a Agravada é pertencente ao Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem e Trabalhadores em Estabelecimentos de Saúde do Estado do Maranhão - SINDSAUDE/MA. Aliás, "a ausência de legitimidade ativa, por se tratar de uma das condições da ação, é matéria de ordem pública cognoscível a qualquer tempo e grau, sendo insuscetível de preclusão nas instâncias ordinárias". (STJ - AgRg nos EDcl no AREsp: 604385 DF 2014/0277826-4, Relator: Ministro MOURA RIBEIRO, Data de Julgamento: 01/03/2016, T3 - TERCEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 07/03/2016) .. Não há violação do 535 do CPC/1973 (art. 1.022 do CPC/2015) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/73 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação, esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 10% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA