AREsp 2711050 - DECISAO
Houve omissão do Tribunal de origem ao examinar pontos essenciais suscitados nos embargos de declaração (relacionados à preclusão da aferição da legitimidade e à abrangência sindical do cargo), caracterizando violação ao art. 1.022 do CPC; por esse motivo, anulou-se o acórdão que julgou os embargos e determinou-se o...
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- Parties
- Agravante: XELMAR PEREIRA DE ABREU; Recorrente: ELMAR PEREIRA DE ABREU; Autor Da Ação Coletiva: Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público do Estado do Maranhão - SINTSEP; Sindicato Específico Da Categoria: SINPROESEMMA - Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica das Redes Públicas Estadual e Municipais do Estado do Maranhão
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 July 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Conhecimento E Provimento; Anulação Do Acórdão Que Julgou Os Embargos De Declaração E Retorno Dos Autos Ao Tribunal De Origem Para Novo Exame
- Outcome
- Conheço do agravo interno e dou provimento ao recurso especial para reconhecer vício de omissão, anular o acórdão que julgou os embargos de declaração e determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para novo exame do recurso integrativo.
- Legal Topics
- Legitimidade Ativa, Execução Individual De Sentença Coletiva, Omissão (art. 1.022 Cpc), Unicidade Sindical, Embargos De Declaração
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Parties
XELMAR PEREIRA DE ABREU
Agravante
ELMAR PEREIRA DE ABREU
Recorrente
Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público do Estado do Maranhão - SINTSEP
Autor Da Ação Coletiva
SINPROESEMMA - Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica das Redes Públicas Estadual e Municipais do Estado do Maranhão
Sindicato Específico Da Categoria
Procedural Posture
Recurso Especial / Conhecimento E Provimento; Anulação Do Acórdão Que Julgou Os Embargos De Declaração E Retorno Dos Autos Ao Tribunal De Origem Para Novo Exame
Legal Issues
- 1 se houve omissão do acórdão estadual quanto à preclusão da aferição da legitimidade ativa
- 2 se o cargo da recorrente é abrangido pelo sindicato indicado como mais específico
- 3 legitimidade ativa para execução de título originado de ação coletiva
Ratio Decidendi
Houve omissão do Tribunal de origem ao examinar pontos essenciais suscitados nos embargos de declaração (relacionados à preclusão da aferição da legitimidade e à abrangência sindical do cargo), caracterizando violação ao art. 1.022 do CPC; por esse motivo, anulou-se o acórdão que julgou os embargos e determinou-se o retorno dos autos à origem para novo exame do recurso integrativo.
Court Disposition
Conheço do agravo interno e dou provimento ao recurso especial para reconhecer vício de omissão, anular o acórdão que julgou os embargos de declaração e determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para novo exame do recurso integrativo.
Orders
- Anular o acórdão pelo qual os embargos de declaração opostos na origem foram julgados
- Determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para novo julgamento dos embargos de declaração e exame do recurso integrativo
Full Case Text
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DECISÃO Trata-se de agravo interno interposto por XELMAR PEREIRA DE ABREU da decisão da Presidência do Superior Tribunal de Justiça de fls. 271/272. A parte agravante afirma que houve a devida impugnação dos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial. A parte adversa não apresentou impugnação (fl. 287). É o relatório. Diante das alegações da parte agravante, reconsidero a decisão agravada e passo ao exame do recurso especial. Trata-se de recurso especial interposto por ELMAR PEREIRA DE ABREU, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal, contra o acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MARANHÃO assim ementado (fl. 169): AGRAVO INTERNO NA APELAÇÃO. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DE SENTENÇA RELATIVA A AÇÃO COLETIVA AJUIZADA PELO SINTSEP. SERVIDOR ESTADUAL DE CATEGORIA COM SINDICATO PRÓPRIO. ILEGITIMIDADE ATIVA. MANTIDA DECISÃO MONOCRÁTICA. I. A questão gira em torno de se averiguar a legitimidade ativa da Agravante para iniciar a execução do título judicial formado nos autos da Ação Coletiva n.º 6542/2005, proposta pelo Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público do Estado do Maranhão - SINTSEP, na qual reconheceu o direito à implantação do índice referente a URV sobre a remuneração dos servidores integrantes da categoria beneficiada. II. A Agravante ocupa cargo representado por sindicato específico (SINPROESEMMA), não estando, portanto, assistidos pelo Sindicato Autor da Ação Ordinária Coletiva, da qual gerou o título judicial objeto da presente execução. Precedentes. III. Agravo Interno conhecido e não provido. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 205/215). A parte recorrente alega a ocorrência de violação aos arts. 1.022, II e 489, § 1º, IV, ambos do Código de Processo Civil (CPC), sob o seguinte fundamento (fls. 220/221): A corte estadual não se pronunciou sobre a alegação de preclusão da aferição da ilegitimidade e sobre o cargo da parte recorrente não ser abrangido pelo sindicato indicado como mais específico. Ressalte-se que os documentos e questões apontadas são indispensáveis para a aferição de matéria de ordem pública - legitimidade ativa - cognoscíveis em qualquer grau de jurisdição, inclusive de ofício, revelando dupla deficiência da atividade judicante, posto que não se pronunciou nem de ofício e nem após direta provocação pelo instrumento recursal cabível. Requer (fl. 229): .. a anulação do acórdão recorrido, para que a corte estadual proceda com novo julgamento, sanando a negativa de prestação jurisdicional sobre os temas indicados: Aferição de legitimidade preclui em liquidação, tendo em vista a individualização e homologação de seu crédito, com total concordância do Executado/Recorrido; Cargo ocupado pela parte recorrente não é abrangido pelo sindicato indicado como mais específico. A parte adversa apresentou contrarrazões (fls. 234/240). A alegada ofensa aos arts. 489 e 1.022 do Código de Processo Civil tem por base suposta omissão do acórdão recorrido quanto à alegação de preclusão da aferição da legitimidade e sobre o fato de o cargo da recorrente não ser abrangido pelo sindicato indicado como mais específico. Sobre a legitimidade ativa, o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MARANHÃO decidiu nestes termos (fl. 173): No caso, a questão gira em torno de se averiguar a legitimidade ativa do Agravante para iniciar a execução do título judicial formado nos autos da Ação Coletiva n.º 6542/2005, proposta pelo Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público do Estado do Maranhão - SINTSEP, na qual reconheceu o direito a implantação ao índice referente a URV sobre a remuneração dos servidores integrantes da categoria beneficiada. Na espécie, o título executivo judicial que ora se pretende cumprir é uma sentença coletiva oriunda de uma ação coletiva ajuizada pelo "SINTSEP - Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público do Estado do Maranhão", cuja legitimação extraordinária se restringe à categoria, grupo ou carreira por ele substituída no processo, conforme dispõe o art. 8º, inciso III, da CF. Ressalto que a categoria ou carreira da qual faz parte o servidor apenas pode estar vinculado a um único sindicato no âmbito do Estado do Maranhão, sendo esta vinculação, ao contrário da filiação, automática, pois decorre diretamente da lei, não podendo um indivíduo optar por ser vinculado a sindicato diverso do qual representa a sua carreira. O SINTSEP abrange todos os servidores públicos estaduais que não integram um sindicato específico. É o caso dos servidores da Administração em Geral, por exemplo, que não possuem um sindicato próprio. Em contrapartida, o Agravante pertence a carreira vinculada a um sindicato específico, qual seja, o SINPROESEMMA - Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica das Redes Públicas Estadual e Municipais do Estado do Maranhão. Assim, consoante o princípio constitucional da unicidade sindical, é juridicamente impossível que o Agravante seja representado ao mesmo tempo pelo SINPROESEMMA e pelo SINTSEP, razão pela qual prevalece a representação do sindicato específico da categoria, qual seja, o SINPROESEMMA. Ao examinar o recurso integrativo, o Tribunal de origem proferiu decisão com esta fundamentação (fls. 209/210): Analisando as razões dos embargos apresentados, verifico claramente que o embargante tenta rediscutir matéria já decidida por esta relatoria, inexistindo qualquer omissão no decisum, já que os pontos suscitados pelo embargante foram abordados. É de suma importância que as partes compreendam o significado da "omissão" que autoriza a interposição de embargos de declaração, a fim de evitar a apresentação de recursos que somente assoberbam o Judiciário e atrapalham o bom andamento dos processos, ferindo a celeridade processual. Segundo as lições de Pontes de Miranda, omissão "supõe que algo tenha estado na petição, ou na contestação, ou em embargos, ou em qualquer ato de declaração de conhecimento ou de vontade, a que o juiz tinha de dar solução, e tenha deixado de atender." (Comentários ao Código de Processo Civil, Tomo VII, 3ª ed. Rio de Janeiro, Forense, 2002, p. 322.) In casu, o simples exercício de leitura da decisão embargada revela que nenhum dos pontos suscitados pelo embargante deixou de ter manifestação do julgador e, ainda que assim não fosse, não é demais lembrar que "não é o órgão julgador obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos trazidos pelas partes em defesa da tese que apresentaram. Deve apenas enfrentar a demanda, observando as questões relevantes e imprescindíveis à sua resolução" (STJ - AgInt no AREsp: 1858518 RJ 2021/0079231-2, Relator: Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Data de Julgamento: 04/10/2021, T2 - SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 07/10/2021). Portanto, compete ao julgador decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento motivado, valendo-se dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto, como se deu na espécie. .. Desta feita, a decisão embargada, longe de ser omissa, claramente apresentou solução ao caso concreto restando devidamente fundamentada, do que se dessume não haver omissão a ser sanada. Dessa forma, diante dos fatos acima narrados, verifico que a decisão embargada não se ressente de nenhum vício a exigir saneamento, não sendo os embargos de declaração a via própria para rediscutir matéria preclusa. Como visto, o Tribunal de origem não se pronunciou sobre as alegações suscitadas nos embargos de declaração. Para o Superior Tribunal de Justiça, presente algum dos vícios - omissão, contradição ou obscuridade -, e apontada a violação do art. 1.022 do CPC no recurso especial, deve ser anulado o acórdão proferido pelo Tribunal de origem ao examinar os embargos de declaração lá opostos, retornando-se os autos à origem para nova apreciação do recurso. A propósito, cito estes julgados: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. ACIDENTE DE TRÂNSITO. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015 CONFIGURADA. ACÓRDÃO ESTADUAL OMISSO QUANTO A PONTO ESSENCIAL AO DESLINDE DA CONTROVÉRSIA. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Decisão atacada que deu provimento ao recurso especial da parte ora agravada para, reconhecendo violação ao art. 1.022 do CPC/2015, anular o acórdão que julgou os aclaratórios e determinar o retorno dos autos ao Tribunal de origem para novo julgamento dos embargos de declaração, como entender de direito, sanando a omissão reconhecida. 2. Fica configurada a ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 quando o Tribunal a quo, apesar de devidamente provocado nos embargos de declaração, não se manifesta sobre tema essencial ao deslinde da controvérsia. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 1.914.275/PB, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 28/6/2021, DJe de 9/8/2021.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC/73 CONFIGURADA. OCORRÊNCIA DE OMISSÃO DE TEMA ESSENCIAL PARA DESLINDE DA CONTROVÉRSIA. AGRAVO INTERNO PROVIDO PARA DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. 1. Na hipótese de o eg. Tribunal local deixar de examinar questão nevrálgica ao desate do litígio, fica caracterizada a violação ao art. 535 do CPC/73. 2. Reconhecida a existência de omissão essencial para o deslinde da controvérsia, deve-se determinar o retorno dos autos ao eg. Tribunal de origem para novo julgamento dos embargos de declaração, como entender de direito, sanando os vícios ora reconhecidos. 3. Acolhida a alegada ofensa ao art. 535 do CPC/73, fica prejudicada a análise das demais teses trazidas no apelo nobre. 4. Agravo interno provido para reconsiderar a decisão agravada e dar parcial provimento ao recurso especial e, reconhecendo a violação ao art. 535, II, do CPC/73, anular o v. acórdão de fls. 201/203, determinando o retorno dos autos ao eg. Tribunal a quo para promover novo julgamento dos embargos de declaração, como entender de direito. (AgInt no AREsp n. 218.092/RJ, relator Ministro Lázaro Guimarães - Desembargador Convocado do TRF da 5ª Região, Quarta Turma, julgado em 2/8/2018, DJe de 8/8/2018.) Em casos idênticos: AREsp 2.551.538/MA, de minha relatoria, DJEN de 1º/4/2024; e AREsp 2.550.294/MA, de minha relatoria, DJEN de 1º/4/2024. Ante o exposto, reconsiderando a decisão de fls. 271/272, conheço do agravo e dou provimento ao recurso especial para, reconhecendo o vício de omissão, anular o acórdão pelo qual os embargos de declaração opostos na origem foram julgados; determino o retorno dos autos à origem para novo exame do recurso integrativo. Publique-se. Intimem-se. EMENTA