AREsp 1753808 - DECISAO
Por ser a questão tratada de natureza de direito público, envolvendo competência do poder concedente e atuação de agência reguladora em matéria de radiodifusão, a Segunda Seção não possui competência para apreciar o recurso especial, motivo pelo qual se determina a redistribuição dos autos a um dos Ministros...
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- Parties
- Autor: Sindicato autor; Apelada: apelada
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 March 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Redistribuição Para a Primeira Seção
- Outcome
- Autos redistribuídos para a Primeira Seção do STJ por incompetência da Segunda Seção para apreciar a matéria
- Legal Topics
- Legitimidade Ativa De Sindicatos, Competência Para Radiodifusão, Competência Das Seções Do STJ, Radiodifusão Comunitária, Mandado De Segurança
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Parties
Sindicato autor
Autor
apelada
Apelada
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Redistribuição Para a Primeira Seção
Legal Issues
- 1 competência para apreciação de matéria de direito público envolvendo radiodifusão e atuação de agência reguladora
- 2 legitimação extraordinária do sindicato para atuar como substituto processual
- 3 possibilidade de o Judiciário autorizar ou restabelecer funcionamento de rádio comunitária
Ratio Decidendi
Por ser a questão tratada de natureza de direito público, envolvendo competência do poder concedente e atuação de agência reguladora em matéria de radiodifusão, a Segunda Seção não possui competência para apreciar o recurso especial, motivo pelo qual se determina a redistribuição dos autos a um dos Ministros integrantes da Primeira Seção.
Court Disposition
Autos redistribuídos para a Primeira Seção do STJ por incompetência da Segunda Seção para apreciar a matéria
Orders
- Determino a redistribuição dos autos a um dos e. Ministros integrantes da Eg. Primeira Seção.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial fundado no art. 105, III, alínea"a"da Constituição Federal, interposto contra v. acórdão do Eg. Tribunal de Justiça do Paraná, assim ementado: "APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO COMINATÓRIA COM PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA. SENTENÇAQUEEXTINGUIU O PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. APELAÇÃO DO SINDICATO AUTOR. LEGITIMIDADE ATIVA E INTERESSE DE AGIR CONFIGURADOS.ENTIDADES SINDICAIS DETÉM LEGITIMIDADE PARA ATUAR COMO SUBSTITUTOS PROCESSUAIS DOS INTEGRANTES DA CATEGORIA.VEICULAÇÃODE PROGRAMAÇÃO DE CUNHO COMERCIALPELA APELADA.AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO.INFRINGÊNCIA AO DECRETO Nº 5.371 DE 2005 CORROBORADA PELO SINDICATO APELANTE. ART. 373, INC. I.SENTENÇA REFORMADA PARA JULGAR PROCEDENTE O PEDIDO, COM FIXAÇÃO DE MULTA DIÁRIA.RECURSO DE APELAÇÃO CONHECIDO E PROVIDO.". (e-STJ, fls. 332/333) Nas razões do recurso especial, alega-se em síntese, que diante da competência exclusiva da União para conceder e fiscalizar os serviços de radiodifusão e imagem, há violação ao art. 18 do CPC na medida em que o Sindicado recorrido não está defendendo o direito de seus representados, mas sim da União, não havendo que se falar em legitimação extraordinária. É o relatório. Nos termos do art. 9º, caput, do RISTJ, a competência das Seções e das respectivas Turmas do Superior Tribunal de Justiça é fixada em função da natureza da relação jurídica litigiosa. Compulsando os autos, verifica-se que o v. acórdão estadual afirmou que o sindicato patronal agravado atuaria como substituto processual da categoria conforme legitimação extraordinária conferida pela Constituição, cujo interesse estaria relacionado à produção de programação comercial no âmbito do decreto nº 5.371/05 e da competência da agência reguladora para fiscalização de atos concessivos de reprodução de rádio e televisão. Trata-se, portanto, de matéria de direito público em geral, conforme se depreende destes precedentes: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ. EXECUÇÃO FISCAL. LEGITIMIDADE ATIVA. DEMANDA COLETIVA. EXECUÇÃO INDIVIDUAL POR MEMBRO DA CATEGORIA.POSSIBILIDADE. MATÉRIA DECIDIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 883.642/AL (TEMA EM REPERCUSSÃO GERAL 823/STF). 1. Os sindicatos e associações, na qualidade de substitutos processuais, detêm legitimidade para atuar judicialmente na defesa dos interesses coletivos de toda a categoria que representam, e, nesse contexto, a coisa julgada advinda da ação coletiva deverá alcançar todos os servidores da categoria, legitimando-os para a propositura individual da execução de sentença, ainda que não comprovada sua filiação à época do ajuizamento do processo de conhecimento. Assim, ao contrário do que alega a parte Agravante, é irrelevante qualquer consideração sobre eventual lista apresentada pelo sindicato junto à petição inicial. Precedentes. 2. Agravo interno não provido. (AgInt nos EDcl no REsp 1869298/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 30/11/2020, DJe 03/12/2020) PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA IMPETRADO NA ORIGEM. RADIODIFUSÃO COMUNITÁRIA. OUTORGA DE FUNCIONAMENTO PENDENTE. LACRE DOS EQUIPAMENTOS E INTERDIÇÃO DAS ATIVIDADES POR FISCAIS DA ANATEL. EXISTÊNCIA DE LEGITIMIDADE PASSIVA DA AGÊNCIA REGULADORA. COMPETÊNCIA FISCALIZATÓRIA. RETIFICAÇÃO DO POLO PASSIVO DO MANDAMUS. INVIABILIDADE. OFENSA AO ART. 535 DO CPC.INEXISTÊNCIA. AUTORIZAÇÃO OU RESTABELECIMENTO DE FUNCIONAMENTO PRECÁRIO PELO JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. ATO ADMINISTRATIVO COMPLEXO. VINCULAÇÃO ÀS FUNÇÕES DOS PODERES EXECUTIVO E LEGISLATIVO. 1. A controvérsia trazida em recurso especial cinge-se a saber se a ANATEL é parte legítima para figurar, sem litisconsórcio com a União, no polo passivo de mandado de segurança impetrado por rádio comunitária contra superintendente regional daquela agência, o qual determinou o lacre dos equipamentos e a interrupção das atividades da emissora por ausência de outorga de funcionamento. 2. O Tribunal de origem examinou todas as questões levantadas pela parte recorrente, não havendo falar em ofensa ao art. 535 do CPC. 3. Embora a expedição de outorga de funcionamento não seja da competência da ANATEL, a atividade fiscalizatória está inserida nas atribuições da agência reguladora. 4. Nos termos da jurisprudência desta Corte, é "insuscetível de retificação o polo passivo no mandado de segurança, sobretudo quando a correção acarretar deslocamento de instância" (EDcl no AREsp 33.387/PR, Relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 13/2/2012). 5. O funcionamento das rádios comunitárias, mesmo que de baixa potência e sem fins lucrativos, exige prévia outorga do poder concedente, a qual não pode ser suprida por autorização judicial, tendo o acórdão recorrido, quanto ao ponto, contrariado o entendimento legal, jurisprudencial e doutrinário pátrios. 6. No tocante aos serviços de radiodifusão comunitária, "o constituinte deu feição de ato administrativo complexo à outorga, na medida em que vinculou a função executiva, mediante o concurso do Ministério das Comunicações e da Presidência da República, e a função legislativa, por força da atuação do Congresso Nacional. Mesmo o Poder Judiciário foi contemplado com um mister específico nesse processo, por efeito do art. 223, § 4º, CF/1998, que lhe imputou a conspícua responsabilidade pelo cancelamento de permissões ou concessões de radiodifusão, antes de vencido seu prazo" (RODRIGUES JUNIOR, Otavio Luiz. O regime jurídico-constitucional da radiodifusão e das telecomunicações no Brasil em face do conceito de atividades audiovisuais. Revista de Informação Legislativa, v. 43, n. 170, p. 287-309, abr./jun., 2006.) 7. Ante a morosidade do poder concedente em analisar o processo administrativo, remanesce ao Judiciário somente a possibilidade de estipular prazo razoável para que o pleito seja apreciado administrativamente, caso haja tal pedido nos autos. Recurso especial da ANATEL conhecido em parte e, nesta parte, provido somente para declarar que o Poder Judiciário não tem competência para autorizar ou restabelecer o funcionamento de rádio comunitária, ainda que a título precário. (REsp 1536976/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/09/2015, DJe 30/09/2015) Nesse cenário, a eg. Segunda Seção não possui competência para apreciar a matéria em questão. Diante do exposto, determino a redistribuição dos autos a um dos e. Ministros integrantes da Eg. Primeira Seção. Publique-se.