AREsp 2043591 - DECISAO
DECISÃO Em análise, agravo em recurso especial contra decisão que inadmitiu o recurso especial interposto por JAIR PINHEIRO, fundamentado no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal, objetivando a reforma do acórdão assim ementado: PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. APLICAÇÃO DO CDC. VÍCIOS DE CONSTRUÇÃO. IMÓVEIS...
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- Parties
- Recorrente: JAIR PINHEIRO; Recorrida: Caixa Econômica Federal - CEF
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 May 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade / Não Conhecimento Do Recurso
- Legal Topics
- Legitimidade Da Caixa Econômica Federal, Competência Da Justiça Federal, Cobertura Securitária, Vícios De Construção, Prescrição, Ônus Da Prova, Prequestionamento, Súmulas 5 E 7
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Parties
JAIR PINHEIRO
Recorrente
Caixa Econômica Federal - CEF
Recorrida
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissibilidade / Não Conhecimento Do Recurso
Legal Issues
- 1 legitimidade da CEF para integrar a lide e ônus de provar exaurimento do FESA e comprometimento do FCVS
- 2 incidência do Tema 1.011/STF sobre competência e intervenção da CEF/União
- 3 se houve exclusão expressa de cobertura securitária por vícios de construção (art. 51 do CDC)
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Em análise, agravo em recurso especial contra decisão que inadmitiu o recurso especial interposto por JAIR PINHEIRO, fundamentado no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal, objetivando a reforma do acórdão assim ementado: PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. APLICAÇÃO DO CDC. VÍCIOS DE CONSTRUÇÃO. IMÓVEIS FINANCIADOS COM RECURSOS DO SISTEMA FINANCEIRO DA HABITAÇÃO. COBERTURA SECURITÁRIA. LEGITIMIDADE DA CEF. RECURSOS ESPECIAIS REPETITIVOS 1.091.393 E 1.091.363. INOVAÇÃO LEGISLATIVA. LEI Nº 13.000/2014. CONTRATO QUITADO. CERCEAMENTO DE DEFESA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Os embargos de declaração foram parcialmente acolhidos, apenas para fins de prequestionamento. Nas razões recursais, a parte recorrente sustenta, em síntese, além de divergência jurisprudencial, violação ao art. 50 do CPC/73 (atual art. 119 do CPC/2015), alegando que a Caixa Econômica Federal - CEF apenas terá interesse jurídico na demanda, integrando a lide na forma de assistente simples, se provar documentalmente o exaurimento do Fundo de Equalização de Sinistralidade da Apólice - FESA, e o comprometimento do Fundo de Compensação de Variações Salariais - FCVS. Aduz que, no caso, a CEF não se desincumbiu do ônus de provar seu efetivo interesse na demanda. Defende, ainda, ofensa ao art. 51, I, IV, XIII e §1º, II, do CDC, argumentando que não há exclusão expressa da cobertura securitária dos danos provocados por vícios construtivos nos imóveis objetos do seguro habitacional. Por fim, aponta violação ao art. 206, §1º, II, b, do Código Civil, defendendo que o prazo prescricional deve começar a contar a partir do momento em que o segurado é informado pela seguradora da recusa de cobertura, e não da data do sinistro ou da entrega do imóvel. Acrescenta que, no caso, "é inviável constatar, precisamente, a data em que os Recorrentes tiveram ciência dos danos em seus imóveis, o que impede, todavia, a fixação de termo inicial para a fluência da prescrição, devendo a mesma ser afastada". Contrarrazões ao recurso apresentadas (fls. 1.377-1.386 e 1.388-1.415). O Tribunal de origem negou seguimento ao recurso especial quanto ao Tema n. 1.011/STF e o inadmitiu nos demais pontos (fls. 1.558-1.564). Os autos foram a mim redistribuídos em 27/11/2023. É o relatório. Passo a decidir. Inicialmente, esclareço que a Corte Especial do S TJ, no julgamento do CC 148.188/DF, firmou o entendimento de que compete às Turmas que integram a Primeira Seção processar e julgar recursos que envolvam contratos de mútuo habitacional amparados em apólices securitárias de natureza pública (Ramo 66) em que possa haver comprometimento do Fundo de Compensação das Variações Sala riais - FCVS, como no caso. No mérito, verifica-se que a matéria relacionada à legitimidade da Caixa Econômica Federal e a competência da Justiça Federal, no que concerne a contratos vinculados ao Sistema Financeiro da Habitação - SFH e eventual comprometimento do FCVS, foi objeto de análise pelo Supremo Tribunal Federal, no RE n. 827.996/PR (Tema 1.011), sob o regime de repercussão geral, firmando as seguintes teses: 1) Considerando que, a partir da MP 513/2010 (que originou a Lei 12.409/2011 e suas alterações posteriores, MP 633/2013 e Lei 13.000/2014), a CEF passou a ser administradora do FCVS, é aplicável o art. 1º da MP 513/2010 aos processos em trâmite na data de sua entrada em vigor (26.11.2010): 1.1.) sem sentença de mérito (na fase de conhecimento), devendo os autos ser remetidos à Justiça Federal para análise do preenchimento dos requisitos legais acerca do interesse da CEF ou da União, caso haja provocação nesse sentido de quaisquer das partes ou intervenientes e respeitado o § 4º do art. 1º-A da Lei 12.409/2011; e 1.2) com sentença de mérito (na fase de conhecimento), podendo a União e/ou a CEF intervir na causa na defesa do FCVS, de forma espontânea ou provocada, no estágio em que se encontre, em qualquer tempo e grau de jurisdição, nos termos do parágrafo único do art. 5º da Lei 9.469/1997, devendo o feito continuar tramitando na Justiça Comum Estadual até o exaurimento do cumprimento de sentença; e 2) Após 26.11.2010, é da Justiça Federal a competência para o processamento e julgamento das causas em que se discute contrato de seguro vinculado à apólice pública, na qual a CEF atue em defesa do FCVS, devendo haver o deslocamento do feito para aquele ramo judiciário a partir do momento em que a referida empresa pública federal ou a União, de forma espontânea ou provocada, indique o interesse em intervir na causa, observado o § 4º do art. 64 do CPC e/ou o § 4º do art. 1º-A da Lei 12.409/2011. No caso, considerando que foi negado seguimento ao recurso especial, quanto ao Tema 1011/STF, não é possível conhecer do recurso, nesse ponto. Por outro lado, a alteração da conclusão do Tribunal a quo, a fim de verificar se a Caixa Econômica Federal se desincumbiu do ônus de provar o comprometimento do FCVS e seu efetivo interesse na demanda, ensejaria o necessário reexame da matéria fático-probatória dos autos, atraindo, por conseguinte, a incidência da Súmula 7/STJ. Em relação à tese de que não há exclusão expressa da cobertura securitária dos danos provocados por vícios construtivos nos imóveis objetos do seguro habitacional, além da ausência de prequestionamento do art. 51, I, IV, XIII e §1º, II, do CDC, o acórdão recorrido somente poderia ser modificado mediante o reexame dos aspectos concretos da causa e do contrato de seguro firmado entre as partes, o que é vedado, no âmbito do Recurso Especial, pelas Súmulas 5 e 7 desta Corte. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. COMPETÊNCIA INTERNA DO STJ. ALEGAÇÃO POSTERIOR AO JULGAMENTO DO FEITO. PRECLUSÃO. COBERTURA SECURITÁRIA DE IMÓVEL FINANCIADO. INTERESSE DA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. NÃO APONTAMENTO. ART. 1.025 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INAPLICABILIDADE. REVISÃO DE E DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS MATÉRIA FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS 5 E 7/STJ. 1. No tocante à alegação de competência da Segunda Seção, é certo que a competência interna desta Corte é de natureza relativa, devendo ser suscitada até o momento do julgamento, sob pena de preclusão, nos termos do art. 71, § 4º, do RISTJ. 2. No mérito, conforme consignado na decisão agravada, defende o recorrente que "a divergência reside justamente no fato de que o aresto paradigma exige a prova dos requisitos, quais sejam, que as apólices sejam públicas e que haja a efetiva comprovação do comprometimento do FCVS, com o que não se importou o aresto recorrido, uma vez que sequer informa quais documentos foram juntados, ou em que ponto ficou demonstrado o exaurimento do FESA com o comprometimento do FCVS, apenas alegando risco presumido". A questão não foi especificamente examinada pelo Tribunal de origem (Súmula 211/STJ), sendo certo ainda que seria inviável analisar a tese defendida, pois inarredável a revisão do conjunto probatório dos autos para se chegar a tal conclusão. Aplica-se, portanto, a Súmula 7/STJ. 3. Com efeito, para que se configure o prequestionamento, não basta que o recorrente devolva a matéria controvertida para o Tribunal. É necessário que a causa tenha sido decidida à luz da legislação federal indicada, bem como seja exercido juízo de valor sobre os dispositivos legais apontados e a tese recursal a eles vinculada, interpretando-se a sua aplicação ou não ao caso concreto. Nesse contexto, por simples cotejo das razões recursais com os fundamentos do acórdão recorrido, percebe-se que as teses recursais vinculadas aos dispositivos tidos como ofendidos não foram apreciadas pela Corte local. Ademais, o STJ entende que é insuficiente opor Embargos de Declaração para configurar o prequestionamento ficto admitido no art. 1.025 do CPC/2015. É imprescindível que a parte indique, nas razões do Recurso Especial, a ofensa ao art. 1.022 do mesmo diploma legal, para que, assim, o Superior Tribunal de Justiça esteja autorizado a examinar a eventual ocorrência de omissão no julgado e, caso constate a existência do vício, venha a deliberar sobre a possibilidade de julgamento imediato da matéria, conforme facultado pelo legislador, o que não foi feito no caso dos autos. 4. Da mesma forma, não se pode conhecer da irresignação contra a ofensa aos arts. 51, I, IV, XIII e § 1º, do CDC, pois o referidos dispositivos legais e os temas a eles relacionados não foram analisados pela instância de origem. Ausente, portanto, o indispensável requisito do prequestionamento, o que atrai, por analogia, a incidência da Súmula 282/STF: "É inadmissível o Recurso Extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada." 5. Ademais, a análise do pleito exigiria revolvimento de cláusulas contratuais, o que é vedado nesta via ante o óbice da Súmula 5/STJ. 6. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp n. 2.063.754/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 14/8/2023, DJe de 21/9/2023) A tese de ofensa ao art. art. 206, §1º, II, b, do Código Civil não foi objeto de análise pelo Tribunal de origem, sequer de modo implícito, tampouco foram opostos embargos de declaração com o objetivo de sanar eventual omissão, configurando, outrossim, indevida inovação recursal. Ausente, portanto, o requisito do prequestionamento, incide, no ponto, a Súmula 282 do STF, por analogia. De acordo com a jurisprudência do STJ, "a simples indicação de dispositivos e diplomas legais tidos por violados, sem que o tema tenha sido enfrentado pelo acórdão recorrido, obsta o conhecimento do recurso especial, por falta de prequestionamento" (AgInt nos EDcl no AREsp 2.263.247/RJ, Relator Ministro Antônio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 7/12/2023). Importante destacar, ainda, que para a caracterização da divergência, exige-se a realização do cotejo analítico, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, o que não ocorreu, no caso. Isso posto, não conheço do recurso. Majoro os honorários advocatícios de R$ 700,00 (setecentos reais) para R$ 1.000,00 (mil reais), com fundamento no art. 85, § 11, do CPC/2015, observados os limites percentuais previstos no § 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Intimem-se. EMENTA