REsp 2061145 - DECISAO
O recurso não foi conhecido porque parte das questões depende de exame da matéria fático-probatória (sujeita à Súmula 7/STJ) e porque não houve prequestionamento suficiente de dispositivos legais pela instância de origem; ademais, não foi possível conhecer quanto ao Tema 1.011/STF, havendo óbice à modificação do...
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- Parties
- Recorrente: APARECIDA DE FÁTIMA PARREIRA; Assistente Simples: CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 June 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento No STJ Não Conhecido
- Outcome
- Recurso Especial não conhecido
- Legal Topics
- Legitimidade Da Caixa Econômica Federal, Competência Da Justiça Federal, Cobertura Securitária, Vícios De Construção, FCVS, Prequestionamento, Súmulas 5 E 7/stj, Honorários Advocatícios
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Parties
APARECIDA DE FÁTIMA PARREIRA
Recorrente
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
Assistente Simples
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento No STJ Não Conhecido
Legal Issues
- 1 legitimidade da CEF para intervir como assistente simples em ações envolvendo contratos do SFH vinculados ao FCVS
- 2 competência da Justiça Federal para as causas em que apólice pública e a CEF atua em defesa do FCVS
- 3 cobertura securitária quanto a vícios construtivos e exclusões contratuais
Ratio Decidendi
O recurso não foi conhecido porque parte das questões depende de exame da matéria fático-probatória (sujeita à Súmula 7/STJ) e porque não houve prequestionamento suficiente de dispositivos legais pela instância de origem; ademais, não foi possível conhecer quanto ao Tema 1.011/STF, havendo óbice à modificação do acórdão recorrido nas matérias que exigiriam revolvimento de prova ou interpretação contratual (Súmulas 5 e 7/STJ).
Court Disposition
Recurso Especial não conhecido
Orders
- Majoro os honorários advocatícios em 2% (dois por cento), com fundamento no art. 85, § 11, do CPC/2015, observados os limites percentuais previstos no § 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Em análise, recurso especial interposto por APARECIDA DE FÁTIMA PARREIRA contra acórdão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO assim ementado: SFH. COBERTURA SECURITÁRIA. VÍCIOS DE CONSTRUÇÃO. LEGITIMIDADE ATIVA DA CEF. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. NEGATIVA DA SEGURADORA. MÉRITO. - Segundo decidiu a Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça, ao julgar EDs nos EDs nos REsps 1.091.393 e 1.091.363 na sistemática de recurso repetitivo (Temas 50 e 51), "Nas ações envolvendo seguros de mútuo habitacional no âmbito do Sistema Financeiro Habitacional - SFH, a Caixa Econômica Federal - CEF - detém interesse jurídico para ingressar na lide como assistente simples somente nos contratos celebrados de 02.12.1988 a 29.12.2009 - período compreendido entre as edições da Lei nº 7.682/88 e da MP nº 478/09 - e nas hipóteses em que o instrumento estiver vinculado ao Fundo de Compensação de Variações Salariais - FCVS (apólices públicas, ramo 66)". - Nesse sentido, "O ingresso da CEF na lide somente será possível a partir do momento em que a instituição financeira provar documentalmente o seu interesse jurídico, mediante demonstração não apenas da existência de apólice pública, mas também do comprometimento do FCVS, com risco efetivo de exaurimento da reserva técnica do Fundo de Equalização de Sinistralidade da Apólice - FESA, colhendo o processo no estado em que este se encontrar no instante em que houver a efetiva comprovação desse interesse, sem anulação de nenhum ato anterior". - Com a edição da Lei 13.00/2014 (que introduziu o artigo 1º-A na Lei 12.409/2011), norma de natureza processual que incide imediatamente em relação aos processos em curso, restou solucionada a questão em definitivo. Tratando-se de apólice pública (ramo 66), em que há risco presumido de comprometimento de recursos do FCVS por força de lei, assegurou a legislação de regência a intervenção da Caixa Econômica Federal, com a consequente caracterização da competência da Justiça Federal. - Caso em que a cobertura securitária, nos termos do contrato, abrange exclusivamente as avarias causadas por agentes externos, ou seja, aquelas que atuam sobre a edificação, não contemplando as situações em que o imóvel sofre os efeitos de eventual vício inerente à sua própria estrutura ou aqueles causados por reformas e alterações de projeto. Os embargos de declaração foram parcialmente acolhidos, apenas para fins de prequestionamento. Nas razões recursais, a parte recorrente sustenta, em síntese, além de divergência jurisprudencial, violação ao art. 50 do CPC/73 (correspondente ao art. 119 do CPC/2015), alegando que a Caixa Econômica Federal apenas terá interesse jurídico na demanda, integrando a lide na forma de assistente simples, se provar documentalmente o exaurimento do Fundo de Equalização de Sinistralidade da Apólice - FESA e o comprometimento do Fundo de Compensação de Variações Salariais - FCVS. Aduz que, no caso, a Caixa Econômica Federal não se desincumbiu do ônus de provar seu efetivo interesse na demanda. Acrescenta que, quando provado o comprometimento do FCVS, a CEF deve integrar a demanda na qualidade de assistente simples, sem deslocamento da competência. Aponta, ainda, violação ao art. 131 do CPC/73 (correspondente ao art. 371 do CPC/2015), sustentando que "a decisão do Tribunal a quo vai contra as provas produzidas que constatam a existência de vícios construtivos na edificação das residências dos mutuários, no entanto julgado improcedente o pedido de indenização securitária" (fl. 1.047). Defende que "possui direito a indenização securitária pelos danos existentes nos imóveis, pois, evidenciada e existência de vícios construtivos, vícios de fiscalização da obra e vícios nos materiais utilizados, evidente o dever de indenizar da Seguradora" (fl. 1.046). Contrarrazões apresentadas (fls. 1.262-1.272 e 1.277-1.295). O Tribunal de origem negou seguimento ao recurso especial quanto ao Tema n. 1.011/STF e admitiu-o nos demais pontos (fls. 1.413-1.415 ). É o relatório. Passo a decidir. Inicialmente, esclareço que a Corte Especial deste STJ, no julgamento do CC 148.188/DF, firmou o entendimento de que compete às Turmas que integram a Primeira Seção processar e julgar recursos que envolvam contratos de mútuo habitacional amparados em apólices securitárias de natureza pública (ramo 66) em que possa haver comprometimento do Fundo de Compensação das Variações Salariais - FCVS, como no caso. No mérito, verifica-se que a matéria relacionada à legitimidade da Caixa Econômica Federal e a competência da Justiça Federal, no que concerne a contratos vinculados ao Sistema Financeiro da Habitação - SFH e eventual comprometimento do FCVS, foi objeto de análise pelo Supremo Tribunal Federal, no RE n. 827.996/PR (Tema 1.011), sob o regime de repercussão geral, firmando as seguintes teses: 1) Considerando que, a partir da MP 513/2010 (que originou a Lei 12.409/2011 e suas alterações posteriores, MP 633/2013 e Lei 13.000/2014), a CEF passou a ser administradora do FCVS, é aplicável o art. 1º da MP 513/2010 aos processos em trâmite na data de sua entrada em vigor (26.11.2010): 1.1.) sem sentença de mérito (na fase de conhecimento), devendo os autos ser remetidos à Justiça Federal para análise do preenchimento dos requisitos legais acerca do interesse da CEF ou da União, caso haja provocação nesse sentido de quaisquer das partes ou intervenientes e respeitado o § 4º do art. 1º-A da Lei 12.409/2011; e 1.2) com sentença de mérito (na fase de conhecimento), podendo a União e/ou a CEF intervir na causa na defesa do FCVS, de forma espontânea ou provocada, no estágio em que se encontre, em qualquer tempo e grau de jurisdição, nos termos do parágrafo único do art. 5º da Lei 9.469/1997, devendo o feito continuar tramitando na Justiça Comum Estadual até o exaurimento do cumprimento de sentença; e 2) Após 26.11.2010, é da Justiça Federal a competência para o processamento e julgamento das causas em que se discute contrato de seguro vinculado à apólice pública, na qual a CEF atue em defesa do FCVS, devendo haver o deslocamento do feito para aquele ramo judiciário a partir do momento em que a referida empresa pública federal ou a União, de forma espontânea ou provocada, indique o interesse em intervir na causa, observado o § 4º do art. 64 do CPC e/ou o § 4º do art. 1º-A da Lei 12.409/2011. No caso, considerando que foi negado seguimento ao recurso especial quanto ao Tema 1011/STF, não é possível conhecer do recurso nesse ponto. Por outro lado, a alteração da conclusão do Tribunal a quo, a fim de verificar se a Caixa Econômica Federal se desincumbiu do ônus de provar seu efetivo interesse na demanda, ensejaria o necessário reexame da matéria fático-probatória dos autos, o que atrai a incidência da Súmula 7/STJ. Quanto à tese sobre a cobertura securitária dos danos provocados por vícios construtivos nos imóveis objetos do seguro habitacional, o acórdão recorrido somente poderia ser modificado mediante o reexame dos aspectos concretos da causa e do contrato de seguro firmado entre as partes, o que é vedado, no âmbito do Recurso Especial, pelas Súmulas 5 e 7 desta Corte. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. COMPETÊNCIA INTERNA DO STJ. ALEGAÇÃO POSTERIOR AO JULGAMENTO DO FEITO. PRECLUSÃO. COBERTURA SECURITÁRIA DE IMÓVEL FINANCIADO. INTERESSE DA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC/2015. NÃO APONTAMENTO. ART. 1.025 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INAPLICABILIDADE. REVISÃO DE E DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS MATÉRIA FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS 5 E 7/STJ. 1. No tocante à alegação de competência da Segunda Seção, é certo que a competência interna desta Corte é de natureza relativa, devendo ser suscitada até o momento do julgamento, sob pena de preclusão, nos termos do art. 71, § 4º, do RISTJ. 2. No mérito, conforme consignado na decisão agravada, defende o recorrente que "a divergência reside justamente no fato de que o aresto paradigma exige a prova dos requisitos, quais sejam, que as apólices sejam públicas e que haja a efetiva comprovação do comprometimento do FCVS, com o que não se importou o aresto recorrido, uma vez que sequer informa quais documentos foram juntados, ou em que ponto ficou demonstrado o exaurimento do FESA com o comprometimento do FCVS, apenas alegando risco presumido". A questão não foi especificamente examinada pelo Tribunal de origem (Súmula 211/STJ), sendo certo ainda que seria inviável analisar a tese defendida, pois inarredável a revisão do conjunto probatório dos autos para se chegar a tal conclusão. Aplica-se, portanto, a Súmula 7/STJ. 3. Com efeito, para que se configure o prequestionamento, não basta que o recorrente devolva a matéria controvertida para o Tribunal. É necessário que a causa tenha sido decidida à luz da legislação federal indicada, bem como seja exercido juízo de valor sobre os dispositivos legais apontados e a tese recursal a eles vinculada, interpretando-se a sua aplicação ou não ao caso concreto. Nesse contexto, por simples cotejo das razões recursais com os fundamentos do acórdão recorrido, percebe-se que as teses recursais vinculadas aos dispositivos tidos como ofendidos não foram apreciadas pela Corte local. Ademais, o STJ entende que é insuficiente opor Embargos de Declaração para configurar o prequestionamento ficto admitido no art. 1.025 do CPC/2015. É imprescindível que a parte indique, nas razões do Recurso Especial, a ofensa ao art. 1.022 do mesmo diploma legal, para que, assim, o Superior Tribunal de Justiça esteja autorizado a examinar a eventual ocorrência de omissão no julgado e, caso constate a existência do vício, venha a deliberar sobre a possibilidade de julgamento imediato da matéria, conforme facultado pelo legislador, o que não foi feito no caso dos autos. 4. Da mesma forma, não se pode conhecer da irresignação contra a ofensa aos arts. 51, I, IV, XIII e § 1º, do CDC, pois o referidos dispositivos legais e os temas a eles relacionados não foram analisados pela instância de origem. Ausente, portanto, o indispensável requisito do prequestionamento, o que atrai, por analogia, a incidência da Súmula 282/STF: "É inadmissível o Recurso Extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada." 5. Ademais, a análise do pleito exigiria revolvimento de cláusulas contratuais, o que é vedado nesta via ante o óbice da Súmula 5/STJ. 6. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp n. 2.063.754/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 14/8/2023, DJe de 21/9/2023) Ademais, para a caracterização da divergência, exige-se a realização do cotejo analítico, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, o que não ocorreu, no caso. Isso posto, não conheço do recurs o. Majoro os honorários advocatícios em 2% (dois por cento), com fundamento no art. 85, § 11, do CPC/2015, observados os limites percentuais previstos no § 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Intimem-se. EMENTA